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receita
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isto é só problemas...
26 maio 2024
trabalhar ao domingo
28 janeiro 2024
manhã de domingo
O Fox (yes! está cá outra vez!) acordou-me às oito da
manhã. Ou então fui eu que acordei e descobri que ele estava mesmo ao meu lado
na cama, de barriga para o ar, todo oferecido. O espertinho percebeu que eu
estava bem disposta e começou logo a pressionar para o levar à rua. Foi o que
fiz, sem tomar duche, nem ver na internet a temperatura lá fora, nem nada.
Fomos ao pão. Estava um dia lindo, mas tão frio que até as pedras se encolhiam.
Pus-me a tirar fotografias, até que o Fox perdeu a paciência e foi andando.
Apanhei-o mais à frente, num baldio. Estava perto de um grupo de cães e
respectivos donos, e veio ao meu encontro. Os outros perguntaram:
- Este cão é seu?
- Sim. Fugiu-me um bocadinho.
- “Um bocadinho”? Ele apareceu-nos vindo da direcção
contrária à sua!
(Adoro pessoas que adoram armar-se em Poirot logo pela
manhã, antes do meu primeiro café e tudo...)
Hesitei entre contar-lhes que o Fox é filho de cães de
aldeia, e que naqueles genes tem muitas gerações de intrépidos avós a andar
soltos por onde lhes apetece, ou fazer um sorrisinho simpático e continuar
caminho. Continuei caminho, a fazer contas de cabeça: entre a 72ª e a 143ª
fotografia, o Fox deve ter tido tempo suficiente para dar a volta completa ao
descampado.
Regressámos a casa, tomei o pequeno-almoço, ele deitou-se
ao meu lado cheio de esperança que caísse por ali um bocadinho de queijo. Caiu.
Moral da história: começou-nos bem, este domingo.
(Mas não contem ao Matthias que eu deixo cair queijo da mesa para o Fox, lá se me estragava o domingo todo.)
20 maio 2023
tudo de bom
Acabei de ler a newsletter semanal "Alles Gute" do Spiegel, que só tem notícias positivas, e fiquei com vontade de dar beijinhos ao mundo.
Na edição deste sábado (aqui, em alemão), são estes os temas:
- é possível reduzir o lixo de plástico no mundo inteiro em 80% até 2040;
- duas irmãs, de 10 e 13 anos, contam como viveram uma semana inteira sem consumir nada embrulhado em plástico ("uma amiga ofereceu-nos gomas, mas como vinham num saco de plástico, não aceitámos")
(onde está o emoji da lagriminha quando a gente precisa dele?);
- uma casa numa favela de Belo Horizonte ganhou um prémio internacional de arquitectura (podem ver imagens da casa aqui e vídeo da notícia numa TV brasileira aqui);
- mamografias acessíveis em regiões rurais da Índia, onde não existe o equipamento adequado: estão a ensinar mulheres com cegueira a usar o seu tacto apuradíssimo para detectar nódulos na mama;
- o neuropatologista Diego Sepulveda-Falla descobriu um gene que protege do Alzheimer;
- há uma nova liga de futebol: só com equipas de pessoas com excesso de peso, para lhes dar a oportunidade de praticar desporto em grupo sem se sentirem diferentes (título: "tivemos de mandar duas pessoas embora porque eram demasiado magras") (hehehe);
- o preço do gás na Europa, que em agosto de 2022 tinha subido aos 300 euros por MWh, esta semana esteve abaixo dos 30 euros;
- o WhatsApp tem agora uma função de senha para proteger conversas mais privadas;
- estão a trabalhar num sucedâneo do café, a partir do fruto do cafeeiro depois de extrair os grãos - em vez de os deixar a decompor e a largar metano para nos desgraçar ainda mais o clima. Também tem muita cafeína, é uma bebida saudável, chamam-lhe "Cascara", e a ver vamos;
- uma carta de um leitor: estava no café de uma estação de comboios à espera da ligação, trocou meia dúzia de frases com um passageiro a seu lado, e quando ia pagar o outro fez "pay forward": pagou o café dele, e da próxima vez ele pode fazer o mesmo a um desconhecido.
Tem mais alguns artigos, mas eu quero parar neste último, porque me lembrou algo que aconteceu no meu bairro por alturas do Natal. Num passeio da manhã com o Fox, vi um sem-abrigo a dormir num banco junto ao lago (esse banco por trás da fotografia do topo, com aquela mesma neve), apenas com um saco-cama para se proteger das temperaturas negativas. Pensei telefonar ao serviço que dá apoio a estas pessoas, e no inverno impede que morram de frio na rua, mas entretanto o senhor desapareceu. No dia seguinte, ao passar com o Fox, vi que já tinha uma tenda. No terceiro dia, quando ia a passar perto da tenda, apareceu uma vizinha com uma garrafa termos, que anunciou alegremente: "O pequeno-almoço está pronto! Café quentinho!" E no quarto dia, vi duas vizinhas a conversar e a rir muito com ele, os três no jardim em frente ao lago, com flutes de espumante na mão. Depois uma delas agarrou nos copos e na garrafa vazia e despediu-se "Desculpem, tenho de ir, são horas de fazer o almoço. Até amanhã!"
22 abril 2023
uma Páscoa feliz (3)
Este post é dedicado aos passeios do Fox. Melhor dizendo: aos cenários dos passeios do Fox.
De facto, era sempre a mesma coisa. E sempre especial: as casas centenárias, os relvados, as árvores frondosas, os pavilhões em frente ao mar. A vida boa.
Vini, vidi, vinci: este que aqui repousa, com um ar tão inocente, entrou numa casa desconhecida, foi logo enterrar num lugar só dele os ossos da cadelinha dona da casa, e ao fim de dois dias já tinha conseguido expulsá-la do seu lugar favorito no sofá.
21 abril 2023
uma Páscoa feliz (2)
Fotografei do carro, como pude, pensando que faltavam apenas 3 km para chegar e que teria então todo o tempo do mundo para captar aquela magia.
O que me lembrou uma frase que se ouve muito na Alemanha: "quem quiser aprender a poupar, olhe para os ricos".
Por sorte tinha o telemóvel (o tal que devia fotografar a lua) para me iluminar o regresso.
E não perder o Fox pelo caminho.
20 abril 2023
7 kg
19 abril 2023
uma Páscoa feliz
Aproveitámos os dois feriados à volta do domingo de Páscoa para visitar amigos num pequeno paraíso ali para os lados do mar Báltico. A Dinamarca: aqui tão perto, mas por vários motivos fora das nossas rotas habituais (a Polónia é outro caso, ainda mais flagrante: começa a 80 km de Berlim, mas nunca lá vamos).
Como ia dizendo: agarrámos no Fox, metemos as tralhas na carripaninha, e abalámos em direcção ao Pólo Norte. Perto de Fredericia, virámos à direita e atravessámos uma ponte que liga o continente à Fiónia. Uns dias depois, teriam a delicadeza de me informar que na Dinamarca não há rios. Ou seja (concluí eu): quando se atravessa uma ponte sobre a água, é provável que se esteja a chegar a uma ilha. No nosso caminho havia duas pontes, o que me fez sentir que saltitámos de ilha em ilha, passe o exagero, até chegar ao destino.
E que destino!
Começo pelo mais importante para os leitores deste blogue: o Fox adorou. E não era motivo para menos.
Nós também tivemos dias especiais com aquelas pessoas, aquelas conversas, aquelas paisagens.
Além disso, milagre dos milagres: na Dinamarca, não é preciso falar dinamarquês. Todos falam português. A sério! Pelo menos os dinamarqueses que lá encontrámos, falavam. Quase todos.
Só uma coisa me deixou perplexa: do livro O Cavaleiro da Dinamarca, da Sophia, só me lembro das florestas cobertas de neve com abetos verdes. Ando há 50 anos a pensar que a Dinamarca é uma imensa floresta. E não é, não foi isso o que vi. Regressei ao livro, para tentar entender onde nascera essa minha impressão, e correu mal: logo no primeiro parágrafo, fala nos rios gelados da Dinamarca. Ooops...
(E agora, senhores editores? Nas próximas edições: omitem as referências aos rios, acrescentam uma errata ou nota de pé de página, ou continuam a enganar as criancinhas?) (Ou então: trocam o nome do livro, fica O Cavaleiro da Suíça, e pronto.) (Ai! O Carmo e a Trindade a virem abaixo em três... dois... um...)
ADENDA: Um leitor atento rebateu a teoria de não haver rios na Dinamarca. Parece que há - e a wikipedia até tem uma lista de rios dinamarqueses. Afinal, a culpa é - como de costume - do tradutor. Na Dinamarca, ninguém chama "rio" aos cursos de água que lá há. "Rio" é palavra que só aplicam para dimensões maiores. Como o rio Reno. Mas fui ver fotografias do Gudenå - e é bem maior que muitos rios portugueses.
Em suma: desarrisquem aquela história das pontes, é fake news. E podem deixar o Cavaleiro da Dinamarca como está, que escrito em português está muito bem. Só é preciso ter cuidado com a tradução para dinamarquês.
12 janeiro 2023
microconto ilustrado
23 dezembro 2022
e por falar no tempo...
Depois de temperaturas siberianas (enfim... uma pessoa chega aos nove graus negativos e dá-lhe para exagerar um bocadinho...), aqueceu. Estava de chuva, achei que não ia tirar fotografias de jeito e saí com o Fox para o primeiro passeio da manhã levando apenas o telemóvel. Bem me arrependi, porque tive de lidar com aquela luz fantástica sem a Olympus.
De modo que no dia seguinte, apesar de continuar de chuva e cinzento, levei o equipamento todo para o passeio matinal. Não me serviu para nada. Primeiro, porque o máximo que podia fotografar era gotas de água. Segundo, porque o Fox farejou uma pista no chão, e de cada vez que eu parava para uma fotografia ele avançava, seguindo aquela pista que prometia fazê-lo feliz, e eu depois fazia a figura do costume a gritar no parque, em todas as direcções "Fox! Ó Fox!".
Se calhar já me levavam a uma escola de cães, para me ensinarem que sou eu quem manda nele, e não o contrário...
E assim vai a vida: tentando gerir os ritmos da felicidade de cada um, sempre cheia de luz e de surpresas.
A todos os que por aqui param uns momentos, desejo um tempo de Natal cheio de alegria. Apesar de todos os apesares que todos temos: alegria.
