09 outubro 2026
sexta-feira
04 março 2026
escolhas
29 novembro 2025
foi a neve
Deixem-me contar-vos do momento em que descobri que a lua cheia tem o poder de fazer sombras: aconteceu na minha cozinha de Weimar, que era num jardim de inverno com enormes paredes de vidro sobre o quintal, e havia neve.
Foi a neve: o luar brilhante desenhava as sombras das árvores nuas
no branco do chão, e eu fiquei ali encantada, na casa às escuras, sem saber o
que fazer com tanta beleza.
18 novembro 2025
preciso de um cardiologista
03 maio 2025
agora e na hora da nossa morte
Esta manhã, encontrei por acaso estes dois textos na Enciclopédia Ilustrada. Os escritores José Cardoso Pires e Maria Cecília Correia falam sobre a morte. Partilho-os apenas porque tenho a certeza de que vão acrescentar algo aos leitores deste blogue. (Mas não se preocupem comigo, está tudo bem! :) )
1.
20 novembro 2024
coisas da minha vida
27 junho 2024
ser feliz todos os dias
05 maio 2023
ando muito caladinha por aqui
Peço desculpa aos dois leitores deste blogue pelas minhas reiteradas ausências. Ora por causa disto, ora por causa daquilo, ele é o concerto do meu coro daqui a poucas semanas, ele são os morangos a precisar de estrume, ele são as traduções que também não se fazem sozinhas (agora que falo nisso: se no caso de alguns textos dava jeito, no caso do livro actual quero ser mesmo eu a fazer - é tão bom que é realmente um prazer traduzir cada uma das suas frases). E ele são textos que vou escrevendo para a concorrência.
Por exemplo: a Fluir. Acabou de sair o novo número, de tema "Som". Convidaram-me para participar, imagino que estariam a pensar que eu falaria, sei lá, no som perfeito da Filarmonia de Berlim - mas é só porque não me conhecem. Coitados.
Temo que esta seja, portanto e provavelmente, a minha última contribuição para a Fluir. Que na primeira quem quer cai (Fluir nº 2), na segunda (Fluir nº 11) cai quem quer, mas na terceira - ai, parece que me esqueci da terceira frase desta piadinha...
Brincadeiras à parte: aqui deixo um abraço para o José Pacheco, pela sua imensa paciência.
Também tenho andado a escrever um diário bretão em forma de folhetim na Almanaque. As más-línguas do facebook dizem que já contei aquilo tudo, mas eu e o meu Alzheimer fincamos pé e anunciamos ao mundo que não, não senhores, nem pensar: é tudo tão novo que até parece acabadinho de inventar.
Está, como não podia deixar de ser, na secção "Boa Vida" da Almanaque. Para as secções de cultura, ciência, filosofia, literatura, desporto, política, sociedade e outros assuntos sérios: contrataram quem sabe. E há lá gente que sabe muito! É uma revista que dá gosto.
Como ia dizendo, só para verem o que eu sofro: ainda agora acabei o capítulo mais recente da Boa Vida, e tenho de me despachar para o jardim, para ir tratar das roseiras e dos morangos, regar a quintinha, fazer a mala a correr e partir para o fim-de-semana do coro, etc. Que é como quem diz: depois da Boa Vida, a boa vida. Parece-me que isto não é uma queixa...
Só que, por estas e por outras, acabo a fazer-me mais rara por aqui. É a (boa) vida!
21 abril 2023
uma Páscoa feliz (2)
Fotografei do carro, como pude, pensando que faltavam apenas 3 km para chegar e que teria então todo o tempo do mundo para captar aquela magia.
O que me lembrou uma frase que se ouve muito na Alemanha: "quem quiser aprender a poupar, olhe para os ricos".
Por sorte tinha o telemóvel (o tal que devia fotografar a lua) para me iluminar o regresso.
E não perder o Fox pelo caminho.
19 abril 2023
uma Páscoa feliz
Aproveitámos os dois feriados à volta do domingo de Páscoa para visitar amigos num pequeno paraíso ali para os lados do mar Báltico. A Dinamarca: aqui tão perto, mas por vários motivos fora das nossas rotas habituais (a Polónia é outro caso, ainda mais flagrante: começa a 80 km de Berlim, mas nunca lá vamos).
Como ia dizendo: agarrámos no Fox, metemos as tralhas na carripaninha, e abalámos em direcção ao Pólo Norte. Perto de Fredericia, virámos à direita e atravessámos uma ponte que liga o continente à Fiónia. Uns dias depois, teriam a delicadeza de me informar que na Dinamarca não há rios. Ou seja (concluí eu): quando se atravessa uma ponte sobre a água, é provável que se esteja a chegar a uma ilha. No nosso caminho havia duas pontes, o que me fez sentir que saltitámos de ilha em ilha, passe o exagero, até chegar ao destino.
E que destino!
Começo pelo mais importante para os leitores deste blogue: o Fox adorou. E não era motivo para menos.
Nós também tivemos dias especiais com aquelas pessoas, aquelas conversas, aquelas paisagens.
Além disso, milagre dos milagres: na Dinamarca, não é preciso falar dinamarquês. Todos falam português. A sério! Pelo menos os dinamarqueses que lá encontrámos, falavam. Quase todos.
Só uma coisa me deixou perplexa: do livro O Cavaleiro da Dinamarca, da Sophia, só me lembro das florestas cobertas de neve com abetos verdes. Ando há 50 anos a pensar que a Dinamarca é uma imensa floresta. E não é, não foi isso o que vi. Regressei ao livro, para tentar entender onde nascera essa minha impressão, e correu mal: logo no primeiro parágrafo, fala nos rios gelados da Dinamarca. Ooops...
(E agora, senhores editores? Nas próximas edições: omitem as referências aos rios, acrescentam uma errata ou nota de pé de página, ou continuam a enganar as criancinhas?) (Ou então: trocam o nome do livro, fica O Cavaleiro da Suíça, e pronto.) (Ai! O Carmo e a Trindade a virem abaixo em três... dois... um...)
ADENDA: Um leitor atento rebateu a teoria de não haver rios na Dinamarca. Parece que há - e a wikipedia até tem uma lista de rios dinamarqueses. Afinal, a culpa é - como de costume - do tradutor. Na Dinamarca, ninguém chama "rio" aos cursos de água que lá há. "Rio" é palavra que só aplicam para dimensões maiores. Como o rio Reno. Mas fui ver fotografias do Gudenå - e é bem maior que muitos rios portugueses.
Em suma: desarrisquem aquela história das pontes, é fake news. E podem deixar o Cavaleiro da Dinamarca como está, que escrito em português está muito bem. Só é preciso ter cuidado com a tradução para dinamarquês.
17 novembro 2022
já cá cantam
59 anos a inscrever-me fugazmente na luz da paisagem.
Deito contas à vida: já só faltam cinco para saber como será when I'm sixty four.
Quer-me parecer que com a velhice me vai acontecer como com a meia-idade: avançará sempre ao meu ritmo, sempre cinco ou dez anos à frente de mim. Até ao dia em que, em plena correria desenfreada, um travão dentro de mim me segredará: "não corras assim para o autocarro, porque na tua idade já parece mal. Que dirão os outros?"
[ Gosto tanto destas fotografias que pensei guardá-las para um aniversário redondo. Era só mais um anito, um instante. Mas sabemos lá o que nos espera, sabe-se lá se o PC tem um crash e leva as imagens todas com ele... Em suma: não deixes para amanhã. Cada vez menos. ]
18 agosto 2022
brinquedo novo
Pergunto-me para que tenho eu um blogue, se já estou com duas férias em atraso para contar (e é melhor nem falar na série EUA 2009, que parou antes dos fabulosos capítulos de Antelope Canyon, do passeio de raparigas a Las Vegas enquanto os rapazes atravessavam o Grand Canyon a pé, e de Bryce Canyon).
As férias de maio passado foram impecáveis, e as de julho melhor ainda. O problema - será que aos outros também acontece o mesmo? - é que quando volto de férias mergulho numa maratona de trabalho que me deixa exausta e pronta para as férias seguintes, a que por sua vez se segue uma maratona de trabalho que...
Pois bem: no fim-de-semana passado o Joachim conseguiu arrancar-me ao computador por umas horas, para me levar a arejar num dos lagos que há à volta de Berlim. Fizemos stand up paddle (o nosso brinquedo novo), fomos beber uma cervejinha na esplanada da terra, mesmo ao lado do rio Havel (era para ser só uma cervejinha, mas os bolos eram tão bons que vamos a isto, e depois mais a salsicha que não podia faltar, e era tudo delicioso e tudo fazia tanto sentido que até me lembrei daquela vez que, no fim das férias, fui devolver uma balança à IKEA porque só podia estar avariada).
De bem com a vida, voltámos para a água e ali ficámos enquanto o dia se entregava serenamente à noite. Mas depois começou a chover, a chover a sério, e fizemos como os três porquinhos: fomos abrigar-nos numa casa sólida, porque nunca se sabe. Voltámos para Berlim, em vez de dormir ali, entre o Havel e o lago Grabow, debaixo das árvores altíssimas.
Depois regressei à minha maratona. E só agora partilho aqui as fotografias. Tinha um filme fantástico, eu autêntica Vitória da Samotrácia, pelo menos, a deslizar com garbo pela paisagem, mas o problema é que descobri recentemente que tenho de aumentar 12 cm para o meu IMC bater certo. Como ainda não descobri um app que me aumente 12 cm nos filmes, pois bem, meus amigos, ficamos assim.
17 novembro 2021
58


