Rage! Rage against the dying of the light!
... sobre o que nos desaquieta
Ia deixar este vídeo só assim, para um entardecer sereno, mas lembrei-me do comentário de um amigo, "há pianos cheios de sorte!" e do comentário seguinte, depois de lhe ter falado do documentário sobre a pianista e os lobos: "fui ver!!!! Aaaaaah! Os sacanas dos vira-latas!!!! Só me apetece sair a uivar!!!!"
(Mumbai, India)
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A caminho: esse Jesus ainda por nascer, ou o espírito de Natal, ou o espírito de amor e bem-querer - como preferirem.
Cabe a cada um de nós abrir os olhos para destrinçar o essencial no meio da confusão, abrir o coração, e fazer.
Que estes dias sejam de bom Natal para todos os caminhantes que por aqui param um pouco. E para os outros também, vá! ![]()
Imagem: O Recenseamento em Belém, de Pieter Bruegel, o velho.
Uma playlist para nos sossegar os dias de quem por aqui passa. Que seja para todos um Natal daqueles de encher o coração de tranquilidade e confiança - como bem precisamos, para continuar na luta quotidiana por melhores mundos para todos.
É fascinante. (Mas se calhar vão parar mais de 15 segundos. Porque depois vão tentar outra vez, e depois vão mostrar a mais alguém...) (Portanto: caso alguém aí queira passar um tempinho bom, a maravilhar-se e a sorrir com outros...)
Para terminar o dia da melhor maneira possível.
De muitas maneiras possíveis, todas melhores.
Agora que assinalámos um ano da Síria sem guerra civil, partilho um vídeo muito informativo sobre como se chegou àquela tragédia.
Depois de longa ausência, voltei ao Largo. O tema desta semana é "dança", e "dança" lembra-me muitas vezes um poema de Santo Agostinho, que termina mais ou menos assim:
Oh, gentes,
aprendei a dançar!
Caso contrário
no céu os anjos
não saberão
o que fazer convosco.
Obrigada, Santo Agostinho, pela imagem tão feliz para uma ideia da Eternidade: dançar com os anjos!
Mais ainda: dançar como preparação para a Eternidade é uma bela maneira de atravessar a vida. Porque, como diz o poema,
(e desde já peço desculpa pela tradução a partir de uma versão alemã)
Eu louvo a dança
que tudo exige e estimula
saúde, mente clara,
uma alma leve.
Dança é transformação
do espaço, do tempo, do ser humano
sempre em risco de se fragmentar:
cérebro só, ou vontade, ou emoção.
A dança, contudo,
chama o ser inteiro
ancorado no seu centro.
Esse que não está possuído
pelo desejo de seres e coisas
e pelos demónios
da solidão interior.
A dança pede o homem livre
vibrando no equilíbrio
de todas as forças.
Eu louvo a dança.
Oh, gentes,
aprendei a dançar!
Caso contrário
no céu os anjos
não saberão
o que fazer convosco.
E agora que falei da vida e do seu depois, acrescento também uma imagem dilacerante de luto que não me sai da cabeça desde que comecei a pensar no que gostaria de escrever sobre o tema "dança":
Eis o homem que se despede da sua amada, dançando de mão dada com a sua ausência.
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Mais dançarinas no Largo:
A Curva
A Gata Christie
Boas Intenções
Gralha dixit
O blog azul turquesa
Quinta da Cruz de Pedra
Esta imagem tão drástica fez-me pensar numas alminhas que havia mesmo ao lado da casa da minha avó. Não podia andar descansada na minha vida, que me apareciam aquelas almas do purgatório com um olhar lancinante a implorar nem sei bem o quê. Que rezasse por elas, ao menos.
E eu rezava, pois claro. Porque nos bons velhos tempos a solidariedade social ia para além das fronteiras da vida e da morte.
Deixem-me contar-vos do momento em que descobri que a lua cheia tem o poder de fazer sombras: aconteceu na minha cozinha de Weimar, que era num jardim de inverno com enormes paredes de vidro sobre o quintal, e havia neve.
Foi a neve: o luar brilhante desenhava as sombras das árvores nuas
no branco do chão, e eu fiquei ali encantada, na casa às escuras, sem saber o
que fazer com tanta beleza.
25 de...