04 fevereiro 2026

alegria no trabalho

 

"Não voto Seguro porque ele não é de esquerda como devia ser"
é a tradução, para a realidade portuguesa, do nosso conhecido
"Não se deve votar na Kamala Harris porque ela se portou mal em Gaza".
(Às vezes desconfio que a equipa de manipulação das redes sociais do Bannon, ou do Putin, ou de sei lá quem, ou deles todos juntos, se ri muito de nós quando está a fazer o seu trabalho.)

03 fevereiro 2026

"lavar"


Caso alguma vez se tenham perguntado aonde ia a Agatha Christie buscar a inspiração para os seus livros, aqui vos deixo a resposta: a #lavar a louça. Pelo menos foi o que li numa edição de verão de um jornal qualquer. Estava escrito, deve ser verdade. Se bem me lembro, terá dito que lavar a louça é uma actividade tão entendiante, que tinha de entreter o cérebro de alguma maneira, e inventava aqueles enredos.
Ora bem: ficamos a saber que a Agatha Christie lavava a louça muito devagarinho e com gestos repetitivos e monótonos. Porque eu cá, quando estou a lavar a louça, tenho o cérebro ocupado a tentar gastar o mínimo de água e de esforço e a ter aquilo tudo despachado o mais depressa possível. Se calhar existe em mim uma escritora fantástica, mas nunca se saberá, e é porque lavo a louça da maneira errada.

vai-se a ver, e...



Por causa do que tem vindo a ser revelado sobre a correspondência de Epstein com muitos poderosos deste mundo (1) (2)
dei comigo a perguntar: será que aquele suicídio na cela foi um caso de Crime no Expresso do Oriente?
(1) para além de muito chocante e de muito informativo sobre como o pessoal "lá em cima" funciona
(2) e tenho andado a evitar ler os relatos das jovens, não consigo entrar nesse abismo

para começar bem o dia

 


Yasmin Levy: "I am proud to combine the two cultures of Ladino and flamenco, while mixing in Middle Eastern influences. I am embarking on a 500-year-old musical journey, taking Ladino to Andalusia and mixing it with flamenco, the style that still bears the musical memories of the old Moorish and Jewish-Spanish world with the sound of the Arab world. In a way it is a ‘musical reconciliation’ of history."

02 fevereiro 2026

duas questões

 

Agora que entramos na última semana antes das eleições, estou aqui com duas curiosidades:
1. Em que dia é que o alforreca se irá sentir mal?
2. Será que, para compensar ter usado a máscara do sofrimento enquanto carregava umas garrafitas de água, depois, lá no hospital, vai compor a máscara "herói cheio de determinação para ajudar ao máximo quem precisa"?

fotografia


Por estes dias tenho-me lembrado de um desabafo do Michael Moore quando começaram a sair os resultados das eleições Biden/Trump.
Ele contava com uma derrota estrondosa de Trump, depois daquele primeiro mandato surrealista. Mas não. A coisa estava muito periclitante, e Michael Moore não compreendia os seus concidadãos. Sentia-se de rastos por haver tantos milhões de norte-americanos a votar Trump apesar de tudo o que ele revelou sobre si próprio nesse seu primeiro mandato, e do mal que fez ao país e à sua imagem no mundo.
No próximo domingo, não se trata apenas de a democracia se saber defender do três-salazares. Portugal vai ao fotógrafo para tirar um retrato histórico. A ver vamos como ficamos na fotografia.

good girls and pretti boys

 


Que lema espantoso: "Raise Good girls and Pretti boys" Em memória de Renée Good e Alex Pretti, mortos por elementos do ICE em Minneapolis, em Janeiro de 2026.

01 fevereiro 2026

para adormecer este domingo em paz

 


Boa noite.

lembrar também isto

 


Faz por estes dias 9 anos, Trump deu ordens para não deixar entrar nos EUA os árabes que viessem de determinados países. Todos terroristas, temia ele...

A ordem entrou em vigor quando muitas dessas pessoas já vinham num avião a sobrevoar o oceano.

Caos e desumanidade à moda de Trump. Crianças que regressavam a casa dos pais, pessoas que vinham fazer tratamentos médicos urgentes, funcionários importantes de empresas norte-americanas - a ordem era: "volta tudo para trás!"

A população correu para os aeroportos em sinal de protesto e solidariedade.
Houve cenas comoventes, como a polícia mandar vir pizzas para alimentar os manifestantes.
E sobretudo esta aqui: "Never again."


Brainwashed

 


Ando há que tempos para vos dizer para irem ver este filme.
É hoje.
Muito informativo, muito claro. Tão evidente que dói.
Por exemplo, o início de Lost in Translation (para mais, de uma realizadora): a apresentação do personagem principal masculino é feita com o seu rosto (com boa luz, bem desenhado, profundidade, mímica, movimento). E como apresentam a mulher da história? Um grande plano do seu rabo, numas cuecas transparentes.
Apresentação do filme no programa da Berlinale: aqui.


"jogar"

 


Não sou muito de #jogar, mas passava belas tardes com os miúdos a jogar "Zug um Zug" (tradução: comboio a comboio, ou jogada a jogada): cada um tem uma ligação ferroviária longa (Lisboa a Estocolmo, por exemplo) e vai tentando combinar essa com outras ligações mais curtas, que existam no seu caminho, para ter mais alguns pontos. Mas é preciso ter atenção também aos outros: a ligação deles precisa dos mesmos carris que a minha? Vão acabar antes de eu terminar a maior parte das minhas?
Como jogava com os filhos, dava um jeitinho para acomodar os interesses deles: "se quiseres, vais por Bruxelas e eu vou por Colónia".

É isto.
Quer dizer: era isto, até ao dia em que um amigo nosso começou a bloquear passagens fundamentais para todos. Só pelo gosto de estragar o nosso jogo.
Nunca me tinha ocorrido que também se podia jogar assim.

Outra descoberta: o Matthias foi viver para um apartamento partilhado, levou o jogo com ele, e um dia em que nos veio visitar e o trouxe para jogarmos, eu percebi que ele estava noutro nível. Jogava com enorme inteligência, sentido de estratégia, antecipação. Fazia contas de cabeça sobre probabilidades.
E eu que só queria sentar o meu cérebro no sofá para ir fazendo confortavelmente as ligações...

Se calhar é por isso que não pode haver paz neste nosso triste mundo: porque de um lado há os que só querem fazer a sua vidinha honesta, e do outro há os inteligentes, e do outro há os cínicos, e por cima desses todos há os cínicos inteligentes.

João Canijo - duas homenagens


Do tanto que se disse sobre João Canijo no momento em que a sua morte nos sacudiu, fiquei especialmente tocada pelas palavras do Vasco Pimentel e do Marco Martins. Por isso as partilho aqui.


Vasco Pimentel (no facebook)


O JOÃO CANIJO.......
Tínhamos exactamente a mesma idade. Houve uma data de anos em que, mais filme, menos filme, o João estava em todos os filmes onde eu também estava. Foram muitos, e quase todos muito bons. Quando começou a fazer os filmes dele levou-me atrás, e eu fui sem hesitar. Era uma pessoa muito intensa e atormentada, embora disfarçasse bastante bem. Auto-retratou-se em todos & cada um dos filmes que fez, embora também disfarçasse bastante bem. O conjunto dos filmes dele é as duas coisas ao mesmo tempo: a alma que ele carregava consigo e a máscara com que a encobria.
Muito obrigado, João. Marco Martins (no instagram):


Comecei a fazer cinema com o João e, com ele, tive o privilégio de assistir à descoberta, à intransigência, à obsessão que devem moldar um artista. A ética da estética ou a estética da ética. O trabalho incansável de um artista com uma alma profundamente negra e sem esperança de redenção. Trágico e existencialista, zangado com o seu país, com a sua condição. Comecei a trabalhar com o João no período mais difícil do seu percurso, perdido em séries de televisão, a preparar projectos sem saber se os ia algum dia filmar. Aprendi também isso, a persistência, continuar sempre, a utopia. O João acolheu-me e ensinou-me enquanto ele próprio explorava. Procurava um método, procurava, procurava, procurava. Trabalhava incansavelmente com os actores, o texto, a câmara e a matéria. Tive uma sorte tremenda. Obrigado João. Obrigado. O Cinema do João é sempre incômodo, tem sempre alguma coisa para dizer, que não queremos ver . Ele explorava, investigava actores, e partilhava essa exploração (que maravilhosos são os actores nos seus filmes). O trabalho incansável de um artista intransigente, com uma alma dilacerada, na criação de uma espécie de realismo híbrido, cru, que doía. Cinema. Cinema elevado a uma espécie de emoção crua e vibrante. Cinema torturado, como ele era, sempre com aqueles olhos brilhantes e sorriso. Cinema sem pose. Trabalho de câmara incansável, barroco e visceral. Por vezes era como sangue, como cuspo. Cinema que doía nos olhos, na alma. Uma intensidade visceral, um cinema sujo e imperfeito que pedia aos atores volume máximo. Cinema incompreendido, claro. Muitas vezes. Que bom. Que duro. Mas finalmente também o reconhecimento veio. Veio também o Urso, mas podia não ter vindo. O Cinema não é sobre isso. O cinema do João andava em contraciclo com o mundo. Que sorte nós tivemos.

Obrigado, mestre e amigo.

31 janeiro 2026

se acham que lutar contra o aquecimento climático fica caro...

 

Ao ver as imagens trágicas da devastação provocada pelo temporal Kristin, ao pensar nas consequências dos incêndios florestais cada vez mais violentos, volto ao meu velho argumento: se acham que lutar contra o aquecimento climático fica caro, façam bem as contas a quanto custa não lutar.
O aquecimento climático não é uma questão de opinião, não é um amuse-tolos do género de a terra ser plana. É o problema mais grave com que a humanidade alguma vez se debateu, e já está a ter consequências gravíssimas e muito visíveis na nossa vida.


cuidado com as máscaras

 

É de mim, ou o alforreca anda a carregar garrafinhas de água com cara de refluxo gástrico?
Alguém que o avise: quem anda a carregar produtos de primeira necessidade para ajudar as populações da zona de Leiria, que estão numa situação aflitiva, fá-lo com ar determinado e com rapidez, e até manda as câmaras sair do caminho para não empatarem o trabalho, que é urgente.
A cara de refluxo gástrico não é esta semana, há-de ser mais lá para o meio da próxima, que à boca das eleições tem mais impacto.

30 janeiro 2026

o que é bom para a tosse



Estava a ouvir este trio maravilha Wagner/Furtwängler/Flagstad, e tudo bem. Mas o filme a seguir era a Heróica, e deu-me um ataque de tosse. Voltei a este Wagner, a tosse passou. Mas depois voltou.

Não percebo o que me está a acontecer, mas pergunto na mesma:

Alguém tem aí um compositor que me possa recomendar para fazer passar esta tosse?

milagre

 

Souberam aqui primeiro: hoje aconteceu um milagre em Berlim, e olhem que a última vez que aconteceu algo do género foi há mais de dois mil anos!

É que hoje dei comigo a caminhar a passos rápidos para uma afecção das vias respiratórias, apesar de estar há mais de uma semana sem sair de casa e sem, como diz o outro, conhecer a ninguém que esteja doente. Portanto:

Sou a Imaculada Constipação!

João Canijo

 


O primeiro filme de João Canijo que vi foi Sangue do Meu Sangue. Em 2012, contei aqui (mas, atenção: spoiler!). Fiquei inteiramente rendida aos planos com cenas e diálogos sobrepostos: uma epifania.

Alguns anos mais tarde, trouxemos Fátima aos Portuguese Cinema Days in Berlin, e ele veio também. Para além do cinema que nos oferecia: a generosidade. A resposta do público ficou muito aquém das nossas expectativas, senti-me envergonhada: roubar tempo ao João Canijo para lhe dar uma sala assim frustrante! Ele sorria.

E voltou. Já depois do "urso de prata", aceitou novo convite nosso para vir comemorar o Dia do Cinema Europeu com o seu díptico: Mal Viver de manhã, intervalo para bifanas, Viver Mal à tarde. Desta vez o público respondeu bem - foi um belo domingo.

Já falei da generosidade? Deixem-me acrescentar a paciência (e o sorriso) com que assinou tantos cartazes dos seus filmes, para nos ajudar a compor as nossas finanças sempre à beira de um ataque de nervos.

Ao fim do dia, subimos a um terraço na Karl-Marx-Allee, e Berlim estava linda. Na manhã seguinte regressou ao Alentejo, e quando lhe perguntei quanto pagara pelo táxi respondeu: "Deixa lá as contas do táxi, que eu já nem me lembro de quanto foi, e a associação é benemérita."

A generosidade, como quem dá um exemplo. O sorriso, que perdemos. E o cinema, que fica connosco. ***

Naquele domingo do Cinema Europeu, interrompi o Mal Viver (que me estava a saber tão bem rever no écran gigante do cinema!) para lhe mostrar o caminho para o Museu da Fotografia, ali perto. Falámos disto e daquilo, e ele "fiz um filme sobre isso, não viste?", e pouco depois "também fiz um filme sobre isso, viste?", e outra e outra vez. Parecia que tinha filmes sobre a vida inteira.

Não vi. Tenho aí alguns DVD, mas não é a mesma coisa. Quem me dera que houvesse um ciclo de cinema com os filmes do João Canijo, e a sala se enchesse com pessoas encantadas por estarem ali, rendidas aos seus planos e ao seu retrato de quem somos!

Seria a melhor maneira de lhe agradecer o tanto que nos ofereceu.

29 janeiro 2026

para adormecer o dia em beleza

 


Em beleza, sem palavras. Brahms - Sonata para violoncelo Nº1 em mi menor, Op. 38 Jacqueline du Pre - violoncelo Daniel Barenboim - piano

27 janeiro 2026

um aniversariante do dia

 


(Requiem, Tigran Mansurian - a partir de 2'45)


Parabéns ao compositor Tigran Mansurian, que faz hoje 87 anos. Nasceu no mesmo dia que Mozart. Que faz hoje 270 anos.
Conheci este seu requiem no dia da estreia mundial, quando foi apresentado num concerto juntamente com o de Mozart. O maestro estava muito satisfeito com essa combinação.
Gosto especialmente do início - as vozes em surdina, como um eco da voz das vítimas. Gosto muito do Agnus Dei (a partir do 9º minuto). E do Kyrie, a seguir. Etc.
(Ouçam vocês, e depois digam da vossa justiça) --- Ora então: Mozart faz hoje 270 anos, e sobre ele não digo nada. Agora é esperar mais 30 anos, a ver se acerto no terceiro centenário...

de Sophia, para os nossos dias


No instagram, Martim Sousa Tavares ofereceu-nos este poema da sua avó, que parece escrito para os dias de hoje.
Cidade dos outros
Sophia de Mello Breyner Andresen

Uma terrível atroz imensa
Desonestidade
Cobre a cidade.
Há um murmúrio de combinações
Uma telegrafia
Sem gestos sem sinais sem fios.
O mal procura o mal e ambos se entendem
Compram e vendem.
E com um sabor de coisa morta
A cidade dos outros
Bate à nossa porta. *** A cidade dos outros está a caminho de se instalar na nossa casa. E é um lugar feio, um lugar cheio de ódio.



 


"O Céu da Língua" em Berlim



Atenção, Berlim!
Souberam primeiro aqui.
Pensei que ia ser espertinha, primeiro comprava o meu bilhete na primeira fila e só depois é que dizia aos outros, mas afinal não tem lugares marcados. Será que vou para a porta do Colosseum três dias antes? Chegarão dois?

(Bilhetes: https://www.colosseumberlin.com/details.../o-ceu-da-lingua )

26 janeiro 2026

como dervixe, mas em mau

 

Não sei, não sei, mas algo me diz que o 1143 ainda vai provocar um refluxo gastro exofágico ao alforreca...
Ora se esquiva a uma pergunta simples e directa:
- O grupo 1143 apelou ao voto em si - aceita, ou quer demarcar-se dele?"
(desculpem, mas vou repetir: o alforreca esquivou-se a responder à pergunta se queria demarcar-se do apoio de um grupo suspeito de terrorismo interno que estava a preparar ataques a pessoas imigrantes!!!)
ora dá mais uma cambalhota com a típica falta de vergonha dos invertebrados: agora, no Expresso, parece um pastorinho do Papa Francisco, "Sou absolutamente antiviolência!"
Mudança de 180º em relação ao que anunciou há tempos, num encontro das extremas direitas em Espanha, onde disse que se sentia orgulhoso e deu os parabéns pelas perseguições violentas a emigrantes, em Múrcia.
Mudança também em relação ao estilo a que nos habituou. Por exemplo: para vir em socorro do seu colega Pedro Pinto, que (a propósito da morte de Odair Moniz) afirmara que "se a polícia disparasse mais a matar o país estava mais na ordem", veio dizer que estava muito bem, e que "há momentos em que a polícia tem de disparar a matar".
O alforreca dá tantas voltas que até lembra um dervixe a dançar.
Ora bem: estes rodopios todos não fazem nada bem ao estômago. Se calhar já abrandava um bocadinho o ritmo. Não queremos nada que vá sobrecarregar mais uma vez as urgências do SNS com os seus problemas de refluxo. E logo agora, mesmo antes das eleições...

24 janeiro 2026

melhor que isto...

 


Melhor que isto, só o silêncio. Boa noite.

23 janeiro 2026

mil pasos

 


mil pasos
- alguém consegue ouvir isto sem ficar com vontade de dançar? E por falar em dançar, aproveito para deixar um pensamento profundo de sexta-feira à noite:

if you fear change...

Descansem, não é sobre o estado do mundo, é mesmo só uma piadinha de sexta-feira ao fim do dia.




22 janeiro 2026

a alforreca

 



Este cartoon fez-me imediatamente pensar na actual campanha de lavagem da imagem da alforreca.

(Alforreca: ser invertebrado e gelatinoso. Com excelente capacidade de adaptação, e formas muito maleáveis.)
(Assim do tipo: fazer um trabalho de doutoramento a defender o povo cigano, e depois atacá-lo para subir na vida política. Ou então: tão depressa fala com Deus nosso Senhor em frente às televisões (se não houver câmara nem jornalista, não resulta) como está a fazer exactamente o contrário do que ensina o Evangelho.) (Mas não podemos acreditar naquilo que vemos, porque estamos simplesmente a ver as coisas fora do contexto...)

para começar o dia em beleza

 



A ignorância é uma coisa muito triste: em 2009 eu ainda não sabia que era possível comprar lugares para o estrado por trás da orquestra por preços muito acessíveis. Eu e muitos outros. Só assim se explicam aqueles lugares vazios em frente ao Abbado na Filarmonia.
A dorminhoquice também é uma coisa muito triste: como foi possível ter assistido ao concerto inaugural do DCH nesse estrado, em 2008, e não ter percebido logo ali que a venda dos lugares no estrado, na própria semana do concerto, era uma possibilidade a explorar sempre?

21 janeiro 2026

opá opá opá opá opá opá opá opá opá opá

 

opá opá opá opá opá opá
Finalmente saíram os resultados de Berlim!
😍😍😍😍😍😍

(é uma daqueles momentos em que fico quase com vontade de sentir inveja de mim própria...) (foi preciso esperar tanto porque tinham de contar os votos juntamente com os de outra mesa de voto onde houve tão poucos eleitores que o segredo ia ficar comprometido)

20 janeiro 2026

um ano depois da segunda tomada de posse do tsunami laranja

 


Quando tudo parece soçobrar,
resta-nos sempre um plano B.
(A beleza salva, ao menos por instantes.)

(Esta senhora vai estar na Filarmonia no próximo domingo, mas é um concerto de Gerschwin, não sei, não sei..) (Se ao menos ela garantisse que vinha de rabo de cavalo...)

a lapalissade do dia

 

Apesar da confusão que vai na cabeça e na consciência de certas pessoas com responsabilidades em partidos de direita, o amoral mentiroso não é o líder da direita. É apenas o líder dos portugueses que, entre a Democracia e Salazar, preferem Salazar.
Mas um Salazar 2.0: a combinar a grunhice e a falta de vergonha com a lágrima de crocodilo para apelar à emoção no tiktok.
(Por acaso agora pergunto-me: será que Salazar simpatizaria com esta sua cópia oportunista? É que, bem ou mal, o original tinha convicções que queria impor ao país em nome do bem nacional; este seu seguidor não tem qualquer convicção, tem apenas o projecto de se impor, ele próprio, ao país - e o bem nacional que se lixe. De facto, se "Estaline" desse mais votos que "Salazar", a minhoca sem coluna vertebral já teria dito "este país precisava era de três Estalines!", e tornar-se-ia o líder dos portugueses que, entre a Democracia e Estaline, preferem Estaline. Se fosse o que lhe desse mais votos, era isso mesmo que ele era.)
Tenho a certeza absoluta de que a esmagadora maioria das pessoas que votam na direita democrática são pessoas com princípios sólidos.
(E porque estou tão certa disto? Fácil, fácil: se não tivessem princípios sólidos, já tinham embarcado na cantiga do flautista de Hamelin, que é muito apelativa para um certo tipo de gente.)
Portanto: há futuro para a direita democrática. Mas ele passa unicamente pela capacidade de defender, sem margem para dúvidas, o nosso bem maior: a Democracia.
Isso significa: cordão sanitário. Isso significa afirmar: não abdicamos destes princípios.
(E mais umas quantas mudanças importantes, mas isso são temas para depois de 8 de Fevereiro, e referem-se a todos os partidos, não apenas aos da direita democrática.)
Daqui a menos de três semanas, Portugal vai escolher o seu presidente da República: queremos ser representados por uma pessoa com firmes convicções democráticas, ou por um manhoso sem escrúpulos nem ética?
A resposta parece-me muito simples.
Portanto: desculpem a lapalissade do dia.

19 janeiro 2026

não perdem tempo

 

O facebook acordou cheio de comentários de defensores do aldrabão, com a cartilha dos "50 anos a roubar", "imigrantes criminosos e a viver do Estado Social", "mimimi, ai que vamos ser todos muçulmanos", etc.
Isto é gente que existe mesmo, a tentar desculpar-se de ter escolhido votar no regresso da outra senhora, mas agora em mais grunho - ou são bots a trabalhar já para a segunda volta? Resposta: ambos. E o trabalho dos bots confirma que a Democracia portuguesa está a ser atacada por quem sabe muito. Isto não somos nós a conversar uns com os outros, é uma máquina muito bem programada e muito bem oleada a trabalhar com o objectivo único de destruir as Democracias ocidentais. Já conseguiu nos EUA, ia conseguindo no Brasil, e vai de vento em popa na Europa.

párias da sociedade

 

Lembro-me bem - e ainda nem foi assim há tanto tempo! - do orgulho com que dizia, aqui na Alemanha, "ah, em Portugal não há direita populista". Lembro-me do olhar de admiração (e quase inveja) de quem me ouvia.
Não vai assim há tanto tempo, os portugueses tinham um trunfo realmente especial para afirmarem no estrangeiro que são um país muito apresentável. Quem anda cá fora a lutar pela vida no "país dos outros" sabe como às vezes faz falta ter algo especial para revelar sobre o país de onde viemos.
Por isso mesmo me surpreende que os emigrantes portugueses estejam na linha da frente do apoio ao burgesso.
No caso da Alemanha, em particular, é um autêntico tiro no pé: o sistema político alemão não tem a menor dúvida sobre a necessidade imperativa de manter um cordão sanitário para proteger a Democracia, e de impedir que a AfD chegue ao poder.
Uma percentagem tão grande de imigrantes portugueses a votar no "3 salazares" pode ter consequências ao nível da morosidade na concessão da nacionalidade alemã aos portugueses que a pedirem.
Os adeptos do "isto não é o Bangladesh" e "os ciganos têm de cumprir a lei" catapultam-se a si próprios para o lugar de pária na sociedade onde vivem. Parabéns.

"o diabo agarra na tua alma e deita-a ao lixo"

Partilho um apontamento do Vasco Pimentel no facebook, e acrescento: Bem sei que o governo minoritário está preso por arames e acordos parlamentares pontuais, e por isso mesmo me parece que, neste preciso momento da História, Montenegro tem de escolher se quer preservar a Democracia em Portugal, ou se se está nas tintas para o que vier depois dele.

Portanto: gostei muito do que o Vasco escreveu, mas discordo num ponto - o Montenegro não pode ficar caladinho e dizer ao Marques Mendes que se chegue à frente para tentar salvar a honra do partido. ---
O PSD podia ter feito uma coisa muito simples, que o colocaria algures a meio do caminho da decência.
--- O Montenegro, Presidente do partido e Primeiro-ministro de um Governo minoritário, preso por arames a acordos parlamentares pontuais com PS e Chiça, não endossava nenhum dos candidatos presentes à segunda volta, visto que um é do PS e o outro do Chiça.
--- O candidato derrotado, no entanto, o Marques Mendes, declarava o seu voto, a título pessoal ou em nome da candidatura, no candidato António José Seguro. E explicava porquê, já que é tão bom explicador de tudo e mais um par de botas. Não comprometia o partido (não tem nenhum cargo de direcção) e não comprometia o Governo minoritário do seu partido, cujo Presidente e Primeiro-Ministro mantinha a prudente equidistância, em nome da estabilidade do triste & periclitante Governo a que preside.
Tiveram todo o tempo do mundo para terem cozinhado isto.
Não o fizeram.
Colocaram-se, Governo e partido por atacado, no campo da indecência.
E amanhã vão começar a perceber que nem sequer ganharam nada com isso. Quando vendes a tua alma ao Diabo, o Diabo não passa a ter a tua alma. Agarra nela e deite-a para o lixo. E a alma deixa de existir. O Diabo não precisa de almas para nada.