01 fevereiro 2023

o cometa verde

 

Parece pirraça: o cometa C/2022 E3 ZTF lembra-se de vir cá dar um ar da sua graça justamente quando há mais nuvens no céu, e a lua está demasiado luminosa. Já não nos bastavam as crises que temos no nosso planeta, agora até o universo começa a trocar o passo...

E logo este cometa, que não costuma vir cá muito: da última vez, ainda era no tempo dos neandartais. Se temos de esperar outro tanto para o ver de novo, mais vale ir buscar uma cadeirinha e pôr o Godot a passar em loop.

[ Eis que este post chega a uma encruzilhada: de facto, comecei a escrever com a ideia de partilhar a fotografia que tirei ontem ao "cometa" (atenção às aspas). Mas agora que falo nos neandartais, foge-me o dicurso para o humor negro: à velocidade a que estamos a andar para trás, daqui a nada estamos outra vez no tempo deles... Melhor voltar à piada pateta, que aquele humor negro não faz bem. ]

Como ia dizendo: ontem, à hora a que ia dormir, descobri que tinha parado de chover e o céu estava límpido e estrelado. Sentindo que o universo estava a querer emendar o erro de programação, fui logo em busca do cometa, claro. Não o encontrei - não sabia onde procurar nem o que procurar, e o luar estava excessivo (de onde se verifica que o luar dá mais jeito à literatura que à ciência). Fiquei uns momentos no terraço, cheia de frio, a fazer cara de "onde está o Wally?" e depois, já quase congelada, ocorreu-me que o cometa estava ali, algures, de certeza. Independentemente de eu o ver ou não, estava ali - e isso já me bastava. (Tem aqui matéria para fazer um estudo de correlação entre frio e pensamentos filosóficos profundos. Estava capaz de apostar que de dois graus negativos para baixo, de pijama e pés descalços, ultrapasso o Hegel a duzentos.)

Por descargo de consciência, tirei uma fotografia ao acaso. Esta manhã, quando olhei melhor para ela, descobri que o meu telemóvel me oferecera um cometa verde só para mim. Que aqui partilho convosco:


(Mais um prémio Nobel para a mesa do canto...)


31 janeiro 2023

30 de janeiro de 1923


 

Fez ontem 90 anos que Hitler chegou ao poder.
Sublinhe-se: por via democrática, embora com apenas 1/3 dos votos numas eleições de elevada abstenção. Bastou uma parcela não muito significativa da população acreditar nas suas promessas de que vinha "limpar" o sistema político, para desembocar na catástrofe que se viu.

O partido de Hitler subiu de 2,6% em 1928 para 18,3% em setembro de 1930, tornando-se o segundo partido mais importante do Parlamento alemão.
Em julho de 1932, teve 37,4 e passou a ser o primeiro partido no Parlamento, mas Hindenburg não o nomeou chanceler. Manteve Franz von Papen à frente do governo, até que uma moção de desconfiança no Parlamento provocou novas eleições, em novembro de 1932. Nestas, os nazis perderam dois milhões de votos - mas devido à elevada taxa de abstenção, continuaram a ser o partido mais votado, com 33,1% dos votos. Hindenburg ainda tentou evitar a nomeação, mas acabou por ceder dois meses mais tarde, a 30.1.1933. Nomeou Hitler chanceler, e dissolveu o Parlamento.

Nesse mesmo dia, os paramilitares nazis desfilaram pela Porta de Brandeburgo, numa bruta manifestação de força. O pintor Max Liebermann, que morava nessa praça, comentou: "não consigo comer tanto quanto queria vomitar". Outros, pelo contrário, estavam eufóricos.
Nas eleições que se seguiram, a 5 de Março, o partido nazi não conseguiu a maioria absoluta que almejava, mas chegou aos 43,9%.

Pouco depois o Reichstag começou a arder, e o fogo propagou-se a vários continentes.


29 janeiro 2023

27 de janeiro de 2023

Imagem: Placa na Nollendorfplatz, em Berlim, onde se lê
"Espancados até à morte 
Silenciados até à morte
Dedicado às vítimas homossexuais do nacional-socialismo"


27 de janeiro: libertação de Auschwitz. Dia de lembrar as vítimas do nazismo, esse sistema de terror que roubava a todos, inclusivamente aos seus, a dignidade dos seres humanos. Os que não tinham lugar naquele sistema eram propositadamente mortos de trabalho e fome ou eliminados ainda mais sumariamente, como se não passassem de uma praga; os seus, eram reduzidos à sua utilidade, nomeadamente à de reprodutores da "raça eleita".

Na homenagem às vítimas do nazismo que o Parlamento Federal realiza todos os anos neste dia, tem-se vindo a falar de mais vítimas, para além da referência ao Holocausto, que não poderá faltar nunca. Em 2011 convidaram Zoni Weisz para discursar em nome dos povos Sinti e Roma (na Alemanha não se diz "ciganos" porque esse foi esse o ferrete com que os marcaram para os atirar ao horror dos campos e ao gás). Este ano, 2023, deram um lugar especial às pessoas queer. O sistema nazi exigia dos "arianos" que se reproduzissem para dominar o mundo: os homens eram machos de cobrição, as mulheres eram fêmeas parideiras. A partir de cinco filhos, começavam a receber medalhas de apreço do regime. As pessoas que, devido à sua orientação sexual, escapavam a esta lógica de produção de "arianos", eram vistas como inúteis e como uma ameaça para a sociedade.

Neste artigo do Spiegel (em alemão, para assinantes) falam de vários casos, entre os quais Liddy Bacroff, registada à nascença como pessoa do sexo masculino, mas que sempre fizera questão de viver como mulher. Foi condenada a 3 anos de prisão por ser (uso o masculino, como foi registado) "perigoso delinquente por hábito". Assassinaram-na em Mauthausen.

Nos noticiários deram mais exemplos: um homem que foi condenado em 1964 por homossexualidade, quando tinha 17 anos, e só em 2017 foi reabilitado pelo Estado alemão. Mais de cinquenta anos a viver com cadastro por causa de uma lei do período nazi, que o Estado democrático alemão demorou demasiado tempo a mudar. Aqui, em inglês, há um resumo da evolução do tratamento legal dado aos homossexuais nas duas Alemanhas, e depois na unificada.

Também falaram do caso de Karl Gorath: enfermeiro, condenado em 1939 a prisão por "comportamento antinatural", tudo no respeito pela lei. Até que os nazis decidiram que o lugar dele não era a prisão de Celle mas o campo de concentração, com um triângulo rosa, e atiraram-no para Neuengamme. Dada a sua formação, foi posto a trabalhar no hospital de um campo secundário de Neuengamme. Quando se recusou a reduzir a ração de pão dos prisioneiros polacos, foi castigado com a deportação para Auschwitz. Mas ao menos ia com triângulo vermelho, de opositor político, em vez de rosa. Talvez tenha sido isso o que lhe salvou a vida, porque o triângulo rosa representava horrores particulares, em adição a todos os outros. Em Janeiro de 1945 foi parar a Mauthausen, devido à evacuação de Auschwitz para apagar vestígios do que ali se fazia. Ali, depois da libertação do campo, foi salvo por um médico que o encontrou mais morto que vivo. Em 1947 foi de novo levado a tribunal e condenado. Nas suas próprias palavras: "Pelo mesmo juíz. O tipo chamava-se Rabien. Recebeu-me na sala do tribunal com estas palavras: 'Então está aqui outra vez?!' Deu-me a pena máxima, segundo a mesma lei que vigorava em 1939." Karl Gorath morreu com 91 anos, depois de viver em pobreza durante todo o período pós-guerra: por causa daquela condenação no seu cadastro, nunca conseguiu que lhe dessem um emprego.

No mesmo artigo do Spiegel falam de uma exposição que está agora a decorrer em Munique. "To be seen", sobre a vida das pessoas queer entre 1900 e 1950. Fala do início do "self empowerment" e do surgimento dos primeiros grupos, o trabalho de Magnus Hirschfeld, pioneiro na área da ciência, a influência na arte, a exclusão e a perseguição no período nazi.
A directora do Centro de Documentação do Nacional-Socialismo de Munique comentou que na abertura viu muitas pessoas com lágrimas nos olhos: "Sentia-se bem como era importante para eles terem finalmente chegado ali, àquele lugar de visibilidade numa instituição pública."

Os campos de concentração nazis acabaram há muito, mas, pergunto: será que, dentro da nossa cabeça, os triângulos rosa acabaram realmente?

um comentário sobre a arquitectura dos altares das Jornadas Mundiais da Juventude

 



Partilho um post do Lutz Brückelmann, no facebook: "Isto é um comentário sobre arquitetura.
Talvez deva dizer antes que não sou católico e que não gosto de eventos de massas, mesmo que tenha assistido na minha vida, com prazer, a vários festivais do Rock. Mas um festival de Rock têm pelo menos a ilusão, a possibilidade de alguma anarquia, que a Jornada Mundial da Juventude certamente não contém.
Quando vi o palco do parque do Trancão, fez-me impressão a péssima arquitetura geral, mas em particular um aspeto que sei devido menos aos projetistas (embora isso não os iliba da responsabilidade) do que ao cliente, ao programa. O caráter monumental, a enorme distância física e simbólica entre o lugar do líder supremo, o Papa, e os mortais comuns que lhe vão prestar homenagem. Uma distância que se mede em 2000 pessoas, distribuídas em rampas, ou seja de elevação crescente sobre os inferiores, exprimindo com rigor a hierarquia da instituição. Tudo isso encontra-se com ainda mais pertinência na estrutura prevista para o mesmo efeito no Parque Eduardo VII.
Não é por acaso que o objeto lembra um cenário de um filme monumental, mesmo se apenas de série B, um clone barato de um Ben Hur ou Cleópatra.
Está lá a encenação do poder totalitário das pirâmides Aztecas, ou do Reichsparteitagsgelände de Nuremberga. Felizmente só em pequeno, em rasca, em versão Vegas de dia."


23 janeiro 2023

protestos e causas


Queria falar sobre o tema do momento, a acção de um grupo de activistas trans que interrompeu a peça "Tudo sobre a minha mãe" no São Luiz, no passado dia 19. Mas antes de falar sobre o caso, sugiro que vejam (aqui) o vídeo do que aconteceu e ouçam o que Keyla Brasil diz. Ela apresenta-se de corpo e alma, com toda a angústia, toda a dor, toda a raiva, toda a urgência. Para mim, é uma cena dilacerante. E para vocês? 

Muitos queixam-se da violência desta invasão de um palco e do significado deste acto de ataque à liberdade da cultura. Entendo a frustração do público, entendo o temor do cancelamento, e entendo a necessidade de agir daquele grupo. Mais: invadir, interromper, ser excessivo e incomodar os outros é da natureza do activismo radical, desde sempre. E, conforme o caso e a causa, rimos, encolhemos os ombros, aplaudimos ou criticamos severamente. Ou será que algum dos meus leitores critica com a mesma convicção cada uma das invasões e interrupções que partilho na imagem acima? E vamos realmente propor que, doravante, em nome da ordem e da lei, todos os protestos sejam feitos por requerimento em papel azul de vinte e cinco linhas, com todo o juízo e civismo?  

Quanto ao motivo do protesto: acredito que um dia - e espero que não demore muito - nos vamos surpreender por, no teatro ou no cinema, darem um papel de trans a um homem ou a uma mulher cis. Tal como hoje causaria estranheza ter um homem a interpretar uma personagem feminina, e responder aos protestos dizendo que se trata de um excelente actor perfeitamente capaz de representar uma mulher, que representar não é apresentar-se a si próprio, e que ninguém tem o direito de questionar a liberdade do encenador ou realizador.  

O tempo em que era normal os homens tomarem no palco o lugar das mulheres e os caucasianos pintarem a cara para interpretar personagens negras já passou à História. O tempo de ser normal cis interpretarem personagens trans também passará. O caminho para lá chegar é que é pedregoso, infelizmente. Dá vontade de dizer, como Konstantin Wecker: "façam lá a revolução de uma vez, a ver se isto acalma." Uma revolução fácil de fazer: basta aceitarmos imediatamente que o natural é uma pessoa trans representar uma personagem trans, tal como é natural que uma mulher represente uma personagem feminina (ao contrário do que era entendido como "natural" antes do século XVIII).

Luta a luta, vamos avançando para um futuro mais justo para aqueles que determinadas épocas tiveram por hábito menosprezar. Gostaria que esse futuro chegasse mais depressa para os actores trans. E se acreditam realmente no que dizem sobre um bom actor ser capaz de representar tudo: pois que chegue então em breve o dia em que seja necessário recorrer a uma pessoa cis para um papel de trans pelo simples motivo de todos os actores e acrizes trans estarem ocupados a representar personagens cis...


Quanto aos comentários que se opõem à causa deste protesto:

1. "Ai, e tal, um actor representa um papel, não precisa de ser como a personagem para a representar bem, por este andar daqui a pouco só uma grávida pode representar uma grávida, e só um polícia pode fazer o papel de polícia".

É como imagino os argumentos do plano inclinado no século XVIII: "Representar não é representar-se a si próprio! Ponham-se com essas modernices de deixar as mulheres subir ao palco para interpretarem os papéis femininos, e um dia destes vão ver que até os negros querem, até os trans, e, se tivermos azar, até os alentejanos ou os cegos..."


2. "Ai, e tal, então agora os alentejanos vão exigir que só eles podem representar personagens alentejanas", li algures. 

Deixando de lado a questão da comparação de alhos com bugalhos, porque identidade de género não é propriamente equiparável a proveniência geográfica, diria que se houvesse queixas constantes dos actores alentejanos por serem permanentemente ignorados devido à sua origem, a ponto de nem sequer se lembrarem deles para representar alentejanos, teríamos de olhar bem para esse problema e teríamos de arranjar uma solução. Em primeiro lugar, por uma questão de justiça. Em segundo lugar, porque se os deixássemos a falar sozinhos, mais cedo ou mais tarde algum deles iria protestar de uma forma que nos incomodaria. Em terceiro lugar porque é muito bonito dizer que um bom actor consegue interpretar qualquer papel, mas o que mais há por aí é filmes que nos enervam por causa da tentativa mal conseguida de imitar sotaques e falares de uma região determinada. 


3. "Ai, e tal, então agora os papéis de cegos só podem ser representados por cegos? Lá se ia o 'Perfume de Mulher', esse desempenho brilhante do Al Pacino!"

Sinceramente: não sei. Os actores com deficiência visual que digam como é a vida deles, e se há injustiças que temos de corrigir. 
Mas há duas coisas que sei:
- Se o Al Pacino não fizesse o 'Perfume de Mulher', teria tido um desempenho brilhante noutro filme qualquer. Perdia-se aquele filme, ganhava-se outro igualmente excelente. 
- Um caso prático: a realizadora Cristèle Alves Meira conheceu o Duarte Pina quando andava a fazer castings para encontrar um actor com deficiência visual para o seu 'Alma Viva'. Por ter gostado tanto da sua personalidade e maneira de estar na vida, fez logo uma curta para o celebrar. É o filme Invisível Herói, que recebeu vários prémios, nomeadamente o "melhor filme europeu" no festival internacional de curtas de Clermont-Ferrand. Certamente haveria algum actor sem deficiência visual capaz de representar bem o papel daquele irmão em 'Alma Viva', e a história acabava ali. No entanto, ao procurar para o papel uma pessoa com deficiência visual, Cristèle Alves Meira acabou por nos enriquecer o mundo, porque deu a conhecer o Duarte Pina.


Em suma: escutar, tentar entender, abrir-se a outras realidades numa atitude de profundo respeito pelos Direitos Humanos - de preferência proactivamente, para não ser preciso chegar ao ponto em que os que são vítimas do nosso menosprezo avancem para um protesto radical.



20 janeiro 2023

directamente do baú - tomada de posse 17.1.2021


Lembra-me o facebook que em 2021 foi assim (segundo os meus próprios apontamentos):

Então a Kamala Harris, além de ser vice-presidente daquele país em processo de treslouque acelerado, ainda tem de usar saltos altos?!
Mulher sofre!
(Já a mulher do Biden: "sapatos claros em Janeiro é sinal de pouco dinheiro")

*

Alguém viu a festa de despedida do Trump?
Estavam a convidar pessoas dizendo que cada um podia trazer mais cinco amigos.
(Bem, pelo menos não vamos ter de aturar o Trump nos próximos anos a tentar convencer-nos a todos que havia mais público na Inauguration dele que na do Biden. Sobre isso, estamos todos de acordo.)

*

O Bernie Sanders a chegar. Com um casaco quentinho, como deve ser.

*

A Michelle Obama vem de calças. Espertinha!
Ela bem sabe o frio que se passa naquele lugar. (E o cinto! Caramba, belo cinto!)

*

E a mulher do Bush sem cachecol! Vai apanhar uma constipação, coitada.
(Ai que aflição!)

*

Em termos de distanciamento social é que nem por isso.
Todos ali na converseta, e os mais moucos chegam-se à frente para entender o que os outros tentam dizer por trás da máscara.
Deviam ter pedido ajuda ao PCP, para fazer a coisa como deve ser feita. E comunicar por whatsapp, assim como assim já entrámos na terceira década do século XXI.
(Caraças! Terceira década! Acabei de envelhecer mais uns quantos anos outra vez.)

*

O Pence está a chegar.
Nunca gostei dele, nem um bocadinho.
Mas depois do que aconteceu há duas semanas - a forca instalada para ele, a multidão a invadir o Capitólio gritando "hang Mike Pence", os gritos odiosos de quem o procurava por todos os lados, e depois de tudo isso ele não se deixar intimidar, e aceitar o resultado eleitoral - estava quase a considerá-lo um dos meus.
Sou um coração de manteiga. Um coração de margarina barata.

*

Estou aqui a rir e a mandar bocas e talicoisa, mas a verdade é que me sinto profundamente aliviada.
(E também um bocado nervosa: os guarda-costas do Biden e da Harris que façam o seu trabalhinho na perfeição! Hoje, e nos próximos anos. Já parece a primeira eleição do Lincoln - pelo menos foi o que li não sei onde.)

*

Oh pá, o riso nos olhos da Kamala Harris!
❤ ❤ ❤
(Mas devia ter comprado meias na Uniqlo, aquelas fantásticas thermoqualquercoisa) (com estas, assim finas e transparentes, ainda se arrisca a ficar doente) (por mim, até podia vir de fato de ski - ela que se agasalhe bem, que tem tanto trabalho pela frente que nem uma dorzinha de garganta lhe pode acontecer)

*

O novo presidente está quase a descer aquelas escadas.
Neste momento, uma palavra de profunda gratidão às pessoas que passaram horas e horas e horas nas filas para votar, para livrarem o mundo daquele pesadelo.
Cada voto contou.

*

"and a whole bunch of Bidens"
😃 😃 😃
(Quem é ela? Pus-me aqui na conversinha sobre collants, e escapou-me o nome)
Na voz dela pode sentir-se a emoção de quem viu a Democracia por um fio. E se calhar ainda vê. 🙁

[ Informaram-me depois: era Amy Klobuchar, e sugeriram-me que visse este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=AjS2E8qVIRI&t=441s ]

*

A Lady Gaga muito bem, sim senhora: não se esqueceu de trazer o cobertor para não apanhar frio nas perninhas.
Da última vez, foi a pobre da Jackie Evancho quem cantou o hino. Estava tão nervosa, coitadinha. Mas foi o que se arranjou para o Trump: uma adolescente.
Oh, e as bandeiras em lugar do público! ❤

*

Oh pá, agarrem-me que este meu coração de manteiga vai soltar uma lagriminha por causa do ar da Kamala Harris no juramento.


*

A Jennifer Lopez desceu as escadas com muito mais confiança que a Lady Gaga. Mas convenhamos que de calças, e sem ter de segurar um cobertor, é muito mais fácil.
(Ela está a cantar tão bem! Será playback?)
(Ooooops, não disse nada, esqueçam. Pensei nisso só por causa da orquestra. A orquestra é playback?)
* Ai! Aquela frase em espanhol! Ai! Veio logo um militar e levou-a dali para fora.

*

O abraço e o beijo dos Biden: tão bom voltar a ter uma família normal na Casa Branca!

*

É de mim, ou o Biden também está com uma corzinha na cara?
(espero que seja de mim...)

*

Garth Brooks a cantar Amazing Grace.
Muito inteligente, o detalhe de entrar com o chapéu, para o tirar antes de começar a cantar.
(Mas o Obama já cantou isto com mais alma. OK, um bocadinho mais desafinado, mas do fundo do coração. Também, não era para menos - a seguir a um massacre.)
E vocês, estão a cantar com ele, como pediu?

*

Amanda Gorman a presidente!
❤ ❤ ❤
Foi o melhor que aconteceu até agora nesta inauguration.

*

Então os Biden e os Obama estão aos abracinhos?
Espero que tenham todos feito testes esta manhã!
(que mau exemplo! tsss tsss tsss)

*




directamente do baú - tomada de posse 17.1.2017

 


Lembra-me o facebook que em 2017 foi assim (segundo os meus próprios apontamentos): Acabei de me meter no masoquismo: transmissão em directo.
Vi os filhos do Trump a entrar em cena.
Diz que o filho mais novo tem autismo, pelo que não vou fazer qualquer comentário sobre o seu comportamento.

*
O Matthias veio aqui, e disse que estou a perder tempo. Pode ser, mas não consigo desligar e ir fazer outra coisa. Pareço hipnotizada. O coelho perante a cobra.
(Esperava que o Trump trouxesse uma cartola de onde sairiam passarinhos do Twitter, mas não, parece que não vai haver efeitos especiais.) *
Até agora, ainda só vi cinco pessoas de pele escura. Já estou a incluir os Obamas.
Adenda: afinal vi seis. (Comentário de uma amiga: "Claro, não iam contratar figurantes negros")

*

aaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
O discurso do Trump
aaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

*

A pobre Jackie Evancho está tão nervosa!
Bolas, que impressão me está a fazer.

*

Acabou.

*

Ai, a cara do Obama!
"gute Miene zum bösen Spiel"...

*

Lá se vai o helicóptero do Obama.
Já estou com saudades. *
O chat dos jornalistas ao lado da transmissão em directo do New York Times é o máximo.
Por exemplo:
Alan Rappeport
Washington Correspondent
12:15 PM ET
Trump says that the military, law enforcement and God are protecting the American people.
Jon Meacham
Presidential Historian
12:15 PM ET
Does God know that? *

Obama a discursar agora.
"A Democracia não são edifícios e monumentos, a Democracia somos todos nós."
"Isto não é um ponto final, é uma vírgula"
(onde foi isto?)
Adenda: “This is just a – this is just a little pit stop. This is a – this is not a period, this is a comma in the continuing story of building America.”

*

Ai! Já são oito da noite?!
Como o tempo passa!
Vou ver o noticiário, para saber se aconteceu alguma coisa importante hoje.
Até já. *

Por favor, está aí alguém que me tome conta do mundo aqui no facebook?
Tenho de ir passar uma roupinha a ferro.
Obrigada! 🙂

*
 
O cúmulo do masoquismo, hoje, dia 17.1.2017, é ir ver a tomada de posse do Obama em 2009.
Agarrem-me! que estou capaz de me desgraçar...

*





19 janeiro 2023

"nós, políticos, também somos seres humanos"

 


A Jacinda Ardern: gosto de tudo nela - até da maneira como anuncia a sua decisão de parar.
(Só não gosto que pare. A Nova Zelândia estava ali tão bem entregue em boas mãos!)

(E logo agora, que já conseguia dizer o nome dela sem me enganar...)

E caso alguém se lembre de vir com a converseta de "pois, mulheres, não conseguem combinar a carreira política com a vida familiar...", sem pensar muito ocorrem-me vários exemplos de homens que interromperam a carreira política por causa da vida familiar: - Em 2007, o vice-chanceler e ministro do trabalho Franz Müntefering largou tudo para cuidar da mulher, que tinha cancro;
- Em 2010, Steinmeier, o actual presidente da República suspendeu a sua actividade política para doar um rim à sua mulher; - Em 2022, Marcel Huber, antigo ministro do Ambiente na Baviera, suspendeu toda a sua actividade política para dar apoio à mulher, doente com cancro. (Também me contaram de um ministro português, homem, que a meio da reunião pedia às pessoas que fossem mais sucintas, porque começava a ser hora de ir buscar os filhos à escola.)
Quem quer acrescentar mais exemplos para este meu quadro de honra?

esta manhã

 






Esta manhã, ao pequeno-almoço, descobri que a lua estava praticamente empoleirada na árvore de um vizinho. Mas decidiu fazer a gracinha em dia de lua nova, a pateta!
Fui ao terraço fotografá-la - descalça e em pijama, claro.
Não tirei muitas fotografias, porque estava fresquinho: cinco graus negativos.
Voltei para dentro, fechei a porta, e foi então que percebi: o verdadeiro espectáculo estava no vidro das janelas.
(Agora publico cem variações do mesmo motivo, porque, como dizia o outro, não tenho tempo para fazer isto mais sucinto.)














a História castiga os que chegam tarde...


Esta manhã descobri que alguém depositou 800.000 euros num banco suíço, para mim. Infelizmente a mensagem onde isso constava foi parar ao spam, e agora temo que já tenham dado o dinheiro a outros, por pensarem que eu não estava interessada...

[ Pessoal que não me conhece de ginjeira: isto é piada, OK? ]


16 janeiro 2023

recordação de Ipanema

 


Diz que é Ipanema. Vejo a Lagoa, os Dois Irmãos, e até acredito.
Mas não sei se acredite: pensava que os prédios (e o passeio cheio de pareos à venda) sempre tinham estado lá...



12 janeiro 2023

microconto ilustrado

 


O Matthias ligou quando eu estava com o Fox no lago. Combinámos ir ao encontro um do outro, e ele levava o bichinho para uma festa em casa de amigos. Disse ao Fox "olha o Matthias!" e ele largou logo a correr, cheio de feliz expectativa. Sabem como é, aquela avó de quem os netos não gostam, mas por delicadeza dão beijinhos e tudo? Sou eu.

O Matthias apareceu, e continuou caminho com o Fox. Mas depois ocorreu-lhe que não fazia sentido levá-lo, e que ele ficava melhor em casa da tal avó. Trouxe-mo de novo, e foi-se embora.
De partir o coração: o Fox parado no caminho, a olhar, a olhar, a olhar.






07 janeiro 2023

Umberto Eco, os bárbaros e nós

 

A propósito do seu 90º aniversário, falámos do Umberto Eco na Enciclopédia Ilustrada, e alguém publicou este excerto de uma entrevista publicada no Expresso em 7.9.2015:

"O que se passa no mundo não é um fenómeno de imigração, mas de migração. A migração produz a cor da Europa. Quem aceitar esta ideia, muito bem. Quem não a aceitar, pode ir suicidar-se. A Europa irá mudar de cor, tal como os Estados Unidos. E isto é um processo que demorará muito tempo e custará imenso sangue. A migração dos alemães bárbaros para o Império Romano, que produziu os novos países da Europa, levou vários séculos. Portanto, vai acontecer algo terrível antes de se encontrar um novo equilíbrio. Há um ditado chinês que diz: 'Desejo-te que vivas numa era interessante'. Nós estamos a viver numa era interessante."

Ao ler, tropecei naquele "bárbaros". Conversa de romano, claro. Já contei aqui, mas repito: descobri isso no dia em que o Matthias, depois de uma visita escolar a um museu, me mostrou a técnica de fiação de um antigo povo germano da região da Turíngia.
Elogiei-o: "davas um bom bárbaro." Ele pediu: "mãe, chama-me antes germano." Tantos séculos depois, eu ainda falava como uma romanizada, e ele reconhecia a dignidade do povo que antes vivera naquela região.
"Bárbaro" - com todos os seus medos, com todas as suas rejeições - era o nome que o império romano dava aos de fora. Tantos séculos depois, continuamos iguais: cheios de medo dos "primitivos", dos "fanáticos", dos "diferentes" - os povos que ameaçam a nossa identidade.
Talvez um dia venhamos a descobrir que a maior parte deles afinal fia e tece a vida como a maior parte de nós.

04 janeiro 2023

ó mãe, olha!

 

Agora que os filhos cresceram e já não partilham a vida deles comigo com a assuidade de outros tempos ("ó mãe, olha! ó mãe, anda cá ver! ó mãe, anda aqui depressa!") e eu me habituei a dispor do meu tempo como muito bem me parecer, tenho uma janela que ao pequeno-almoço se põe com "olha! anda cá ver! anda aqui depressa!"

Esta manhã, foi assim.



Eu com tanto trabalhinho para fazer, e a maldita janela a repetir "anda cá outra vez, já mudou tudo de novo!"

E depois começou a chover. E eu a sonhar com um arco-íris glorioso.


(Que não aconteceu.)




(E o trabalho, que não se faz sozinho?)

(A quem interessar possa: se construírem uma casa, ponham o sítio onde fazem as refeições no andar mais alto de todos, por cima dos telhados dos vizinhos. Cenas fantásticas ao pequeno-almoço - garantidas!) (Depois ficam com problemas de produtividade, mas paciência.)