18 julho 2018

poderoso soporífero

Qual é o google-doodle que vos aparece hoje? O meu é este:


Kurt Masur faria 91 anos. Aparentemente, é este o doodle que hoje se vê nos EUA, na Islândia, na Alemanha, na Bielorrússia e no Japão.

No Paquistão, o Google assinala o 91º aniversário do músico Mehdi Assan:










E em alguns países do Sul da Europa, em Israel, Austrália e Nova Zelândia o Google doodle é sobre o 104º aniversário do ciclista Gino Bartali, que salvou vários judeus do Holocausto.



Acontece que hoje se comemora o centenário de Nelson Mandela. Será que alguém anda a dormir profundamente ali para os lados do Google?

(Mas calma: isto não é nem um apelo à revolta nas redes sociais, nem uma insinuação de uma conspiração qualquer, nem nada. É um mero apontamento.) (Já agora, se me dissessem qual é o soporífero que usam...)


"Nelson Mandela"

Hoje a Enciclopédia Ilustrada tem um especial "Nelson Mandela" - et pour cause.

Partilho o contributo do Lutz Brückelmann:



Hoje temos #Nelson_Mandela unanimamente por uma das maiores figuras do século XX, um exemplo moral.
Isto não foi sempre assim.
Para Ronald Reagan, Mandela era um terrorista, e o ANC só foi removido da lista de organizações terroristas dos EUA em 2008!
O partido conservador britânico de Margaret Thatcher, e a iron lady herself, chamaram-no o "Black Terrorist" e o ANC uma „típica organização terrorista“. Deputados defendiam que fosse fuzilado. Quem acreditava que esta organização pudesse uma vez governar, vivia em „cloud cuckoo land“, disse Thatcher. Durante muitos anos, ela bloqueou, junto com o seu amigo Reagan, sanções contra o regime de Apartheid.
Na Alemanha ocidental, este regime tinha um defensor incansável em Franz Josef Strauß, o poderoso Primeiro Ministro da Baviera. Não aceitava sequer o termo „Apartheid“. Na sua opinião, a postura de elevada responsabilidade religiosa e moral do governo da Africa do Sul era um modelo para o mundo. Assim disse nos anos 60. E no fim dos anos 80, quando a comunidade mundial finalmente aplicou sanções, disse que nunca, na sua carreira política de 40 anos, tinha visto um tratamento tão injusto dum país como a que a Africa do Sul recebeu.
O concerto na ocasião dos 70 anos de Mandela em 1988, ainda preso na altura, foi emitido em grande parte do mundo, exceto na Baviera. Aqui, por iniciativa do governo, as emissoras substituiram o programa com a reposição duma telenovela.

Estas histórias dão me vontade de dizer o que muitas vezes penso, mas normalmente não digo:
Que os conservadores, ao longo da história, têm escolhido em questões morais consistentemente o lado errado. Se tivessem sempre vencido, ainda teriamos a escravatura, a tortura, a pena da morte, a menoridade das mulheres, não teriamos democracia, nem tribunais independentes, nem liberdade de expressão, nem saúde pública, nem segurança no trabalho.

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E depois, num comentário:

Nos casos referidos, e em inúmeros outros, pode equacionar-se a postura conservadora - aqui: a favor da conservação da discriminação racial - com um clara inferioridade moral. Mas, como aprendi com Pedro Mexia e outros, há, filosoficamente, uma defesa teórica do conservadorismo do ponto de vista moral. O argumento visa não o conteúdo, mas o procedimento. A tentativa de alterar um statu quo imperfeito pode levar, dizem, em vez de para o melhor, para uma situação muito pior. Ser conservador é, visto assim, apenas ser prudente, e isto pode ser um imperativo moral.
Salta a vista, claro, que os que empregam este argumento, sempre estão bem na vida o suficiente para que não necessitem de alteração da situação para eles. Se necessitassem, por passarem fome ou serem escravos, por exemplo, estariam certamente dispostos de tomar riscos maiores. E há ainda muitos conservadores de convicção, que acreditam piamente na desigualdade enquanto uma lei da natureza que não só é impossível de alterar mas nem sequer se deve procurar superar!
Perante estes, já não encontro terreno comum para um diálogo moral.

O tema, claro, não se esgota nisto...



n't


Podia ser uma sitcom, mas é o presidente do país mais poderoso do mundo: na presença de Putin disse que não tem motivos para acreditar na interferência da Rússia nas eleições dos EUA, uma vez que o Putin foi muito assertivo quando a negou; e de volta a casa, tenta corrigir os estragos com uma desculpa esfarrapada: onde estava "would" era para estar "wouldn't".
E corrige-se lendo atentamente o que está escrito num papel, para ter a certeza que diz o que lhe mandaram e não o que está a pensar (e mal tira os olhos do papel logo lhe cai a máscara).

Quem quer acreditar, acredita. Os outros ficam ainda mais perplexos, furiosos e tristes.

Trevor Noah, Jimmy Kimmel e Stephen Colbert alertam - mas, como numa sitcom, o mundo ri-se, e fica pronto para a cena seguinte.

Ultimamente tenho-me lembrado muito do papel fundamental do humor como válvula de escape para a tensão, que nos ajuda a aguentar por mais algum tempo situações que racionalmente temos por inaceitáveis. Será que, sem este tipo de programas, já teria deflagrado uma guerra civil nos EUA?

 








residência alternada

A propósito do excelente artigo de Luís Aguiar-Conraria, "she for he":

Uma vez - e já lá vão trinta anos - ouvi às filhas de um casal recém-divorciado esta notícia alegre: "agora temos duas casas!" 
Sem dramas. As miúdas sentiram o divórcio como um alargamento do mundo delas.

Também conheci um rapazinho que passava metade da semana na mãe e a outra metade no pai, e odiava.

E conheço um casal que teve uma ideia inovadora (e caríssima): os filhos ficavam na casa da família. Os pais tinham cada um o seu apartamento, e cada um deles passava metade da semana com os filhos, na casa da família. 
Mas depois reconciliaram-se, pelo que se perdeu uma magnífica experiência.

Embora nem tudo seja novo nesta ideia: conheço alguns casais que se divorciaram mas continuaram a usar a casa de férias alternadamente.



mostre-me um país



Dêem-me uma câmara, um objectivo (seja ele provar que o pessoal é todo muito burro, ou que o pessoal é todo muito esperto, ou que determinado grupo etário é ignorante, ou que as pessoas vestidas com uma certa cor são todas um génio), e o tempo suficiente para recolher as amostras necessárias.

Consigo provar tudo o que quiserem.
 
Primeiro truque: apanhar as pessoas na rua, desprevenidas, e pespegar-lhes um mapa diferente daquele a que estão habituadas (se bem me lembro, os mapas nos EUA são iguais aos europeus; só na China vi mapas com o Pacífico no centro, em vez do Atlântico). Gravar a primeira reacção. Ignorar o momento em que as pessoas percebem o mapa e começam a acertar.
 
 

17 julho 2018

a bola é minha, é uma bola maravilhosa, é a melhor bola do mundo, e é minha, e eu meto-a na baliza que muito bem me apetecer, todas as balizas são minhas, e são balizas maravilhosas, e sempre que meto a minha bola numa das minhas balizas marco um golo, e é um golo fantástico, acreditem em mim



Ontem um jornalista alemão perguntava-se qual será o motivo do fascínio de Trump por autocratas como Putin e Kim Jong Un. No ponto a que chegámos, é mera questão de retórica. Trump ofereceu de mão beijada a Kim Jong Un e a Putin cenas que lhes permitem reforçar o seu poder interno, sancionou o comportamento inaceitável de Putin no plano internacional e abriu brechas no bom entendimento com os antigos aliados baseado em valores democráticos comuns. Nos dias que antecederam o encontro com Putin andou feito elefante na loja de porcelana que é o projecto da União Europeia, hostilizando e humilhando os dirigentes do mundo democrático ocidental, falando da Alemanha e da Grã-Bretanha como se estes países não passassem de colónias dos EUA. E agora chegou ao ponto de atacar os seus próprios serviços de informação.

Thomas L. Friedman acusa, num artigo irado no NYT:

There is overwhelming evidence that our president, for the first time in our history, is deliberately or through gross negligence or because of his own twisted personality engaged in treasonous behavior — behavior that violates his oath of office to “preserve, protect and defend the Constitution of the United States.”
(...)

It started with the shocking tweet that Trump issued before he even sat down with Putin this morning: “Our relationship with Russia has NEVER been worse thanks to many years of U.S. foolishness and stupidity and now, the Rigged Witch Hunt!”
(...)
It only got worse when, in his joint news conference with Putin, Trump was asked explicitly if he believed the conclusion of his intelligence agencies that Russia hacked our elections. The president of the United States basically threw his entire intelligence establishment under a bus, while throwing out a cloud of dust about Hillary Clinton’s server to disguise what he was doing.
Trump actually said on the question of who hacked our election, “I don’t see any reason why it would be” Russia. And in a bit of shocking moral equivalence, Trump added of the United States and Russia: “We are all to blame … both made some mistakes.” Trump said that it was actually the American probe into the Russian hacking that has “kept us apart.”
(...)

In the past few years what has Putin done to deserve an American president sucking up to him for an “extraordinary” relationship? Putin has seized Crimea, covertly invaded Ukraine, provided the missiles that shot down a civilian Malaysian airliner over Ukraine, bombed tens of thousands of refugees out of Syria into Europe, destabilizing Europe, been involved in the death of a British woman who accidentally handled a Russian nerve agent deployed to kill ex-Russian agents in England and deployed misinformation to help tip the vote in Britain toward exiting and fracturing the European Union.
Most of all, Putin unleashed a cyberattack on America’s electoral process, aimed at both electing Trump — with or without Trump’s collusion — and sowing division among American citizens.
Our intelligence agencies have no doubt about this: Last week, America’s director of national intelligence, Dan Coats, described Putin’s cybercampaign as one designed “to exploit America’s openness in order to undermine our long-term competitive advantage.” Coats added that America’s digital infrastructure “is literally under attack,” adding that there was “no question” that Russia was the “most aggressive foreign actor.”

No Spiegel, Dirk Kurkweit explica o motivo pueril para a alta traição de Trump:

Trump tem um trauma, sobre isso não há dúvidas. Esse trauma mostrou-se mais uma vez ontem, na conferência de imprensa com Putin. Uma das consequências é ele mostrar publicamente que considera o presidente russo pelo menos tão digno de confiança como os seus serviços de informação. Estes dizem que os colegas russos intervieram na campanha eleitoral dos EUA em 2016. Putin nega essa acusação, e Trump está muito inclinado a acreditar nele.
Sendo Trump quem é, não é capaz de admitir que as eleições foram em parte manipuladas. Isso acrescentaria uma sombra à sua vitória eleitoral (teve menos votos que Hillary Clinton, e pessoas dos seus círculos próximos tiveram contactos com personagens russas obscuras). Por esse motivo, Trump sente-se permanentemente pressionado para se justificar - tal como aconteceu ontem: elogia a sua "fantástica" campanha eleitoral e faz questão de acreditar em Putin quando este diz que não houve intromissão russa.
Ao contrário do que Trump afirmou recentemente, não é a Alemanha que se deixou aprisionar por Putin. É o próprio Trump quem está preso: não tem liberdade para formar uma opinião sobre Putin, porque se sente obrigado a convencer todos de que o presidente russo é uma pessoa de confiança. Só assim mantém a imagem de grande vencedor das eleições na qual Trump quer acreditar. Para isso, Trump põe-se entre Putin e o seu próprio Estado. Bizarro


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É um mero detalhe, mas diz muito sobre Trump: no final de um campeonato mundial que arrebatou a Rússia, Putin oferece a Trump uma bola de futebol e diz que agora está do lado dele. Trump não capta o símbolo e o momento, e responde que vai dar a bola ao seu filho de 12 anos. "Melania, toma!"


16 julho 2018

"Minho"







 O #Minho é tão meu que em criança acreditava ser este nome o resultado do tão minhoto costume de dar a tudo um diminutivo: "minho" seria o diminutivo de "meu".
Ele meu, e eu dele:
- És Minho.
- És Minha.
Poupo-vos os detalhes deste amor. Conto apenas o momento em que o descobri, já largamente entrada na adolescência: ia a descer uma vereda que conhecia de cor e salteado, e de repente reparei na beleza dos verdes, dos terraços, da luz. Fiquei parada, perplexa, em exaltação muda. E nunca mais olhei para aquela terra com a cegueira do hábito.
Anos mais tarde, ao calcorrear com uma amiga alemã o caminho entre os muros de pedra que leva à minha casa, quis partilhar com ela essa antiga exaltação:
- Adoro esta beleza!
- Qual?, perguntou ela.
- Então não vês? O chão de terra, os tufos de margaridas nas pedras dos muros, o verde dos pinheiros...
Ela encolheu os ombros:
- É apenas um caminho de terra batida, entre muros de pedra...
Deve ser isso a Heimat: onde outros vêem terra e pedras, nós pomos a beleza que nos dá sentido às raízes.

14 julho 2018

mundial de futebol, o penúltimo dia



MF 2018 o penúltimo dia

Trump believes he can fly, antes do encontro com o seu colega russo mostra-se com aspecto um pouco inchado, uma preocupação enorme para as forças de segurança. Na segunda-feira o espaço aéreo finlandês estará fechado, a cidade de Helsínquia será passada a pente fino em busca de objectos cortantes, e os finlandeses não devem soprar com muita força.



mundial de futebol, 1 dia antes da final






MF 2018 1 dia antes da final

Ele está de volta, o cavaleiro de pónei do Apocalipse, sem rugas e com o seu sorriso sedutor. De inveja, o esquilo do Donald vai-lhe cair da cabeça. O eixo do mal vai ser redefinido.

efeito das drogas


A imagem mostra o efeito de drogas diferentes nas teias de uma aranha, mas tem três erros graves:

- Tortura de animais (pobre da aranha - nem quero pensar como será o trabalho de fazer uma teia estando assim atordoada por drogas).

- Testa o efeito de drogas relativamente pouco usadas, mas deixa de fora a mais comum (caso para dar os parabéns ao álcool: apesar de ser a droga que mais estragos faz na nossa sociedade, conseguiu um lugarzinho ao sol no palco dos problemas com os quais convivemos lindamente. Andam por aí imagens do Juncker a cair de bêbedo, literalmente, na cimeira da NATO, como andaram imagens dele a comportar-se de forma indigna com os representantes dos países da UE, mas no pasa nada.)

- A legenda da figura em cima à esquerda está trocada com a legenda da figura em baixo à direita. Pelo menos, se eu fosse aranha, as minhas teias saíam assim: a do canto inferior direito sou eu sem café. Para fazer a teia certinha como a do canto superior esquerdo, precisava de uma bela dose de café descarregada directamente para a veia. E por falar nisso...
Volto já.


13 julho 2018

mais um bocadinho e ainda me arrisco a cantar o hino nacional logo pela manhã...


Esta manhã o Spiegel trazia uma série de fotos sobre as mais belas bibliotecas do mundo. Do grupo de dezasseis, três eram portuguesas (Coimbra, Mafra, e o Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro).

E assim se alegra um coraçãozinho português numa madrugada em Berlim: Heróis do mar, nobre povo, nação valente!

Mas a seguir dou-me conta de que este é um orgulho deslocado. Estas bibliotecas não são mérito meu. Limitei-me a nascer por acaso no país onde, em séculos passados, outros as fizeram. Aliás: sendo emigrante, nem sequer pago no meu país os impostos que permitem pagar os custos destes edifícios.

E então olho para mim, toda contente como se o Spiegel estivesse a falar de algum feito meu: estou a fazer figura de emplastro da História.


12 julho 2018

o futebol, os russos - e as mulheres a quem eles chamavam suas

 

Na série do Wladimir Kaminer sobre o mundial de futebol na Rússia, vários posts são sobre a interacção entre os estrangeiros e as mulheres russas. Pensava eu que era piada do escritor, mas um artigo do dia 5 de julho no jornal Süddeutsche Zeitung esclareceu-me. Muito resumidamente, o artigo de Julian Hans, a partir de Moscovo, diz isto:


O filme mostra as imagens habituais de uma festa internacional de desporto: pessoas que não se conhecem, de diferentes regiões do mundo, dançam em conjunto na rua, cantam e confraternizam. Mas o vídeo em questão só se tornou realmente famoso quando as pessoas se deram conta da letra da canção que os alegres brasileiros cantavam para a russa loira no meio deles: "Buceta rosa". Aos ouvidos russos, isto soa a "um ramo de rosas" - e este mal-entendido seria o motivo pelo qual a rapariga entrou naquela dinâmica de grupo. O verdadeiro significado da expressão em português explica, por seu lado, o riso alarve dos turistas. A primeira reacção veio das mulheres russas, furiosas. A seguir, os homens do filme foram reconhecidos pelos seus colegas no Brasil, perderam o emprego, e as associações de fãs brasileiras apresentaram pedidos de desculpa. 

"Buceta rosa" tornou-se um sinónimo

O caso podia estar encerrado, mas na Rússia a expressão "Buceta rosa" tornou-se um sinónimo da discussão sobre quanta proximidade se deve permitir a estes estranhos que vêm às centenas de milhares não apenas para Moscovo, mas também para outras cidades que raramente vêem turistas. A invasão de fãs na sua maioria homens jovens provocou insegurança sobretudo aos homens do país, e deu origem a um debate sobre a relação entre homens e mulheres na Rússia.
O primeiro entusiasmo em relação aos divertidos mexicanos com os seus sombreros, os brasileiros com os seus tambores e os argentinos com as suas danças deu lugar a uma onda de raiva descarregada na internet (e não só), que se instalou no ambiente deste mundial de futebol. Mulheres que punham nas redes sociais fotos suas com estrangeiros eram insultadas como "puta", "protecção de colchão" e "dollar-Nataschas" - por muito inócua que fosse a imagem do seu encontro fortuito com um estrangeiro. Se na foto se via um homem negro, chamavam "tinteiro" à mulher. O tablóide Moskowskij Komsomolez  publicou um texto com o título "A hora das libertinas: como as mulheres russas envergonham o seu país e a si próprias no mundial de futebol". E nos talkshows do canal televisivo estatal o tom não é muito diferente.
As feministas debatem se é realmente tão bom trocar o machismo dos seus próprios homens pelo dos estrangeiros.
A indignação devido aos contactos entre as mulheres russas e os estrangeiros é um caso clássico de frustração nas relações entre os sexos. Até ao mundial de futebol, não era habitual os russos terem contactos com estrangeiros, e a imagem destes era muito determinada pela propaganda da televisão estatal. "Gayropa" é o nome injurioso dado a essa Europa onde dizem que já não há homens verdadeiros. E de repente o país enche-se de jovens com muito bom aspecto que começam a flirtar com as russas!

Há muito que o número de mulheres é superior ao de homens

Na Rússia, há menos homens que mulheres, mesmo já nas gerações mais jovens. Alguns motivos: violência, alcoolismo, comportamentos de risco que têm mais incidência nos homens que nas mulheres - e mais ainda no caso dos russos. Além disso, o elevadíssimo número de homens vítimas da revolução, do terror de Estaline e da guerra contra Hitler fez com que a sociedade se habituasse à ideia de haver menos homens que mulheres.
As mulheres russas queixam-se de que os homens não se esforçam por agradar porque estão convencidos de que são um exemplar raro. E a propaganda patriótica contribui para agravar o problema, por louvar exageradamente os homens. Finalmente, há uma pressão excessiva sobre as mulheres jovens: "quando é que casas? quando é que começas a ter filhos?"
E é neste clima que as ruas se enchem com a alegria e a animação dos estrangeiros. O Tinder está cheio de fãs de futebol, e as russas estão com vontade de experimentar algo novo, nem que seja um simples flirt, que é algo muito raro no seu quotidiano. Entretanto, os homens russos comportam-se como se pensassem que as mulheres são sua propriedade. Com algumas excepções, como o chefe de redacção do portal Sports.ru, que sintetizou assim: "as mulheres russas podem ter sexo com qualquer um que lhes pareça suficientemente atraente para isso".


mundial de futebol, 4 dias antes da final


MF 2018 4 dias antes da final

Todos estavam à espera que a bela carruagem só retomasse a forma de abóbora à meia-noite do próximo domingo. Mas em alguns lugares a carruagem já começa a desfazer-se. Aqui vê-se Nischnij Novgorod 4 dias antes da final. 

11 julho 2018

estava escrito!

(do dia em que desatei a rir ao ler uma newsletter do Spiegel)

Christiane Hoffmann, no Spiegel, 9.7.2018:

O perdedor do dia é Thilo Sarrazin. O Tribunal de Munique decide hoje sobre o seu pedido de indemnização por parte da editora Random House. Esta editora recusou-se a publicar o livro mais recente de Sarrazin contra o Islão, com o sub-título "Como o Islão impede o progresso e ameaça a sociedade". O livro será agora publicado numa editora menos renomada. Para escrever esta obra, Sarrazin terá lido todo o Corão. O que não causará certamente nenhum dano, mas usar um texto religioso com quase 1.500 anos para tirar conclusões sobre o desenvolvimento das sociedades no séc. XXI parece-me algo bastante aquém de complexo. Acredito que a leitura de epifanias religiosas não ajudam muito a compreender porque é que algumas pessoas têm uma relação difícil com a modernidade. E como se explica então o progresso da Indonésia, que é o país com a maior população muçulmana? Além disso: quem se lembraria de ler a Bíblia inteira para tentar entender o comportamento de Donald Trump?



dilúvio, relâmpagos, óptimo!


Eu devia ter desconfiado, quando num passeio de barco no domingo que passou deparei com esta arca de Noé pronta a partir. O dilúvio chegou hoje, está aqui em Berlim. Com relâmpagos, granizo, tudo o que faz parte.

Não sei o que vai acontecer a seguir, não sei se o senhor da arca se lembrará de vir cá dar-me uma boleia, mas uma coisa é certa: hoje não preciso de regar o jardim. E amanhã também não.
Óptimo, óptimo!



Estas fotos eram para mostrar a chuva, mas aproveito para contar que devo ter umas quinze qualidades diferentes de tomate nas varandas, mais aquele vaso onde crescem duas meloas, mais o pimento vermelho que já nasceu (e espero que nasçam muitos mais, porque se contar o preço da terra e da planta dá um custo demasiado alto per capita), mais as - pasmem, que eu também pasmei - batatas que estão a crescer no vaso da roseira. Tudo isso sem contar com tudo o que está a crescer no talhãozinho de quinta por trás da casa. Esta é a altura do ano em que olho para uma courgette amarela, dois pepinos, uma promessa de feijão, uns pés de batata e milhentos de tomate e encho o peito de ar e satisfação, sentindo-me intensamente rica.


mundial de futebol, 7 dias antes do encontro com o Trump



MF 2018 Sete dias antes do encontro com o Trump

Putin está desaparecido, desde 28 de Junho que não se mostra em público, não vai aos jogos. Ou se está a pôr bonito para o encontro que em breve terá com Trump ou então não quer ser fotografado com os jogadores de futebol. A última foto foi um desastre, o fotógrafo já está preso, por divulgação de pornografia infantil.


mundial de futebol, 8 dias antes do fim




Um grande país vê futebol, e está feliz.


mundial de futebol, 9 dias antes da final

MF 2018 9 dias antes da finalEm Samara, cidade no Volga, os serviços de água e saneamento pediram aos habitantes que passassem a tomar duche aos pares, porque devido ao mundial de futebol o consumo de água na cidade aumentou imenso. O problema de escassez de água e muitos outros problemas podiam ser resolvidos se cada samaritana e cada samaritano levasse um hóspede estrangeiro para o duche. Amanhã jogam em Samara a Inglaterra contra a Suécia. Se eu fosse uma samaritana, levava um sueco para o duche.

mundial de futebol, dia 20



MF 2018 Dia 20

Há cada vez mais russos e russas disfarçados de estrangeiro. Mesmo o meu tio de 80 anos já não sai de casa sem levar o seu sombrero. Ao fim de duas semanas de Mondial, até o mais estúpido percebeu o truque. Na Rússia é estritamente proibido beber cerveja na rua, e também não se pode cantar a Marseillaise na Praça Vermelha, dançar em frente ao Mausoléu, fotografar polícias ou deitar-se na relva ao lado da Chama Perpétua, estes crimes não são tolerados - excepto se os criminosos forem "estrangeiros", ou seja, pessoas vestidas de forma extravagante que dão a impressão de não terem muita saúde mental. Nesse caso, tudo lhes é permitido (mas só até 15.07, obviamente).


mundial de futebol, dia 19



MF 2018 Dia 19

Embora a equipa argentina já tenha sido eliminada do mundial de futebol, os Messis continuam a flirtar e a beber, triunfantes e certeiros. Quando a polícia fez parar um grupo especialmente ruidoso de argentinos descobriu-se que os Messis eram, na realidade, arménios que se faziam passar por turistas estrangeiros para ter mais sucesso com as mulheres.

mundial de futebol, dia 18


MF 2018 Dia 18
O grande dia dos guarda-redes. Depois do prolongamento, a Rússia ganhou à Espanha, entrando assim, pela primeira vez desde 1966, para o grupo das oito melhores equipas do mundo; no duelo dos guarda-redes os croatas ganharam aos dinamarqueses e vão confrontar-se com a Rússia nos quartos de final. Putin não veio assistir ao jogo no estádio porque não acreditava na vitória da sua equipa. Pelo que o rei Filipe deu os parabéns à mulher do Medwedev. 



mundial de futebol, dia 17


MF 2018 Dia 17

As equipas da Alemanha, Coreia do Sul, Arábia Saudita e todas as africanas abandonaram o Mundial de Futebol, mas os seus fãs ficaram. Ou se perderam, ou então reservaram os hotéis até à final. Por estes dias, meia Humanidade anda por aí sem rumo certo, como fãs de uma equipa há muito eliminada. Ou se perdeu, ou então reservou os hotéis até à final.





10 julho 2018

"o mais recente espasmo de xenofobia"

Sinceramente, não entendo o problema deste editorial no Guardian sobre as medidas do governo dinamarquês para promover a melhor integração dos imigrantes. À excepção da segunda medida na lista, todas as outras me parecem normais e aceitáveis. Vejamos:

1. Forcing immigrants to put their children into daycare for 25 hours a week from the age of one;
Conheço os argumentos a favor desta medida na Alemanha: as crianças que não sabem alemão têm péssimas condições de partida para a escola e o futuro profissional. Para permitir que elas consigam escapar a um contexto social que as condena à falta de perspectivas e à pobreza, para permitir que elas consigam um lugar ao sol na sociedade onde nasceram, é fundamental que aprendam alemão desde muito cedo.

2. automatically doubling the sentences for crimes committed in ghetto areas;
A ser verdade, é gravíssimo, porque fere o princípio básico da igualdade perante a Lei. 

3. threatening long fines or even prison sentences for anyone who fails to report parents suspected of hitting their children;
Se a lei é igual para todos, não entendo o motivo para escândalo. Se na Dinamarca é proibido bater em crianças, não pode haver tolerância devido à chamada diferença de culturas. As regras são iguais para todos, e não se pode permitir que dentro de grupos culturalmente mais fechados haja cumplicidade e silêncio perante actos de violência condenados pela sociedade em que vivem. Na Alemanha houve há anos um caso de tolerância desse género que foi muito criticado: um juiz não protegeu convenientemente uma mulher em processo de divórcio, que temia ser alvo de violência doméstica por parte do marido, alegando que isso fazia parte da cultura dela. (Escusam de bater, o juiz foi muito criticado. Entretanto a sociedade aprendeu, e já não é assim "tolerante" em relação a estas "diferenças culturais".)

4. setting quotas on kindergartens so that they can have no more than 30% of their children from immigrant backgrounds.
Esta aqui é um caso de óbvio ululante. Para que os filhos dos estrangeiros possam aprender bem dinamarquês, tem de haver no grupo uma larga maioria de crianças de língua materna dinamarquesa. 

Se me deixassem mandar, até ia mais longe: não pode haver mais do que 20% ou 30% de estrangeiros em cada rua, escola, bairro, aldeia, cidade. E tem de haver quotas para imigrantes nas escolas e nos bairros.

Convém ainda lembrar que no tempo em que não havia cá esses chamados "espasmos de xenofobia" foi naquelas décadas em que ninguém se preocupou com a integração dos imigrantes, porque se pensava que eram apenas mão-de-obra que vinha desempenhar certas tarefas e depois voltava para o seu país. Essa é a verdadeira xenofobia: ignorar a existência e as dificuldades das pessoas, recusar-lhes o "nós", vê-las apenas como factores de produção importados temporariamente para permitir o crescimento económico, e que serão devolvidos à proveniência quando já não forem necessários.


viva!

Os miúdos da gruta da Tailândia já estão a salvo. O treinador também. Agora faltam os heróis que ficaram com eles na gruta, e os que foram para apoiar a operação. A minha eterna admiração pelo médico que ficou com eles lá dentro até ao fim, e por todos os outros que arriscaram a sua vida para salvar estas 13 pessoas.
É fazer figas só mais um bocadinho até ficarmos inteiramente aliviados e livres para passar para a próxima comoção generalizada que faz de nós seres humanos em comunhão com outros.

Só uma coisa me incomoda: e o lixo, hã? Aposto que não mandaram ninguém para recolher toda aquela tralha de cobertores de plástico metalizado, garrafas, seringas, sei lá o quê! Depois os nossos oceanos ficam como se sabe.
(Não liguem. Era eu a experimentar como é fazer de resmungão perante o entusiasmo alheio. ;) )
 
 

as perguntas que as crianças fazem

Passei por uma conversa no facebook sobre as perguntas que as crianças pequeninas fazem, e como lhes responder. "O que é branqueamento de capitais?" e "o que é prostituição?", por exemplo. Lembrei-me do tempo em que era eu a destinatária de perguntas dessas.

A Christina, aos três anos:
- Mãe, o que é que estas senhoras estão a fazer paradas na rua a esta hora da noite?
- Estão à espera que um senhor as leve no seu carro.
(Para que conste: não menti!)

Aos sete anos, na zona portuária de San Francisco:
- Mãe, esta loja que diz "Kisses", o que é que vende?
- Isso mesmo: beijos. É um sítio onde se paga para nos darem beijos. Vê lá tu! Pessoas que não têm quem lhes dê os beijos de graça! Que esquisito.


Matthias, aos cinco anos, quando - recém-chegada a Weimar - procurei o supermercado a meio da encosta e acabei em Buchenwald:
- O que é este lugar?
- É um sítio onde um governante muito mau que houve na Alemanha prendia todas as pessoas de quem não gostava. Podia ter-me acontecido a mim, por ter o cabelo castanho e não falar bem alemão. Ele decidia que as pessoas com uma determinada aparência não podiam viver normalmente na Alemanha, e só por causa disso prendia-as aqui.
- Se vivesses nesse tempo, o que é que terias feito?
- Não sei. Se fizesse alguma coisa contra eles, podiam prender-me e entregar-vos a uma família dos maus, para vos educarem como maus. E tu, o que terias feito se vivesses nesse tempo?
- Perguntava aos maus: "porque é que vocês estão a fazer isto?"

Suspeito que a Hannah Arendt ia gostar deste alemãozinho.




Quando eu era criança e fazia perguntas incómodas, os adultos respondiam-me que eu era demasiado pequena para entender. Ainda tentei argumentar: "tenta responder-me, e logo se vê se eu entendo ou não". Mas eles calavam-se, deixando-me frustrada e revoltada.

Tenho a certeza que as crianças nunca são demasiado pequenas para entender.
Pelo contrário: muitas vezes entendem melhor que os adultos. A resposta do miúdo de cinco anos em frente a Buchenwald foi uma grande lição para a mulher de quase quarenta anos que eu era.


prioridades

"É muito bonito andarem assim com o coração nas mãos por causa dos miúdos na gruta da Tailândia, só é pena não pensarem nos miúdos nos barcos do Mediterrâneo; preocupam-se tanto com os animais abandonados mas não querem saber dos sem-abrigo; acham bem criminalizar a palmada dada aos filhos mas não se preocupam com os meninos da rua na América Latina; gastam num vestido de festa o dinheiro que podia alimentar uma aldeia africana durante um mês..."
Meus amigos, cada um é livre de se preocupar com o que lhe apetecer, e de varrer como lhe apetecer em frente à sua porta.

Escolham as vossas prioridades, e façam alguma coisa para melhorar a vida dos miúdos no Mediterrâneo, dos sem-abrigo, dos meninos da rua e dos famintos. E desamparem a loja dos que sofrem com os miúdos na gruta tailandesa, com os animais abandonados, com a violência contra crianças. Em vez de gastar a vossa energia a criticar as escolhas dos outros, façam vocês o que acham que deve ser feito. 
 

 

mundial de futebol, dia 16



MF 2018 Dia 16 

Os homens russos andam zangados porque as mulheres dão claramente preferência aos estrangeiros, na rua as raparigas aceitam o flirt de homens que usam t-shirts das cores de um equipamento nacional. Os "verdes" e os "riscas azuis" estão particularmente bem posicionados na lista de preferências das mulheres: os mexicanos, os brasileiros e os argentinos. Quando a Argentina jogou contra a Nigéria, esgotaram-se os preservativos nas farmácias de São Petersburgo. No Parlamento russo, alguns deputados lançam apelos patéticos às mulheres russas. Avisaram-nas que o contacto com os estrangeiros só podiam trazer má sorte. "Os verdes e os azuis irão para casa em breve e nunca mais regressarão, mas nós permanecemos!", ameaçaram os deputados - mas ninguém lhes deu ouvidos.

 

mundial de futebol, dia 15


MF 2018 Dia 15

Depois de um aguerrido combate contra o campeão mundial, a Coreia do Sul ganhou à Alemanha. É certo que os coreanos já estavam eliminados e tinham de abandonar o Mundial de Futebol, mas levaram da capital tártara essa vitória. Como ganho suplementar e souvenir de Kasan levaram também o antigo chanceler alemão. Adieu Gerhard! Sem esforço não há arroz!

[N.T. - "Ohne Fleiß kein Reis" (sem esforço não há arroz), é um trocadilho ligado ao ditado alemão "Ohne Fleiß kein Preis" (sem esforço não há prémio).
"Sem esforço não há arroz - como me tornei alemão" é o título de um livro de Martin Hyun. Traduzo também rapidamente partes da apresentação desse livro: Martin Hyun é o Wladimir Kaminer coreano. (...) Filho de imigrantes coreanos, e desde 1993 um feliz cidadão alemão, é o modelo de integração bem-sucedida que todos gostam de dar. Martin Hyun descreve, de forma desarmante e com muito humor, as aventuras quotidianas dos estrangeiros na Alemanha. Desmascara tanto o debate político sobre a integração como as realidades sociais. Conta quantos filhos de emigrantes trabalham no Parlamento alemão. (...) E com os seus amigos de todos os países do mundo vai lutando pela vida na colorida selva urbana de Berlim.]


09 julho 2018

oh pá, oh pá!



Nem sei que dizer. Que maravilha de pai.


mundial de futebol, dia 14

MF 2018 Dia 14

O Irão lutou como um tigre, mas não passou. Um belo espectáculo, as iranianas em Saransk. No seu país não podem entrar nos estádios, em Saransk até deixaram cair os seus panos à prova de traça. A mulher desta foto não se parece com a sua própria fotografia no cartão de identificação.



mundial de futebol, dia 13


MF 2018 Dia 13

Na vertigem da emoção

Curiosamente, durante a transmissão russa do jogo contra o Uruguai, os comentadores conseguiram não mencionar nunca de forma clara que o jogo estava 2:0 ou 3:0, concentraram-se sempre na descrição de cada uma das jogadas, analisaram criticamente os jogadores, mas nem uma palavra sobre o que estava a acontecer realmente. Mais tarde, durante a avaliação do dia, foi anunciado que o próximo jogo da nossa vitoriosa equipa será contra a Espanha.


mundial de futebol, dia 12

MF 2018 Dia 12

A equipa russa, que nos dois primeiros jogos contra equipas árabes se mostrou inacreditavelmente rápida e forte, no confronto com o Uruguai revelou que não era capaz de jogar.
Idêntica pane ocorreu no concurso para o mais belo rosto do futebol russo. Natalia A., a vencedora, a rapariga das tranças louras, esteve em vários jogos, foi fotografada frequentemente e com gosto, e a sua imagem enfeitou as notícias no primeiro canal durante três dias. Ao quarto dia, espectadores atentos reconheceram em Natalia A. a actriz de filmes pornográficos Delilah G. e a televisão estatal trocou-a imediatamente pela águia bicéfala.



mundial de futebol, dia 11

(Foto via Getty & AFP)

MF 2018 Dia 11

Quando o amor desperta
morre o sombrio déspota,
é noite, deixa-o morrer
e respira o ar livre do amanhecer...

Será que o amor salva, ou destrói? Só os franceses saberão responder a essa pergunta.


mundial de futebol, dia 10


MF 2018 Dia 10 - futebol e construção rodoviária

Enquanto a equipa alemã mantinha o país inteiro em suspenso por causa do jogo contra a Suécia, na Rússia as ruas eram arranjadas graças aos fãs de futebol. Tudo começou com os fãs croatas que saltaram para dentro do buraco de uma rua em Novgorod, a respectiva foto fez o seu caminho pelas redes sociais, 24 horas mais tarde o buraco estava fechado. Algo que os habitantes da cidade não tinham conseguido em anos. Os argentinos, depois da sua derrota contra os croatas, puseram-se à procura de buracos nas ruas. Encontraram um no qual cabiam quatro pessoas. Também ali a Câmara reagiu rapidamente. Foi assim que os cidadãos russos descobriram finalmente o que podem fazer para melhorar as ruas das cidades. Só têm de se mascarar de fãs de futebol estrangeiros, saltar para dentro dos buracos, e tirar fotografias.

[No sábado passado estive numa leitura do Kaminer. Ele contou esta história, e acrescentou: "Há dias a polícia foi interrogar os fãs estrangeiros dentro de um buraco, e descobriu que eram arménios disfarçados de argentinos."
- Ah, a diáspora arménia na Rússia, e as anedotas de arménios...]