Durante a Berlinale, fiz gazeta à Enciclopédia Ilustrada. Nem podia ser de outra maneira: à hora a que devia publicar a palavra para os posts desse dia, já estava a ver o primeiro filme da minha lista.
Mas hoje voltei. Primeiro avisei que ia passear o cão, e talvez me atrasasse, algo a que os amigos daquele grupo já estão mais do que habituados.
Aliás: consta que gostam que me atrase, só por causa das desculpas que arranjo para explicar o atraso. Mas hoje - milgare? - não me atrasei. Pelo que tive de publicar uma espécie de desculpas por ter fugido ao habitual:
26 fevereiro 2024
já Helena não sou
01 fevereiro 2024
atrasei-me outra vez a publicar o tema de hoje na Enciclopédia Ilustrada
Só vos digo que começo a desconfiar que sei onde fica o verdadeiro triângulo das Bermudas. É no meu relógio, assim tipo de 15 minutos antes da hora de publicar a palavra mágica do dia a 5 minutos depois.
São vinte minutos fatais: o tempo desaparece num perfeito buraco negro, quando dou por ela já estou atrasada outra vez.
(Se isto continua, prevejo para mim uma carreira fantástica num laboratório de física quântica. Como cobaia.)
31 janeiro 2024
atrasos
Esta manhã atrasei-me de novo a publicar o tema do dia na Enciclopédia Ilustrada. Um atraso de mais de vinte minutos! O que é indesculpável, mas tenho boas desculpas:
Primeiro, distraí-me no facebook, cá por causa de
coisas que me fazem sempre rir de mim própria, porque me lembro de um cartoon
em que a mulher, já deitada na cama, diz ao marido para vir finalmente dormir,
e ele, em frente ao computador: "Agora não posso! Há aqui uma pessoa na
internet que não tem razão."
Depois, já atrasadíssima, caí na asneira de ir ver as
efemérides do dia, e descobri que hoje é o dia da revolta do 31 de janeiro.
Isto é grave: precisei de ir ver as efemérides do dia 31 de Janeiro para
me lembrar que hoje é dia de falar da revolta republicana do 31 de Janeiro no Porto.
Cuidado comigo: por este andar chego a 24.4.2024 e vou espreitar as efemérides do dia...
E logo eu, que até sabia perfeitamente que a rua 31 de
Janeiro dantes se chamava rua de Santo António!
Mais atrasada que nunca, mergulhei pela descrição dessa
revolta, em busca de uma palavra chave começada por D, que é a nossa letra hoje. Só encontrei
"derrota". Desarrisca!
Mas fiquei a saber o que não sabia: os revoltosos não
desceram a rua de Santo António. Subiram-na. Lá se foi o filme tão bonito que tenho desde sempre: eles a descerem a rua a partir daquela escadaria da
igreja...
Afinal, do lado da igreja vieram os tiros que os puseram em
debandada. Deve ter sido o momento em que alguém concluiu que a igreja é a
fonte de todos os males.
Ainda me faltava perceber que contexto social terá levado a que
uma mocinha nascida tanto tempo depois da implantação da República aprendesse a dizer
"rua de Santo António" para se referir à rua que já mudara de nome
seis décadas atrás.
Mas - num rasgo único de presença de espírito e bom senso! - publiquei a palavra mágica de hoje antes de ir esclarecer também esse mistério da minha vida. Pelo que só me atrasei 20 minutos. Ou um pouco mais.