...fez ontem um ano.
Parabéns, io!
E muito obrigada pelas músicas, os poemas e os belos textos que tanto alargam os meus horizontes!
30 dezembro 2008
a gargalhada do dia
- O primeiro rei de Portugal foi… – dizia.
- D. Afonso Henriques! – respondia a sala em coro.
- E nasceu em…
- Guimarães!
- Conquistou Portugal aos…
- Mouros!
- Com a ajuda de…
- Deus!
- Que está no…
- Céuuuuu!
E apontávamos para o tecto.
No segunda língua. Eu bem vos digo que é um blogue especial.
- D. Afonso Henriques! – respondia a sala em coro.
- E nasceu em…
- Guimarães!
- Conquistou Portugal aos…
- Mouros!
- Com a ajuda de…
- Deus!
- Que está no…
- Céuuuuu!
E apontávamos para o tecto.
No segunda língua. Eu bem vos digo que é um blogue especial.
26 dezembro 2008
arcebispos e arcebispos
Duas pequenas histórias:
1.
2.
O cardeal Meisner, arcebispo de Colónia, que tem fama de ultrapassar o Papa largamente pela direita, aproveitou uma homilia para criticar o hábito de bater palmas nas igrejas. Foi logo ali aclamado com uma estrondosa ovação.
1.
2.
O cardeal Meisner, arcebispo de Colónia, que tem fama de ultrapassar o Papa largamente pela direita, aproveitou uma homilia para criticar o hábito de bater palmas nas igrejas. Foi logo ali aclamado com uma estrondosa ovação.
23 dezembro 2008
a suave vingança dos pagãos
Não deve ser novidade para ninguém que as festas de Natal e da Epifania foram encostadas a celebrações pagãs de deuses e solstícios.
Num instantinho, assim coisa de séculos, arranjou-se maneira de transformar uma construção literária cheia de simbolismos - história de pastores e reis, anjos e estrelas que indicam caminhos - em factos históricos indesmentíveis e tradições do sagrado.
E assim chegámos ao feriado e às festas em torno de um presépio, como se não houvesse solstício, nem deuses pagãos, nem nada.
Natal, na nossa curta memória sempre Natal: desde o princípio dos tempos até ao fim dos tempos.
Esta semana fui a uma papelaria procurar postais, e eis o que encontrei:
- rouxinóis pousados em ramos de azevinho cobertos de neve
- crianças a empurrar trenós cheios de presentes
- uns velhotes gordos de barba branca e roupa vermelha, com ar de gostarem muito de cerveja
- pinheiros (abetos?) cobertos de neve com velas e bolas coloridas
Do presépio, nem sombras. Anjos e madonas, nada.
São estes os nossos símbolos do Natal?!
(e, para ficar mais divertido ainda: imaginem estes símbolos em países onde agora é Verão, como, por exemplo, o Brasil...
Passámos lá uma vez um Natal, e era muito engraçado ouvir os nossos filhos a cantar todo o seu repertório do Christmas caroling, "Im dreaming of a white christmas", "Dashing through the snow...", e outras do género, a morrer de calor no meio das palmeiras e dos macacos da selva que começa às portas de Santa Teresa no Rio de Janeiro)
Será que o fim dos tempos está próximo?...
Será que os pagãos regressaram, e a sua vingança é terrível?...
Bem, muito terrível não é: o Natal foi transformado numa festa de encontros familiares e milhentos cartões - que interessa se têm motivos de puro kitsch? - para dizer às pessoas "pensei em ti e desejo-te tudo do melhor!"
O que não impede os cristãos de, para além da festa e dos encontros, relembrarem este momento da revelação e renovarem no silêncio a busca da fonte. E irem a uma livraria cristã procurar os postais que considerarem mais adequados.
Sendo assim: desejo um bom Natal a todos, e que cada um o realize da sua melhor maneira!
***
Voltando aos símbolos e ao kitsch: por estas bandas há a tradição de uma coroa de Advento.
Um anel feito com ramos de pinheiro e cedro, com quatro velas, uma para cada domingo de Advento - que se acendem a partir do domingo correspondente.
Circular, para designar a eternidade ou talvez a antiga aliança, verde para simbolizar a vida, com luzes para anunciar a vinda daquele que é luz.
Gosto do símbolo, gosto da luz das velas, gosto do ambiente que empresta à nossas refeições em Dezembro. Talvez seja algo pagão, mas é bonito.

Finalmente, e à laia de "the ultimate Christmas gift": espreitem aqui.
Ho-ho-ho, merry Christmas!
Num instantinho, assim coisa de séculos, arranjou-se maneira de transformar uma construção literária cheia de simbolismos - história de pastores e reis, anjos e estrelas que indicam caminhos - em factos históricos indesmentíveis e tradições do sagrado.
E assim chegámos ao feriado e às festas em torno de um presépio, como se não houvesse solstício, nem deuses pagãos, nem nada.
Natal, na nossa curta memória sempre Natal: desde o princípio dos tempos até ao fim dos tempos.
Esta semana fui a uma papelaria procurar postais, e eis o que encontrei:
- rouxinóis pousados em ramos de azevinho cobertos de neve
- crianças a empurrar trenós cheios de presentes
- uns velhotes gordos de barba branca e roupa vermelha, com ar de gostarem muito de cerveja
- pinheiros (abetos?) cobertos de neve com velas e bolas coloridas
Do presépio, nem sombras. Anjos e madonas, nada.
São estes os nossos símbolos do Natal?!
(e, para ficar mais divertido ainda: imaginem estes símbolos em países onde agora é Verão, como, por exemplo, o Brasil...
Passámos lá uma vez um Natal, e era muito engraçado ouvir os nossos filhos a cantar todo o seu repertório do Christmas caroling, "Im dreaming of a white christmas", "Dashing through the snow...", e outras do género, a morrer de calor no meio das palmeiras e dos macacos da selva que começa às portas de Santa Teresa no Rio de Janeiro)
Será que o fim dos tempos está próximo?...
Será que os pagãos regressaram, e a sua vingança é terrível?...
Bem, muito terrível não é: o Natal foi transformado numa festa de encontros familiares e milhentos cartões - que interessa se têm motivos de puro kitsch? - para dizer às pessoas "pensei em ti e desejo-te tudo do melhor!"
O que não impede os cristãos de, para além da festa e dos encontros, relembrarem este momento da revelação e renovarem no silêncio a busca da fonte. E irem a uma livraria cristã procurar os postais que considerarem mais adequados.
Sendo assim: desejo um bom Natal a todos, e que cada um o realize da sua melhor maneira!
***
Voltando aos símbolos e ao kitsch: por estas bandas há a tradição de uma coroa de Advento.
Um anel feito com ramos de pinheiro e cedro, com quatro velas, uma para cada domingo de Advento - que se acendem a partir do domingo correspondente.
Circular, para designar a eternidade ou talvez a antiga aliança, verde para simbolizar a vida, com luzes para anunciar a vinda daquele que é luz.
Gosto do símbolo, gosto da luz das velas, gosto do ambiente que empresta à nossas refeições em Dezembro. Talvez seja algo pagão, mas é bonito.

Finalmente, e à laia de "the ultimate Christmas gift": espreitem aqui.
Ho-ho-ho, merry Christmas!
22 dezembro 2008
saudade
Contava uma amiga alemã: quando vivi em Nova Iorque tinha um grupo de amigos com quem fazia música de câmara. Eram músicos extremamente exigentes, e nunca mais na vida toquei em concertos com tanta qualidade. E contudo, estávamos nós uma vez a tocar Mendelssohn, ocorreu-me que aquele público não percebia o que estava a ouvir. Mendelssohn é o norte da Alemanha - e não Nova Iorque.
Talvez lhe chame saudade, pensei eu.
Talvez lhe chame saudade, pensei eu.
19 dezembro 2008
consultório sentimental
Imaginem que uma miúda de 14 anos contava à mãe que uma amiga, também de 14 anos e que namora com um rapaz de 18, um rapaz que anda um bocado sem rumo, abandonou a escola e tal, contava à mãe, dizia, que a tal amiga começou a fumar e de vez em quando até se mete pelo haxixe.
No lugar dessa mãe, o que é que vocês faziam?
***
Se não me responderem depressinha, vou perguntar ao Rainer Erlinger, que tem um consultório ético na revista de fim de semana da Süddeutsche Zeitung, e que dá respostas muito engraçadas.
Por exemplo: uma vez, uma empregada de limpeza perguntou o que devia fazer depois de ter encontrado um retrato do Hitler no escritório de uma casa que andou a limpar. E ele, bla bla bla ético para aqui e para ali, para no fim apelar a um acto de resistência simbólica: não limpar o pó a esse retrato.
No lugar dessa mãe, o que é que vocês faziam?
***
Se não me responderem depressinha, vou perguntar ao Rainer Erlinger, que tem um consultório ético na revista de fim de semana da Süddeutsche Zeitung, e que dá respostas muito engraçadas.
Por exemplo: uma vez, uma empregada de limpeza perguntou o que devia fazer depois de ter encontrado um retrato do Hitler no escritório de uma casa que andou a limpar. E ele, bla bla bla ético para aqui e para ali, para no fim apelar a um acto de resistência simbólica: não limpar o pó a esse retrato.
17 dezembro 2008
tomada de uma súbita urgência
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Tenho há anos uma lista de locais onde quero ir antes que uma catástrofe acabe com eles: uma Veneza que se está a afundar, os Países Baixos que vão desaparecer quando o nível do mar subir, as neves "eternas" dos glaciares, etc.
E agora, Lisboa.
16 dezembro 2008
a melhor canção de amor de sempre...
...é esta. Só pode ser assim.
Parabéns, Miguel, já ganhaste!
***
A corrente sobre canções de amor que por aí anda deixa-me perplexa: ninguém se lembra da música brasileira?!
Agora percebo porque tive de vir casar à Alemanha.
Não é que o Joachim conheça muita MPB, mas é alemão, dá-se um desconto...
A exposição mais comovente que já vi foi no Rio de Janeiro, sobre a música de Tom Jobim. Tinha obras de arte plástica relativas a canções dele, que se podiam ouvir com auscultadores em frente à respectiva peça.
Não as obras de arte, não as músicas - a exposição estava pejada de momentos intimistas. Em frente a cada peça as pessoas ouviam, cantarolavam, uma lágrima corria pela face, um leve sorriso se abria. Recordações.
Uma das que me toca mais, e nem me foi cantada ao telefone, é a Luiza.
Ouço-a, e sinto-me quase como um cão que tivemos e que, ao lado do meu piano desafinado, se erguia todo a acompanhar, num desespero lancinante, um certo Beethoven (ou seria Schumann?) que eu tocava. Os meus irmãos riam-se "vê lá tu em que estado pões o bicho". Veja lá o Jobim em que estado me põe!
Nesta gravação a voz dele não está tão boa, mas foi a melhor que encontrei. Tem de ser o Jobim - com o Edu Lobo, a coisa não funciona tão bem.
(Além disso, vai com legendas em inglês, atenção especial para os portugueses que parece que só entendem o amor cantado em anglo-saxónico)
E se falo em desespero, olhem esta "Drão", cantada pelo Caetano Veloso e composta por Gilberto Gil.
Mas há também o amor cantado pelo Chico Buarque,
a canção "futuros amantes", com um certo toque de bandido (engana-me, que eu gosto):
o "amor barato", tão terra-a-terra:
a "valsa brasileira":
...e tantas outras.
Para terminar, mudo de continente. Aqui ao lado, na Catalunha, Lluis Llach a cantar "només per a tu" (vale a pena ouvir todo o disco, Maremar)
"...e hoje creio-me perto da plenitude
apenas porque é assim que me imaginas...
...e procurarei apenas para ti
com a ignorância de sempre
palavras ditas pelos amantes
desde o nascer dos séculos.
E pelo engano do meu amor acreditarei
reinventar a linguagem a cada gesto..."
Parabéns, Miguel, já ganhaste!
***
A corrente sobre canções de amor que por aí anda deixa-me perplexa: ninguém se lembra da música brasileira?!
Agora percebo porque tive de vir casar à Alemanha.
Não é que o Joachim conheça muita MPB, mas é alemão, dá-se um desconto...
A exposição mais comovente que já vi foi no Rio de Janeiro, sobre a música de Tom Jobim. Tinha obras de arte plástica relativas a canções dele, que se podiam ouvir com auscultadores em frente à respectiva peça.
Não as obras de arte, não as músicas - a exposição estava pejada de momentos intimistas. Em frente a cada peça as pessoas ouviam, cantarolavam, uma lágrima corria pela face, um leve sorriso se abria. Recordações.
Uma das que me toca mais, e nem me foi cantada ao telefone, é a Luiza.
Ouço-a, e sinto-me quase como um cão que tivemos e que, ao lado do meu piano desafinado, se erguia todo a acompanhar, num desespero lancinante, um certo Beethoven (ou seria Schumann?) que eu tocava. Os meus irmãos riam-se "vê lá tu em que estado pões o bicho". Veja lá o Jobim em que estado me põe!
Nesta gravação a voz dele não está tão boa, mas foi a melhor que encontrei. Tem de ser o Jobim - com o Edu Lobo, a coisa não funciona tão bem.
(Além disso, vai com legendas em inglês, atenção especial para os portugueses que parece que só entendem o amor cantado em anglo-saxónico)
E se falo em desespero, olhem esta "Drão", cantada pelo Caetano Veloso e composta por Gilberto Gil.
Mas há também o amor cantado pelo Chico Buarque,
a canção "futuros amantes", com um certo toque de bandido (engana-me, que eu gosto):
o "amor barato", tão terra-a-terra:
a "valsa brasileira":
...e tantas outras.
Para terminar, mudo de continente. Aqui ao lado, na Catalunha, Lluis Llach a cantar "només per a tu" (vale a pena ouvir todo o disco, Maremar)
"...e hoje creio-me perto da plenitude
apenas porque é assim que me imaginas...
...e procurarei apenas para ti
com a ignorância de sempre
palavras ditas pelos amantes
desde o nascer dos séculos.
E pelo engano do meu amor acreditarei
reinventar a linguagem a cada gesto..."
a justiça internacional é um sapato?
Recapitulando: ainda a guerra do Iraque não tinha começado, e já todos (à excepção do José Manuel Fernandes e mais alguns iluminados) sabíamos que se estava a laborar numa mentira.
Cinco anos, milhares de mortos e milhentas acusações e confirmações mais tarde, Bush continua alegremente ao abrigo do status do cargo.
É assim que se faz Política e Justiça no Ocidente?
No seu livro The Prosecution of George W. Bush for Murder, Vincent Bugliosi chama a atenção para o papel dos mass media (pode-se ler um extracto aqui). Estranhamente, acusa ele, os jornalistas afirmam que Bush mentiu, mas no parágrafo seguinte mudam de assunto.
Que mundo é este nosso? O que se passa connosco?
Porque é que este presidente não foi impeached, e continuou a ser recebido noutros países com todas as honras?
Venha então o fim do mandato, avance Bugliosi com o processo. Mostre-se ao mundo que a Justiça tarda, mas não falha.
Caso contrário, assistiremos a um drástico aumento da procura de sapatos.
...O que, bem vistas as coisas, não seria mau para a indústria portuguesa de calçado. (Como diria o Manelinho: "aprender a valorizar os pequenos ganhos nos grandes prejuízos.")
Cinco anos, milhares de mortos e milhentas acusações e confirmações mais tarde, Bush continua alegremente ao abrigo do status do cargo.
É assim que se faz Política e Justiça no Ocidente?
No seu livro The Prosecution of George W. Bush for Murder, Vincent Bugliosi chama a atenção para o papel dos mass media (pode-se ler um extracto aqui). Estranhamente, acusa ele, os jornalistas afirmam que Bush mentiu, mas no parágrafo seguinte mudam de assunto.
Que mundo é este nosso? O que se passa connosco?
Porque é que este presidente não foi impeached, e continuou a ser recebido noutros países com todas as honras?
Venha então o fim do mandato, avance Bugliosi com o processo. Mostre-se ao mundo que a Justiça tarda, mas não falha.
Caso contrário, assistiremos a um drástico aumento da procura de sapatos.
...O que, bem vistas as coisas, não seria mau para a indústria portuguesa de calçado. (Como diria o Manelinho: "aprender a valorizar os pequenos ganhos nos grandes prejuízos.")
15 dezembro 2008
Concurso de Natal 2008 - Baltasar
Tenho de me apressar para o concurso na Barbearia, e já não me lembro bem em que ficámos no que diz respeito ao meu segundo Baltasar.
O distinto júri, na sua implacável sabedoria e inatingível neutralidade, decidirá com justiça e mérito.
(alguém sabe onde é a morada para entregar as luvinhas?)
O meu segundo Baltasar é este:

A peça é muito bonita, mas a sua história é ainda melhor:
Era uma vez, há muitos, muitos anos, os meus sogros. Que andavam de férias na Provença, e acabaram a comprar a um jovem santonnier, chamado Robert Canut, algumas figuras para um presépio. Não muitas, que os tempos eram difíceis, e o rapaz já nessa altura conhecia o valor do seu trabalho.
Anos mais tarde - quase trinta - ao saber que o Joachim e eu andaríamos por aquelas paragens, pediram-nos que tentássemos arranjar mais algumas figuras para substituir as partidas e completar o conjunto.
Em Grenoble, primeira etapa da viagem, procurámos o Canut no minitel (alguém ainda se lembra do minitel?! não há dúvida que é mesmo assim que nos pomos velhos!), mas nada. Conseguimos, contudo, encontrar outros santonniers: uma cidade cheia deles.
Descemos de Grenoble para o mar por uma paisagem de sonho, e não me perguntem o nome da estrada, porque tenho a certeza que só existiu naquele dia para nos levar à cidade mágica.
Uma vez lá chegados, encontrámos, de facto, muitas lojas de presépios, mas nenhuma com as figuras de 10 cm como queríamos. Até que, lá para a quinta ou a sexta loja onde entrámos, a vendedora exclamou: "10 cm? mas santons desse tamanho, só o Canut é que tem!"
Sabem como é aquela sensação de "está-nos a acontecer um milagre e nem queremos acreditar!"?
Pois bem, foi assim mesmo.
O Canut morava afinal ali perto, e passámos uma bela tarde na sua oficina, a conversar com ele e a apreciar a sua obra.

Roubei a fotografia neste site, onde se podem ver outras figuras e um texto interessante sobre o autor, de que transcrevo o seguinte:
Robert Canut a son atelier du côté de Tulette au pied du Ventoux, dans cette Drôme provençale où coule le bon vin des côtes du Rhône. Robert Canut ne santonèje pas, il fait mieux, il est déjà un santon à lui tout seul avec ses cheveux embrousaillés par le mistral, son inséparable chapeau, son grand tablier et son brin de romarin aux lèvres. Fidèle à la tradition, il est le dernier représentant de la famille des santonniers dignes de ce nom. Il travaille seul, le santon est sa création totale. Un santon Canut ne ressemble à aucun autre tant son style est unique. Chaque santon est presque une pièce unique. Sa fabrication est en nombre limité et il faut passer commande, être patient, savoir attendre un an et parfois plus pour avoir la pièce convoitée, aperçue dans la vitrine ou déjà mise de côté pour un autre heureux acquéreur. Ses santons il faut les mériter. Bien sûr, ils sont bien faits, ils sont réalistes à souhait, mais n'ont rien à voir cependant avec les jolies figurines de certains de ses collègues qui, trop bien faites, ont quelque chose de saint-sulcipien. Les santons de Robert Canut ont quelque chose de plus qui fait qu'ils sont bien vivants, ils sont du pays, on les voit marcher, on les entend parler, vivre au rythme de leur temps, de leur métier. Ses santons bien sûr lui ressemblent, ils sont figés dans une attitude familière où, comme lui dans son travail, ils donnent le meilleur d'eux-mêmes. Là est son secret, le secret de leur beauté. Bien sûr il y a aussi ses couleurs, ses poudres de couleurs qu'il broye lui même. Son bleu notamment est unique et il n'y a guère que chez Carbonel où on retrouve un usage de la couleur aussi abouti.
Para os mais curiosos, acrescento que há também um documentário sobre ele. E mais este artigo de jornal, onde ele afirma que já decidiu que fará o seu último santon aos 126 anos de idade.
Pelo sim pelo não, vou-lhe telefonar amanhã mesmo para lhe lembrar que ainda não me mandou alguns da encomenda do ano passado. Estou especialmente curiosa para ver "les commères" - algo me diz que terão algo de "les causeuses" de Camille Claudel.
E cá vão mais algumas figurinhas, da colecção da casa.


Nesta última fotografia, a mulher do meio leva um bacalhau seco numa mão, e alhos na outra.
O distinto júri, na sua implacável sabedoria e inatingível neutralidade, decidirá com justiça e mérito.
(alguém sabe onde é a morada para entregar as luvinhas?)
O meu segundo Baltasar é este:

Vai também em perfil, para o competentíssimo júri poder apreciar a qualidade do trabalho.

A peça é muito bonita, mas a sua história é ainda melhor:
Era uma vez, há muitos, muitos anos, os meus sogros. Que andavam de férias na Provença, e acabaram a comprar a um jovem santonnier, chamado Robert Canut, algumas figuras para um presépio. Não muitas, que os tempos eram difíceis, e o rapaz já nessa altura conhecia o valor do seu trabalho.
Anos mais tarde - quase trinta - ao saber que o Joachim e eu andaríamos por aquelas paragens, pediram-nos que tentássemos arranjar mais algumas figuras para substituir as partidas e completar o conjunto.
Em Grenoble, primeira etapa da viagem, procurámos o Canut no minitel (alguém ainda se lembra do minitel?! não há dúvida que é mesmo assim que nos pomos velhos!), mas nada. Conseguimos, contudo, encontrar outros santonniers: uma cidade cheia deles.
Descemos de Grenoble para o mar por uma paisagem de sonho, e não me perguntem o nome da estrada, porque tenho a certeza que só existiu naquele dia para nos levar à cidade mágica.
Uma vez lá chegados, encontrámos, de facto, muitas lojas de presépios, mas nenhuma com as figuras de 10 cm como queríamos. Até que, lá para a quinta ou a sexta loja onde entrámos, a vendedora exclamou: "10 cm? mas santons desse tamanho, só o Canut é que tem!"
Sabem como é aquela sensação de "está-nos a acontecer um milagre e nem queremos acreditar!"?
Pois bem, foi assim mesmo.
O Canut morava afinal ali perto, e passámos uma bela tarde na sua oficina, a conversar com ele e a apreciar a sua obra.

Roubei a fotografia neste site, onde se podem ver outras figuras e um texto interessante sobre o autor, de que transcrevo o seguinte:
Robert Canut a son atelier du côté de Tulette au pied du Ventoux, dans cette Drôme provençale où coule le bon vin des côtes du Rhône. Robert Canut ne santonèje pas, il fait mieux, il est déjà un santon à lui tout seul avec ses cheveux embrousaillés par le mistral, son inséparable chapeau, son grand tablier et son brin de romarin aux lèvres. Fidèle à la tradition, il est le dernier représentant de la famille des santonniers dignes de ce nom. Il travaille seul, le santon est sa création totale. Un santon Canut ne ressemble à aucun autre tant son style est unique. Chaque santon est presque une pièce unique. Sa fabrication est en nombre limité et il faut passer commande, être patient, savoir attendre un an et parfois plus pour avoir la pièce convoitée, aperçue dans la vitrine ou déjà mise de côté pour un autre heureux acquéreur. Ses santons il faut les mériter. Bien sûr, ils sont bien faits, ils sont réalistes à souhait, mais n'ont rien à voir cependant avec les jolies figurines de certains de ses collègues qui, trop bien faites, ont quelque chose de saint-sulcipien. Les santons de Robert Canut ont quelque chose de plus qui fait qu'ils sont bien vivants, ils sont du pays, on les voit marcher, on les entend parler, vivre au rythme de leur temps, de leur métier. Ses santons bien sûr lui ressemblent, ils sont figés dans une attitude familière où, comme lui dans son travail, ils donnent le meilleur d'eux-mêmes. Là est son secret, le secret de leur beauté. Bien sûr il y a aussi ses couleurs, ses poudres de couleurs qu'il broye lui même. Son bleu notamment est unique et il n'y a guère que chez Carbonel où on retrouve un usage de la couleur aussi abouti.
Para os mais curiosos, acrescento que há também um documentário sobre ele. E mais este artigo de jornal, onde ele afirma que já decidiu que fará o seu último santon aos 126 anos de idade.
Pelo sim pelo não, vou-lhe telefonar amanhã mesmo para lhe lembrar que ainda não me mandou alguns da encomenda do ano passado. Estou especialmente curiosa para ver "les commères" - algo me diz que terão algo de "les causeuses" de Camille Claudel.
E cá vão mais algumas figurinhas, da colecção da casa.


Nesta última fotografia, a mulher do meio leva um bacalhau seco numa mão, e alhos na outra. Chama-se femme à la morue - uma portuguesa num presépio provençal.
troco um frigorífrico bosch, um fogão eléctrico...
...com placa cerâmica, uma mesa de cozinha com quatro cadeiras, uma cozinha completa, alguns candeeiros antigos ou a fazer que são, um conjunto espelho+cabides+taça-de-guarda-chuvas tudo em ferro forjado, etc.
por esta informação:
número de telefone de um camionista que me leve de Berlim para o Minho uma mesa e um sofá por um preço acessível, porque se é para ser pelo preço que até agora me têm indicado (900 euros ou algo do género) mais me vale comprar directamente na IKEA de Matosinhos.
(A minha vizinha vai mudar de casa, e está-se a desfazer do que não precisa. Se conhecerem alguém em Berlim que precise de uma cozinha, etc., digam! A nós, sortudos, deu-nos ontem duas pedras enormes tiradas do muro de Berlim, com tinta e tudo. Numa delas aparece um pássaro de fogo, o Natal escusa de vir, porque já veio.)
(Outro dia perguntei a uma empresa quanto custava levar um contentor inteiro para Portugal. Quinhentos euros, disseram eles. Estou a ver que meto o sofá e a mesa no contentor, e ainda poupo um dinheirão...)
por esta informação:
número de telefone de um camionista que me leve de Berlim para o Minho uma mesa e um sofá por um preço acessível, porque se é para ser pelo preço que até agora me têm indicado (900 euros ou algo do género) mais me vale comprar directamente na IKEA de Matosinhos.
(A minha vizinha vai mudar de casa, e está-se a desfazer do que não precisa. Se conhecerem alguém em Berlim que precise de uma cozinha, etc., digam! A nós, sortudos, deu-nos ontem duas pedras enormes tiradas do muro de Berlim, com tinta e tudo. Numa delas aparece um pássaro de fogo, o Natal escusa de vir, porque já veio.)
(Outro dia perguntei a uma empresa quanto custava levar um contentor inteiro para Portugal. Quinhentos euros, disseram eles. Estou a ver que meto o sofá e a mesa no contentor, e ainda poupo um dinheirão...)
hoje somos todos sapato...
14 dezembro 2008
é isto a vida
A vida (diz a Abrunho, em crise de mau feitio) seria como aqueles sítios que nunca visitamos porque estão perto e um dia quando houver tempo passamos lá.
ou (digo eu, em crise de meia-idade):
A vida é como aqueles sítios que nunca visitamos porque estão perto. Um dia, quando houver génio, iremos lá.
O que me lembra este poema de Rilke:
Das ist die Sehnsucht: wohnen im Gewoge
und keine Heimat haben in der Zeit.
Und das sind Wünsche: leise Dialoge
täglicher Stunden mit der Ewigkeit.
Und das ist Leben. Bis aus einem Gestern
die einsamste Stunde steigt,
die, anders lächelnd als die andern Schwestern,
dem Ewigen entgegenschweigt.
É isto a nostalgia: morar nas ondas
e não ter pátria no tempo.
E são isto os desejos: mansos diálogos
entre o quotidiano e a eternidade.
E assim vai a vida. Até que de algum passado
se erga a mais solitária das horas,
que, sorrindo diferente das suas irmãs,
se entregue silenciosa ao eterno.
Berlim-Wilmersdorf, 3 de Novembro de 1897.
***
Rilke.
Quando fomos morar para Weimar, encontrámos um apartamento mesmo em frente à casa dele. Meu vizinho, a bem dizer...
Era apenas o seu arquivo, organizado pela filha Ruth, que de 1933 a 1949 esteve ali albergado. Já estivera anteriormente em duas outras casas, e depois daquela mudou ainda duas vezes. Mais um que mora nas ondas e não encontra pátria no tempo.
ou (digo eu, em crise de meia-idade):
A vida é como aqueles sítios que nunca visitamos porque estão perto. Um dia, quando houver génio, iremos lá.
O que me lembra este poema de Rilke:
Das ist die Sehnsucht: wohnen im Gewoge
und keine Heimat haben in der Zeit.
Und das sind Wünsche: leise Dialoge
täglicher Stunden mit der Ewigkeit.
Und das ist Leben. Bis aus einem Gestern
die einsamste Stunde steigt,
die, anders lächelnd als die andern Schwestern,
dem Ewigen entgegenschweigt.
É isto a nostalgia: morar nas ondas
e não ter pátria no tempo.
E são isto os desejos: mansos diálogos
entre o quotidiano e a eternidade.
E assim vai a vida. Até que de algum passado
se erga a mais solitária das horas,
que, sorrindo diferente das suas irmãs,
se entregue silenciosa ao eterno.
Berlim-Wilmersdorf, 3 de Novembro de 1897.
***
Rilke.
Quando fomos morar para Weimar, encontrámos um apartamento mesmo em frente à casa dele. Meu vizinho, a bem dizer...
Era apenas o seu arquivo, organizado pela filha Ruth, que de 1933 a 1949 esteve ali albergado. Já estivera anteriormente em duas outras casas, e depois daquela mudou ainda duas vezes. Mais um que mora nas ondas e não encontra pátria no tempo.
13 dezembro 2008
revolution
Eis o resultado de pedir ao meu grupo de resistentes católicos que prepare uma celebração de Advento, numa paróquia de Berlim:
Por causa do texto de Isaías (61, 1-2a) para o terceiro Domingo de Advento
-- O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar o ano da graça do Senhor. --
a missa vai começar com um ghetto blaster a tocar Tracy Chapman:
Antes do momento da Paz, o Joachim vai interpretar um texto provocante:
- Este?! Que tem uma perspectiva ultra-conservadora de tudo?! Aquele, que anda de SUV na cidade e polui o ar de todos?! Aqueloutro, que na rua faz de conta que não me conhece?! É com estes que vou trocar o gesto da Paz?!
Sim, com estes mesmos.
Nas nossas cabecinhas formadas na Acção Católica e no Concílio Vaticano II, é por aqui que o Natal anda. Que as tradições de encontro familiar e de troca de presentes não nos afastem do que é realmente importante.
(sounds like a whisper)
***
Don’t you know
They’re talkin’ bout a revolution
It sounds like a whisper
Don’t you know
They’re talkin’ about a revolution
It sounds like a whisper
While they’re standing in the welfare lines
Crying at the doorsteps of those armies of salvation
Wasting time in the unemployment lines
Sitting around waiting for a promotion
Don’t you know
They’re talkin’ about a revolution
sounds whisper
Poor people gonna rise up
And get their share
Poor people gonna rise up
And take what’s theirs
Don’t you know
You better run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, …
Oh I said you better
Run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run,
Finally the tables are starting to turn
Talkin’ bout a revolution
Finally the tables are starting to turn
Talkin’ bout a revolution
Por causa do texto de Isaías (61, 1-2a) para o terceiro Domingo de Advento
-- O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar o ano da graça do Senhor. --
a missa vai começar com um ghetto blaster a tocar Tracy Chapman:
Antes do momento da Paz, o Joachim vai interpretar um texto provocante:
- Este?! Que tem uma perspectiva ultra-conservadora de tudo?! Aquele, que anda de SUV na cidade e polui o ar de todos?! Aqueloutro, que na rua faz de conta que não me conhece?! É com estes que vou trocar o gesto da Paz?!
Sim, com estes mesmos.
Nas nossas cabecinhas formadas na Acção Católica e no Concílio Vaticano II, é por aqui que o Natal anda. Que as tradições de encontro familiar e de troca de presentes não nos afastem do que é realmente importante.
(sounds like a whisper)
***
Don’t you know
They’re talkin’ bout a revolution
It sounds like a whisper
Don’t you know
They’re talkin’ about a revolution
It sounds like a whisper
While they’re standing in the welfare lines
Crying at the doorsteps of those armies of salvation
Wasting time in the unemployment lines
Sitting around waiting for a promotion
Don’t you know
They’re talkin’ about a revolution
sounds whisper
Poor people gonna rise up
And get their share
Poor people gonna rise up
And take what’s theirs
Don’t you know
You better run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, …
Oh I said you better
Run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run,
Finally the tables are starting to turn
Talkin’ bout a revolution
Finally the tables are starting to turn
Talkin’ bout a revolution
12 dezembro 2008
stand by me
Recebi este vídeo anteontem da Argentina, e ontem dos EUA.
Como se fosse um presente que se oferece ao mundo.
Como se fosse um presente que se oferece ao mundo.
11 dezembro 2008
música para o Advento
Louange à l'éternité de Jésus, Olivier Messiaen
Com agradecimentos ao Pedro Mexia, que tão bem explicou como esta obra surgiu.
Com agradecimentos ao Pedro Mexia, que tão bem explicou como esta obra surgiu.
relatividade
Ao ler o belo texto de Pedro Mexia sobre Olivier Messiaen, quase escorrego na geografia: fala ele num Stalag numa Silésia gelada, e eu dou por mim a imaginar Messiaen num gulag na Sibéria.
Esta dislexia toponímica ainda vai ser a minha perdição.
Mas a culpa é do Pedro Mexia, pois está claro, que vem com aquelas expressões "temperaturas negativas", "neve abundante", "gelo prisional da Silésia", e eu, catrapumbas, até me esqueço que estão a falar da região onde eu vivo.
Görlitz é aqui ao lado, pouco mais de uma hora de comboio. Uma cidade que ficou atravessada pela fronteira redesenhada depois da guerra. Metade alemã, metade polaca.
Passei por lá uma vez com uma amiga de Weimar, deixei escapar um "mas que cidade bonita!" e ela perguntou, surpreendida: "nunca foste a Dresden?!"
(Nota mental para o meu caderno de projectos de turismo: primeiro Görlitz, depois Dresden. A ordem inversa pode tornar-se uma decepção.)
Disseram-me que a cidade foi invadida por reformados da região de Hamburgo porque, perante os preços que ainda se praticam na antiga RDA, as reformas da antiga Alemanha Ocidental ganham um certo valor acrescentado. Além de ser um sítio agradável para viver.
Voltando ao gelo prisional da Silésia: ouvi uma vez na Turíngia um siberiano dizer: "aqui não há nem Inverno nem Verão, é sempre Primavera!"
Mais uma achega para a teoria da relatividade.
Esta dislexia toponímica ainda vai ser a minha perdição.
Mas a culpa é do Pedro Mexia, pois está claro, que vem com aquelas expressões "temperaturas negativas", "neve abundante", "gelo prisional da Silésia", e eu, catrapumbas, até me esqueço que estão a falar da região onde eu vivo.
Görlitz é aqui ao lado, pouco mais de uma hora de comboio. Uma cidade que ficou atravessada pela fronteira redesenhada depois da guerra. Metade alemã, metade polaca.
Passei por lá uma vez com uma amiga de Weimar, deixei escapar um "mas que cidade bonita!" e ela perguntou, surpreendida: "nunca foste a Dresden?!"
(Nota mental para o meu caderno de projectos de turismo: primeiro Görlitz, depois Dresden. A ordem inversa pode tornar-se uma decepção.)
Disseram-me que a cidade foi invadida por reformados da região de Hamburgo porque, perante os preços que ainda se praticam na antiga RDA, as reformas da antiga Alemanha Ocidental ganham um certo valor acrescentado. Além de ser um sítio agradável para viver.
Voltando ao gelo prisional da Silésia: ouvi uma vez na Turíngia um siberiano dizer: "aqui não há nem Inverno nem Verão, é sempre Primavera!"
Mais uma achega para a teoria da relatividade.
10 dezembro 2008
60 anos, e recomeçar todos os dias
Hoje de manhã fui ao blogue do Marco Oliveira procurar uns posts que ele fez há tempos sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos (aqui: 1, 2, 3, etc. - um trabalho excepcional), e encontrei este filme:
A minha imagem é uma cena que se repete com frequência: alguém (ou um grupo) faz mal a uma pessoa, e os mirones à volta riem-se. A internet está cheia de filmes assim, feitos nas escolas.
***
Revisão da matéria dada:
Declaração Universal dos Direitos humanos
Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos humanos conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração humanos;
Considerando que é essencial a protecção dos direitos humanos através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão;
Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações;
Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais humanos, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla;
Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efectivo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais;
Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso:
A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal
dos Direitos humanos
como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.
Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
A minha imagem é uma cena que se repete com frequência: alguém (ou um grupo) faz mal a uma pessoa, e os mirones à volta riem-se. A internet está cheia de filmes assim, feitos nas escolas.
***
Revisão da matéria dada:
Declaração Universal dos Direitos humanos
Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos humanos conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração humanos;
Considerando que é essencial a protecção dos direitos humanos através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão;
Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações;
Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais humanos, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla;
Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efectivo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais;
Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso:
A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal
dos Direitos humanos
como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.
Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
05 dezembro 2008
concurso Baltasar
Apostada que ando comigo própria que hei-de ganhar o concurso Baltazar,
ocorreu-me uma ideia genial, modéstia à parte: ir à minha loja de produtos a preço justo, que nesta época do ano está cheia de presépios que (imagino eu) uns desgraçados na América Latina vão fazendo durante o Verão inteiro (sorte a deles que para aqueles lados Agosto não é Verão, é Inverno), e fotografar todos os Baltasares que encontrar.
Más notícias para mim, pessoal: no Peru, que é de onde vêm todos aqueles presépios, não há reis pretos. Cambadas de racistas, por causa deles vou perder este prémio.
Piores notícias ainda: reli o regulamento, desta vez com atenção, e encontrei por lá em letras mais miudinhas uma regra que diz que só se pode concorrer com um Baltasar. Nada que uma pequena esquizofrenia não resolva num instantinho...
Ora portantos: a primeira de mim apresenta então este belo exemplar, em madeira de tília.
Trabalho típico alemão, e presente em praticamente todas as casas onde há crianças - por ser em madeira, os miúdos podem tocar as figuras e recriar a história de Natal com a imaginação nas pontas dos dedos, sem a mãe ter um ataque de nervos e estragar logo ali o ambiente natalício.

Vai hoje este Baltasar, mas é melhor ir hors concours. É que não tinha nada que estar ajoelhado. Ajoelha quem chegou primeiro, ou seja: um rei de tez clara, o que representa a Europa - o primeiro continente a aceitar a mensagem redentora de Cristo, ao que me explicam. O Baltasar, que representa a (adivinharam? pois claro: a...) África, devia estar de chapéu na mão, como quem diz, acabado de chegar. E o terceiro, a Ásia, um pouco atrás porque ainda vem a caminho. Vem, que é como quem diz, vinha, na altura em que a cena da adoração dos reis magos era pintada assim lá para os lados do Germanisches Museum de Nuremberga. Tivessem pintado estes quadros depois de quinhentos, e havia quatro reis em vez de três.
ocorreu-me uma ideia genial, modéstia à parte: ir à minha loja de produtos a preço justo, que nesta época do ano está cheia de presépios que (imagino eu) uns desgraçados na América Latina vão fazendo durante o Verão inteiro (sorte a deles que para aqueles lados Agosto não é Verão, é Inverno), e fotografar todos os Baltasares que encontrar.
Más notícias para mim, pessoal: no Peru, que é de onde vêm todos aqueles presépios, não há reis pretos. Cambadas de racistas, por causa deles vou perder este prémio.
Piores notícias ainda: reli o regulamento, desta vez com atenção, e encontrei por lá em letras mais miudinhas uma regra que diz que só se pode concorrer com um Baltasar. Nada que uma pequena esquizofrenia não resolva num instantinho...
Ora portantos: a primeira de mim apresenta então este belo exemplar, em madeira de tília.
Trabalho típico alemão, e presente em praticamente todas as casas onde há crianças - por ser em madeira, os miúdos podem tocar as figuras e recriar a história de Natal com a imaginação nas pontas dos dedos, sem a mãe ter um ataque de nervos e estragar logo ali o ambiente natalício.

Vai hoje este Baltasar, mas é melhor ir hors concours. É que não tinha nada que estar ajoelhado. Ajoelha quem chegou primeiro, ou seja: um rei de tez clara, o que representa a Europa - o primeiro continente a aceitar a mensagem redentora de Cristo, ao que me explicam. O Baltasar, que representa a (adivinharam? pois claro: a...) África, devia estar de chapéu na mão, como quem diz, acabado de chegar. E o terceiro, a Ásia, um pouco atrás porque ainda vem a caminho. Vem, que é como quem diz, vinha, na altura em que a cena da adoração dos reis magos era pintada assim lá para os lados do Germanisches Museum de Nuremberga. Tivessem pintado estes quadros depois de quinhentos, e havia quatro reis em vez de três.
04 dezembro 2008
nº1234 e nº4321
Entro tarde na cadeia de homenagem ao XVIII Congresso, mas mais vale tarde que...
nº1234
Um comunista, acusado de se ter afastado da linha do Partido, nega veementemente:
"Isso não é verdade! Eu afastei-me sempre com a linha do Partido!"
nº4321
(de um livro que comprei em Weimar, "anedotas da RDA")
Um homem está sentado no cais, a ver sair navios.
Passa o primeiro navio, e ele pergunta ao capitão:
- Para onde vais?
- Para Angola, responde o capitão.
- E que levas?
- Armas e máquinas agrícolas.
- E à volta?
- Trago bananas.
Passa o segundo navio.
- Para onde vais?
- Para Cuba.
- E que levas?
- Armas e máquinas agrícolas.
- E à volta?
- Trago laranjas.
Passa o terceiro navio.
- Para onde vais?
- Para a URSS.
- E que levas?
- Bananas e laranjas.
- E à volta?
- Venho de comboio.
***
Anedotas daquela época, um manancial inesgotável.
- Qual é o melhor cirurgião do mundo?
- Walter Ulbricht: conseguiu transformar o coração da Europa no cu de Judas.
Três homens estão presos em Bautzen.
1.: "Porque é que vocês estão presos aqui?"
2.: "Eu cheguei à fábrica cinco minutos antes da hora, e fui acusado de espionagem."
3.: "Eu cheguei cinco minutos atrasado, e fui acusado de sabotagem. E tu?"
1.: "Eu cheguei à hora certa, e foi assim que eles descobriram que tinha um relógio fabricado na Alemanha Ocidental."
Um coelho atravessa a fronteira da RDA para a RFA e pede asilo político, alegando que na RDA estão a perseguir os elefantes.
- Mas tu não és um elefante!...
- Pois não, mas tente explicar isso à Stasi...
Pergunta do repórter: Qual é a sua opinião sobre a crise da carne?
Canadiano: Crise? O que é isso?
Polaco: Carne? O que é isso?
Russo: Opinião? O que é isso?
nº1234
Um comunista, acusado de se ter afastado da linha do Partido, nega veementemente:
"Isso não é verdade! Eu afastei-me sempre com a linha do Partido!"
nº4321
(de um livro que comprei em Weimar, "anedotas da RDA")
Um homem está sentado no cais, a ver sair navios.
Passa o primeiro navio, e ele pergunta ao capitão:
- Para onde vais?
- Para Angola, responde o capitão.
- E que levas?
- Armas e máquinas agrícolas.
- E à volta?
- Trago bananas.
Passa o segundo navio.
- Para onde vais?
- Para Cuba.
- E que levas?
- Armas e máquinas agrícolas.
- E à volta?
- Trago laranjas.
Passa o terceiro navio.
- Para onde vais?
- Para a URSS.
- E que levas?
- Bananas e laranjas.
- E à volta?
- Venho de comboio.
***
Anedotas daquela época, um manancial inesgotável.
- Qual é o melhor cirurgião do mundo?
- Walter Ulbricht: conseguiu transformar o coração da Europa no cu de Judas.
Três homens estão presos em Bautzen.
1.: "Porque é que vocês estão presos aqui?"
2.: "Eu cheguei à fábrica cinco minutos antes da hora, e fui acusado de espionagem."
3.: "Eu cheguei cinco minutos atrasado, e fui acusado de sabotagem. E tu?"
1.: "Eu cheguei à hora certa, e foi assim que eles descobriram que tinha um relógio fabricado na Alemanha Ocidental."
Um coelho atravessa a fronteira da RDA para a RFA e pede asilo político, alegando que na RDA estão a perseguir os elefantes.
- Mas tu não és um elefante!...
- Pois não, mas tente explicar isso à Stasi...
Pergunta do repórter: Qual é a sua opinião sobre a crise da carne?
Canadiano: Crise? O que é isso?
Polaco: Carne? O que é isso?
Russo: Opinião? O que é isso?
03 dezembro 2008
estou aqui desconfiada que se o Rudi Dutschke fosse vivo...
...era hoje que lhe dava uma coisa má.

No passeio do Kurfürstendamm, quase na esquina com a Joachim-Friedrich-Strasse, há uma placa a assinalar o local onde ele foi alvejado. Mesmo em frente a um supermercado que reabriu hoje, depois de ter estado encerrado duas semanas para trabalhos de modernização.
Nem queiram saber a festa que por lá vai: um arraial, um animador a fazer uma barulheira insuportável, presentes para os clientes a torto e a direito, stands com inúmeros produtos para provar, senhoras a passear pelos corredores em casaco de peles como se fosse Natal, e os gerentes da cadeia com um ar muito satisfeito sem se darem conta que estão a barrar o caminho a toda a gente.
O mais engraçado é o ar curioso e alegre com que as pessoas participam no happening.
(Aqui para nós, que o Rudi Dutschke não nos ouve: estão a vender atum para sushi, aqui para nós que o Greenpeace não nos ouve, a 2 euros/100 gr. Tem um aspecto fantástico. Se eu conseguir trocar as voltas à minha consciência, hoje à noite temos sushi e sashimi para o jantar.)

No passeio do Kurfürstendamm, quase na esquina com a Joachim-Friedrich-Strasse, há uma placa a assinalar o local onde ele foi alvejado. Mesmo em frente a um supermercado que reabriu hoje, depois de ter estado encerrado duas semanas para trabalhos de modernização.
Nem queiram saber a festa que por lá vai: um arraial, um animador a fazer uma barulheira insuportável, presentes para os clientes a torto e a direito, stands com inúmeros produtos para provar, senhoras a passear pelos corredores em casaco de peles como se fosse Natal, e os gerentes da cadeia com um ar muito satisfeito sem se darem conta que estão a barrar o caminho a toda a gente.
O mais engraçado é o ar curioso e alegre com que as pessoas participam no happening.
(Aqui para nós, que o Rudi Dutschke não nos ouve: estão a vender atum para sushi, aqui para nós que o Greenpeace não nos ouve, a 2 euros/100 gr. Tem um aspecto fantástico. Se eu conseguir trocar as voltas à minha consciência, hoje à noite temos sushi e sashimi para o jantar.)
estou aqui desconfiada que se o Van Gogh fosse vivo...
...era agora que lhe dava uma hora má.

(Não sei porquê, ao passar para foto o e-mail que recebi, as cores foram transformadas. As originais eram bem mais bonitas, está bom de ver, mas isto é um post e não um modo de vida, de modo que vai assim em azul, em vez dos tons de Outono com que veio. Será que o meu computador está directamente ligado ao tempo, e optou pelo azul porque hoje nevou a manhã toda? Ah, as maravilhas da técnica!
Se quiserem mais do mesmo, mas com cores próximas do original, podem dar uma espreitadela aqui.)
02 dezembro 2008
jardins

Andam a falar de jardins no Imagens com Texto. Palavra puxa palavra, lembrei-me de um passeio que fiz no jardim botânico do Rio de Janeiro: tudo belíssimo e perfeito, até ao momento em que quase ia tropeçando numa espécie de lagarto gigante que se atravessou vagarosamente no meu caminho.
Senti a angústia dos descobridores: "este bicho come-se ou come-me?"
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