05 março 2021

as coisas como elas são


A newsletter do Spiegel desta manhã é devastadora: referindo-se à reunião da chanceler com os ministros-presidente das Länder para definir a estratégia de reabertura, alerta para a instabilidade dos três pilares nos quais essa estratégia assenta (vacinas, testes e app), e acusa os governantes alemães de andarem há meses a falhar estrondosamente.

"Isto também abala a tradicional percepção que os alemães costumavam ter sobre si próprios. Durante muito tempo, nós, alemães, estivemos convencidos de que vivíamos num país moderno, inovador e bem organizado. A pandemia privou-nos desta ilusão. Se a República Federal fosse realmente um país moderno, inovador e bem organizado - e ao mesmo tempo tivesse a sorte de ter uma liderança política empreendedora, ambiciosa e atenta - a situação pareceria agora mais risonha. Nesse caso, haveria agora boas perspectivas para a cultura, gastronomia ou comerciantes, haveria perspectivas de mais sociabilidade, de mais felicidade na vida."

Junto dois gráficos do Le Monde sobre a eficiência com que os países estão a vacinar a população. O segundo gráfico (a azul), é particularmente grave, porque mostra a incapacidade de certos países ministrarem as vacinas apesar de elas estarem disponíveis.
A Alemanha nem sequer é o pior - a França e a Itália, por exemplo, vão atrás.

E Portugal tem um desempenho exemplar (a ver se alguém se lembra de dizer que a culpa é do Costa...)

04 março 2021

Berlinale 2021 - terceiro dia



Nesta Berlinale online, o que perco em qualidade e ambiente ganho em quantidade de filmes que posso ver, por não estar em filas nem andar a correr pela cidade para ir de um cinema para outro. Este ano dão-nos acesso não apenas aos filmes do festival em si, mas também a muitos do European Film Market. À conta disso, ontem vi o fascinante-extraordinário-fantástico-poético-etc. Josep - que já está numa plataforma online perto de si. 

Passei a manhã de lágrima ao canto do olho - primeiro por causa do Petite Maman, que está em competição, e depois por causa do It Was Spring, um documentário feito com testemunhos de italianos que filmaram cenas do seu lockdown de Março a Maio. 

De caminho, a dificuldade da escolha. Os problemas ambientais parecem ser de momento um tema importante no cinema russo (partilho o trailer de um que lamento não ter visto), as repúblicas bálticas estão a trabalhar o período soviético (vi dois desses), da Hungria veio um filme que - pelo pouco que vi - me pareceu muito bem feito sobre um caso real de prepotência da polícia política. E centenas de etc. 

03 março 2021

Berlinale 2021 - segundo dia

No segundo dia comecei a atinar mais. A aprender a este ritmo, lá para sábado vou saber orientar-me como um peixe em água sem plástico. 

Pois, mas a Berlinale acaba na sexta. 

O primeiro filme que vi era da competição (depois ponho aqui nomes, trailers, tudo), e muito escuro e lento. Ainda bem que era lento, porque só perdi umas quantas árvores na floresta russa enquanto tentava descobrir a maneira de aumentar a luminosidade no ecrã. Podiam ter contado a história em metade do tempo, e aposto que não perdia o dramatismo. Mas pelo menos sempre aproveitei para ir fazendo umas transferências bancárias enquanto os soldados avançavam às escuras pela floresta. 

O segundo vinha da Roménia, era também da competição, e foi o mais extraordinário que vi até agora. Se não ganhar o urso de ouro, deito fora os meus crachats todos da Berlinale. 

Outro momento alto do dia foi um documentário sobre o Paolo Conte que vi vez e meia (e teria sido duas vezes, com imenso prazer, mas fecharam a transmissão). Este documentário vai fazer o seu caminho por aí, e recomendo vivamente. 

Um momento triste foi quando me apercebi que deixei escapar um que queria muito ver, e já não estava online quando lá cheguei. Se a vida me der uma segunda chance, logo direi. 

Tem as suas vantagens estar em casa a ver, a rever, a voltar atrás para repetir uma passagem, a passar de um filme para outro quando me apetece, a não perder tempo para ir de um cinema ao outro. Mas a verdade é que me falta tudo: o bulício, o ecrã gigante, o som gigante, as conversas com os outros nas filas dos cinemas, as conversas com os autores dos filmes, a festa no palco, a festa na rua, a festa da Berlinale. 


02 março 2021

cartaz

 


Gosto muito do cartaz da 71ª Berlinale. É 
Berlim a ser Berlim: 

"This year's Berlinale Bear is a typical Berlin character. The likeable hand-made motif exudes optimism in these challenging times and spreads a thrill of anticipation for the two stages of the film festival,” comments Berlinale Executive Director Mariette Rissenbeek on the motif for the Berlinale 2021.


Berlinale 2021 - primeiro dia

No primeiro dia desta versão online da Berlinale fartei-me de fazer asneiras. Entrei mal preparada (nos dias anteriores tinha andado muito ocupada com uma tradução difícil e urgente, e a tentar ver-me livre de uma intoxicação alimentar que apanhei por ser tão palerma que prefiro nem contar), e às nove da manhã comecei logo ali a perder tempo tentando entrar num filme que era só para convidados. Atrasada e aflita, agarrei-me ao primeiro que me pareceu interessante, pensando que fechavam a porta como nos cinemas.

Pelo caminho sofri a sensação de sufoco que o programa da Berlinale me provoca: ou isto ou aquilo, ou aquilo, ou aquilo, ou aquilo, ou aquilo, e vivo escolhendo o dia inteiro. E descobri que afinal não é como no cinema - o filme fica disponível ainda algumas horas depois do início da exibição.

Guardei alguns filmes para ver mais ao fim do dia, mas quando tentei entrar já estavam fechados. Ignorei um que estava disponível, sobre o salmão numa região da Rússia (e bem me arrependi depois!) e vi o único que ainda estava no ar. Era muito engraçado, mas fecharam-no justamente quando estava a chegar ao desfecho. 

A ver que asneiras faço no segundo dia. 

(Quando tiver tempo, venho cá completar com os filmes que vi) 

 

01 março 2021

faz hoje um ano que...

Faz hoje um ano que nos pusemos a caminho da Bretanha. O mundo estava a acabrunhar-se de covid, mas nós, longe dos noticiários e jornais do nosso antigo quotidiano, quase nem nos dávamos conta da dimensão do descalabro. 

Em França só se podia passear até 1 km de casa. Mas como se podia ir às compras, nós passeávamos em passo mais ou menos apressado até ao porto de Brest para comprar peixe e marisco fresquíssimos. Todos os dias. 

Passámos seis meses num apartamento minúsculo com uma vista fantástica, e eu olhava pela janela e pensava no colega Monet, que também se deslumbrava com aquelas variações de luz. 

Olhando para este período, penso naqueles mergulhadores que estavam no fundo do mar no momento em que um tsunâmi se estava a largar sobre a costa. A Bretanha foi o nosso fundo do mar, estável, belo e fora do mundo.

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Comecei um diário. Mas quando o confinamento acabou, e a Bretanha se ofereceu em verão, deparei-me com o problema do costume: não consigo viver tão intensamente e escrever ao mesmo tempo. 

Talvez agora, quando faz um ano que começámos esta aventura, consiga recuperar as pontas. 
(Depois aproveito, e escrevo sobre as viagens à África do Sul, à Bolívia, ao Peru, à Costa Rica...)

Mas para já estou a aviar filmes da Berlinale online como se não houvesse amanhã. 
(E ainda não escrevi sobre os que vi na do ano passado - que interrompi no penúltimo dia para me pôr a caminho da Bretanha.)


28 fevereiro 2021

o cinema que nos ilumina

 


Amanhã começa a Berlinale 2021.

Em 2020, a loucura habitual ainda foi possível (lembro-me bem do dia em que apareceram garrafas de desinfectante nas casas de banho) (e também reparei que - ao contrário do habitual a partir da terça ou da quarta-feira - ninguém tossia na sala).

Este ano, de 1 a 5 de Março há programação online para os profissionais do sector; a festa do público foi adiada para o verão.

Os cinemas, os teatros, os museus, os restaurantes, cafés e bares - tudo está fechado desde meados de Dezembro.

Hoje, pelas sete da tarde, os cinemas vão acender as suas luzes. Lembram-me o foguete que um naúfrago lança para o ar, "estou aqui, salvem-me!" - e sinto uma tristeza enorme.


26 fevereiro 2021

boas notícias

 


Segundo o Financial Times (de onde tirei o gráfico), o processo de vacinar a população está a correr muito melhor em Portugal que na Alemanha e na França (só para falar dos países que costumam ser usados como referência).

Aqui esta alminha estrangeirada fica na dúvida entre alegrar-se por Portugal, que está a ficar muito bem na fotografia, ou encher-se de inveja dos portugueses, que estão a chegar mais depressa à imunidade de grupo.

Em todo o caso: bem podiam fazer disto notícia de primeira página nos jornais. Parece-me bem mais relevante do que a ideia que andaram a transmitir de que em Portugal a vacina é só para os
"espertinhos" - quando mais de 99,9% das vacinas foram dadas respeitando os critérios.

Será que alguém podia perguntar aos jornais porque é que são tão céleres a fazer primeiras páginas que empolam o negativo, e não lhes ocorre dar igual relevância a notícias que espelham o que temos de melhor?

Imagino a resposta: notícias positivas não vendem tão bem como as "polémicas" e os "escândalos".

O problema é que o negócio das polémicas e dos escândalos servidos em letras garrafais cria nos portugueses a sensação de que este país está perdido - e que precisa de uma mão forte para reentrar nos eixos.

Se me deixassem mandar...
Como não deixam, proponho um plano B: criar o movimento "eu pago!", juntando pessoas dispostas a assinar todos os jornais que se comprometerem a reservar metade da primeira página a notícias de algo positivo que aconteceu no país. E simultaneamente dispostas a deixar de comprar jornais cujo modelo de negócio passa por dar aos portugueses uma imagem profundamente negativa (e falsa) do país.


férias em Marte


(foto: NASA/DPA, aqui)

Uma perplexidade que me ocorre quando penso nas pessoas que querem ir passar uma temporada em Marte: que se passará dentro de um ser humano para querer trocar o verde e o azul, o mar as florestas os lagos e os rios, os aromas e os sabores, um encontro imprevisto a meio do dia, trocar tudo isso, dizia, por uma viagem de vários meses em relativa imobilidade, a comer farinhas e a usar fraldas, e uma estadia num deserto cujo oásis se encontra a milhentos milhões de quilómetros? Será que Marte se vai tornar num retiro psiquiátrico para multimilionários em excesso de si próprios?





25 fevereiro 2021

não há condições

 


Ontem fui passear na floresta outra vez. Mas estava com uma amiga que não me deixava tirar muitas fotografias. Foram apenas 320...

Bem queria desbastar os vários milhares de imagens que Fevereiro me tem dado, mas quase todos os dias o sol me chama para sair de novo com a máquina fotográfica.

Hoje, por exemplo: agarrem-me, que...









uma gripe como as outras

 





(fonte: NYT)

Este gráfico, que trago de uma newsletter do New York Times, responde a quem diz que no inverno os hospitais também se enchem com casos de gripe, e que a gripe também mata muito mas nenhum governo faz as fitas que agora se estão a fazer por causa da covid, e que ___________________________ .
[espaço para preencher com uma teoria da conspiração qualquer, das muitas que têm surgido neste planeta cada vez mais plano] 

Talvez não seja "uma gripezinha" - e convém pensar também sobre qual seria o tamanho da barra a vermelho se não tivessem sido tomadas tantas medidas drásticas para tentar reduzir os contágios. 

Venha a vacina. Como dizia a newsletter do NYT, não reduziremos o número de mortos para zero, mas conseguiremos baixar o risco para um nível semelhante ao da gripe. 


"ruibarbo"

No dia em que "ruibarbo" foi a palavra mágica na Enciclopédia Ilustrada lembrei-me de algumas histórias do Kaminer e contei-as de rajada.
(Dica para mim própria: quando quiser escrever um post bastante apreciado naquele grupo, basta-me traduzir uma história qualquer do Kaminer.) 

Os Schrebergärten são um elemento importante da vida nas cidades alemãs. Melhor dizendo: toda uma instituição. Pior dizendo: uma seita.
Começaram por ser a resposta ao surgimento de grandes grupos de famintos nas cidades, no início do século XIX: a cada família era entregue um pequeno lote onde podia ter alguma fruta e uma horta. Desse modo, garantia-se um mínimo de alimentação saudável e algumas horas semanais de trabalho ao ar livre.
Entretanto a coisa evoluiu. Em cada lote há uma casinha minúscula (ou não tão pequena) para as pessoas se poderem abrigar quando o tempo está mau, para poderem merendar e até dormir ocasionalmente – embora seja proibido fazer dessas casas residência. O Estado alemão tem um código regulamentador, e cada associação tem regras muito precisas e uma comissão que vela pelo seu cumprimento.
O Wladimir Kaminer, um russo que se tornou um escritor alemão (é em alemão que escreve, e tem muito sucesso neste país), arrendou durante alguns tempos um desses lotes. A coisa correu mal: a comissão expulsou-o daquela associação invocando “vegetação espontânea”. Quando ele conta isto, durante as suas palestras, o público alemão rebenta em gargalhadas: sinal de que todos conhecem bem os tiques dessas comunidades.
O #ruibarbo foi um dos problemas mais dramáticos com que ele se debateu no lote que arrendou.
Como ele conta numa entrevista de rádio:
“Antes de me mudar para cá, não sabia qual era o sabor do ruibarbo, qual era o seu aspecto e para que servia. Na descrição do jardim que recebi chamavam ruibarbo a algumas folhas gigantescas verdes junto ao wc-biológico. Não fazia a menor ideia do que a minha antecessora, a senhora Ameixa, fazia com aquelas folhas. Só nos roubavam espaço do jardim, mas eu não ousava dar-lhes um tratamento com o maçarico do vizinho.
(...)
Bom, pensei eu, o ruibarbo deve fazer parte da cultura dominante neste país. Não há como escapar a isso, tenho de o comer. A minha mulher descascou os caules, cozeu-os com um pouco de açúcar durante cinco minutos, e deu-me um pote com uma papa viscosa verde que parecia...
Mas talvez seja bom, pensei eu, e comecei por beber um copo de vodca para desinfectar o estômago. A mousse de ruibarbo tinha sabor de vinagre com sumo de limão – não era propriamente para gourmets, mas esse também não era o meu objectivo. Aquela comida de sabor comprovadamente desagradável deu-me um forte sentimento de pertença. Estávamos unidos nesta comunidade, e a ingestão dos ruibarbos existentes era parte do processo. Era uma experiência que tinha de fazer.
Em todo o caso, recomendaria que se incluísse comer ruibarbo no teste para conseguir a nacionalidade alemã, para ajudar os candidatos a perceber que a vida na Alemanha não é pêra doce. Um quilo por naturalização devia ser suficiente. Os Schrebergärten podem fornecer.“
As histórias dos Schrebergärten são muito apreciadas nas palestras do Kaminer. O público deve sentir-se espelhado – ou no papel de vítima, ou no de membro da tal comissão. E sempre que ele fala dos ruibarbos, aparece alguém no fim da sessão a dizer que o problema provavelmente é ele não saber fazer um bom doce de ruibarbo, “e olhe que eu tenho uma receita, e olhe que lhe vou mandar um frasquinho”. De modo que ele – como contou uma vez em small talk com uma ministra ou presidente de um país nórdico qualquer (já me esqueci dos detalhes) – tem a despensa cheia de frascos de compota de ruibarbo provenientes de praticamente todas as cozinhas alemãs.
“Que engraçado!”, respondeu ela. “No nosso país toda a gente tricota meias, eu própria faço muitas, para relaxar, e recebo de presente umas quantas. Podíamos trocar as minhas meias pelas suas compotas.”
Já se sabe como são as recepções oficiais: fala-se muito, promete-se muito, e logo a seguir a vida continua. De modo que o Wladimir Kaminer voltou descansadamente para Berlim e nunca mais pensou no caso. Até que um dia recebeu um pacote postal com umas meias tricotadas à mão e um bilhete da ministra, ou presidente, onde se lia: “Como combinado, envio as meias. E as compotas, onde estão?”


testemunha de um outro tempo



Tenho andado a ver uma série alemã sobre o hospital universitário de Berlim, o Charité. A primeira temporada foi sobre a época do Robert Koch, a segunda foi sobre o período nazi (pesadíssima - por exemplo: pediatras a chamar "desperdício do Reich" a crianças com problemas graves de saúde) , e a terceira passa-se na época da construção do muro (este hospital está mesmo junto à antiga fronteira, do lado leste). Nela aparece um miúdo de Berlim Ocidental com poliomielite. Os médicos de Berlim Leste falam sobre um surto de poliomielite nos outros sectores da cidade, e resmungam contra as manias dos ocidentais, que podiam evitar aquela desgraça vacinando todos os miúdos, como já é obrigatório na RDA. Pouco depois, devido ao agravamento do estado do miúdo, vão ao depósito buscar um pulmão de aço que já nem sabiam se ainda funcionava.

Esse pormenor - já nem saberem se aquela máquina ainda funcionava - lembrou-me com carácter de epifania a diferença entre um mundo com vacinas e um mundo onde vivemos permanentemente sob a espada de Dâmocles de doenças contagiosas horrorosas.

No filme que partilho fala-se do medo dos pais quando houve um surto de poliemielite, durante a infância de Paul Alexander. As crianças foram proibidas de sair, de brincar com outras, de ir à escola. Ou seja: isto que estamos a viver hoje afinal não é novo. Gerações anteriores de crianças passaram provavelmente por momentos semelhantes.

A vacina contra a poliemielite (e tantas outras) tornaram esses medos e estas máquinas obsoletos.
A velocidade com que a nossa mentalidade mudou é fascinante: bastou uma geração para aprender a viver livre do medo de apanhar certas doenças doenças contagiosas. E também para deixar de ver a morte de crianças como um azar do destino ("isto morre muito..." / "Deus quis chamar mais um anjinho...").


24 fevereiro 2021

primavera anunciada

 


Estava a tirar um café, e de repente ouvi uma barulheira de pássaros. Fui à varanda, pensando que seriam os corvos que têm andado muito pelo telhado dos vizinhos.
Nada disso. Bandos enormes de grous passavam por cima do meu bairro em formação de V em direcção à Polónia.
Acho que nos próximos dias não tiro café nenhum sem ter comigo a máquina fotográfica e o telemóvel.

23 fevereiro 2021

os monumentos intocáveis

A propósito da sugestão de derrubar o Padrão dos Descobrimentos, feita pelo deputado socialista Ascenso Simões:

1. Fique registado que a sugestão foi inequivocamente criticada pela esmagadora maioria da esquerda. Quando, daqui a uns tempos, houver por aí pessoal a choramingar que "querem mandar a Torre de Belém para a Coreia do Norte", pode-se responder que a esquerda deixou bem claro que não se toca nem sequer no Padrão dos Descobrimentos, quanto mais. 

2. Fique registado que aquele senhor que quer meter minorias étnicas em campos de concentração aproveitou o ensejo para apelar ao voto no seu partido com um argumento de antológica cobardia:
"É isto que temos...ou votamos no CHEGA para parar esta loucura, ou vamos acabar todos a pagar indemnizações pelo Império Colonial."
Agarrar-se obstinadamente a uma ficção histórica que lhe permita furtar-se às suas responsabilidades é uma atitude que envergonha Portugal, e faz do Chega um partido de poltrões: gente que morre de medo de assumir. A valentia que têm só lhes chega para perseguir os mais fracos. Quando o adversário é forte, metem-se debaixo da cama com o rabinho entre as pernas e a gemer "ai, mãe!"
Mas, diga-se de passagem, não é preciso fugir para baixo da cama. Primeiro, porque - tanto quanto sei -  ainda nenhum país mandou a factura (excepto a Grécia, que já fez a conta aos prejuízos que a Alemanha nazi lhe causou - mas parece que a carta não chegou ao destinatário). Depois, caso algum país enviasse a factura, Portugal podia esconder-se atrás da Grã-Bretanha e das outras antigas potências imperiais europeias, armando-se em "português suave" e de "brandos costumes".
(Claro que também podia seguir o exemplo do moco como a Alemanha tem assumido a sua responsabilidade no Holocausto, mas isso é seguramente mais do que um partidário do Chega conseguiria suportar.) 

3. Faço um gostinho à nova moda de equiparar tudo (e até vou citar o Trump: "very fine people on both sides") e sugiro que se deixe ficar o Padrão dos Descobrimentos como está, complementando-o com um conjunto de painéis de informação iconológica da estatutária de sistemas ditatoriais (o memorial soviético de Treptow, em Berlim, por exemplo), e do seu oposto (obras de arte da mesma época que escaparam à lógica iconográfica do regime). 

4. De um modo geral, parece-me mais instrutivo complementar a estatutária instalada, juntando-lhe informações sobre a época e a ideologia que lhe deu origem, e enriquecendo-a com novos monumentos que espelhem o modo como a nossa época olha para si própria e para essas páginas da História.
(Um exemplo: do mesmo modo que seria impensável os EUA fazerem hoje um museu da descoberta da energia nuclear sem referir as bombas de Hiroxima e Nagasaki, é impensável falar na extraordinária aventura marítima portuguesa sem referir também o negócio português da escravatura, ou os saques, os massacres e as destruições das populações que "descobrimos".)  

5. Dou a palavra a Daniel Carrapa, que escreveu sobre este assunto um texto ponderado e inteligente:



"Seduzem-nos com a topiária e quando se vai a ver já estão a querer deitar abaixo o Padrão dos Descobrimentos. 😄
Mas a questão merece ser discutida com toda a seriedade. E uma primeira lição a reter da proposta de demolição invocada por um deputado português é a de que a falta de lucidez é fatal em política. O que, em tempos tão complexos e decisivos como aqueles que estamos a atravessar, pode ter consequências ainda mais graves.
Se o que pretendemos é acicatar e alavancar a extrema direita nacionalista, então este é o caminho. Nenhum problema estrutural do país será resolvido, nenhuma lição será retirada da História, e assistiremos ao crescimento da representatividade política daqueles que pretendemos combater.
Há, sem a mais pequena sombra de dúvida, uma necessidade profunda de reflectir sobre a nossa visão colectiva da História. Vemo-lo nos ressurgimentos de um nacionalismo bacoco, encharcado na iconografia do Estado Novo, ignorante do quanto nessa memória histórica é uma construção fictícia - e contemporânea - tão falsa como as muitas ameias que o antigo regime andou a construir nos castelos deste Portugal.
Mas esse debate não pode ser transformado numa redutora discussão sobre o que temos para demolir. Que trágica concessão à extrema direita seria fazê-lo.
É curioso que o Padrão dos Descobrimentos se torne um foco de controvérsia enquanto se ignora o quanto da Exposição do Mundo Português está entranhado na urbanidade daquela parte de cidade. Lisboa é, como todas as cidades, o receptáculo de imensas camadas de história e de política, de catástrofes, de tragédias, de alegrias. Como vamos dissecar o bom do mau? Ignorando, de passagem, os arquitectos e artistas que viveram no período da ditadura, muitos dos quais nos deixaram uma obra notável.
Para além de todos os paradoxos a que esse exercício aberrante nos conduziria. Deitaríamos abaixo metade do Castelo de São Jorge? E como iríamos demolir as demolições do Estado Novo? - como bem me fez notar a Leonor Cintra Gomes.
E depois, apagaríamos dos livros o Cottinelli Telmo? E já agora o Duarte Pacheco. E Cristino da Silva, e Pardal Monteiro...
Este não é, com toda a evidência, o caminho. Uma visão autocrítica da História tem de fazer-se em sede da construção e não da demolição. Em parte, da construção de um conhecimento mais clarividente sobre a nossa própria História Portuguesa, dos idos das campanhas marítimas à guerra colonial. E também da construção, por nós próprios, da nossa obra, do nosso contributo, do nosso legado para a cidade projetada no futuro. Erigindo, a par com as ideias do passado, as nossas próprias ideias e valores, a nossa diversidade e universalidade, os nossos orgulhos e, porque não, os nossos arrependimentos. Para que outros, depois, um dia, as admirem e julguem."

19 fevereiro 2021

falar do nosso colonialismo

Partilho um testemunho sobre a vida nas regiões que colonizámos, escrito pela Leah Pimentel na sua página de facebook. É preciso falarmos disto: para não esquecer, e para nos confrontarmos de forma séria com o nosso racismo, em vez de continuarmos a repetir ideias feitas que herdámos acriticamente do Estado Novo. 

Devemos isso aos povos que escravizámos e explorámos, cujos descendentes - muitos deles nossos compatriotas - vivem ainda sob o jugo das consequências dessa História que lhes foi imposta.

Devemo-lo também a nós, porque (desculpem a revelação) os cidadãos do resto do mundo não foram socializados pelo Estado Novo - o que significa que os não-portugueses não olham para a História de Portugal com a mesma indulgência que nós nos permitimos. Ter consciência disso permite-nos evitar alguns incómodos quando nos movemos num contexto internacional.   

Passo a palavra à Leah Pimentel:

«Não consigo falar de racismo

Pertenço à quarta geração de angolanos brancos e nunca conhecemos Portugal. Alguns de nós acabámos por cá vir parar, mas os outros, ou ficaram por lá ou fizeram o périplo Africa do Sul/Brasil.
Lembro-me da minha mãe distribuir galhetas democráticas entre o meu tio negro por bater na mulher e o meu tio mais loiro, por gostar de se envolver com mulheres casadas. Mas isso era lá em casa.

Na rua via o meu amigo engraxador de sete anos ser espancado pelo patrão, um borra botas fugido da miséria de Vila Real. Contou-me a minha mãe como, chegados ao fim do mês, a mulher metia talheres nos bolsos da roupa que penduravam os empregados para vestirem os uniformes, e como chamavam a polícia por roubo. E eram espancados na esquadra. E não recebiam o salário. Vi como, aos sete anos, linchavam um homem ao meu lado, por ter roubado uma lata de leite em pó. Nunca mais tolerei aglomerações.

Pela voz do meu tio soube de meninas de doze anos violadas por berliets inteiras de tropas esfaimados. O António Lobo Antunes fala disso, tratou algumas delas.

Angola foi para mim um mundo de terror. Nunca foi aquele território pitoresco onde se bebiam Cucas ao preço da chuva em esplanadas à beira mar. Nem nunca será. Foi a terra onde os patas rapadas abusavam, roubavam, exploravam, e se algum negro refilava, era de imediato morto, para exemplo. Conto muito pouco do que vi. É demasiado duro.

Mas o que mais revolta é sentirem-se expoliados. E não terem vergonha na cara. E continuarem a dizer que Angola era a terra deles, de beleza ímpar, e que agora está toda estragada. Sei que está toda estragada, sim. Mas eles não se dão conta de quem a estragou.»


18 fevereiro 2021

"um crime contra as crianças e os jovens"

Esta manhã, a newsletter do Spiegel fazia acusações muito duras ao governo alemão sobre o modo como estão a descurar os interesses das crianças e dos jovens durante a pandemia. Vinha a propósito da entrevista a Heinz-Elmar Tenorth, especialista em História da Educação, na qual ele afirmava que estamos a assistir a um processo de regressão social que nos leva de volta ao início do século XIX: a origem social dos alunos tem de novo um papel determinante na educação que cada um deles recebe; repentinamente os pais são obrigados a assumir funções de ensino que um professor só começa a desempenhar após cinco anos de preparação. Além disso, a escola tem uma vida própria, protege os menores da violência doméstica e simultaneamente permite-lhes encontrarem-se com o seu "peer group" - o que é vital para o desenvolvimento das crianças e dos jovens. 

Traduzo parte da newsletter:

«Não há como dourar a pílula. A política alemã cometeu erros graves contra as crianças e os jovens. Apesar de inúmeros avisos, nada foi feito para poder dar aulas adequadas mesmo em tempos de pandemia.
O Estado:
- fechou as escolas, enquanto permitia que a maior parte dos escritórios e das unidades de produção continuassem abertos;
- não instalou equipamentos de filtragem do ar nas salas de aulas;
- não cuidou de disponibilizar testes rápidos para todos os professores e também para todos os alunos;
- não fez nada para proporcionar aulas digitais adequadas;
- não tomou qualquer outra medida de apoio complementar.

"Suspender a escola é um crime contra os menores", disse o historiador da Educação Tenorth numa entrevista com a jornalista Katja Iken. De todas as falhas na política de combate ao vírus, o fracasso escolar é, na realidade, a mais grave. As consequências irão fazer-se sentir na nossa sociedade ainda durante muitos anos.»

Não tenho particular interesse em dar uma imagem negativa da Alemanha, mas parece-me importante lembrar que não é só em Portugal que as coisas correm mal. Melhor seria que todos os países da União Europeia unissem esforços na busca de soluções para minorar os erros que estão a ser cometidos, e preparar com carácter de urgência programas especiais de apoio a estes grupos etários. 



you're the judge


Bom dia, meu melhor público do mundo.

Hoje dou início a uma série nova, com o interessante título "you're the judge", que se podia chamar "o juiz é você", mas é melhor não, só por causa dos que depois vinham dizer que "você é estrebaria" - ainda nos zangávamos todos mesmo antes de começar o programa.

Ora bem, o caso é o seguinte: no sábado passado publiquei no facebook a imagem do iglu que os meus vizinhos fizeram no quintal. Esta:


Um amigo de facebook, na sua versão "Anacleta Joaquina" (uma excelente moçoila), disse que até quinta-feira (hoje) estava tudo derretido. Cito: "Pffff uma trabalheira do caraças para daqui a uma semana derreter tudo..."

Apostámos. A data limite para "derreter tudo" era hoje às onze da manhã.

O palerma do São Pedro parecia estar do lado da simpática provinciana de Sauerland (que na verdade se chama Luís Sancho, é de Lisboa, e vive na Alemanha). Num instante passou de sete graus negativos para quatro graus negativos, e depois zero, a que se seguiram seis e até oito graus positivos. Mas eu - ah, amigos, que maravilha! - eu tinha do meu lado a corajosa resiliência dos berlinenses, historicamente comprovada. Até ontem, o iglu aguentou impávido e sereno os ataques vindos da atmosfera.

Mas ontem de manhã começou a dar sinal de alguma fadiga dos materiais.


À noite deu-se a derrocada do telhado. Esta manhã já só restava o rés-do-chão, ainda com a porta aberta para todos, como uma casa berlinense que se preze.



Ora bem, senhoras e senhores, atentos juízes deste caso: estamos em Berlim, onde ninguém desiste facilmente. Vejam a última fotografia, de um café berlinense nos anos cinquenta: caiu o telhado, caíram todos os andares, mas enquanto houve rés-do-chão houve casa. Ainda no princípio dos anos sessenta havia inúmeras casas assim no Kudamm: um telhado feito à pressa por cima do rés-do-chão ou do primeiro andar, e a vida continua.

Portanto, decidam vocês: quem ganhou a aposta?
(Previno que já perdi uma aposta na terça-feira passada, e o meu coração frágil não aguenta perder tantas vezes seguidas)

16 fevereiro 2021

click-click-click

Hesito entre falar disto ou passar adiante fazendo de conta que não vi. É uma decisão difícil, porque falar equivale a dar clicks aos chalupas de agenda oportunista, mas calar é - como diz o povo - consentir. 

E lá terei de dar dar um gostinho à Joana Amaral Dias, que pelos vistos levou muito a sério aquele chavão do marketing sobre não haver má publicidade, porque o importante é que se fale do produto.
O que eu gostava de entender é qual é o produto que a Joana Amaral Dias quer vender, e o que traz de positivo para os "clientes".

Ora então:

1. O escandaloso caso da manipulação governamental dos cientistas alemães:

Uma amiga mostrou-me este post, que me surpreendeu muito: então a Alemanha esta a arder e só eu é que não reparei? Fiz uma pesquisa pela internet, e descobri que os jornais de referência também não repararam. Ai, a falta que uma Joana Amaral Dias faz na Alemanha!...

A notícia original, publicada no jornal Welt, que pertence à Springer Verlag (aviso a quem não sabe: quando a fonte é "Welt", "Bild" ou, de um modo geral, "Springer Verlag", desconfiem) adianta no título que "O Ministério do Interior pressionou cientistas para justificar as medidas de luta contra a covid" (aqui, em alemão). 

Os factos (retirados deste artigo do FAZ, em alemão): o ministro do Interior, que é também responsável por manter a estabilidade no país, já em Janeiro tinha dado indicações para o ministério estar muito atento ao problema da covid. Em meados de Fevereiro mandou observar de muito perto o que estava a acontecer nos outros países e tirar ilações sobre os perigos que a Alemanha corria. A 10 de Março, depois de  receber um trabalho sobre as implicações económicas da crise, pediu ao seu secretário de Estado Markus Kerber que preparasse um documento estratégico com uma previsão do Worst Case Scenario. Markus Kerber pediu a um grupo de cerca de 10 investigadores que traçassem um quadro de referência que permitisse justificar perante a população "medidas de natureza preventiva e repressiva". O grupo trabalhou intensamente durante três dias. O documento ficou pronto a 22 de Março, o domingo em que a chanceler e os ministros-presidentes dos Estados decidiram impor ao país um lockdown, e foi apresentado à chanceler no dia seguinte. Este não é o primeiro documento do género preparado pelo ministério do Interior da Alemanha. Já em 2012 tinha sido apresentado um trabalho sobre os riscos de uma pandemia SARS, no qual se dava muita importância à questão da comunicação e à necessidade de a população entender a razão das medidas impostas.
Este documento de 2020 estava escrito num tom demasiado dramático, pouco habitual em documentos do governo, e não suscitou grande interesse nos gabinetes políticos berlinenses. Foi entregue com reservas a alguns órgãos de comunicação social, que informaram sobre determinadas passagens, e pouco depois acabou por ser disponibilizado integralmente na internet (primeiro por uma organização que teve acesso ao documento, e depois pelo próprio Parlamento - aqui, em alemão).

A notícia do FAZ centrava-se na questão da comunicação: qual é o tom certo para informar sobre algo desta gravidade sem criar pânico na população? E terminava com questões que vou traduzir de seguida. Há aqui material suficiente para, fazendo uso de uma interpretação muito criativa, a Joana Amaral Dias publicar pelo menos dez posts do tipo "ai que grande escândalo, click-click-click estamos mesmo click-click-click mesmo click-click-click mesmo click-click-click prestes a chegar ao fim do mundo!" 


Dizia o FAZ (em 2.4.2020): No Ministério Federal do Interior e no Gabinete Federal de Imprensa sabe-se como é difícil explicar às pessoas que no dia 20 de Abril não vai haver o "Exit" que todos esperam. Ainda há margem para aumentar o tom na comunicação, com o objectivo de tornar claro qual é o perigo para as pessoas - e o documento oferece sugestões concretas. Mas o Governo Federal não quer trabalhar apenas com o medo. Por conseguinte, o Ministério Federal do Interior está a considerar uma nova narrativa, a partir das questões: Que tipo de sociedade queremos ser? Uma sociedade que protege os velhos e os fracos - ou uma sociedade em que só os mais fortes sobrevivem? Uma sociedade em que a ideia de solidariedade é popular - ou onde uma mentalidade de autoculpabilização é dominante?
O Governo Federal pode pôr essas questões na mesa, mas tem de trazer para o debate também as Igrejas, os sindicatos e outros actores da sociedade civil. Aparentemente, é este o plano do Ministério Federal do Interior
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Já imagino os posts da Joana Amaral Dias:
"O Governo alemão recrutou padres para fazerem lavagem ao cérebro da população alemã!"
"O Governo alemão manipulou sindicatos para impor as suas escolhas autoritárias e repressivas!"
"O Governo alemão recrutou actores da sociedade civil para o ajudarem a justificar a suspensão de direitos, liberdades e garantias!"

Wow, que escândalo! E: wow, quanto movimento na conta da Joana Amaral Dias!
click-click-click

   
2. O escandaloso caso do matemático que previu o que aconteceria se não fossem tomadas medidas, e falhou porque os números que previu não se verificaram, uma vez que foram tomadas medidas

Trago a imagem e o texto do Daniel Carrapa (no facebook):


"Atentemos neste caso extremo de chalupismo que protagoniza hoje a Joana Amaral Dias. Critica o matemático Carlos Antunes, responsável pelas previsões do Infarmed, por ter dito no dia 20 de janeiro que, no mês de fevereiro, Portugal estaria a enfrentar 17 mil casos diários, e afinal estamos nos 3 mil.


Relembremos que, no dia 20 de janeiro, registavam-se 14647 novos casos, número que atingiu o seu valor máximo no dia 28 de janeiro com 16432.

Relembremos que o país entrou em dever de confinamento obrigatório a 15 de janeiro, confinamento que seria reforçado uma semana depois com o anúncio de medidas coercivas e ainda com o fecho das escolas, a 21 de janeiro.

E que, mesmo assim, foi sempre a subir até àquele dia 28, onde praticamente já estávamos a bater à porta dos ditos 17 mil.

É assim fácil concluir que, se algum erro cometeu o matemático Carlos Antunes a 20 de janeiro, foi o de estar a ser demasiado brando nas suas previsões. E que foram os efeitos conjugados das várias medidas de confinamento que contribuíram para a redução de casos a que assistimos nas duas primeiras semanas de fevereiro.

É verdade que o confinamento é uma solução horrível, cheia de efeitos colaterais, que só faz sentido quando já tudo o resto correu mal. Mas a chalupa Joana Amaral Dias, que ainda ontem questionava a eficácia dos confinamentos, critica hoje um matemático por errar previsões por causa da eficácia dos confinamentos. É um caso verdadeiramente notável de alguém que consegue ser tão do contra que até consegue pensar completamente ao contrário.

Enfim, os chalupas andam aí, sempre à procura das suas verdades... "

Ao que diz o Daniel Carrapa acrescentaria apenas:click-click-click


3. Para a Joana Amaral Dias saber quem é amiga, ofereço-lhe mais uma oportunidade de clicks (à maneira da Springer Verlag, que lhe dá as maiores alegrias): 

Primeiro passo: escreve posts a criar confusão, angústia e insegurança. 
click-click-click
Segundo passo: escreve posts a criticar o estado de confusão, angústia e insegurança em que a população se encontra. 
click-click-click 
Terceiro passo: vai à CMTV acusar a internet de estar a criar um estado de confusão, angústia e insegurança. 
click-click-click
Quarto passo: volta ao seu mural de facebook, põe link para a entrevista na CMTV, e diz "o que é que o governo tem a dizer sobre isto, hã?"
click-click-click


13 fevereiro 2021

um pouco a sul do pólo norte

 

Mas que belo sábado! Em vez de desbastar as mil fotos que tirei ontem, vou voltar ao lago. Mas sem máquina fotográfica, que desta vez vou com a família e eles não acham graça nenhuma ao meu ritmo de "pára e arranca".
O sol no terraço está a convidar-nos para almoçar lá fora.
Os vizinhos fizeram um iglu enorme no jardim deles. A ver quantas semanas se aguenta assim.






12 fevereiro 2021

quase nem...

Hoje o dia estava tão perfeito que nem me apetecia tirar fotografias. Foram pouco mais de mil... Depois conto.






11 fevereiro 2021

a vez dos pássaros

Guardei as imagens dos pássaros para um post independente. Agora agarrem-me, porque são dezenas fotos de chapins, e não sei quais delas devo deixar de fora. Para piorar, se amanhã estiver uma luz bonita sou capaz de ir de novo para lá. Este blogue corre o risco de tornar-se a sede de uma associação qualquer de fotógrafos de pássaros. 

Para já, aqui deixo algumas das fotografias de ontem.

Começo pelo chapim-real:

O chapim-palustre entra em cena:


Mas retira-se rapidamente, porque entretanto apareceu um chapim-azul:


Por cima deles, uma cotovia-de-poupa observa o que se passa na mesa de todos:



...e decide ir dar uma volta, porque não gosta de ajuntamentos.



Os chapins-azuis sucedem-se a bom ritmo, e posam para a máquina fotográfica: 








Desaparecem repentinamente. Pouco depois, um pica-pau malhado senta-se à mesa:







Um pouco mais à frente, numa clareira de água rodeada de gelo, os pássaros aquáticos:



E a garça que queria entrar num quadro de Hopper:




Também vi dois cisnes a voar sobre um lago, mas não reagi com a rapidez suficiente para fazer um filme. Talvez amanhã?