30 abril 2009
já chegámos à América!
Um rapazinho de dez ou onze anos, filho de uma colega do Joachim, foi apanhado em flagrante de olhar para o rabo da irmã de três anos, e foi caso de Polícia. Escusado será dizer que o miúdo nunca mais foi capaz de ter uma relação normal com miúdas e consigo próprio.
E também há um amigo nosso que fez fotografias dos filhos dele e de um miúdo da vizinhança, todos sentados na piscininha de plástico que tinham posto no jardim - não sei se em fato de banho, se nus. O pai da outra criança começou a exigir que ele lhe desse as fotos e os negativos daquela pedofilia descarada. O nosso amigo contactou imediatamente um advogado e a Polícia, e está a pensar voltar para a Alemanha.
Tudo histórias dos EUA, pensava eu. Mas, pelos vistos, essas coisas chegaram a Portugal.
Podem ler aqui: Vila Forte, os posts "desculpa André!".
A única coisa que me consola é que isto é meio caminho andado para termos também um Obama (Deus me ouça...)
o fim do mundo perfeito

Há dias, a Isabela contava que um post do seu blogue aparecia num site da extrema-direita, o que lhe dava uma conotação que ela nunca quisera pôr nas suas palavras.
Fiquei a pensar nisso: uma pessoa escreve, os outros interpretam, viram e reviram como querem, e o autor nem imagina com que significados é que as suas palavras poderão ser copiadas e discutidas noutros espaços.
Bem vistas as coisas, não será uma loucura escrever num blogue?
(e no twitter ainda mais, por ser um espaço tão dado a informalidades)
Andava aqui a pensar na resposta a dar, e li hoje, com muita tristeza, a da Isabela: o Mundo Perfeito acabou.
Se disser que lamento o fim daquele blogue, minto.
Porque é muito mais: sinto-me roubada, e revoltada com a infâmia que levou ao seu fim!
Este triste episódio dá cabo de um blogue excepcional, e abala a confiança na blogosfera: o mundo perfeito, se alguma vez acreditámos nele, acabou aqui.
***
E contudo, Isabela: este é o preço do diálogo, e de estar em redes sociais.
Só a falar é que nos entendemos, crescemos, descobrimos novos horizontes. O pior que pode acontecer é que as intenções malsãs dos outros resultem para ti numa mordaça e para nós num empobrecimento das ideias.
Fico à espera de um novo blogue - nem que se chame "o Mundo Imperfeito"...
Weimar Quiz
Quem me conhece bem já sabe o que os espera: vários Rossios na Betesga, incluindo uma corrida tradicional de carrinhos de rolamentos na encosta do palácio de Belvedere, Buchenwald (desta vez a horas e até com visita guiada) e jantar na praça principal de Erfurt.
Por causa dos miúdos que também vão, e estão naquela idade "cultura?! isso não é nada cool!", preparei um Quiz.
Aqui vai ele.
Quem conseguir responder a pelo menos 8 das perguntas, ganha um gelado na Da Marco, que tem mais de 100 sabores diferentes e uma bela esplanada na Schillerstrasse.
1. O que é que este edifício tem a ver com Johann Sebastian Bach?

2. Que funções tinha o que na foto aparece como ruína?

3. Como é o resultado da combinação das cores salmão e amarelo na decoração de uma sala?
4. Uma princesa filha de um czar foi sepultada em terra russa, numa capela ortodoxa, ao lado do seu esposo, este sepultado em terra alemã e numa capela protestante. Como é que isto é possível?
5. O que é que esta foto tem a ver com a obra de Lucas Cranach, o velho?

6. Depois da batalha de Jena os soldados de Napoleão desataram a saquear casas na região. A casa de Goethe escapou por uma unha negra (enfim, muito negra não devia ser, que foi o dedo da Christiane Vulpius que andou por ali). À casa que se vê na foto não aconteceu nada – porquê?

7. Porque é que em 1919, em Weimar, era impossível encontrar alojamentos?
8. Entre outros, os pianistas Alexander Borowsky, em 1935, e Martha Argerich, em 1960, gravaram a sua interpretação da 6ª Rapsódia Húngara de Liszt. Que diferenças podemos encontrar nas duas gravações?
9. Qual destas casas foi construída primeiro?


11. O que é que se faz para tentar dar a uma árvore velha de quase 200 anos uma segunda Primavera?
***
As respostas encontram-se aqui:
1. Bastille
2. Parque do Ilm
3. Goethes Gartenhaus
4. Cemitério histórico
5. Museu do Palácio
6. Schillerstraße 9
7. Museu Bauhaus (filme)
8. Marienstraße 17
9. Am Horn 61
10. Marktplatz 19
11. Em frente à biblioteca Anna Amalia
aventura
No bar, alguns passageiros perguntavam ao capitão: "e não teme que este navio seja alvo de um ataque pirata?"
"Não, que ideia, a esta distância da costa não corremos perigo.", foi a resposta.
No mesmo momento, uma passageira debruça-se por acaso sobre a amurada e comenta: "olhaaaa... está aqui um barquinho ao nosso lado..."
Do "barquinho" já tinham lançado uma corda com arpão para subir para o barco, e um pirata já estava a caminho.
Os passageiros desataram a atirar cadeiras e mesas na direcção do pirata, que caiu à água.
Seguiram-se momentos de desespero, com o barco a afastar-se e a regressar, e os passageiros a atirarem cadeiras na sua direcção. Alguém correu para o bar, gritou a avisar o capitão, que distribuiu armas pela tripulação e deu ordens para os passageiros se protegerem no interior, para apagarem todas as luzes, e para o navio avançar aos ziguezagues, de modo a criar grandes ondas. Daí a nada, recebia um telefonema em péssimo inglês, "sabemos que estão a ser atacados, digam-nos as vossas coordenadas para podermos ajudar" - eram os piratas, que queriam voltar ao ataque mas não sabiam como encontrar o barco às escuras.
Estas "adventure travel vacations" para executivos estão cada vez mais elaboradas!
29 abril 2009
um caso de crime (mais uma história alemã)
Vitória!, e: Alívio!, disse-se.
Demasiado cedo: o ADN correspondia a dois gémeos uniovulares, era impossível dizer qual deles era o criminoso, embora se tivesse a certeza que teria sido um dos dois. Tiveram de libertar ambos.
Mas que grande frustração!, disse-se.
Demasiado cedo: os gémeos uniovulares eram três, e o terceiro, o verdadeiro criminoso, foi-se entregar à Polícia cheio de remorsos pelo que tinha causado aos irmãos.
***
Nota mental: não esquecer nunca de dar uma voltinha pela internet antes de contar estas histórias. É que a última frase (os gémeos eram três) foi, afinal, notícia do primeiro de Abril...
mais histórias alemãs
Na noite de Natal, por exemplo, a igreja da minha paróquia já está à pinha uma hora antes do início da missa do galo.
Este ano, numa das magníficas igrejas medievais de Nuremberga, a missa do Domingo de Páscoa foi acompanhada por partes da oratória "o Messias". Com solistas pagos, um coro cheio de cantores profissionais, e até uma das melhores violinistas do barroco que actualmente trabalham na Alemanha.
Algumas horas depois ouvi pessoas do coro queixarem-se dos detalhes da realização: desde os acólitos em pé, como fazem habitualmente naquele momento da missa, sem repararem que estavam mesmo à frente do solista, impedindo as pessoas de o ver e de ouvir convenientemente a sua dificílima ária, até ao coro final, em que o sacristão começou a arrumar a parafernália no altar para preparar tudo para a missa seguinte, enquanto o coro e a orquestra se desunhavam ainda a dar o seu melhor.
Os cantores estavam indignados. Mas o sacristão argumentou, e cheio de razão, que tinha de deixar tudo pronto para a missa seguinte não começar com atraso...
Sugeri-lhes que, da próxima vez que isto acontecer, pura e simplesmente parem em plena frase musical, para não incomodarem o trabalho do sacristão. Que podem ter a certeza que nunca mais nenhum acólito se lembrará de se especar em frente a um solista, nem haverá tilintar de cálices e pratos a acompanhar um aaaaaa-méeeeen aaaaa-mmmmmmmméeeeeeeennnnnnn mais elaborado.
De modo que, se alguma vez estiverem numa igreja alemã e o coro se interromper a meio da peça, a culpa, no fundo no fundo, é minha...
Banchieri: Barca di Venetia per Padova
Trata-se da encenação da ópera madrigal "La Barca di Venetia per Padova" numa piscina pública - e bem, que a história passa-se num barco.
Intérpretes: o coro de câmara "orchi e balene" (cantarão dentro da água?!) e o "concento degli incurabili" - só por causa dos nomes já me apetece (r)ir.
Para ter ideia da peça, aqui têm uma interpretação pelos "Poor Knights" (outro nome óptimo), com os diálogos em finlandês.
kammerchor orchi e balene mit Gesangssolisten
concento degli incurabili
Musikalische Leitung: Markus Wettstein • Regie: Chris Dehler
20.30 Uhr
7./8. Mai
Eintritt: 10/15 Euro
Im Jahre 1605 findet sich eine bunt gemischte Gruppe zu einer Bootsfahrt von Venedig nach Padua zusammen. Lasst uns die Fahrt verkürzen und das eine oder andere Madrigal singen, ruft ein Buchhändler aus Florenz, wer eine gute Stimme hat, trete vor! Unter den fünf Mutigen befindet sich ein etwas angeheiterter Deutscher, der erst einmal seine Flasche auf das allgemeine Wohl erhebt. Nach einer Weile werden die Madrigalsänger barsch unterbrochen: Die Kurtisane Rizzolina kann die schwelgerischen Madrigale mit den gefühlsduseligen Texten nicht länger ertragen und stimmt einen derben Gassenhauer an. Bei der Ankunft in Padua entsteht ein großer Tumult: Die Besatzung fordert das Fahrgeld ein, alle suchen hektisch ihr Gepäck und ein angeblich ausgeplündert heimkehrender Soldat wird als schwindelnder Taugenichts entlarvt.
Stadtbad Steglitz
Bergstraße 90
12169 Berlin
U Schlossstraße /U+S Rathaus Steglitz, Bus: M48, M85
Tickethotline: 030/797 480 28
www.stadtbad-steglitz.de • www.clubtheater-berlin.de
28 abril 2009
histórias alemãs

I.
No domingo passado houve um referendo em Berlim, para decidir se nas escolas há aulas obrigatórias de Ética, sendo que quem quiser pode ter aulas suplementares da sua Religião, ou se os alunos (os pais dos alunos) podem escolher entre ter aulas de Religião e aulas de Ética (como acontece nas outras regiões da Alemanha).
Wowereit, o ministro-presidente de Berlim, marcou propositadamente o referendo para este dia, apesar de muito em breve se realizarem eleições para o Parlamento Europeu. Dizem os críticos que não se importa de gastar 1,4 milhões de euros (de uma cidade completamente falida) para baixar ao máximo as hipóteses de ganhar a opção "Ética ou Religião".
Os resultados do referendo mostram como o muro continua a existir vinte anos depois de ter caído: a parte ocidental votou "sim", a parte oriental votou "não".
II.
Na parte oriental de Berlim, depois de quarenta anos de comunismo, só sobraram os cristãos que eram realmente muito resistentes (agora me ocorre: aí teríamos bastante pano para mangas de novas canonizações...)
Em contrapartida, sempre houve muitos católicos na parte ocidental de Berlim. Ontem explicaram-me porquê, e é uma questão interessante de urbanismo: durante o século XIX nasceram junto às cidades áreas industriais, acompanhadas da respectiva poluição e do inevitável crescimento urbano. Os ricos instalavam-se na parte ocidental, do lado de onde sopra o vento, que levava a poluição para o leste, onde ficavam os bairros mais baratos. É assim que surgem os bairros a que se chama "Weststadt" (e eu já estranhava há muito porque é que esses são sempre os bairros mais giros das cidades alemãs: ruas inteiras com belas casas em estilo Arte Nova e cheias de árvores antigas).
Os ricos de Berlim, instalados nos magníficos bairros de Charlottenburg, Dahlem, Zehlendorf, etc., abasteciam-se de empregadas domésticas na Silésia. E estas eram católicas, pelo que em praticamente cada casa ou apartamento da parte ocidental de Berlim havia pelo menos um católico.
(Lutz, se esta história urbanística é mentira, não te acanhes: desengana-me. Estou a vender ao preço a que comprei.)
27 abril 2009
o filho pródigo
"Eu é que não acredito: ainda me falam!"
Ainda falamos, pois, e toma lá um anel e umas sandálias!
Assim me dou conta de algo belíssimo neste mundo dos blogues: a liberdade de ir e vir, a alegria do reencontro.
E agora com licencinha, vou ali engordar um bezerro para festejar o almejado regresso dos outros ausentes. Bios Politikos, Lida Insana, A Origem das Espécies, Carla de Elsinore, e tantos outros: será para vocês, para quando as bolotas da vida real vos começarem a saber a pouco...
santa Deuladeu Martins
Deuladeu Martins: capaz de vencer os castelhanos sem derramar sangue - e aposto que por aqueles dias se terá rezado muito, e com muita Fé, dentro das muralhas de Monção. Além disso, alimentou os inimigos - ama o teu próximo como a ti mesmo.
Só falta um milagre. Vou já tratar disso e depois digo.
***
A propósito: Do lado negro da História, Rui Bebiano.
25 abril 2009
declaração de amor

24 abril 2009
23 abril 2009
para quem não sabe o que fazer em Agosto e se interessa muito por questões de Educação:
Isso significa que uma das melhores escolas alemãs, a Jenaplan de Jena, recomeça a funcionar logo na segunda semana de Agosto.
Pessoas interessadas em aprender mais sobre este projecto de ensino poderão assistir durante uma ou duas semanas ao funcionamento desta escola, que vai do 1º ao 12º ano de escolaridade, em grupos nucleares que juntam 3 anos (do 1º ao 3º, do 4º ao 6º, etc.)
Podem ler mais informações em posts que escrevi anteriormente:
- sobre a necessidade de reformar: aqui.
- sobre a Jenaplan (teorias): aqui.
- sobre a Jenaplan (filme): aqui.
- sobre medos e prazeres de aprender: aqui.
Os interessados devem contactar-me directamente.
Posso ajudar a fazer o contacto com a escola, e tentar arranjar um alojamento a preço razoável em Jena.
Ideal seria que falassem alemão - mas já vi numa escola Jenaplan um grupo de professores coreanos que nem inglês falavam...
22 abril 2009
justiça popular
Concretamente: se eu me chatear com o meu vizinho, escrevo o seu nome e morada no tal site, e digo que apanha da mulher e urina no elevador. Sob anonimato, claro, claro.
Um visitante virtual da minha rua facilmente pode ter acesso ao que eu escrevi e ficar a saber "toda a verdade" sobre o Herr Schmidt do 2º D.
Querem proibir o site na Alemanha, mas é difícil porque (se bem percebi) é americano, e está ao abrigo da liberdade de expressão tal como ela é entendida nos EUA.
Como ainda estou a dormir, permito-me um pesadelo: que tal usar isso contra todas as pessoas que fizerem publicamente acusações sem provas? Que tal, heinhe?
O sr. Silva, que mora do outro lado da minha rua, diz no café "são todos uns corruptos, a começar pelo Sócrates!" e eu, zimbas, escrevo logo na caixinha da sua morada "o sr. Silva faz fotocópias privadas no escritório"; a D.Aninhas, que tem um blogue engraçado, escreve que os pais da Maddie é que mataram a filha, e eu (que sei quem ela é) zimbas, escrevo logo na caixinha da sua morada que ela passa mais de metade do horário de serviço nos blogues, e além disso consta que já partiu várias colheres de pau no lombo dos filhos. O sr. Luís diz que determinado deputado tem cara de homossexual? Ai escrevo logo que o sr. Luís (da praceta X, nº tal) obriga a mulher a fazer swing de casais.
Ninguém gostava, pois não?
Então porque é que fazem aos outros?
***
É que estas difamações vergonhosas não acontecem "só" aos políticos.
Um amigo meu prestou auxílio a uma idosa que, por motivos que desconheço, estava em situação de total ruptura com os filhos. O meu amigo - por quem ponho as mãos no fogo - tinha, juntamente com outra pessoa, acesso à conta bancária da senhora. Depois da sua morte, os filhos processaram as pessoas que a tinham ajudado. Com direito a ter o nome e a fotografia no jornal, em artigo onde se afirmava que se tinha aproveitado da boa-fé de uma idosa para a roubar.
O que é que se devia fazer ao jornalista que escreveu esta peça?...
Pelo menos pelo menos fazer constar que parece que se droga no horário de serviço.
***
Também é possível fazer de outra maneira.
Li hoje no Spiegel online uma notícia sobre um rapaz de 18 anos suspeito de, juntamente com um amigo, ter matado as suas duas irmãs, sentando-se depois calmamente num restaurante com os pais; quando estes regressaram a casa, tê-los-á também matado. As armas utilizadas tinham sido roubadas do centro de tiro desportivo do qual era membro.
Do aparelho judicial não vem qualquer informação. Dizem que têm "ideias" e "hipóteses", mas que não se pode publicar "especulações". Um jornaleco de grande tiragem (o Bild, que outro podia ser?) inventa que o motivo poderia ser inveja do sucesso das irmãs - mas o ministério público não comenta postas de pescada. De facto, nem sequer se sabe o nome da família em causa.
O rapaz parecia perfeitamente integrado e equilibrado, a família parecia normal e feliz. Não se compreende.
Comenta-se no artigo:
Como é que o filho modelo se tornou num suspeito de assassínio? Esta pergunta é feita não apenas por polícias e jornalistas, mas também pelas pessoas da região de Eislingen. Uma pastora da Igreja Luterana, Kathinka Korn, adverte contudo para o risco de incorrer em respostas precipitadas: "é isto, justamente, o mais difícil - prescindir do frívolo consolo que as respostas irreflectidas podem oferecer, e suportar a existência de perguntas que ficam sem resposta", disse no seu sermão.
Esta frase da pastora serve bem para questionar o modo como se fazem notícias e se fala delas.
21 abril 2009
sobre fardas, ao correr da pena
Os decotes das funcionárias de uma Loja do Cidadão! Aaaah, finalmente acontece alguma coisa em Portugal!
E então: qual é o problema de um serviço de atendimento ao público estabelecer um conjunto de regras de vestuário? O que nos deve incomodar são as regras no caso concreto, ou o atentado ao princípio geral das liberdades individuais? Expliquem-me isso melhor, por favorzinho, que eu também me quero exalterar.
No meu contrato de trabalho numa empresa em San Francisco havia uma cláusula que informava sem grande margem para dúvidas sobre o que me era exigido em termos de vestuário: de segunda a quinta, compostinha; às sextas, business casual. Era bastante ridículo ver o chefe e proprietário da empresa, o autor daquela cláusula, a vestir religiosamente jeans e pólo às sextas-feiras. Lembrava-me uma revolução devidamente autorizada por todas as instâncias competentes, ou uma grande maldade que se diz sobre os alemães: que têm hora marcada para o sexo, e é ao sábado à noite, depois do programa de desporto.
Na prática: às sextas, esperava-se de mim que fosse trabalhar de jeans. Só por causa das coisas e da desobediência civil, às sextas apericaltava-me ainda mais. Não fui despedida, pelo que desconfio que o chefe era um rapaz muito tolerante. Só foi pena não ter brincado com Barbies quando era pequenino, para não precisar de brincar às roupinhas depois de velho.
(Isto sou eu a meter nojo. Provavelmente, a verdade anda mais por aqui: as empresas escolhem um dress code pelo qual também passa a sua imagem, mas os funcionários unidos e reivindicantes conseguiram abrir uma pequena excepção para o fim da semana.)
Na empresa onde tinha trabalhado anteriormente, na área de software, o dress code - se bem entendi - era assim: quanto mais genial e insubstituível na empresa, mais abandalhado. Alguns colegas meus iam de t-shirt velha, ou camisa amarrotada, fazer palestras em congressos. Nem sempre a gravata vermelha é o melhor símbolo de sucesso - uma t-shirt toda rota pode ser bem mais intimidante.
De uma maneira ou de outra, aquilo que se veste é sempre uma afirmação e uma imagem.
A Angela Merkel, por exemplo: a gente olha para aqueles fatos, e vê uma farda de trabalho e um claro "deixem-me trabalhar, não me chateiem com essas minudências".
O Schroeder adorava gravatas vermelhas. Aliás: é um prazer comparar os vermelhos das gravatas dos políticos nos debates televisivos durante a campanha eleitoral.
Em contrapartida, se não me engano, o Obama apareceu na Europa de gravata azul. Tranquilo, em missão diplomática.
Um dia destes hei-de reparar que cores usam os ministros dos negócios estrangeiros.
Nas escolas de Weimar, onde os meus filhos andaram 5 anos, havia uma certa pressão para manter o nível bastante baixo. Esprit?! Adidas?! Nike?! Não, nada disso. Lidl, ou, no máximo: C&A. Ai de quem ousasse um pouco mais de estilo - arriscava-se a andar nas bocas do mundo.
Muito curioso: miúdos nascidos depois da queda do muro, numa Alemanha já reunificada, mas com reflexos ideológicos do período comunista. Apesar da invasão capitalista, da televisão, da Bravo, da internet.
(Confesso que é bem mais agradável viver numa sociedade onde na escola a pressão sobre o estilo de vestuário, se existe, é na direcção do mais simples, e não das marcas caras.)
Noutras regiões da Alemanha, e noutros países ocidentais, as coisas são bem diferentes.
Por exemplo: os filhos de amigos nossos, da sul da Alemanha, que fizeram férias connosco em Portugal, e iam para a praia com algumas centenas de euros em cima do corpinho: t-shirt Ed Hardy (aquelas coisas esquisitas que custam um dinheirão), calções de banho justos de marca não-sei-quê por baixo de bermudas marca não-sei-quantos. A condizer: sandálias, boné, óculos de sol - um salário mínimo não chegaria para pagar o beach apparel daqueles adolescentes. E até me esqueci do i-pod.
No seu livro mais recente, Chagrin d'École (já existe em alemão e em espanhol, a Caminho que se despache com a tradução, que o livro é mesmo bom), Daniel Pennac comenta, a propósito do vestuário dos jovens, que hoje em dia já nem se sabe o nome das peças de roupa, só se sabe a marca. Fazer o quê? Afinal de contas, uma coisa é uma "Allstar" e outra, bem diferente, é uma "sapatilha de lona"...
Muitas escolas alemãs têm uma espécie de farda para os alunos. Não andam todos de igual, longe disso! A escola, em conjunto com os representantes dos pais, escolhe uma empresa de vendas por correio que pratique uma boa relação qualidade/preço e, dentro do catálogo, um conjunto relativamente alargado de peças e cores que os alunos podem combinar segundo o seu estilo pessoal. Os professores louvam a iniciativa: ao que parece, o ambiente fica muito mais pacífico, porque os alunos não usam estilos e marcas para se dividirem em grupos e competições. As pessoas deixam de se distinguir pelo que vestem (e pelo preço da roupa que vestem), mas pelo que são. E o orçamento familiar dá um suspiro de alívio.
Eu avisei que isto é um post ao correr da pena.
Fico-me por aqui, que estes devaneios atrasam-me muito a vida real.
20 abril 2009
em cena
Por outro lado, o que não me incomoda, e até diverte, é a questão que não quer calar: quantas encenações haverá nos bastidores desta encenação?
Quem se terá lembrado de tal aparição? Porque é que a Susan Boyle aparece em palco, perante câmaras de tv, com um vestido que não a favorece, e sem passar primeiro por um cabeleireiro? Fez sem querer? Fez de propósito? Foi-lhe sugerido?
E será que o Britain's Got Talent deixa as pessoas aparecerem em palco sem um filtro prévio? O júri é realmente surpreendido pela pessoa em palco, ou já sabe com o que pode contar?
Estaremos perante uma produção ainda mais completa do que parece?...
É evidente que jogaram com os nossos preconceitos - e está bem assim, que aquele espectáculo é caro e convém que tenha audiência e lucro.
Escusamos é de andar agora com cara de papalvos, olha, olha, esta agora teve graça, viram como tínhamos preconceitos?
Se é para falar da dignidade das pessoas apesar da sua aparência, comecemos pela realidade: vamos ao encontro de um qualquer excluído, anónimo e sem talento, com quem nos cruzarmos.
Sem encenações nem morais da história.
Sem efeitos especiais de sapos que se transformam em príncipes.
17 abril 2009
boas notícias, más notícias, melhores notícias
Más notícias: estava tão cansado (era a terceira vez num mês que ia aos EUA, mais algumas viagens na Europa) que se deitou logo a dormir, e nem se deu ao trabalho de provar o caviar verdadeiro que servem ainda antes de o avião descolar.
Melhores notícias: por sorte, eu não estava lá. Podia-me ter dado para pedir um doggy bag.
Oito ou oitenta? No caso, é mais menos infinito a mais infinito.
No princípio da semana no Four Seasons a trabalhar com um visagista das "estrelas de cinema" (o sabonete Lux, pelos vistos, já não chega), no fim da semana a voar para Marrocos para passar 10 dias num acampamento a 2000 m de altitude no Atlas, e a operar melanomas a gente que nunca viu um médico.
(uma coisa não consigo entender: é mesmo possível num hotel com mais de cinquenta andares todos os quartos custarem muitas centenas de dólares?)
E eu?
Desconfio que sou o baixo contínuo desta família.
16 abril 2009
"faz-te puro, meu coração"
J.S. Bach
Paixão segundo São Mateus, ária de José de Arimateia
Mache dich, mein Herze, rein,
Ich will Jesum selbst begraben.
Denn er soll nunmehr in mir
Für und für
Seine süße Ruhe haben.
Welt, geh aus, lass Jesum ein!
Faz-te puro, meu coração,
eu mesmo quero enterrar Jesus.
Pois de hoje em diante
e para sempre
ele terá em mim
o seu doce repouso.
Mundo, sai! Entre Jesus.
Uma ária com da capo: voltar ao princípio, recomeçar, recomeçar.
***
Uma vez, um inglês aí dos seus 20 anos, perguntou-me o que era a Páscoa.
"Sei que morreu alguém...", disse-me ele.
Na Turíngia, e noutras regiões da Alemanha, os alunos podem escolher entre Ética e Religião (católica ou evangélica). Amigos meus, ateus ou agnósticos, nem me dou ao trabalho de perguntar, matricularam os filhos nas aulas de religião. "Porque têm de aprender the basics para entenderem as artes ocidentais dos últimos dois milénios, dizem-me eles.
Pergunto-me: será que esta peça toca da mesma maneira aqueles que sabem a história da Paixão e aqueles que a vivem com Fé?
08 abril 2009
qual é a palavra mais importante nos Evangelhos?
.
.
(espaço para pensar - será:
. amor?
. entrega?
. despojamento?
. revelação?
. mistério?
. ...)
.
.
Resposta de um professor de Teologia alemão: Tapeinos.
Literalmente: baixar até ao solo.
Uma tradução: humildade.
Boa Páscoa!
(eu saio daqui a bocadinho para Nuremberga e Weimar - tenho de ir verificar se continua tudo em ordem com as peças do Germanisches Nationalmuseum, especialmente aquela Senhora das Espigas que é a imagem mariana mais bonita que conheço, e inspeccionar a exposição temporária sobre o nascimento do movimento Bauhaus, em Weimar)
(quem me lê até pensará que I'm on a mission...)
Yehudi Menuhin
Da autobiografia de Marcel Reich-Ranicki*, Mein Leben:
(tradução – já me conhecem – apressada e nem sempre fiel, que a minha vida tem mais duas ou três prioridades, para além de querer partilhar convosco estes bocadinhos de história e filosofia)
Quando ouvi o nome Menuhin pela primeira vez – era eu ainda criança e viera recentemente para Berlim – já o adjectivo “divino” era usado. Alguém contou na nossa sala, seria por 1930, que o músico de 13 anos tocara com a Filarmónica de Berlim, e citava Einstein: “agora sei que existe um Deus no céu”.
(...)
Uma década mais tarde, quando Tosia e eu já éramos obrigados a vegetar no gueto, recebemos um convite, por intermédio de um amigo, para um sarau onde se ouviriam alguns discos. O nosso anfitrião, pouco mais velho que nós, já era casado. No seu quarto estreito sentavam-se no chão sete ou oito pessoas. Ouvimos Berlioz e Debussy. A seguir, fui atingido por um raio: o que me arrebatou e comoveu foi um concerto para violino (mais exactamente: o seu primeiro andamento) que naquela altura ainda não conhecia – o nº 3 em Sol maior, tocado por Menuhin. Fiquei sem palavras. Ainda hoje gosto muito desta peça, e penso que ninguém a tocou melhor que o jovem Menuhin.
No caminho de regresso a casa, pelas ruas apinhadas e horrorosas do gueto de Varsóvia, falámos dos nossos generosos anfitriões. Invejávamo-los. Porque tinham o disco com aquele concerto, e ainda algo que era um grande sonho nosso: um quarto só deles, escassamente mobilado, é certo, mas com uma cama. Ambos pensávamos no mesmo. Se bem me lembro, resistindo aos berros constantes e estridentes dos vendedores ambulantes e dos pedintes, citei aquele verso de Shakespeare onde se diz que a música é o alimento do amor.
A primeira vez que vi Menuhin foi em 1956, em Varsóvia. O “degelo” permitiu que, pelo menos durante algum tempo, músicos e actores famosos viessem à Polónia. Vieram todos: de Leonard Bernstein e Arthur Rubinstein até Gérard Philipe e Laurence Olivier, e, como disse, Menuhin. A sala estava esgotada. Nos corredores da Filarmonia de Varsóvia, recentemente construída, aglomeravam-se estudantes que tinham comprado bilhetes a preço muito económico para poderem assistir ao concerto em pé. O palco enorme, que tinha espaço para uma orquestra filarmónica e um grande coro, estava completamente vazio. Nem um piano havia, dado que no programa só constavam sonatas de Bach e Bartók para violino solo.
Menuhin avançou rapidamente pelo palco. Depois do estrondoso aplauso, fez-se um silêncio inquietante. Tensos, esperavamos aquele som encantado que só conhecíamos dos discos, e ia ser agora, finalmente chegara o momento de o ouvir ao vivo. Mas Menuhin baixou o violino. A princípio, ninguém entendeu porque é que ele não iniciou a peça, o que é que ele pretendia enquanto acenava com o arco de forma amigável: estava a convidar as pessoas encostadas às paredes e de pé pelos corredores para virem ter com ele e sentarem-se no chão do palco – e todos obedeceram, hesitando primeiro, apressando-se depois. Esta imagem ficou-me gravada para sempre: centenas de jovens sentados no chão, e no meio deles um homem magro, para o qual todos olhavam.
(...)
Lembro-me de duas perguntas que fiz a Menuhin durante essa viagem de comboio [em 1960]. Queria saber quem, em sua opinião, era o maior violinista vivo. A resposta veio imediatamente: David Ojstrach – e acrescentou: “há nele um violinista cigano”, com o que se referia, obviamente, ao temperamento de Ojstrach, à alegria com que tocava e à sua originalidade. Para que eu não o entendesse mal, disse Menuhin a rir, em cada grande violinista há um pequeno cigano. Depois falámos da monotonia da existência de um músico virtuoso. Naquela altura, ele viajava de cidade em cidade e interpretava todas as noites, acompanhado pela sua irmã, uma sonata de Beethoven e outra de Brahms. Se isso, repetido ao longo de várias semanas – perguntei-lhe eu -, não acaba por se tornar esgotante com o tempo e, o que me interessava ainda mais saber, até maçador. Menuhin reflectiu apenas um instante, e deu-me uma resposta de uma grande simplicidade, e mesmo banal. Mas que eu não esqueci. Disse ele: “Se realmente dás o melhor de ti todas as noites, nunca se torna maçador.”
(...)
[Em Beijing] vejo um homem branco que, acompanhado por um tradutor tal como eu, avança na minha direcção. É Yehudi Menuhin. O encontro ocasional naquela cidade gigantesca supreende-nos, eu quedo-me mudo.
O que faz ele aqui, pergunto-lhe. “Beethoven e Brahms, com a orquestra local”, é a resposta breve. E o que faço eu? “Palestras sobre Goethe e Thomas Mann”. Menuhin fica por uns momentos silencioso, e depois comenta: “Pois é, somos judeus.” E, depois de uma curta pausa: “É normal que viajemos de terra em terra, divulgando e interpretando a música e a literatura alemãs”. Encaramo-nos pensativos, em silêncio e talvez com melancolia. Dois ou três dias mais tarde assisto ao seu concerto de Beethoven em Hong Kong. Os críticos dizem que já não é tão brilhante, já não toca com a perfeição de outrora. Contudo, Menuhin não era a perfeição, era aquele divino de que Einstein falara.
A 22 de Abril de 1986 Menuhin festejou o seu 70º aniversário. Pouco depois fizeram-lhe uma bela festa na Redoute de Godesberg. Foram convidados músicos do mundo inteiro, e também alguns políticos alemães importantes. Pediram-me que fizesse um pequeno discurso. Escolhi o tema que preenchera a vida de Menuhin, “Música e Moral”. A música, disse eu, é uma deusa – e a mais gloriosa de todas as que conhecemos. Infelizmente, ao longo dos séculos e dos milénios pôs-se ao serviço de todos os que a quiseram usar: os poderosos e os políticos, os ideólogos e, naturalmente, os religiosos. Por muito que nos custe a aceitar – a música é uma prostituta, e de todas a mais sedutora. Com música se criou temor a Deus, se despertaram sentimentos patrióticos, e se enviaram homens para a batalha e para a morte. Melodias foram cantadas simultaneamente por escravos e pelos seus capatazes, por prisioneiros em campos de concentração e pelos guardas do campo. As pessoas com quem, naquele quarto exíguo do gueto de Varsóvia, ouvi o disco do concerto para violino em Sol maior tocado por Yehudi Menuhin – todas elas foram gaseadas. A relação original entre música e moral não passa de um voto bem-intencionado, um preconceito fácil.
E Menuhin? Em qualquer situação e com firme coerência, entendeu sempre a arte e a vida, a música e a moral, como uma unidade ou, melhor dizendo: fez questão de as entender como uma unidade. Nunca desistiu de divulgar e exigir esta síntese, e ele próprio a viveu exemplarmente durante mais de meio século. Tentou tornar o violino uma arma contra a injustiça e a miséria do nosso mundo. Em criança, tinha a certeza – como conta frequentemente – que com a Chaconne de Bach ou o concerto para violino de Beethoven se pode tornar as pessoas, se não boas, pelo menos melhores. Admito que continuou a acreditar nisso até à sua morte, a 12 de Março de 1999.
(*) Marcel Reich-Ranicki, crítico literário, conseguiu uma formidável proeza: um programa de literatura na televisão, o “quarteto literário”, que era uma espécie de mesa redonda onde quatro pessoas falavam sobre livros - sem filmes, sem animação de espécie alguma para além da das palavras ditas. Foi um sucesso.
Recentemente foi-lhe atribuído um prémio de televisão, que ele se recusou a receber, irritado que estava com os disparates que fora obrigado a assistir durante a gala de entrega dos prémios. O apresentador da gala, o famoso entertainer Thomas Gotschalk, ofereceu-lhe um programa especial, de meia hora, onde poderiam falar com mais calma sobre televisão e entertainment.
Uma meia hora abençoada, onde Marcel Reich-Ranicki afirmou que a lógica do lucro na televisão não é a única desculpa para toda a mediocridade que a atravessa. Um Shakespeare, dizia ele, estaria em condições de fazer um programa divertido, com um êxito estrondoso, e simultaneamente com qualidade.
***
E já que Menuhin falou neste violinista, aqui têm a mesma peça tocada por Ojstrach (ou Oistrakh, bem podiam fazer um acordo ortográfico mundial sobre nomes, para a gente se entender)
07 abril 2009
o cantinho da futilidade
Gosto muito dela - enfim, do pouco que sei dela -, mas não percebo que já se fale numa nova Jacqueline Kennedy.
(também pode dar-se o caso de eu, assim à distância, não me dar conta das enormidades estilísticas que a Jacqueline eventualmente terá cometido)
Cá para nós: ir de casaquinho de malha quando se é recebida pela rainha de Inglaterra?!
Casaquinho de malha está bem para um, sei lá, serão no family room.
E é para não falar naquele laço enorme branco que parecia um guardanapo à moda antiga.
Se põe um laço assim a si própria, o que não porá ao famoso cão?
(Sim, eu sei: o tradutor de Jean-Paul Sartre errou ao traduzir "l'enfer c'est les autres" para "o inferno são os outros". O que o filósofo queria dizer era: "o inferno são as outras", e estava a pensar em mim.)
06 abril 2009
itinerário
atravessas um bocadinho de outro planeta
continuas, continuas, até que encontras uma placa - e que haverá nela escrito? Fruita, talvez -, tomas esse caminho, chegas a um vale frondoso onde passa um rio, tem lá um pomar com corças, colhes e pesas a fruta, deixas o dinheiro
mais à frente haverá uma escola ali esquecida num século qualquer
e continuas, sem mapa - por onde quer que vás, é muito belo.

(esta última fotografia é um "olá, bom dia!" para o Imagens com Texto, nomeadamente para um post onde se fala de M. C. Escher)
Adenda: o jj.amarante corrigiu a minha fotografia anterior. Apaguei a primeira, e inseri a imagem com as linhas corrigidas. Para que não pensem que os carpinteiros americanos de "uma casa na pradaria" faziam as janelas arredondadas. Obrigada, jj.amarante!
Só agora reparei que também estou lá, ao lado do Joachim. Muito simbólico: onde as nossas cabeças se juntam, há uma explosão de luz. Talvez use isto nas nossas bodas de ouro (já falta pouco, já falta pouco - à velocidade a que os anos começaram a correr, já falta pouquíssimo...)
05 abril 2009
"não se deixou intimidar"
Florence Foster Jenkins cantava tão mal, que as salas de concerto se enchiam de curiosos e fiéis adeptos, gente disposta a pagar para passar um sarau musical a rir.
A cantora interpretava os ataques de riso no público como maldade das suas concorrentes.
Em resposta a muitos pedidos, acedeu a fazer um último concerto em 1944, quando já tinha 76 anos, num Carnegie Hall vendido até ao último lugar.
Comentário de um crítico: ela não se deixou intimidar pela intenção dos compositores.
A wikipedia alemã tem uma referência elogiosa aos pianistas acompanhantes: de admirar a calma estóica do pianista.
Então, vá: tampões nos ouvidos, e enjoy!
03 abril 2009
fazendo minhas as minhas palavras...
Eleições 2009,
um "blog colectivo sobre as eleições de 2009. Esta é uma iniciativa do Público e de um grupo de bloggers para acompanhar os 3 actos eleitorais que decorrem este ano em Portugal."
Não tenciono passar aqui o que escrevo lá, mas o primeiro post é importante, para saberem ao que ando, e para participarem, se quiserem. E por isso o transcrevo para este espaço:
A minha participação neste blogue começou a partir desta frase num post do Luís Novaes Tito: “Pretendeu-se reunir neste projecto um alargado leque de cores políticas, incluindo as suas nuances, e diversificá-las geograficamente.”
Embora não fosse 10 de Junho, lembrei-me logo dos portugueses da Diáspora, e perguntei por eles.
Penso que num blogue sobre eleições será importante ouvir também o que dizem alguns dos portugueses espalhados pelo mundo, uns com maior outros com menor ligação ao seu país, muitos deles residindo a várias horas de viagem do Consulado mais próximo.
Por isso, aqui lanço um apelo originalíssimo:
Emigrantes de todo o mundo: uni-vos!
Ou, pelo menos, digam da vossa justiça. Digam, sobretudo, o que poderia ser feito para que a vossa participação na vida democrática do nosso país não seja tão absurdamente difícil.
O meu endereço de e-mail está à vossa disposição: zelecm@gmail.com
Tentarei, na medida do possível, passar aqui as vossas preocupações, sugestões e vivências do exercício democrático em condições adversas. Agradeço que incluam sempre o nome e o país de residência.
uma no cravo outra na ferradura
Carmina Burana, alternate lyrics
02 abril 2009
ajavardar com nível
Devia ser um post de fim-de-semana, mas vai assim tipo post de intervalo para o café.
E se tiverem tempo para mais algumas bicas (não digo "tempo para uns cimbalinos" porque no Porto trabalha-se, hehehe), dêem uma vista de olhos pelos outros vídeos deste par.
Já perguntei quando é que vêm a Berlim, e como estava com a mão na massa aproveitei e meti uma cunha para Lisboa. O que os do Porto poupam em cimbalinos que não bebem chegará para o bilhete do Alfa - tenho a certeza!
Das suas biografias:
ALEKSEY IGUDESMAN
Aleksey Igudesman was born in Leningrad at a very young age. He has never won any competitions, mainly because he has never entered any. During his studies at the prestigious Yehudi Menuhin School, he read the entire plays of Bernhard Shaw, Oscar Wilde, and Anton Chekhov, which didn't improve his violin playing (incidentally, he is a violinist) but made him feel foolishly somewhat superior to other less intellectually endowed, yet harder practising, colleagues.
RICHARD HYUNG-KI JOO
Richard Hyung-ki Joo was born. He is British, but looks Korean, or the other way around, or both. He showed his first signs of a sense of comedy whilst nappy-changing and shortly thereafter, showed his love for music when his parents would find him at the record store listening for hours to everything from Mozart to Bee Gees. (Although the two are never to be confused, Hyung-ki is often heard singing "Don Giovanni" in the style of Barry Gibb).


