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12 dezembro 2024

receita

 




Venho só cá contar que este anjinho foi passar umas semanas em Leipzig porque o Matthias estava com excesso de trabalho e não podia cuidar bem dele, e também para se familiarizar mais com a cena esquerdista lá da terra, que a Alemanha não é só Berlim e o resto é paisagem, e na sua ausência meteram um gato a viver em casa dele. À traição!
Coisas de apartamentos partilhados: se uma pessoa se distrai, há logo alguém que abusa.

O anjinho voltou, começou por ficar felicíssimo por reencontrar o dono que lhe parecia perdido para sempre, mas a seguir percebeu que havia ali um intruso.
É muito triste chegar a esta idade e a vida começar a ser-lhe madrasta. Para o consolar, no Natal, vou-lhe oferecer um DVD do Ran. Uma noite destas, estavam ele e o Matthias a dormir sossegadíssimos na cama que partilham, quando o usurpador se esgueirou pela porta entreaberta e o veio atacar na própria cama. O Matthias acordou com os ganidos do Fox, que estava a sangrar de uma orelha. Portanto, a única dúvida que tenho hoje é: arranjam-me uma boa receita de coelho à caçador? Obrigadinha!


28 maio 2024

isto é só problemas...

 


Tenho dois problemas novos na minha vida, como se não bastassem os velhos! O mais recente começou assim: comprei um pacotinho de guloseimas para o Fox, o coitadinho, apesar de ele só poder comer dieta.

(olha, acabei de me dar conta de um problema suplementar: se a SPA sabe...)

Digo que ai e tal, é só em doses homeopáticas, que mal pode fazer?, e levo para os passeios que damos juntos. Sempre que se porta bem, dou-lhe um bocadinho minúsculo.

Um dos problemas é mesmo esse: o Fox agora porta-se muitíssimo bem na rua, sempre à espera de ser recompensado.

O outro é que o Fox agora passa a vida a pedir-me para ir à rua, para me mostrar mais uma vez como se sabe portar bem.

Em todo o caso: estou em crer que, se quiserem que os vossos filhos se portem bem, devem começar por lhes dar apenas comida de dieta.

(pimbas, mais um problema: agora tenho a Protecção de Menores à perna...)

26 maio 2024

trabalhar ao domingo

 



Esta manhã, bem cedinho, vi que a nossa produção de mel vai de vento em popa. Somos capitalistas à moda antiga: em troca de um tecto por cima da cabeça, um pouco de água no verão e algum conforto no inverno, o nosso povo trabalha de sol a sol, todos os dias da semana. Nós esfregamos as mãos de contentes e vez por outra elogiamos muito a sua moral do trabalho.

(Nota mental: distribuir uns frasquitos de mel aqui na rua para agradecer o uso dos recursos e da propriedade alheia. É certo que a lei é omissa quanto ao uso das rosas dos vizinhos, mas ao fim e ao cabo nem com uma dúzia de gripes e constipações consigo dar cabo dos nossos produtos em armazém.)

Caso perguntem porque andava eu própria a fazer figura de capataz de abelhas tão cedo a um domingo, sim, adivinharam: o Fox veio cá passar uns dias. O Matthias está de férias, e há dias o amigo que ficou a cuidar do Fox, lá no apartamento que partilham, avisou-me que o bichinho andava com diarreia, e nessa manhã tinho estado a tremer e a arquejar. Fui buscar o Fox, levei-o à veterinária, tive direito à cena habitual de "ai eu por esta porta é que não entro, deves estar tola, é que nem penses!", entrámos, e enquanto eu falava com a veterinária o Fox teve novo ataque lancinante de diarreia, desatou a arquejar e a tremer junto à porta, aflitíssimo.

- Dá-me licença de o levar à rua num instantinho?, perguntei eu à veterinária.
- Então?! Estamos em plena consulta, e quer sair?
- Mas não vê que ele está a ter um ataque de diarreia?
- Vamos terminar isto que estamos a fazer, e depois leva-o lá fora. O ataque lancinante de diarreia do Fox terminou tão depressa como tinha começado. De modo que vou anotar a frase "Vamos terminar isto que estamos a fazer, e depois leva-o lá fora", porque mais milagroso que isto só mesmo homeopatia... (E o Óscar de melhor actor vai para o Fox, esse grande artistolas a quem fiquei a dever o meu embaraço mais recente.)

Depois da trovoada de ontem, hoje fez-se um dia lindíssimo. Fomos ao lago, o Fox e eu, e encontrei um pássaro pousado na água, imóvel. Parecia uma pomba. "Então as pombas agora sabem nadar?", pensei eu. "Será um boneco de plástico? Será uma cena da inteligência artificial?"

Olhei melhor: as coisas brancas na água, junto ao pássaro imóvel, não eram pétalas de rosa. Eram penas. Terá acontecido ali uma das muitas tragédias da natureza que todos os dias acontecem naquele lago aparentemente tão plácido e paradisíaco, e a pomba, ou lá o que seria, estava ainda em estado de choque, em estado de luto.

Também vimos uma cadelinha muito mansa, sem coleira nem dono, que andava pela rua tranquilamente, como se fosse uma raposa. Perguntei-me se seria um caso de Rómulo e Remo dos cães, mas pouco depois apareceu um homem de bicicleta a olhar em todas as direcções, e disse-lhe por que rua a cadelinha tinha continuado o seu caminho.

Ainda nem tomei o pequeno-almoço, e já aconteceu isto tudo. Daqui para a frente, por azar, não me vai acontecer mais nada: tenho imenso trabalho para fazer, corro a cortina para deixar o sol lá fora, e tento esquecer que hoje em Berlim é dia de festa das portas abertas na Filarmonia (pode-se acompanhar aqui, online) e dia de festa na rua para comemorar os 75 anos da constituição alemã.

De agora em diante, podem ter pena de mim. Mas só até às 3 da tarde, que é a hora a que vou tomar um cafézinho a casa de amigos, e comer o bolo de limão que ainda tenho de fazer. (Ai! Quase ia esquecendo que ainda tenho de fazer um bolo de limão!)








28 janeiro 2024

manhã de domingo

 



O Fox (yes! está cá outra vez!) acordou-me às oito da manhã. Ou então fui eu que acordei e descobri que ele estava mesmo ao meu lado na cama, de barriga para o ar, todo oferecido. O espertinho percebeu que eu estava bem disposta e começou logo a pressionar para o levar à rua. Foi o que fiz, sem tomar duche, nem ver na internet a temperatura lá fora, nem nada. Fomos ao pão. Estava um dia lindo, mas tão frio que até as pedras se encolhiam. Pus-me a tirar fotografias, até que o Fox perdeu a paciência e foi andando. Apanhei-o mais à frente, num baldio. Estava perto de um grupo de cães e respectivos donos, e veio ao meu encontro. Os outros perguntaram:

- Este cão é seu?

- Sim. Fugiu-me um bocadinho.

- “Um bocadinho”? Ele apareceu-nos vindo da direcção contrária à sua!

(Adoro pessoas que adoram armar-se em Poirot logo pela manhã, antes do meu primeiro café e tudo...)

Hesitei entre contar-lhes que o Fox é filho de cães de aldeia, e que naqueles genes tem muitas gerações de intrépidos avós a andar soltos por onde lhes apetece, ou fazer um sorrisinho simpático e continuar caminho. Continuei caminho, a fazer contas de cabeça: entre a 72ª e a 143ª fotografia, o Fox deve ter tido tempo suficiente para dar a volta completa ao descampado.

Regressámos a casa, tomei o pequeno-almoço, ele deitou-se ao meu lado cheio de esperança que caísse por ali um bocadinho de queijo. Caiu. 

Moral da história: começou-nos bem, este domingo. 

(Mas não contem ao Matthias que eu deixo cair queijo da mesa para o Fox, lá se me estragava o domingo todo.)


20 maio 2023

tudo de bom


Acabei de ler a newsletter semanal "Alles Gute" do Spiegel, que só tem notícias positivas, e fiquei com vontade de dar beijinhos ao mundo. 

Na edição deste sábado (aqui, em alemão), são estes os temas:

- é possível reduzir o lixo de plástico no mundo inteiro em 80% até 2040;

- duas irmãs, de 10 e 13 anos, contam como viveram uma semana inteira sem consumir nada embrulhado em plástico ("uma amiga ofereceu-nos gomas, mas como vinham num saco de plástico, não aceitámos")
(onde está o emoji da lagriminha quando a gente precisa dele?);

- uma casa numa favela de Belo Horizonte ganhou um prémio internacional de arquitectura (podem ver imagens da casa aqui e vídeo da notícia numa TV brasileira aqui);

- mamografias acessíveis em regiões rurais da Índia, onde não existe o equipamento adequado: estão a ensinar mulheres com cegueira a usar o seu tacto apuradíssimo para detectar nódulos na mama;

- o neuropatologista Diego Sepulveda-Falla descobriu um gene que protege do Alzheimer;

- há uma nova liga de futebol: só com equipas de pessoas com excesso de peso, para lhes dar a oportunidade de praticar desporto em grupo sem se sentirem diferentes (título: "tivemos de mandar duas pessoas embora porque eram demasiado magras") (hehehe); 

- o preço do gás na Europa, que em agosto de 2022 tinha subido aos 300 euros por MWh, esta semana esteve abaixo dos 30 euros;

- o WhatsApp tem agora uma função de senha para proteger conversas mais privadas;

- estão a trabalhar num sucedâneo do café, a partir do fruto do cafeeiro depois de extrair os grãos - em vez de os deixar a decompor e a largar metano para nos desgraçar ainda mais o clima. Também tem muita cafeína, é uma bebida saudável, chamam-lhe "Cascara", e a ver vamos;

- uma carta de um leitor: estava no café de uma estação de comboios à espera da ligação, trocou meia dúzia de frases com um passageiro a seu lado, e quando ia pagar o outro fez "pay forward": pagou o café dele, e da próxima vez ele pode fazer o mesmo a um desconhecido.


Tem mais alguns artigos, mas eu quero parar neste último, porque me lembrou algo que aconteceu no meu bairro por alturas do Natal. Num passeio da manhã com o Fox, vi um sem-abrigo a dormir num banco junto ao lago (esse banco por trás da fotografia do topo, com aquela mesma neve), apenas com um saco-cama para se proteger das temperaturas negativas. Pensei telefonar ao serviço que dá apoio a estas pessoas, e no inverno impede que morram de frio na rua, mas entretanto o senhor desapareceu. No dia seguinte, ao passar com o Fox, vi que já tinha uma tenda. No terceiro dia, quando ia a passar perto da tenda, apareceu uma vizinha com uma garrafa termos, que anunciou alegremente: "O pequeno-almoço está pronto! Café quentinho!" E no quarto dia, vi duas vizinhas a conversar e a rir muito com ele, os três no jardim em frente ao lago, com flutes de espumante na mão. Depois uma delas agarrou nos copos e na garrafa vazia e despediu-se "Desculpem, tenho de ir, são horas de fazer o almoço. Até amanhã!"







 

22 abril 2023

uma Páscoa feliz (3)

 

Este post é dedicado aos passeios do Fox. Melhor dizendo: aos cenários dos passeios do Fox.

De facto, era sempre a mesma coisa. E sempre especial: as casas centenárias, os relvados, as árvores frondosas, os pavilhões em frente ao mar. A vida boa. 










O "estreito de Magalhães" - era mesmo esse o nome do caminho que nos permitia regressar mais depressa a casa. A amiga do Fox pedia sempre para irmos por esse, porque já estava a morrer de saudades da dona. 
 

Vini, vidi, vinci: este que aqui repousa, com um ar tão inocente, entrou numa casa desconhecida, foi logo enterrar num lugar só dele os ossos da cadelinha dona da casa, e ao fim de dois dias já tinha conseguido expulsá-la do seu lugar favorito no sofá.

Muito gostava eu de saber quem deu esta educação ao bicho...

21 abril 2023

uma Páscoa feliz (2)

 





A ilha recebeu-nos com uma lua baixa, enorme, brilhante, magnífica. 
Fotografei do carro, como pude, pensando que faltavam apenas 3 km para chegar e que teria então todo o tempo do mundo para captar aquela magia.

Só que, depois da chegada, foi descarregar o carro, foi jantar, foi conversar com os amigos... e esqueci-me da lua. 

Quando fomos dar a voltinha do Fox, nem me lembrei do telemóvel. 

Sabem o Tântalo? Sou eu: a caminhar ao longo da costa, a ver - encantada! - o caminho dourado daquela lua sobre o mar, o céu cheio de estrelas, tudo perfeito, e eu sem ter como fotografar. 

Mas não me preocupei muito. Disse-me que estas pequenas férias da Páscoa vinham com mais alguns passeios nocturnos do Fox, e que teria sempre comigo o telemóvel e a câmara fotográfica. 

Os passeios nocturnos dos dias seguintes foram todos lindos, excepto... 
... a lua ter faltado ao encontro.  







E no último passeio - essa teve graça! -, apagaram a iluminação pública às onze da noite. Poupanças.
O que me lembrou uma frase que se ouve muito na Alemanha: "quem quiser aprender a poupar, olhe para os ricos". 

Por sorte tinha o telemóvel (o tal que devia fotografar a lua) para me iluminar o regresso. 
E não perder o Fox pelo caminho.  


20 abril 2023

7 kg

 

Depois de passar uma semana connosco, o Fox regressou a casa do Matthias.
Hoje, passei o dia a sentir falta dos seus olhares acusadores por não estar a brincar com ele. E a olhar em volta antes de empurrar a minha cadeira de rodinhas para trás. E já a noite foi esquisita: parecia-me que alguma coisa estava errada, por não ser preciso ter cuidado quando me mexia na cama.

São 7 kg de bicho, e domina a casa toda.


19 abril 2023

uma Páscoa feliz


Aproveitámos os dois feriados à volta do domingo de Páscoa para visitar amigos num pequeno paraíso ali para os lados do mar Báltico. A Dinamarca: aqui tão perto, mas por vários motivos fora das nossas rotas habituais (a Polónia é outro caso, ainda mais flagrante: começa a 80 km de Berlim, mas nunca lá vamos).

Como ia dizendo: agarrámos no Fox, metemos as tralhas na carripaninha, e abalámos em direcção ao Pólo Norte. Perto de Fredericia, virámos à direita e atravessámos uma ponte que liga o continente à Fiónia. Uns dias depois, teriam a delicadeza de me informar que na Dinamarca não há rios. Ou seja (concluí eu): quando se atravessa uma ponte sobre a água, é provável que se esteja a chegar a uma ilha. No nosso caminho havia duas pontes, o que me fez sentir que saltitámos de ilha em ilha, passe o exagero, até chegar ao destino.   

E que destino!
Começo pelo mais importante para os leitores deste blogue: o Fox adorou. E não era motivo para menos. 
Nós também tivemos dias especiais com aquelas pessoas, aquelas conversas, aquelas paisagens. 

Além disso, milagre dos milagres: na Dinamarca, não é preciso falar dinamarquês. Todos falam português. A sério! Pelo menos os dinamarqueses que lá encontrámos, falavam. Quase todos. 




Tivemos uma Páscoa feita de confiança: na aldeia onde estávamos, os vizinhos expõem junto à rua as coisas que querem vender. Trabalhos de olaria, coroas de Páscoa ou arranjos com comida para pássaros - ali estava tudo, disponível para quem passava. Pronto a levar - e a pagar. 

Fez-me pensar que é muito agradável viver num lugar onde as pessoas confiam umas nas outras, e que, para ser assim, é preciso que todas cumpram as regras; mas para ser exactamente o contrário, ou seja, para vivermos num sítio onde todos desconfiam do mundo, basta que meia dúzia de espertalhões abusem da confiança dos outros. 

A fragilidade do paraíso.  




Uma Páscoa feita de alegria: o céu azul, a luz, a festa das cores, os ovos pendurados em arbustos junto às casas, as coroas nas portas. O mar sempre por perto.






Uma Páscoa feita de regressos. E de pessoas a saborear, felizes, o despertar da natureza depois do longo inverno. 




Só uma coisa me deixou perplexa: do livro O Cavaleiro da Dinamarca, da Sophia, só me lembro das florestas cobertas de neve com abetos verdes. Ando há 50 anos a pensar que a Dinamarca é uma imensa floresta. E não é, não foi isso o que vi. Regressei ao livro, para tentar entender onde nascera essa minha impressão, e correu mal: logo no primeiro parágrafo, fala nos rios gelados da Dinamarca. Ooops...

(E agora, senhores editores? Nas próximas edições: omitem as referências aos rios, acrescentam uma errata ou nota de pé de página, ou continuam a enganar as criancinhas?) (Ou então: trocam o nome do livro, fica O Cavaleiro da Suíça, e pronto.) (Ai! O Carmo e a Trindade a virem abaixo em três... dois... um...)


ADENDA: Um leitor atento rebateu a teoria de não haver rios na Dinamarca. Parece que há - e a wikipedia até tem uma lista de rios dinamarqueses. Afinal, a culpa é - como de costume - do tradutor. Na Dinamarca, ninguém chama "rio" aos cursos de água que lá há. "Rio" é palavra que só aplicam para dimensões maiores. Como o rio Reno.  Mas fui ver fotografias do Gudenå - e é bem maior que muitos rios portugueses. 
Em suma: desarrisquem aquela história das pontes, é fake news. E podem deixar o Cavaleiro da Dinamarca como está, que escrito em português está muito bem. Só é preciso ter cuidado com a tradução para dinamarquês.


12 janeiro 2023

microconto ilustrado

 


O Matthias ligou quando eu estava com o Fox no lago. Combinámos ir ao encontro um do outro, e ele levava o bichinho para uma festa em casa de amigos. Disse ao Fox "olha o Matthias!" e ele largou logo a correr, cheio de feliz expectativa. Sabem como é, aquela avó de quem os netos não gostam, mas por delicadeza dão beijinhos e tudo? Sou eu.

O Matthias apareceu, e continuou caminho com o Fox. Mas depois ocorreu-lhe que não fazia sentido levá-lo, e que ele ficava melhor em casa da tal avó. Trouxe-mo de novo, e foi-se embora.
De partir o coração: o Fox parado no caminho, a olhar, a olhar, a olhar.






23 dezembro 2022

e por falar no tempo...

 



Depois de temperaturas siberianas (enfim... uma pessoa chega aos nove graus negativos e dá-lhe para exagerar um bocadinho...), aqueceu. Estava de chuva, achei que não ia tirar fotografias de jeito e saí com o Fox para o primeiro passeio da manhã levando apenas o telemóvel. Bem me arrependi, porque tive de lidar com aquela luz fantástica sem a Olympus.

De modo que no dia seguinte, apesar de continuar de chuva e cinzento, levei o equipamento todo para o passeio matinal. Não me serviu para nada. Primeiro, porque o máximo que podia fotografar era gotas de água. Segundo, porque o Fox farejou uma pista no chão, e de cada vez que eu parava para uma fotografia ele avançava, seguindo aquela pista que prometia fazê-lo feliz, e eu depois fazia a figura do costume a gritar no parque, em todas as direcções "Fox! Ó Fox!".

Se calhar já me levavam a uma escola de cães, para me ensinarem que sou eu quem manda nele, e não o contrário...







E assim vai a vida: tentando gerir os ritmos da felicidade de cada um, sempre cheia de luz e de surpresas.

A todos os que por aqui param uns momentos, desejo um tempo de Natal cheio de alegria. Apesar de todos os apesares que todos temos: alegria.