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14 abril 2026

para que serve o facebook

 

Encontrei hoje, nas memórias do Facebook, o apelo que se segue. - é uma rubrica cada vez mais conhecida, a que dei o nome de "deixa ver se o Facebook serve para alguma coisa" - Muôres
(sim, adivinharam: cá venho eu de novo)
não desejo nada de mal a nenhum de vocês, mas será que alguém tem um bilhete para o concerto da Maria João Pires e descobriu que nesse dia tem dores de cabeça // reunião de condomínio (que é outra maneira de dizer dor de cabeça) // zanga com a pessoa para a qual comprou o segundo bilhete (mais uma maneira de dizer dor de cabeça) // outra dor de cabeça qualquer que vos ponha um bilhetinho a sobrar?
Não é para mim, é para um amigo.
Ele diz que até estava capaz de trocar o da Yuja Wang por esse.
(Só vos digo que os vestidos da Yuja Wang são muito mais interessantes que os da Maria João Pires, mas se calhar se fosse pelos vestidos vocês não iam à Gulbenkian, iam à semana da moda de Paris.) --- Foi um dia bom no Facebook: seguiu-se uma onda de risota, com vários amigos meus cheios de esperança que outros amigos meus ficassem com dores de cabeça, e eu a temer arranjar um sarilho com a Gulbenkian por andar com esquemas de revenda, e a achar que a empresa da Aspirina ia ficar muito minha amiga.

19 outubro 2025

entardecer

 

Lembra-me o facebook que neste dia, em 2013, parei encantada junto a um canal perto do antigo aeroporto de Tegel. Apesar de ter fotografado com o meu telemóvel jurássico, ainda agora consigo sentir a paz daquele momento.
Entardecer junto ao aeroporto de Tegel
(ou: das vantagens de fazer biscates de taxista)










10 outubro 2025

o Fox a fazer de arminho


Esta fotografia tem mais de dez anos, e a legenda que lhe inventei continua a fazer-me rir: "o Fox a fazer de arminho"

(O Da Vinci que não saiba)



 

27 julho 2025

de paraíso em paraíso

 

Lembra-me o Facebook que há um ano e uma semana estava num lugar absolutamente paradisíaco na Dinamarca. Uma das localidades mais bonitas do país (não conheço as outras, mas confio cegamente em quem me deu esta informação). A dormir no camper no parque de estacionamento de um palácio, em frente ao mar, com casa de banho pública limpíssima.









E há um ano, neste mesmo dia, escrevi assim: Isto ultimamente é só paraísos na minha vida. Depois do fim-de-semana na Dinamarca, vim para Lisboa, e logo no primeiro dia de férias fui vom amigos a Sesimbra acender milhões de minúsculos luzeiros no mar. Às onze da noite estávamos todos na água, e cada gesto abria pontinhos de luz à nossa volta.
Esqueçam a Dinamarca, e vão a Sesimbra.
Se forem com bons amigos, melhor ainda.
(A câmara do meu telemóvel transformou a espantosa luz clara daqueles bichos em manchas vermelhas. Nada mais errado. Mas vão lá ver, vão lá ver a luz que nasce das vossas mãos)





arduamente

Lembra-me o facebook que por esta altura, em 2011, estava a trabalhar arduamente...





Arduamente, aquilo que se chama "arduamente", não seria. Era mais um caso de alegremente: estava a traduzir a Viagem a Tralalá, de Wladimir Kaminer, na Quinta de Santa Eufémia. Portanto: ouro sobre azul. Muito ouro sobre muito azul.





11 junho 2025

e assim ia a vida

Lembra-me o facebook que há onze anos estava a mudar de casa, e não foi fácil:

Ponto da situacäo:
- estamos vivos
- mas a nossa internet nem por isso (parece que vem cá hoje um homem fazer näo sei que ligacäo, e depois parece que é só esperar mais um bocadinho, até ao Outono, disseram)
- ao fim de 4 camiöes de mudancas descobri que o meu mal é síndroma da personalidade múltipla:
-- livros? sou o Pacheco Pereira
-- quadros? parece a despensa do Gurlitt - literalmente, excepto no que diz respeito ao nome dos autores
-- sapatos? acabei de descobrir que sou a Imelda Marcos
-- agilidade? sou o Tarzan, movendo-se por entre uma selva de caixas - e nem preciso de lianas
E assim vai a vida.

01 junho 2025

 



Diz-me o Facebook que faz ontem um ano estava de novo a ser feliz na Filarmonia: 1.6.2024 Ontem regressei ao Simon Rattle (ou ele a mim) e foi lindo – tudo!
A peça que Jörg Widmann escreveu para o trompista Stefan Horn (estreia mundial, e se calhar primeira e última vez que é tocada, que esta peça é um inconseguimento programado para qualquer trompista, excepto o Stefan Dohr) (hum...hum... acabei de ser desamigada por todos os trompistas do mundo, excepto o Stefan Dohr) era uma delícia de surpresa e humor.
Dei comigo a pensar que estava muito mais certa na batuta de Simon Rattle que na de um Petrenko: ali estava ele, o Simon Rattle da inovação e do risco, do prazer do inesperado na música, do humor. O Simon Rattle dos Late Night.
Na 6ª de Bruckner: ali estava o Simon Rattle a dirigir a música tantas vezes apenas com a expressão do rosto, a tirar desta orquestra toda a transparência, a profundidade e a subtileza de que ela é capaz.
E ali estava eu num dos bancos do coro, por trás da percussão, tão perto que bem podia ser mais uma da orquestra, encantada e com as costas a doer, sem tirar os olhos do maestro.
Uma sinfonia inteira a sorrir.
Havia várias cadeiras vazias na sala, teria sido possível sair dos bancos do coro e ir ocupar um lugar mais confortável. Mas ficaram todos. Desconfio que tinham tantas saudades como eu de ver o Simon Rattle a comunicar com a orquestra.

16 maio 2025

do tempo em que chovia em Berlim


[ Inconseguimentos antigos - encontrei este post nas memórias do facebook. Vê-se que é antigo porque está a chover. Já não me lembro da última vez que choveu assim bonito em Berlim. ]



O trabalho no jardim avança muito lentamente, por um lado porque me ponho a fotografar em vez de arrancar, e por outro lado porque tenho imensas dúvidas sobre se estou a arrancar as plantas certas.

Se alguém me soubesse explicar se isto são ervas daninhas, era um grande favor que me fazia.

25 junho 2024

luz

 


Ao ver esta "The Swiftness of Time" de Kaoru Yamada no mural de facebook de uma amiga, ao ver a magia desta luz, lembrei por uns momentos a sensação de espanto e prodígio daquela noite em que fui à cozinha - que era no jardim de inverno do apartamento, tinha imenso vidro - e a encontrei inundada numa luz assim forte, mas branca. A luz do luar intenso no céu sem nuvens, multiplicado pela neve que cobria o mundo, entrava pela minha casa e por mim adentro. Espero que me revisite naquele momento final, quando - segundo dizem - passa o filme da nossa vida. Queria muito voltar a esse luar, e também ao dia em que fiz malabarismos com ovos crus, perante os olhos boquiabertos dos meus filhos, na cozinha transformada por uma luz assim e Chico Buarque a cantar "como se fora a primavera". (Vou repetindo por aqui momentos felizes na esperança de a sua recordação ser depois mais forte que o Alzheimer, ou a senilidade, ou a simples perda de memória.)




28 maio 2024

roubar para alimentar o espírito


Memórias de outros tempos (a partir de uma conversa com com uma amiga, no facebook, sobre os bons velhos tempos em que íamos a Espanha comprar coisas que não havia em Portugal): A minha família era mais caramelos e chocolates em Tui. Às vezes uma boneca.

Quando tinha 7 anos iniciei uma curta carreira de criminalidade por causa dos caramelos e chocolates: assaltava o armário onde os guardavam, e vendia-os a uma amiguinha da escola.

Andava no crime, reconheço, mas era por uma boa causa: com as moedas ia comprar livros da colecção Formiguinha.

Só desconfiei que alguma coisa podia estar a correr mal porque o senhor da loja uma vez olhou demoradamente para a moeda e perguntou-me onde a tinha arranjado. Foi assim que descobri que andava a ser paga com as moedas da colecção do pai da minha amiga.

A minha carreira de larápia para fins intelectuais acabou no dia em que a nossa criada (posso usar o nome que se usava nessa época?) achou que eu lhe andava a emprestar demasiados livros da colecção Formiguinha, e avisou a minha mãe.

Moral da história: nunca emprestar livros a ninguém!


25 maio 2024

"galinha"

 

Passo a vida a contar isto, e se calhar na minha idade já me é permitido repetir as histórias, portanto aqui vai: a minha avó prendia as flores e soltava as #galinhas. Mesmo. As flores só faziam falta para a jarra na mesa da sala de jantar e para o cemitério, bem podiam crescer por trás de uma rede, muito juntas umas às outras, para as galinhas se espalharem pelo resto do terreiro, a debicar aqui e ali.
Quando tinha azar, cabia-me o quarto por cima do galinheiro, que era o que cheirava pior. Também havia dois por cima da loja do vinho, e a cozinha era por cima das vacas. A sala do Senhor, assim chamada porque era onde se recebia o crucifixo na Páscoa e onde se despediam os mortos (de janela aberta durante a noite, para ao menos a alma ir a Santiago de Compostela antes de o corpo ser metido na terra), era por cima da loja das batatas. Também tinha o seu cheiro, especialmente no inverno, quando as batatas começavam a grelar. Mas nada batia o fedor do quarto por cima da divisão de terra batida onde as galinhas passavam a noite.

De manhã, a avó embrulhava um pouco de milho no avental e abria o portelho das galinhas, que dava directamente para o caminho pelo meio das flores em clausura. Lá vinham as matronas, vagarosamente, atravessando aquela profusão de cores. A avó vinha à frente, chamava "polhinha! polhinha!", atirava o milho para o outro lado da sebe, esperava que passasse a última e fechava o portão.

Naquele terreiro, todos os dias eram de Páscoa: procurávamos os ovos que elas iam pondo aqui e ali. Não eram de chocolate, mas davam belas gemadas.

Às vezes havia um sobressalto no paraíso, e a seguir arroz de cabidela.

30 novembro 2022

tudo isto existe, tudo isto é fado

A vantagem de escrever apontamentos sobre o que se vai vivendo é que, vinte anos depois, uma pessoa lê algo que já nem se lembrava que lhe tinha acontecido, e ri-se.
(Para a vantagem resultar, convém que, vinte anos antes, tenha escrito o apontamento num dia em que estava bem-disposta.)



Por exemplo, este aqui, de 2002:



Tenho um cliente, que aliás é o meu inimigo preferido no grupo dos clientes, que ontem me explicou que fala bastante bem espanhol e só não traduz os textos ele próprio porque não tem tempo, mas revê integralmente tudo o que traduzimos. 

Agora quer que eu lhe traduza um texto para Illacano, que eu descobri que afinal é Ilocano, ou Ilokano, e descobri um tradutor dessa raridade que quer mil dólares, mil, por página traduzida. Agora que escrevo isto aqui ocorreu-me que pode ter sido erro de digitação...

E já que estou com a mão na massa de contar cenas da vida do pessoal numa agência de tradução, conto as desventuras da minha colega francesa que tem de rever um manual que foi escrito em japonês, mal traduzido para o inglês, e depois enviado a dois tradutores franceses que não sabiam da existência um do outro e usaram terminologia diferente, e a minha colega teve de consertar as diferenças de terminologia e tentar adivinhar o que seria que o japonês escreveu que o inglês não entendeu. Por fim, a tradução foi enviada ao revisor do cliente, que veio com perguntas do género: porque é que essa palavra às vezes tem um s e às vezes não tem? Ou: o que significa a palavra "pourtant"? - e foi assim que concluiu que a tradução estava cheia de erros. Talvez estivesse, et pourtant de certeza que ele não os encontraria.


PS: para os interessados em aprender um novo idioma, Ilocano é um dialecto falado no norte das Filipinas. Não é preciso aprender a falar muito bem, porque o meu cliente, o tal que só não traduz ele próprio por falta de tempo, tem andado estes anos todos a pagar traduções para Ilocano cheias de erros. Pelo menos é o que diz o gajo dos mil dólares, também pode ser golpe, claro.

Ponho-me a olhar para o meu percurso, de brilhante estudante de economia até chegar a head-hunter de tradutores de Ilocano para um cliente merdolas, e descubro-lhe um sentido: um dia ainda escrevo um livro (a minha vida dava um filme...).

Só preciso de inventar um bom final feliz.


ADENDA (e a seguir fecho rapidamente o baú, que a minha vida de momento não pode ser isto):

Quero ter muitos tradutores como este!

Quero que todos os meus dias comecem desta maneira!

 

Ó aí: caí na asneira de mandar um contrato para um tradutor português que deve estar em fase de desemprego técnico (como ele próprio diz) e com tempo para ler o contrato e as entrelinhas, e quando chegou ao nome da língua ele deu com o célebre "Portuguese (continental)" e responde-me assim:

 

"Alô, Helena

 Có recebú o contráte. Fique f'liz pur vér quiu mê pertegués é continéntâl. Ê estava com méde qu'alguém descubrússe que, verdád, verdadúnha, ele é um pouque insúlár...

 Sénde o pertegués-padráon u usáde em África e na Oceanúa, bém séi que nom dá jeite chamar-lhe "érupéo"...

 Cumprúmétes,

XXXXX"

 



27 novembro 2022

o livro do ano

 

Esta manhã o facebook lembrou-me que em 2015 estava num stress danado a preparar o álbum de fotografias do ano. Era uma tradição nossa desde 2009 - o livro que imprimia em duas línguas, português e alemão, e enviava a família e amigos mais próximos. Os livros que guardavam as nossas memórias mais importantes de cada ano. 

Infelizmente, pouco depois daquele post o meu PC foi à vida, eu andei meses até conseguir recuperar as fotografias, e acabei por não fazer o livro de 2015. E o de 2016 também não. Todos os outros, até hoje. 

Como cada ano me dava trabalho durante um mês, se recomeçar agora será um ano de trabalho intenso. Faço ou não faço? Mais vale não fazer, claro. 

Mas olho para estas imagens e as suas legendas e fico cheia de pena por causa de todas as outras páginas do livro de 2015 que não escrevi. 

(Não virá por aí nova pandemia? Prometo que na próxima pandemia vou ser mais disciplinada e aproveito o tempo todo com muito juízo...) (You wish, you wish...) (NOT!!!)



Aniversário do Joachim na sauna mais louca que conheço. Se há tão poucas pessoas junto ao bar, é porque estão ou dentro da sauna (um antigo camião de bombeiros) ou de volta da salamandra dentro da iurte mongol.


No Natal tivemos a visita da jovem Noomi.
(E da neve, em grandes quantidades.)


O Fox não gostou nem um bocadinho de ter a Noomi a abusar do espaço e dos brinquedos dele.
Tiques de filho e neto único.


O aroma do abeto fresco e das velas de cera de abelha: Natal.
(Também há outros Natais, claro, e mais valiosos, nomeadamente os que acontecem quando as pessoas querem. Mas este aqui, de cheiros de abeto fresco e cera de abelha, é de outra dimensão)



"Até já, Fox"
O momento mais difícil do ano: quando o Matthias partiu para um ano na Costa Rica.


15 novembro 2022

voz

 



Acabei de ler na colecção de "memórias deste dia" do facebook, e ri-me disto que escrevi há tempos, pelo que partilho só como quem deseja bom dia aos leitores deste blogue:


Pára tudo! Acabaram de me dizer que tenho uma voz igual à da Maria de Medeiros.
Um dia que precisem de alguém para dobrar a voz dela, para falar em português, já sabem: contratem-me. 🙂
(Ai, espera...)


[ E por falar em "bom dia": hoje o meu dia amanheceu assim. ]


11 dezembro 2021

saudades da Bay Area


Foto: Point Bonita Light - Battery Mendell - 2011 - by SJL


Post encontrado no baú, sobre um passeio de fim-de-semana que terminou com uma "Sunset & Full Moon Walk to Point Bonita Lighthouse" (recomendo muito):

Fevereiro de 2002 De Calistoga voltámos para San Francisco, atravessando as vinhas de Napa e Sonoma. A mostarda está em flor, pelo meio das vinhas há carreiros amarelos que se perdem lá ao fundo nas colinas adoçadas em terraços. Algures depois de Sonoma há um momento em que os montes se separam para deixar entrever um pouco da baía e a silhueta da baixa de San Francisco lá longe, bem depois de as vinhas ficarem azuis e perderem os contornos.

Encontrámos a Golden Gate Bridge banhada de luz rasa à água, com o vermelho muito vivo. Virámos para Point Bonita e chegámos mesmo a tempo de ver a lua pálida a nascer sobre Berkeley. Caminhámos até ao farol ao longo dos montes íngremes, parámos para ver todos os outros faróis (Point Reyes, Farallon Islands, Alcatraz) e para saborear as estrelas e a lua cada vez mais viva no céu que escurecia.

Voltámos pelo caminho iluminado apenas pelo mítico luar de Janeiro, tornado famoso pelo Estado Novo no meu livro da escola primária. Quantas gerações de portugueses não terão sido obrigadas a ler esse texto e a admirar a figurinha da família que caminhava ao luar.

Muda a figura, mantém-se a magia: caminhávamos ao lado do vulto escuro dos montes, vendo entre as duas margens as linhas elegantes da ponte desenhadas pelo luar, do outro lado a cidade polvilhada de luzes e pelo meio a lua inundando a baía de luz prateada.

"Foi muito bonito", disse a minha amiga na sua voz doce.
Foi.


20 outubro 2021

abraço

 

Encontrei no facebook este texto que escrevi em 2018. Na idade pré-covid, éramos felizes e não sabíamos... O desfecho, contudo, fez-me pensar que nem tudo é mau nesta era que a pandemia iniciou. Os miúdos alemães raramente cumprimentam as pessoas com beijinhos. Cumprimentam com um aperto de mão.

Já me aconteceu com vários: passam a infância a dar-me um aperto de mão, e depois, em algum momento, decidem cumprimentar-me com um abraço. Adoro esses abraços dos adolescentes que eu conheci bebés: a passagem do nível da boa educação que os pais lhes deram para uma escolha afectiva pessoal. Gostam mesmo de mim.

(E depois, fico aqui a pensar na quantidade de pessoas a quem me esquivo de apertar a mão: os que sei que não lavam as mãos antes de sair da casa de banho; os que têm um aperto de mão que mete nojo por muito mole - bleeeeeergh! - ou muito longo - bleeeeeeergh! deslarga-me! - ou muito enérgico - ai! -, aqueles de quem não gosto e não me apetece fingir que gosto - tantos motivos para me esquivar, e tantas vezes que me esquivo)


10 setembro 2021

Coral Pink Sand Dunes, 2001

 


Esta corrida inesquecível aconteceu há 20 anos.

Escusado será dizer que adoro esta fotografia. O tempo de verdadeira qualidade com os filhos - o mais simples possível: uma corrida, o pai inteiro para eles. A graça nas mãos da Christina. A velocidade a que eles se entregam naquela duna altíssima e íngreme. E um detalhe de pura ternura: o relógio "de homem" no bracinho de um rapaz de 4 anos.

Vivíamos na Califórnia. Um mês antes do 11 de Setembro éramos assim.

 

27 junho 2021

viver e escrever

 







A vantagem de partilhar momentos felizes no facebook é que ele mos lembra depois, ano após ano. Esta manhã, por exemplo, já me lembrou que a fronteira entre a França e a Alemanha reabriu faz agora um ano, e amigos nossos vieram passar alguns dias connosco: casa com vista para o mar perto de Douarnenez (e char à voile numa praia linda e deserta, e Quimper sem turistas), casa com vista para o mar em Carantec, pernoitar em Saint Malo e Mont Saint-Michel (num Mont Saint-Michel sem turistas!) intra muros.
(Nas imagens: o lado menos conhecido do Mont Saint Michel, nós no cemitério a lavar os pés porque para ir ver o lado norte do Mont Saint Michel acabámos atolados nas areias movediças que ali há, mais o anoitecer, mais o amanhecer.) E há quatro anos estava assim:
Post mete-nojo:
Está uma pessoa ao computador descansadinha da vida, a arrancar os cabelos enquanto luta contra o atraso (esta semana vai ser assim) e recebe uma mensagem a dizer isto:
Hi guys,
I hear from my brother that you are planning a visit. Don't forget to include a few days at our coastal apartment. We are looking forward to seeing you both.
O "coastal apartment" é em Santa Cruz, em frente ao Pacífico. Já estou outra vez com stress de tempo livre: eclipse solar em Oregon, Avenue of the Giants, San Francisco, acampar junto à Highway nr. 1, e agora Santa Cruz.
Há que ser forte, e manter o sangue-frio.

Tenho dezenas de milhares de fotografias dessa viagem à Califórnia, da estadia de sete meses na Bretanha, e de todos os outros dias felizes que o facebook me vai relembrando. O que me dava mesmo jeito era que me obrigassem a ficar em casa vários meses seguidos, para desbastar o arquivo de imagens e aproveitar algumas para contar neste blogue.

Ai, espera...