Hoje de manhã estive a compor um cartão de visita num site da internet.
Fiz o melhor que pude, transformei para pdf, enviei aos meus consultores, fui discutindo e melhorando...
...quando finalmente estava tudo decidido, já eram quase duas da tarde.
A empresa compromete-se a enviar no próprio dia, se a encomenda for feita antes das 12:00.
Paciência, pensei eu, virá um pouco mais tarde.
Às três, recebi um e-mail onde me informavam que os meus cartões já estavam no correio. Provavelmente recebo-os amanhã de manhã, segunda-feira o mais tardar.
27 fevereiro 2009
26 fevereiro 2009
i-rudição
Lá está o Eduardo Pitta a exibir outra vez um ovo de Colombo.
Perante tão simples evidência, murmura-se "elementar meu caro Watson" e a carruagem segue.
Segue, sim, mas um pouco mais i-rudita: de ontem para hoje, a percentagem de licenciados portugueses que passou a saber quem é Cindy Sherman, Matthew Barney e Mapplethorpe deve ter aumentado consideravelmente.
Dêem-nos um wikipedia, um google imagens, e cinco minutos, e vão ver como somos capazes de entrar em qualquer debate na qualidade de i-specialistas!...
***
Talvez fosse boa ideia largar uns Magalhãezitos nas esquadras, para a Polícia consultar a wikipedia antes de partir para a intervenção.
Bem, e já agora podiam deixar mais um no Vaticano. Mas já estou a fugir ao assunto.
***
Há anos, um grupo de neonazis, algures na região da antiga RDA, aproveitou uma fogueira de solstício de Verão para queimar um monte de livros.
Alguém telefonou à Polícia, informando em sobressalto que até estavam a queimar "O Diário de Anne Frank".
- Anne Frank?! - pergunta o polícia do outro lado da linha - quem é essa?
Perante tão simples evidência, murmura-se "elementar meu caro Watson" e a carruagem segue.
Segue, sim, mas um pouco mais i-rudita: de ontem para hoje, a percentagem de licenciados portugueses que passou a saber quem é Cindy Sherman, Matthew Barney e Mapplethorpe deve ter aumentado consideravelmente.
Dêem-nos um wikipedia, um google imagens, e cinco minutos, e vão ver como somos capazes de entrar em qualquer debate na qualidade de i-specialistas!...
***
Talvez fosse boa ideia largar uns Magalhãezitos nas esquadras, para a Polícia consultar a wikipedia antes de partir para a intervenção.
Bem, e já agora podiam deixar mais um no Vaticano. Mas já estou a fugir ao assunto.
***
Há anos, um grupo de neonazis, algures na região da antiga RDA, aproveitou uma fogueira de solstício de Verão para queimar um monte de livros.
Alguém telefonou à Polícia, informando em sobressalto que até estavam a queimar "O Diário de Anne Frank".
- Anne Frank?! - pergunta o polícia do outro lado da linha - quem é essa?
25 fevereiro 2009
24 fevereiro 2009
rir é o melhor remédio

Acabei de falar com um Navajo em Monument Valley, para combinar com ele um passeio de dois dias por esse parque.
- Quer subir à Hunt's Mesa?
- Deus me livre, já me arrepio só de pensar nisso! (e mais me arrepio ao ler a descrição da caminhada...)
Combinámos um passeio de jeep de 4 horas, dormir em tendas que ele vai pôr à disposição, e continuar o passeio no dia seguinte.
Mesmo antes de desligar, lembrei-me ainda de perguntar:
- E vamos passar a noite lá sozinhos?
- Bem... o guia terá de ficar também por perto, já que está com o carro...
- Aaaaaah (a minha voz muito aliviada) - era isso mesmo que eu queria saber! Óptimo, óptimo! Eu estava a morrer de medo!
Do outro lado do mundo, um Navajo soltou uma gargalhada com a barriga toda.
(A fotografia foi tirada daqui - um belo site para sonhar!)
1989 - 2009

Para quem não fez ainda planos de férias: sugiro que considerem uma visita a Berlim, especialmente na primeira quinzena de Novembro.
Faz 20 anos que caiu o muro, algo me diz que vai haver aqui festa das grandes.
Aviso já que Berlim é muito desagradável em Novembro. Grande probabilidade de dias frios e cinzentos, ainda sem a iluminação de Natal, que sempre dá para animar um bocadinho.
Aviso também que a cidade vai ser literalmente invadida. Quem quiser estar aqui no dia 9 de Novembro, devia marcar o hotel agora mesmo.
Este site, em inglês, vai contando o que estão a planear para os festejos.
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viagens,
visitar Berlim
23 fevereiro 2009
henry
No sábado passado havia neve fresca e muito sol.
O Henry dava saltos na neve com as suas patinhas curtas de teckel. Aparecia de repente, e desaparecia de novo. Aparecia outra vez, sacudindo a neve no impulso do salto.
Feliz, feliz.
Uma vizinha aproximou-se, com o seu cão enorme, e o Henry - esse cachorrinho tão alegre e curioso - correu para eles, furando a neve como podia.
O cão abocanhou-o pelo cachaço, e sacudiu-o no ar com toda a violência.
Não foi possível salvá-lo. Ainda aguentou a viagem de regresso a Berlim - quereria despedir-se de todos os membros da família? -, ainda nos olhava com gratidão quando lhe acariciávamos levemente a cabeça e dizíamos "vais ver que melhoras", mas morreu ontem, desfeito por dentro.
Era o cão dos nossos vizinhos.
De manhã punha-se à coca, porque sabia que as portas se abrem ao mesmo tempo para largar as crianças para a escola. Mal a nossa porta se abria, corria célere, esgueirava-se por entre pernas e mochilas, e perdia-se na exploração da nossa casa. Feliz, feliz, fazendo de cada momento uma festa.
Tinha seis meses, era minúsculo, e tão bem sabia alegrar a vida de todos!
O Henry dava saltos na neve com as suas patinhas curtas de teckel. Aparecia de repente, e desaparecia de novo. Aparecia outra vez, sacudindo a neve no impulso do salto.
Feliz, feliz.
Uma vizinha aproximou-se, com o seu cão enorme, e o Henry - esse cachorrinho tão alegre e curioso - correu para eles, furando a neve como podia.
O cão abocanhou-o pelo cachaço, e sacudiu-o no ar com toda a violência.
Não foi possível salvá-lo. Ainda aguentou a viagem de regresso a Berlim - quereria despedir-se de todos os membros da família? -, ainda nos olhava com gratidão quando lhe acariciávamos levemente a cabeça e dizíamos "vais ver que melhoras", mas morreu ontem, desfeito por dentro.
Era o cão dos nossos vizinhos.
De manhã punha-se à coca, porque sabia que as portas se abrem ao mesmo tempo para largar as crianças para a escola. Mal a nossa porta se abria, corria célere, esgueirava-se por entre pernas e mochilas, e perdia-se na exploração da nossa casa. Feliz, feliz, fazendo de cada momento uma festa.
Tinha seis meses, era minúsculo, e tão bem sabia alegrar a vida de todos!
anormal e imoral (2)
"A partir de uma concepção de amor e de família naturalista, fundada na complementaridade dos sexos e dos gêneros e no imperativo da associação entre conjugalidade, sexualidade e reprodução, a Igreja Católica nega que a liberdade de orientação sexual seja um direito humano, advogando a tese de que os homossexuais devem manter-se celibatários ou ingressar, se possível for, no universo da conjugalidade heterossexual."
(Extracto de um trabalho de sociologia, "Outras famílias: A construção social da conjugalidade homossexual no Brasil", de Luiz Mello, Professor do Departamento de Ciências Sociais, UFG, Goiânia-GO, Brasil)
Anormal e imoral é uma Igreja que obriga as pessoas a fazerem de conta que são o que não são, que as leva a sentirem-se mal na sua própria pele, que lhes sugere o caminho heterossexual que não é o deles, que irresponsavelmente arrisca nessa manobra a felicidade e a auto-estima do outro membro do casal, e que deste modo empurra as pessoas para a concepção por naturalíssima via de crianças que acabarão filhas de divorciados, passando a conviver com um pai ou uma mãe que, após anos de casamento, assumiram a sua homossexualidade e optaram por viver com um companheiro do mesmo sexo.
Anormal e imoral - e até ridículo, se não fosse tão trágico -, é virem depois falar do "superior interesse da criança".
Concretamente: se realmente acham anormal que as crianças convivam com homossexuais, aos menos não obriguem os homossexuais a conceber filhos numa tentativa de enganar a sua natureza.
Não seria má estratégia, oh, ineptos aprendizes de feiticeiro, que começassem por acautelar o superior interesse da criança lutando pela dignificação do casamento, em vez de o instrumentalizar desta forma vergonhosa.
(Extracto de um trabalho de sociologia, "Outras famílias: A construção social da conjugalidade homossexual no Brasil", de Luiz Mello, Professor do Departamento de Ciências Sociais, UFG, Goiânia-GO, Brasil)
Anormal e imoral é uma Igreja que obriga as pessoas a fazerem de conta que são o que não são, que as leva a sentirem-se mal na sua própria pele, que lhes sugere o caminho heterossexual que não é o deles, que irresponsavelmente arrisca nessa manobra a felicidade e a auto-estima do outro membro do casal, e que deste modo empurra as pessoas para a concepção por naturalíssima via de crianças que acabarão filhas de divorciados, passando a conviver com um pai ou uma mãe que, após anos de casamento, assumiram a sua homossexualidade e optaram por viver com um companheiro do mesmo sexo.
Anormal e imoral - e até ridículo, se não fosse tão trágico -, é virem depois falar do "superior interesse da criança".
Concretamente: se realmente acham anormal que as crianças convivam com homossexuais, aos menos não obriguem os homossexuais a conceber filhos numa tentativa de enganar a sua natureza.
Não seria má estratégia, oh, ineptos aprendizes de feiticeiro, que começassem por acautelar o superior interesse da criança lutando pela dignificação do casamento, em vez de o instrumentalizar desta forma vergonhosa.
anormal e imoral (1)
Anormal e imoral é uma sociedade onde actos de desprezo, de insulto e de discriminação de homossexuais nem chegam a ser considerados errados, quanto mais delito.
Anormal e imoral é uma sociedade que convive distraidamente com a homofobia, obrigando alguns dos seus membros a viver permanentemente com medo, ou a esconder até de si próprios a sua verdadeira identidade sexual.
***
Parece-me ser dever da Igreja Católica alertar para a existência deste grave problema na sociedade portuguesa, e tudo fazer para mudar as mentalidades, no sentido de um maior respeito pela dignidade do ser humano.
Anormal e imoral é uma sociedade que convive distraidamente com a homofobia, obrigando alguns dos seus membros a viver permanentemente com medo, ou a esconder até de si próprios a sua verdadeira identidade sexual.
***
Parece-me ser dever da Igreja Católica alertar para a existência deste grave problema na sociedade portuguesa, e tudo fazer para mudar as mentalidades, no sentido de um maior respeito pela dignidade do ser humano.
20 fevereiro 2009
aviso à navegação:
jj.amarante à vista!
Desta vez, compara efeitos de luz num dia normal e num dia de eclipse.
Desta vez, compara efeitos de luz num dia normal e num dia de eclipse.
dois inquéritos necessários
1.
"Concorda que casais homossexuais podem adoptar crianças?"
"As maiores dificuldades, derivadas do facto de viver com um casal homossexual, estiveram ligadas à constelação familiar ou à reacção de terceiros?"
População do inquérito: exclusivamente pessoas que, em criança, foram adoptadas por homossexuais.
2.
"Concorda com a fecundação com base em dadores anónimos?"
População do inquérito: pessoas que foram fruto de fecundação artificial e não têm acesso à identidade do pai (ou da mãe) biológico.
Sendo a questão o superior interesse da criança, ninguém melhor do que quem passou por isso para saber se as circunstâncias da sua história fazem sofrer ou não, se são um pesadíssimo fardo ou, pelo contrário, nada incomodam.
Bem sei que a Moral, a Ética e a Ciência têm os seus discursos sobre os dois temas, mas gostava mesmo de ouvir falar disto na voz directa, a partir de amostras muito abrangentes.
E confesso que estou muito curiosa para saber os resultados da questão que diz respeito à adopção por homossexuais.
Quanto à segunda questão, adivinho que a maioria será contra. Já se falou disso aqui.
(se hoje tiver sorte, não tarda nada aparece aí uma "x-incrível" a dizer que sim, já foram feitos, e os resultados podem ser lidos aqui: http://www.ahelenagostamaisdeescreverpostsquedepesquisar.com/nãohápaciênciaparaisto=123456789.)
"Concorda que casais homossexuais podem adoptar crianças?"
"As maiores dificuldades, derivadas do facto de viver com um casal homossexual, estiveram ligadas à constelação familiar ou à reacção de terceiros?"
População do inquérito: exclusivamente pessoas que, em criança, foram adoptadas por homossexuais.
2.
"Concorda com a fecundação com base em dadores anónimos?"
População do inquérito: pessoas que foram fruto de fecundação artificial e não têm acesso à identidade do pai (ou da mãe) biológico.
Sendo a questão o superior interesse da criança, ninguém melhor do que quem passou por isso para saber se as circunstâncias da sua história fazem sofrer ou não, se são um pesadíssimo fardo ou, pelo contrário, nada incomodam.
Bem sei que a Moral, a Ética e a Ciência têm os seus discursos sobre os dois temas, mas gostava mesmo de ouvir falar disto na voz directa, a partir de amostras muito abrangentes.
E confesso que estou muito curiosa para saber os resultados da questão que diz respeito à adopção por homossexuais.
Quanto à segunda questão, adivinho que a maioria será contra. Já se falou disso aqui.
(se hoje tiver sorte, não tarda nada aparece aí uma "x-incrível" a dizer que sim, já foram feitos, e os resultados podem ser lidos aqui: http://www.ahelenagostamaisdeescreverpostsquedepesquisar.com/nãohápaciênciaparaisto=123456789.)
acudam, que o mundo está roto - chove nele como na rua!
Se não acreditam, vejam isto.
Mundinho engraçado, este nosso.
Conheço um cirurgião num hospital de Hamburgo em cuja mesa de operações caem vítimas de acidentes, que obviamente não têm tempo de ir a casa mudar de roupa antes de serem levadas para o hospital. Diz ele que ninguém faz ideia da quantidade de homens que andam em Hamburgo com lingerie feminina.
E também há a história daquele chefe da Fórmula 1 que foi filmado numa pequena orgia particular. Gostei de uma frase dele: "a sociedade vai ter de se habituar à ideia de que, na vida privada, estas coisas existem!"
Fique aqui registado.
Para que conste que há uma série de comportamentos sexuais de que se fala pouco, mas nem por isso deixam de ser praticados.
A Moral vai ter de se levantar mais cedo para pôr isto tudo com dono!
(Azar o dos gays: não têm como negar que praticam sexo anal e oral. Enquanto que a sociedade não perde tempo a imaginar em voz alta que um "respeitável homem casado e pai de família" o faça...)
(O que me lembra um processo de divórcio, em que a esposa alegava que o marido queria fazer com ela "certas porcarias". Imagino o embaraço do marido no tribunal - seria o mesmo embaraço, parece-me, a que os homossexuais são quotidianamente sujeitos.)
Mundinho engraçado, este nosso.
Conheço um cirurgião num hospital de Hamburgo em cuja mesa de operações caem vítimas de acidentes, que obviamente não têm tempo de ir a casa mudar de roupa antes de serem levadas para o hospital. Diz ele que ninguém faz ideia da quantidade de homens que andam em Hamburgo com lingerie feminina.
E também há a história daquele chefe da Fórmula 1 que foi filmado numa pequena orgia particular. Gostei de uma frase dele: "a sociedade vai ter de se habituar à ideia de que, na vida privada, estas coisas existem!"
Fique aqui registado.
Para que conste que há uma série de comportamentos sexuais de que se fala pouco, mas nem por isso deixam de ser praticados.
A Moral vai ter de se levantar mais cedo para pôr isto tudo com dono!
(Azar o dos gays: não têm como negar que praticam sexo anal e oral. Enquanto que a sociedade não perde tempo a imaginar em voz alta que um "respeitável homem casado e pai de família" o faça...)
(O que me lembra um processo de divórcio, em que a esposa alegava que o marido queria fazer com ela "certas porcarias". Imagino o embaraço do marido no tribunal - seria o mesmo embaraço, parece-me, a que os homossexuais são quotidianamente sujeitos.)
19 fevereiro 2009
ousar a ternura
Antes de mais: alguém pode fazer o favor de me indicar a hiperligação para o programa Prós e Contras sobre casamento homossexual, caso exista? Desde já, obrigadinha!
O belo naco de prosa que distribuíram à entrada
- - voltai, protocolos dos sábios de sião, estais perdoados! - -
lembrou-me uma notícia que li esta semana sobre Berlim: em 2008 houve nesta cidade mais de 300 ataques homofóbicos.
No artigo, uma lésbica dizia que não se sente segura em parte nenhuma da cidade, e mesmo nos bairros onde é mais normal encontrar algum LGBT ela não troca gestos de ternura com a namorada sem antes olhar em volta para ver se não corre perigo.
Uma pessoa lê estas coisas, e fica com vontade de organizar uma manifestação "hoje somos todos homossexuais". Muito simples: encher a cidade de mulheres abraçadas a mulheres, homens de mão dada com homens. Para o pessoal se habituar a ver essas cenas, e não precisar de reagir logo com estranheza.
Claro que há um risco: é que alguns dos que se julgam heterossexuais, e participam na manifestação por pura solidariedade, descubram que afinal...
E talvez seja esse o cerne da questão. O medo que a exibição aberta de outras possibilidades desperte em mim algo que eu preferia fazer de conta que não existe cá dentro.
Mas, convenhamos, não são os homossexuais quem deve pagar o preço dos meus medos.
O belo naco de prosa que distribuíram à entrada
- - voltai, protocolos dos sábios de sião, estais perdoados! - -
lembrou-me uma notícia que li esta semana sobre Berlim: em 2008 houve nesta cidade mais de 300 ataques homofóbicos.
No artigo, uma lésbica dizia que não se sente segura em parte nenhuma da cidade, e mesmo nos bairros onde é mais normal encontrar algum LGBT ela não troca gestos de ternura com a namorada sem antes olhar em volta para ver se não corre perigo.
Uma pessoa lê estas coisas, e fica com vontade de organizar uma manifestação "hoje somos todos homossexuais". Muito simples: encher a cidade de mulheres abraçadas a mulheres, homens de mão dada com homens. Para o pessoal se habituar a ver essas cenas, e não precisar de reagir logo com estranheza.
Claro que há um risco: é que alguns dos que se julgam heterossexuais, e participam na manifestação por pura solidariedade, descubram que afinal...
E talvez seja esse o cerne da questão. O medo que a exibição aberta de outras possibilidades desperte em mim algo que eu preferia fazer de conta que não existe cá dentro.
Mas, convenhamos, não são os homossexuais quem deve pagar o preço dos meus medos.
16 fevereiro 2009
em defesa do Concílio Vaticano II
Católicos alemães, austríacos e suíços, do movimento "nós somos Igreja", reagiram à reabilitação dos bispos excomungados com uma petição que entretanto já foi traduzida para outras línguas e está a correr, como não podia deixar de ser, na internet.
Passo a palavra, na tradução francesa:
«C’est la reconnaissance absolue des décisions arrêtées au Concile de Vatican II qui est réclamée»
Dans une pétition lancée le 29 janvier 2009 un grand nombre de théologiennes et de théologiens, ainsi que de chrétiennes et de chrétiens d’Allemagne, d’Autriche et de Suisse réclament la reconnaissance sans réserve des décisions arrêtées au Concile de Vatican II.
Ils réagissent ainsi à la levée au plus haut point discutable de l’excommunuication qui avait frappé des évêques de la Confrérie traditionnaliste Saint Pie X, telle qu’elle est intervenue il y a quelques jours.
La pétition peut dès maintenant être signée sur la page d’accueil du site. Lorsque cette campagne sera terminée le résultat en sera remis au Vatican et communiqué également aux conférences épiscopales, au Comité central des Catholiques allemands ainsi qu’à la presse.
Nous vous prions instamment de soutenir cette pétition importante de votre signature et de vos dons et de la transmettre à d’autres. Merci d’avance !
Passo a palavra, na tradução francesa:
«C’est la reconnaissance absolue des décisions arrêtées au Concile de Vatican II qui est réclamée»
Dans une pétition lancée le 29 janvier 2009 un grand nombre de théologiennes et de théologiens, ainsi que de chrétiennes et de chrétiens d’Allemagne, d’Autriche et de Suisse réclament la reconnaissance sans réserve des décisions arrêtées au Concile de Vatican II.
Ils réagissent ainsi à la levée au plus haut point discutable de l’excommunuication qui avait frappé des évêques de la Confrérie traditionnaliste Saint Pie X, telle qu’elle est intervenue il y a quelques jours.
La pétition peut dès maintenant être signée sur la page d’accueil du site. Lorsque cette campagne sera terminée le résultat en sera remis au Vatican et communiqué également aux conférences épiscopales, au Comité central des Catholiques allemands ainsi qu’à la presse.
Nous vous prions instamment de soutenir cette pétition importante de votre signature et de vos dons et de la transmettre à d’autres. Merci d’avance !
a propósito de Darwin
A Maria N. escreveu um dos melhores textos que li ultimamente sobre a oposição entre ciência e religião.
(Nota mental: da próxima vez que for a Portugal vou ver se consigo que ela me dê um autógrafo.)
(Nota mental: da próxima vez que for a Portugal vou ver se consigo que ela me dê um autógrafo.)
e já que é segunda-feira de manhã...
Três gracinhas para começar a semana:
I.
I was depressed last night so I called Lifeline...
Got a call center in Pakistan.
I told them I was suicidal.
They got all excited and asked if I could drive a truck.
II.
Inquirição em Juízo de um policial pelo advogado de defesa do réu, que tentava abalar a sua credibilidade.
Advogado: Você viu meu cliente fugir da cena do crime?
Policial: Não senhor. Mas eu o vi a algumas quadras do local do crime eo prendi como suspeito, pois ele é e se trajava conforme a descrição dada do criminoso.
Advogado: E quem forneceu a descrição do criminoso?
Policial: O policial que chegou primeiro ao local do crime.
Advogado: Um colega policial forneceu as características do suposto criminoso. Você confia nos seus colegas policiais?
Policial: Sim, senhor. Confio a minha vida.
Advogado: A sua vida? Então diga-nos se na sua delegacia tem um vestiário onde vocês trocam de roupa antes de sair para trabalhar.
Policial: Sim, senhor, temos um vestiário.
Advogado: E vocês trancam a porta com chave?
Policial: Sim, senhor, nós trancamos.
Advogado: E o seu armário, você também o tranca com cadeado?
Policial: Sim, senhor, eu tranco.
Advogado: Por que, então, policial, você tranca seu armário, se quem divide o vestiário com você são colegas a quem você confia sua vida?
Policial: É que nós estamos dividindo o prédio com o Tribunal de Justiça, e algumas vezes nós vemos advogados andando perto do vestiário.
Uma gargalhada geral da plateia obrigou o juiz a suspender a sessão...
III.
"O período que precedera as eleições que dera origem ao Governo X [que tomara posse em finais de 2009] tinha sido de um desperdício eleitoral sem paralelo, a pretexto da "crise", que o primeiro-ministro cessante tinha prometido não chegar."
Aquilo a que outros chamam pacotes conjunturais (pode encontrar aqui um resumo das principais medidas em alguns países europeus), chama Pacheco Pereira um desperdício eleitoral sem paralelo.
As anedotas dele são melhores que as minhas.
(recomendo este post no Da Literatura, pelo qual cheguei àquele artigo)
(muito embora, caro Eduardo, e agora vou mudar completamente de assunto, bacalhau seja cada vez menos uma coisa "prosaica". O Greenpeace que o diga.)
I.
I was depressed last night so I called Lifeline...
Got a call center in Pakistan.
I told them I was suicidal.
They got all excited and asked if I could drive a truck.
II.
Inquirição em Juízo de um policial pelo advogado de defesa do réu, que tentava abalar a sua credibilidade.
Advogado: Você viu meu cliente fugir da cena do crime?
Policial: Não senhor. Mas eu o vi a algumas quadras do local do crime eo prendi como suspeito, pois ele é e se trajava conforme a descrição dada do criminoso.
Advogado: E quem forneceu a descrição do criminoso?
Policial: O policial que chegou primeiro ao local do crime.
Advogado: Um colega policial forneceu as características do suposto criminoso. Você confia nos seus colegas policiais?
Policial: Sim, senhor. Confio a minha vida.
Advogado: A sua vida? Então diga-nos se na sua delegacia tem um vestiário onde vocês trocam de roupa antes de sair para trabalhar.
Policial: Sim, senhor, temos um vestiário.
Advogado: E vocês trancam a porta com chave?
Policial: Sim, senhor, nós trancamos.
Advogado: E o seu armário, você também o tranca com cadeado?
Policial: Sim, senhor, eu tranco.
Advogado: Por que, então, policial, você tranca seu armário, se quem divide o vestiário com você são colegas a quem você confia sua vida?
Policial: É que nós estamos dividindo o prédio com o Tribunal de Justiça, e algumas vezes nós vemos advogados andando perto do vestiário.
Uma gargalhada geral da plateia obrigou o juiz a suspender a sessão...
III.
"O período que precedera as eleições que dera origem ao Governo X [que tomara posse em finais de 2009] tinha sido de um desperdício eleitoral sem paralelo, a pretexto da "crise", que o primeiro-ministro cessante tinha prometido não chegar."
Aquilo a que outros chamam pacotes conjunturais (pode encontrar aqui um resumo das principais medidas em alguns países europeus), chama Pacheco Pereira um desperdício eleitoral sem paralelo.
As anedotas dele são melhores que as minhas.
(recomendo este post no Da Literatura, pelo qual cheguei àquele artigo)
(muito embora, caro Eduardo, e agora vou mudar completamente de assunto, bacalhau seja cada vez menos uma coisa "prosaica". O Greenpeace que o diga.)
14 fevereiro 2009
e porque hoje é Sábado...
...e escapámos a mais uma sexta-feira 13,
e estou em onda de disparates de fim-de-semana,
então: façamos alguma coisa pela Paz no mundo.
;-)
(gosto especialmente do argumento: "if you love your country")
e estou em onda de disparates de fim-de-semana,
então: façamos alguma coisa pela Paz no mundo.
;-)
(gosto especialmente do argumento: "if you love your country")
evolucionismo
Ia um chimpanzé velhote todo satisfeito pela selva, quando encontrou um monte de bananas, ali deixado por um grupo de investigadores do comportamento daquela população, e mais satisfeito ficou.
Ia começar o festim, quando se deu conta que outro chimpanzé, mais novo e mais forte, se estava a aproximar.
Fazer o quê? Disfarçou, pôs-se a assobiar para o ar, carinha de "só vim aqui ver a bola".
O outro achou que ali havia coisa, mas não se deu por achado.
"Façamos de conta que está tudo normal", decidiu ele, continuou a andar com ar distraído e... escondeu-se atrás de uns arbustos.
Quando achou que a costa estava livre, o primeiro parou de fazer que assobiava e foi-se às bananas.
ZUUUUMBAS! - o outro saltou-lhe logo em cima.
(Mas não vou dizer, Rita, que assim se prova que alguns jornalistas são descendentes de...)
Esta história, ligeiramente manipulada para provocar a minha bloguista berlinense preferida, foi tirada de um estudo sobre o comportamento de macacos.
Tem episódios óptimos: o mais fraco que também quer comer mas não consegue abrir caminho pelo meio dos outros, e por isso solta um grito tipo "inimigo à vista!" que põe todos em fuga; o pequenito que quer comer o que um mais velho tem e grita como se estivesse a ser atacado, de modo que a mãe furiosa imediatamente se abate sobre o "agressor", que desata a fugir, enquanto o filho matreiro se delicia com a comida.
Em termos de articulação, expressa na capacidade de mentir, de perceber que se está a ser enganado e - como na primeira história - fazer de conta para que o outro não perceba que eu percebi, o cérebro destes colegas já atingiu um indubitável estádio superior.
Estão uns homenzinhos!
Ia começar o festim, quando se deu conta que outro chimpanzé, mais novo e mais forte, se estava a aproximar.
Fazer o quê? Disfarçou, pôs-se a assobiar para o ar, carinha de "só vim aqui ver a bola".
O outro achou que ali havia coisa, mas não se deu por achado.
"Façamos de conta que está tudo normal", decidiu ele, continuou a andar com ar distraído e... escondeu-se atrás de uns arbustos.
Quando achou que a costa estava livre, o primeiro parou de fazer que assobiava e foi-se às bananas.
ZUUUUMBAS! - o outro saltou-lhe logo em cima.
(Mas não vou dizer, Rita, que assim se prova que alguns jornalistas são descendentes de...)
Esta história, ligeiramente manipulada para provocar a minha bloguista berlinense preferida, foi tirada de um estudo sobre o comportamento de macacos.
Tem episódios óptimos: o mais fraco que também quer comer mas não consegue abrir caminho pelo meio dos outros, e por isso solta um grito tipo "inimigo à vista!" que põe todos em fuga; o pequenito que quer comer o que um mais velho tem e grita como se estivesse a ser atacado, de modo que a mãe furiosa imediatamente se abate sobre o "agressor", que desata a fugir, enquanto o filho matreiro se delicia com a comida.
Em termos de articulação, expressa na capacidade de mentir, de perceber que se está a ser enganado e - como na primeira história - fazer de conta para que o outro não perceba que eu percebi, o cérebro destes colegas já atingiu um indubitável estádio superior.
Estão uns homenzinhos!
13 fevereiro 2009
notas do Engadin (2)

Reza a lenda que, quando o arcanjo fechou a Eva e Adão as portas do paraíso, Deus se entristeceu com a sorte destes. Num impulso, mandou os anjos arranjarem na terra um lugar aprazível e belo, quase igual ao jardim do Éden. Belo, mas não perfeito - para que o Homem recordasse o paraíso sem lhe perder a saudade.
Os anjos partiram, e fizeram exactamente o que lhes tinha sido ordenado.
Foi assim que nasceu o Engadin.
A cidade mais conhecida, St.Moritz, terá sido bonita em alguma altura da sua vida, mas agora tem uma parte, junto ao lago, que mais parece o Algarve. Ainda bem que na Suíça também se fazem esses erros, uma pessoa não se sente tão só na palermice da depredação em nome do turismo.
Nós ficámos em Samedan, uma localidade sujeita a regulamentos rigorosos de construção. As casas novas são poucas e não destoam, e as antigas são lindíssimas, com as suas janelinhas em masseira para aproveitar o máximo da luz do dia sem perder muito calor, as suas paredes ornamentadas com sgraffiti.
Amigos nossos, judeus sobreviventes do Holocausto, emprestaram-nos a sua casa. Quando ia começar a fazer o primeiro almoço lembrei-me do pequeno pormenor: judeus. Carne de porco. O Joachim telefonou aos nossos amigos, "- podemos cozinhar carne de porco nas vossas panelas?", "- não, preferia que não o fizessem, por causa do nosso filho que é ortodoxo". Ia meter o presunto no frigorífico, mas lembrei-me de novo. O Joachim telefonou outra vez, "- podemos guardar presunto e fiambre no frigorífico, desde que bem embrulhado?", "- não me voltem a ligar, prefiro não saber nada disso!"
Não sabem eles, mas sabemos nós. O filho tem um tumor no cérebro, e acredita que a Fé o vai salvar. De modo que passámos uma semana a comer fiambre directamente do pacote, com todo o cuidado para não contaminar pratos e talheres.
A rota fora escolhida cuidadosamente: de pista azul em pista azul, até ao ponto de encontro combinado, atravessando uma paisagem de espanto, com o lago de St.Moritz a brilhar no meio da neve.
Quem me mandou esquecer o aviso da lenda?
No meio da perfeição, a pista azul atravessava uma pista negra, e eu dei comigo numa encosta íngreme como nunca vira, e coberta de gelo. Aterrorizada, deixei-me cair, travando com os esquis espetados no gelo e tentando usar os batons para lutar contra nem sei que forças da Física e do psíquico.
Comecei a pedir ajuda em todas as línguas que conheço, piangente, piangente, mas o pessoal também estava numa pista negra e passava por mim sem sequer se aperceber da aflição.
Ao fim de várias eternidades, um rapaz parou ao meu lado.
"Do you speak English?", perguntou ele, e eu a pensar "I do, I do, só não sei muito bem distinguir entre savior e rescuer".
O problema é que aquele era o seu primeiro dia sobre esquis - dava para os gastos dele, mas manifestamente não para os meus.
Foi pedir ajuda, mandaram-no tirar os esquis e vir-me buscar, ele assim fez, e quando chegou ao pé de mim, animado e optimista, começou a escorregar e só parou ao fundo da encosta. Parecia o Shining.
Ao fim de mais algumas eternidades, parou outro homem, que se prontificou a avançar ao meu lado, travando com os esquis dele eventuais escorregadelas minhas. E assim nos pusemos em movimento, e assim íamos avançando à velocidade de vários centímetros por hora, que era o que o meu terror permitia. Para me apressar, ele começou a empurrar-me. Só que - já contei? - aquela encosta era íngreme como tudo, e ele estava da parte de baixo. Para me empurrar pela cintura, teria de se pôr em posição de estátua da Liberdade - o que não dá jeito quando se está a tentar salvar alguém numa pista negra. De modo que ele teve de optar por me empurrar pelo meu segundo óptimo, digamos assim, e eu percebi logo muito melhor aquela história da síndrome de Estocolmo.
(a foto foi tirada daqui)
notas do Engadin (1)

Há três anos, quando fui pela primeira vez passar uma semana no Engadin, o jj.amarante pediu-me que contasse.
Caro amigo: eu tardo, mas não falho.
Aqui começa uma série de apontamentos sobre o que se tornou o meu vale alpino preferido.
E começa com uma pergunta: como é que se diz Engadin em português?
Já vi o Engadine, e a Engadina. Ou será o Engadim?
Começa mal...
12 fevereiro 2009
façamos de conta que a terra é redonda
Julgava eu que mais ninguém se sentia incomodado com esta opinião do Mário Crespo, quando me deparei com este post do Tomás Vasques. Clap clap clap.
E digo mesmo mais: "Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport" é retórica da baixaria. Estará Mário Crespo armado em Galileu, "eppur si muove"?!
Nesse caso, vai ter de dizer mais. Apelar à desconfiança inata dos portugueses não basta.
E digo mesmo mais: "Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport" é retórica da baixaria. Estará Mário Crespo armado em Galileu, "eppur si muove"?!
Nesse caso, vai ter de dizer mais. Apelar à desconfiança inata dos portugueses não basta.
11 fevereiro 2009
59,6%

Pergunta-me um leitor deste post o que me diz o número 59,6%.
Antes de mais, que fique bem claro: a minha crítica dirigia-se àquele cartaz - que considero um insulto e uma ameaça para o bom funcionamento da Democracia -, e à ausência de reacções de protesto pelo seu conteúdo xenófobo. Para mais num país que tem, desde 1994, legislação anti-racismo e anti-xenofobia.
Quanto aos 59,6%:
Já devem ter reparado que sou uma feroz adepta do copo meio cheio - que digo eu?, do copo a transbordar! -, mas desta vez olho para 59,6% e vejo o seu oposto: para 40% dos que votaram é tão importante recusar a "livre" entrada a romenos e búlgaros que estão mesmo dispostos a arcar com as brutais consequências do "não".
A comunicação que o Presidente da Confederação fez ao país, a propósito deste referendo (aqui, em francês), é uma boa síntese do que estava em causa.
Resumidamente:
- a abertura a outras culturas é um enriquecimento, e para a Suíça é muito positivo fazer parte destes processos de reciprocidade;
- o "não" teria como consequência a revogação dos acordos bilaterais com a União Europeia;
- a Suíça não se encontra em condições de encetar um caminho de isolacionismo;
- a UE é o maior parceiro comercial da Suíça - 1/3 dos postos de trabalho neste país dependem das relações económicas com aquele parceiro;
- a experiência mostra que a abertura de fronteiras não tem resultado num aumento da criminalidade, de problemas com a população Roma, ou de abusos do sistema de apoio social;
- a experiência mostra também que a legislação contra o dumping salarial se tem revelado muito eficaz;
- para a abertura à Roménia e à Bulgária está previsto um período de transição.
- o "não" teria como consequência a revogação dos acordos bilaterais com a União Europeia;
- a Suíça não se encontra em condições de encetar um caminho de isolacionismo;
- a UE é o maior parceiro comercial da Suíça - 1/3 dos postos de trabalho neste país dependem das relações económicas com aquele parceiro;
- a experiência mostra que a abertura de fronteiras não tem resultado num aumento da criminalidade, de problemas com a população Roma, ou de abusos do sistema de apoio social;
- a experiência mostra também que a legislação contra o dumping salarial se tem revelado muito eficaz;
- para a abertura à Roménia e à Bulgária está previsto um período de transição.
Acresce a estes factos que dois dos pilares económicos da Suíça (o sistema bancário e o turismo de luxo) estão neste momento muito abalados, o que faz da facilitação crescente dos movimentos com a UE uma questão absolutamente vital.
Há ainda um facto muito curioso: como afirma a Ministra da Justiça numa entrevista (aqui, em alemão), a cooperação entre as Polícias no âmbito do acordo de Schengen tornou a Polícia suíça muito mais eficaz, dado que agora tem acesso a informação mais abrangente.
Mesmo assim, 40% dos eleitores que participaram no referendo votaram "não".
O fantasma da "invasão de Leste", e apesar de a experiência mostrar já que esse medo é infundado, pesou mais que o cenário realista de uma profunda crise económica.
Outro dado estranho é a taxa de participação: apenas metade dos eleitores se deram ao trabalho de ir votar.
Em suma, e regressando ao post que deu origem a este: não os compreendo, mas gosto deles na mesma. Pelo menos, dos do Engadin.
Que não puderam ir votar porque estavam soterrados em neve, risco de avalanche e tudo, isso sei eu, vi com estes que a terra talicoisa.
Que não puderam ir votar porque estavam soterrados em neve, risco de avalanche e tudo, isso sei eu, vi com estes que a terra talicoisa.
10 fevereiro 2009
calateboca

Pelas reacções a este post concluo que me andam a confundir com a Calamity Jane.
O meu futuro anuncia-se-me muito solitário...
"Touch' pas à mon pot"

(foto roubada ao Segunda Língua)
Porque é que os protestos são tão maiores quando as ovelhas negras são portuguesas ou italianas?
Não me lembro de ter visto na Europa grandes ondas de repúdio contra o reenvio dos africanos famintos naufragados no sul da Itália ou às portas de Mellila.
Acontece diariamente, mas parece que é a ordem natural das coisas.
Também não sei - ainda agora voltei, e já estou a delirar - de nenhum movimento cívico a exigir a abertura das fronteiras europeias aos mais pobres do mundo.
Não me lembro de ter visto na Europa grandes ondas de repúdio contra o reenvio dos africanos famintos naufragados no sul da Itália ou às portas de Mellila.
Acontece diariamente, mas parece que é a ordem natural das coisas.
Também não sei - ainda agora voltei, e já estou a delirar - de nenhum movimento cívico a exigir a abertura das fronteiras europeias aos mais pobres do mundo.
Que é como quem diz: todos os estrangeiros são iguais, mas uns são mais iguais que os outros.
09 fevereiro 2009
mais novas da obamania
‘Rosa sat so Martin could walk. Martin walked so Obama could run. Obama ran so our children can fly.’
O amigo que me mandou este vídeo deu-lhe o seguinte título:
O amigo que me mandou este vídeo deu-lhe o seguinte título:
The Sing-along of the Millennium
auto-retrato
Pede o JPT que eu revele seis particularidades pessoais.
Os seus desejos são ordens, e até me calham bem, já que a io também anda há meses a pedir mais ou menos o mesmo.
A maior alegria desta casa é ter os clientes satisfeitos!
Ora então:
1.
Quatro dias depois de eu ter nascido, mataram o John F. Kennedy. Três dias depois de ter vindo viver para a Alemanha, caiu o muro de Berlim. Fui morar para os EUA, 11 de Setembro. De regresso à Europa instalei-me no leste da Alemanha, poucos dias depois chegava a Dresden a cheia do milénio.
Quando fui a Roma pela primeira vez, em 2002, o Papa João Paulo II já estava bastante debilitado, mas não morreu.
E agora, que moro há um ano em Berlim, o pior que aconteceu foi uma leve chamuscadela na Filarmonia.
Conclusão: o meu destino deve estar a atravessar a crise da meia-idade.
2.
Nasci sozinha.
Só a minha mãe e eu - nem parteira, nem médico, nem pai (que saíra do quarto para os ir chamar).
Entrar assim no mundo dá uma pedalada que nem vos digo nem vos conto.
3.
Depois de três semanas em Portugal, a tirar literalmente a barriga de misérias, comprei uma balança na IKEA.
Devolvi-a logo depois, e tive o cuidado de explicar ao empregado que a balança estava mal regulada.
Dias mais tarde percebi que o problema afinal não era da balança. E eu que estava capaz de jurar!
Vestidos império, adoro vestidos império.
4.
Os meus filhos garantem que eu, uma vez, disse isto:
"Não faço fishing for compliments
mas fishing for truth."
...Já vão ver o que lhes vai acontecer à próxima mesada.
5.
Há alguns anos fui parada por duas miúdas que andavam a fazer entrevistas para a rádio.
"Gosta de rir?", perguntaram elas.
"Claro!", respondi eu.
"E de que gosta mais de rir?"
"De mim própria."
Ao meu lado, um Matthias de sete anos abriu muito os olhos, até se ouviam os neurónios rrrr-rrrr a tentar processar a informação, e depois o rosto iluminou-se-lhe numa gargalhada:
"É verdade! É isso mesmo!"
6.
Tenho imensa dificuldade em começar algo novo, e em acabar o que começo. Adiar é a minha segunda natureza.
Agora vou pensar a quem quero passar esta corrente, e depois digo.
Os seus desejos são ordens, e até me calham bem, já que a io também anda há meses a pedir mais ou menos o mesmo.
A maior alegria desta casa é ter os clientes satisfeitos!
Ora então:
1.
Quatro dias depois de eu ter nascido, mataram o John F. Kennedy. Três dias depois de ter vindo viver para a Alemanha, caiu o muro de Berlim. Fui morar para os EUA, 11 de Setembro. De regresso à Europa instalei-me no leste da Alemanha, poucos dias depois chegava a Dresden a cheia do milénio.
Quando fui a Roma pela primeira vez, em 2002, o Papa João Paulo II já estava bastante debilitado, mas não morreu.
E agora, que moro há um ano em Berlim, o pior que aconteceu foi uma leve chamuscadela na Filarmonia.
Conclusão: o meu destino deve estar a atravessar a crise da meia-idade.
2.
Nasci sozinha.
Só a minha mãe e eu - nem parteira, nem médico, nem pai (que saíra do quarto para os ir chamar).
Entrar assim no mundo dá uma pedalada que nem vos digo nem vos conto.
3.
Depois de três semanas em Portugal, a tirar literalmente a barriga de misérias, comprei uma balança na IKEA.
Devolvi-a logo depois, e tive o cuidado de explicar ao empregado que a balança estava mal regulada.
Dias mais tarde percebi que o problema afinal não era da balança. E eu que estava capaz de jurar!
Vestidos império, adoro vestidos império.
4.
Os meus filhos garantem que eu, uma vez, disse isto:
"Não faço fishing for compliments
mas fishing for truth."
...Já vão ver o que lhes vai acontecer à próxima mesada.
5.
Há alguns anos fui parada por duas miúdas que andavam a fazer entrevistas para a rádio.
"Gosta de rir?", perguntaram elas.
"Claro!", respondi eu.
"E de que gosta mais de rir?"
"De mim própria."
Ao meu lado, um Matthias de sete anos abriu muito os olhos, até se ouviam os neurónios rrrr-rrrr a tentar processar a informação, e depois o rosto iluminou-se-lhe numa gargalhada:
"É verdade! É isso mesmo!"
6.
Tenho imensa dificuldade em começar algo novo, e em acabar o que começo. Adiar é a minha segunda natureza.
Agora vou pensar a quem quero passar esta corrente, e depois digo.
gosto muito dos suíços...

...muito mais eu deles que eles de mim.
De cada vez que vou à Suíça fico impressionada com o teor dos cartazes do SVP, um partido nacionalista. Na Alemanha não há disto (é absolutamente proibido), o que torna o choque ainda maior.
Este ano, a propósito do referendo sobre a livre circulação dos cidadãos da União Europeia, havia este cartaz:

Surpreendida pela violência da imagem, desconfiei que se estariam a referir a mim.
De regresso à Alemanha, informei-me: não era comigo, era contra os romenos e os búlgaros. Ou, mais precisamente, contra os Roma provenientes desses países.
Ah, fico mais descansada...
Havia muito de ambivalente na minha situação: estrangeira num país onde os estrangeiros são retratados como ameaças, animais belicosos e malévolos; turista numa região onde os turistas são extremamente bem tratados.
Apesar do choque e do desconforto, ainda não foi desta que senti na pele o que é ser Roma na Europa ou africano faminto às portas de Mellila.
***
Claro que na Suíça houve imensos protestos contra este cartaz.
Veio da parte das sociedades de biologia e de protecção dos animais, que consideraram uma afronta atribuir aos pobres corvos esse tipo de imagem.
Baralhar e dar de novo: quando criaram um campo de concentração para presos políticos perto de Weimar, lá para meados dos anos 30 do século passado, e lhe chamaram "Ettersberg", veio logo a sociedade literária de Goethe protestar que parecia mal dar um nome tão importante da literatura alemã a um sítio desses. Mudaram-lhe o nome para Buchenwald.
Nem sei porque é que a tal sociedade não mandou deslocar o campo para outro sítio. Também parece mal criminosos da laia do Jorge Semprun e da princesa Mafalda de Sabóia pararem por uns momentos à sombra do carvalho onde Goethe gostava de fazer os seus piqueniques...
Nem sei porque é que a tal sociedade não mandou deslocar o campo para outro sítio. Também parece mal criminosos da laia do Jorge Semprun e da princesa Mafalda de Sabóia pararem por uns momentos à sombra do carvalho onde Goethe gostava de fazer os seus piqueniques...
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