28 março 2007

admirável mundo novo

Um brasileiro residente em Los Angeles fica emocionado com uma canção que ouve por acaso na rádio, conta a uma portuguesa residente em Weimar, que pespega neste blogue uma cantora nascida em Maiorca, crescida entre ciganos, com antepassados da Guiné Equatorial, e que canta em espanhol.
Se isto não é globalização...
Espero que gostem!

26 março 2007

25 março 2007

Europe is our common future



Text of the Berlin Declaration
Declaration on the occasion of the fiftieth anniversary
of the signature of the Treaties of Rome

For centuries Europe has been an idea, holding out hope of peace and understanding. That hope has been fulfilled. European unification has made peace and prosperity possible. It has brought about a sense of community and overcome differences. Each Member State has helped to unite Europe and to strengthen democracy and the rule of law. Thanks to the yearning for freedom of the peoples of Central and Eastern Europe the unnatural division of Europe is now consigned to the past. European unification shows that we have learnt the painful lessons of a history marked by bloody conflict. Today we live together as was never possible before.

We, the citizens of the European Union, have united for the better.


I

In the European Union, we are turning our common ideals into reality: for us, the individual is paramount. His dignity is inviolable. His rights are inalienable. Men and women enjoy equal rights. We are striving for peace and freedom, for democracy and the rule of law, for mutual respect and shared responsibility, for prosperity and security, for tolerance and participation, for justice and solidarity.
We have a unique way of living and working together in the European Union. This is expressed through the democratic interaction of the Member States and the European institutions. The European Union is founded on equal rights and mutually supportive co-operation. This enables us to strike a fair balance between Member States' interests.
We preserve in the European Union the identities and diverse traditions of its Member States.
We are enriched by open borders and a lively variety of languages, cultures and regions. There are many goals which we cannot achieve on our own, but only in concert. Tasks are shared between the European Union, the Member States and their regions and local authorities.


II

We are facing major challenges which do not stop at national borders. The European Union is our response to these challenges. Only together can we continue to preserve our ideal of European society in future for the good of all European Union citizens, This European model combines economic success and social responsibility. The common market and the euro make us strong. We can thus shape the increasing interdependence of the global economy and ever-growing competition on international markets according to our values. Europe's wealth lies in the knowledge and ability of its people; that is the key to growth, employment and social cohesion.
We will fight terrorism and organised crime together. We stand up for liberties and civil rights also in the struggle against those who oppose them. Racism and xenophobia must never again be given any rein.
We are committed to the peaceful resolution of conflicts in the world and to ensuring that people do not become victims of war, Terrorism and violence. The European Union wants to promote freedom and development in the world. We want to drive back poverty, hunger and disease. We want to continue to take a leading role in that fight.

We intend jointly to lead the way in energy policy and climate protection and make our contribution to averting the global threat of climate change.

III

The European Union will continue to thrive both on openness and on the will of its Member States to consolidate the Union's internal development. The European Union will continue to promote democracy, stability and prosperity beyond its borders.
With European unification a dream of earlier generations has become a reality. Our history reminds us that we must protect this for the good of future generations. For that reason we must always renew the political shape of Europe in keeping with the times.
That is why today, 50 years after the signing of the Treaties of Rome, we are united in our aim of placing the European Union on a renewed common basis before the European Parliament elections in 2009.

For we know, Europe is our common future.
.
.:.
BBCNEWS
http://news.bbc.co.uk/go/pr/fr/-/2/hi/europe/6491487.stm
Published: 2007/03/25 11:15:13 GMT

20 março 2007

A propósito de guerras preventivas...

Tolerância: um exercício de liberdade e confiança

Ser tolerante implica aceitar correr o risco de confiar no outro, invocando valores comuns como a Vida, a Liberdade, o Conhecimento, a Dignidade Humana, etc. Apesar disto, não se pode ignorar que diferimos nas aspirações, na cultura, no estilo de vida, nos modelos socio-políticos, familiares, na religião, na expressão dos afectos, etc.


  • Não vale a pena apelar à tolerância a partir de atitudes defensivas (atendendo, por exemplo aos nossos interesses, segurança e bem-estar).


  • Não vale a pena apelar à tolerância se não queremos correr o risco do confronto com a novidade, escudando-nos na irredutibilidade da tradição e da religião, tomando-as como inquestionáveis e até rivais.


  • Não vale a pena apelar à tolerância se não nos dispomos a confiar no outro, tratando e exigindo ser tratado/a em plena igualdade.



1. Complacência e fragilidade das próprias convicções


“Tenho de ter cuidado para não dizer nada que critique ou fira as convicções religiosas de alguém...”


Nesta opção, o “viver e deixar viver” são entendidos numa perspectiva unidimensional. Isto é uma noção de “tolerância” pobre! que implica deixar as pessoas sozinhas com a sua fé e sensibilidades. Uma vez que as religiões têm propostas diferentes quanto à natureza e à essência de Deus e quanto ao sentido da vida humana, que mobilizam emoções e convicções íntimas, o respeito mútuo não passa de uma atitude complacente de silêncio e ausência de crítica.

Quem assim procede, não pretende entender perspectivas diferentes da sua, espera passar despercebido para não desencadear animosidades que julga podem vir a pôr em causa sua segurança e as suas certezas.

Por outro lado, a atitude complacente, mascara a fragilidade das próprias convicções e a dificuldade em deixar-se interpelar pelas mesmas, quanto mais pelas convicções dos outros!

Mas a religião não deve ser entendida como um reduto silencioso e fechado. O respeito mútuo não pode fundar-se na ausência da crítica, até porque a crítica já está implícita nas afirmações de qualquer credo.


2. Tolerância inócua e limites à liberdade de expressão


Uma outra atitude de respeito mútuo aceita que a crítica e a discussão entre religiões são aceitáveis e incontornáveis. Esta tolerância bidimensional aceita o debate insistindo em que a crítica deve ser séria, honesta e respeitosa.


“Tenho de ser sensível ao papel que religião desempenha na vida de alguém e não devo lidar de forma ligeira, sarcástica ou insultuosa”.


Segundo este modelo, o debate corre mal, não porque se dirimem argumentos, mas pelo tom ofensivo que possam apresentar. Esta forma de tolerância tenta combinar: busca da verdade, racionalidade e respeito. Esta tolerância que afasta o escárnio, a ofensa e o insulto, permite-nos compreender noções de sacrilégio e blasfémia, identifica os princípios que enformam o respeito pelas convicções humanas mais profundas e estabelece os limites da convivência pacífica.

Contudo, nesta tolerância bidimensional há uma falácia! O que é sério? O que é ofensivo? Estes conceitos não são neutros. São definidos de modo diferente por exemplo: consoante a época, os modelos culturais, religiosos, etc.

Em algumas tradições religiosas o debate recorre a metáforas. Há grupos sociais que consideram uma afronta a participação de mulheres numa discussão religiosa, independentemente da sobriedade do seu tom e, no tempo de Nero, seria impensável que um escravo, (ou mesmo um cidadão), se pronunciasse com ironia sobre a divindade do imperador.

O modo como os debates de natureza religiosa devem ser conduzidos é, em si mesmo, um problema sobre o qual os pontos de vista se dividem. Esta questão está imbuída pela ideia de que aí se toca nas regiões mais profundas da verdade, do conhecimento e dos valores. De facto, para a controvérsia religiosa não é fácil a observância de regras de um debate ponderado, racional e respeitoso. É difícil imaginar como a liberdade de expressão poderia ter evoluído se fosse psicologicamente inócua.[1]

Apesar disso, algumas pessoas agarram-se às suas crenças de forma tão devota e beata, que mesmo a crítica mais sóbria e respeitadora lhes parece um insulto ou um pecado mortal. Alguns são tão devotos e beatos que não conseguem suportar a crítica de um não-crente.

As religiões levantam questões importantes, (a existência e a essência de Deus, o sentido da existência humana, a morte, o mal), não apenas para os respectivos crentes, mas também comuns aos não-crentes, todavia não podem estabelecer os termos nos quais estas questões devem ser tratadas.

O tipo de resposta dada por uma pessoa, um grupo hierárquico, ou mesmo de um milhão de crentes, não pode impedir os outros de colocar as questões nos moldes que lhes parecerem mais apropriados e de responderem de formas diferentes.



3. Desafio à vivência da tolerância multidimensional


“As mutações económicas, tecnológicas, sociais e culturais da 2ª metade do séc. XX fizeram emergir um indivíduo novo, cuja maneira de ser, pensar, sentir e fazer as coisas difere profundamente dos seus antecessores. Algumas descobertas científicas, a globalização da economia, a flexibilidade generalizada que lhe é inerente, bem como as novas exigências de capacidade de reacção, a par da revolução das tecnologias de informação e comunicação, [da compressão espácio-temporal], etc. jogam um papel essencial no despertar deste novo tipo de individuo”.[2]

Chamamos “hipermoderno” a este indivíduo para destacar a ideia de excesso e de superação que caracterizam a nossa sociedade de modernidade exacerbada. Tentamos hoje compreender e explicar de que modo tantas mudanças perturbantes, tocam o Homem na sua mais profunda identidade”.[3]


Se as mudanças são tão profundas… Então, o desconforto perante as múltiplas respostas dos outros faz parte do risco que aceitamos correr porque este é o nosso aqui e agora comum à escala planetária.

Somos desafiados a vivenciar a tolerância multidimensional. As pessoas e os povos devem deixar-se uns aos outros livres para colocarem as questões da religião, da filosofia e outras, das formas que melhor traduzam o que necessitam explicitar e com os recursos que tiverem à sua disposição.

No mundo contemporâneo isto poderá significar que toda a panóplia de meios de comunicação, todas as técnicas, todas as artes, a fantasia, a ironia, a poesia, os jogos de palavras, o malabarismo das ideias – serão usados naquilo que muitos consideram o sagrado, o imaculado, o dogma. Como poderia ser de outro modo?

Questões tão importantes põem à prova os nossos recursos psicológicos e intelectuais. Conduzem-nos aos limites da disputa linear e para além deles. Porque dizem precisamente respeito aos limites, ao que é assustador, perturbador, impensável.

As religiões consagram os seus símbolos, fazem as suas afirmações, contam as suas histórias e tudo isto é lançado no mundo como propriedade pública, faz parte da mobília cultural e psicológica que não podemos pegar com pinças cautelosas. No nosso desejo de dar sentido à existência, temos que fazer o que podemos com as questões e as respostas que foram lançadas sobre nós.[4]


Todos buscamos a compreensão do mal, da doença, dos crimes, da morte!


… E os céus estão silenciosos
… E não parece haver um sentido nestas coisas!


O respeito pela sensibilidade de alguns não pode ser usado, em consciência, para limitar os meios disponíveis por outros para lidar com os problemas que são comuns a toda a Humanidade. Os grandes temas das religiões são demasiado importantes para serem enclausurados pela sensibilidade dos crentes.

As coisas que parecem sagradas para alguns, são, nas mãos de outros, objecto de brincadeira, riso, tomadas de forma ligeira, objecto de fantasia, cantadas, sonhadas ao contrário, plasmadas de forma divertida e caleidoscópica, baralhadas, abjuradas… É uma forma de procurar dar sentido à experiência humana, o que não significa que os temas e o modo de os tratar sejam intencionalmente ofensivos para os crentes![5]


Não há outra forma de vivermos juntos e de respeitar a vida de cada um, a não ser (re)inventando o modelo de tolerância multidimensional, que implica a aceitação da pluralidade de abordagens, aprendendo a caminhar e a crescer juntos/as, estabelecendo laços de confiança e amando-nos uns aos outros.


FONTES:

[1]
MILL, John Stuart – Da Liberdade, Ibrasa, São Paulo, 1963. – “Se toda a humanidade menos um fosse da mesma opinião, e apenas um indivíduo fosse de opinião contrária, a humanidade não teria maior direito de silenciar essa pessoa do que esta o teria, se pudesse, de silenciar a humanidade.” Quando Stuart Mill (1873) apresentou esta tese a favor da livre discussão, a perturbação da complacência e o abanão na fé, eram valores positivos no debate.
[2] AUBERT, Nicole e Roux-Dufort, Christophe - L'individu Hypermoderne , Érès, Paris, 2004.
[3] AUBERT, Nicole e Roux-Dufort, Christophe - Le culte de l'urgence. La société malade du temps, Flammarion, Paris, 2003.
[4]
Waldrom, Jeremy - "Who is my neighbor? humanity and proximity",
The Monist, vol. 86, no.3, (2003).
[5]
Waldrom, Jeremy - “The Satanic Verses” , Times Literary Supplement, Março, 1989 e incluído em Political Though.


::[dEbAtEs]::
O Lugar das Religiões na Construção de um Mundo Mais Justo e Pacífico

18 março 2007

limpar o pó à avó

Quando pensava que já nada me podia surpreender em questões de funerais (desde jazz de New Orleans junto à campa, até famílias californianas que saem de barco para deitar as cinzas ao mar, sob a Golden Gate Bridge), mais uma vez sou ultrapassada pela realidade que ultrapassa a ficção: há quem se deixe transformar em diamante. As cinzas são sujeitas a altíssimas temperaturas durante uma semana, e no final a família recebe um diamante com a forma desejada (oval, rectangular, de coração, etc.) e, ao que dizem, brilho e reflexos únicos, tal como a pessoa que lhe deu origem.

É bonito.
Até mostraram uma mulher que queria dar origem a dois diamantes, um para cada filho, de modo a estar sempre com eles, para onde quer que eles fossem.
("oh querido, põe a tua mãe no outro quarto")

Só não me dá jeito pensar na possibilidade de um ladrão levar a avó no bolso, de o avô rolar por entre as frinchas do soalho...

***

Por outro lado, numa sociedade cada vez mais móvel, qual é o lugar dos mortos?

Eu, por exemplo (salvo seja): portuguesa com filhos alemães que não sabem a que cidade pertencem por já terem vivido em tantas.
A minha sorte é que quando for preciso decidir isso, já cá não estou...

Diamante é que nem pensar. Ainda vou parar a um anel de alguma antipática, e nem tenho a possibilidade de dar voltas na tumba.
Não. Prefiro as larvas, são mais ecológicas.
(A minha sorte é que quando elas vierem, eu já cá não estou...)

17 março 2007

a piada do dia

Ciências ocultas, no Causa Nossa.

E como as piadas são como as cerejas...



EL LORO CUBANO

En Cuba, un niño regresa de la escuela a su casa, cansado y hambriento y le
pregunta a su mamá:
-"Mamá, ¿que hay de comer?
-"Nada, mi hijo."
El niño mira hacia el Loro que tienen y pregunta:
-"Mamá, ¿por qué no loro con arroz?"
-"No hay arroz."
-"¿Y loro al horno?"
-"No hay gas."
-"¿Y loro en la parrilla eléctrica?"
-"No hay electricidad."
-"¿Y loro frito?"
-"No hay aceite."

El loro contentísimo gritaba:
"¡¡¡ VIVA FIDEL !!! ¡¡¡ VIVA FIDEL !!!"



O que me lembra outra anedota que se contava no tempo da RDA:

A cliente entra na loja e pergunta:
- Não há sapatos?
- Sapatos, responde a empregada, não há no terceiro andar. Aqui no rés-do-chão o que não há é meias.


E mais outra:

Um homem está sentado no cais a ver passar os navios.
- Para onde vais?, pergunta ao capitão de um dos navios.
- Para Angola.
- O que levas?
- Armas.
- E à volta?
- Trago bananas.

Passa o segundo navio.
- Para onde vais?
- Para Cuba.
- O que levas?
- Máquinas agrícolas.
- E à volta?
- Trago laranjas.

Passa o terceiro navio.
- Para onde vais?
- Para a URSS.
- O que levas?
- Bananas e laranjas.
- E à volta?
- Venho de comboio.

14 março 2007

"tenha calma...

[ corrigindo testes ]

Questão:

Aponte as razões que levaram os romanos a conquistar um vasto império.


1ª resposta:

Era para que ouveçe mais liberdade e mais gente a governar.



2ª resposta:

Foi para terem uma cualidade de vida boa, para o divertimento e lanches grátis.



3ª resposta:

As razões foi queles davam espetaculos e comida de graça. E enquanto os Romanos les davam tudo de graça e enquanto o vasto empério tava a ver os espetaculos estavam a subir as contas e quem não tivesse dinheiro para pagar aquilo tudo, ia de Pessoa para escravo.




... ó stôra não stress!"

13 março 2007

a guerra dos sexos




Pois é, MC, cada sociedade tem os conflitos que lhe agradam...
Na Alemanha já não é o problema de baixar o aro da sanita, mas o de urinar sentado. Não conheço uma única casa de banho (excepto a minha) onde não se vê um auto-colante, um cartoon recortado de um jornal, ou algo do género, lembrando aos homens que não podem urinar de pé.

E depois, as discussões. As mulheres, muito senhoras-de-si, a chamar porco chauvinista aos homens que não gostam de urinar sentados. E eles, intimidados e divididos entre lutar por um último e indefensável reduto da masculinidade, ou descoroçoadamente aceitar os argumentos da lógica feminina.

Eu, perdida entre duas culturas, encosto-me a um canto a observar.
E quando elas, iradas, avisam que se nota pelo cheiro se um homem urinou sentado ou de pé, lembro-me da discussão dos fumadores/não-fumadores, e do respeito pelos interesses dos outros.

Mal por mal, o meu cartoon preferido é este:






PS. Soluções para garantir que a tampa da sanita é sempre fechada:
- (solução tipo desenrasca portuguesa) pôr o botão do autoclismo atrás dela;
- (solução tipo japonesa) criar um mecanismo de autoclismo automático que só dispara quando a tampa se baixa.

PS2. Pergunto-me se não será por estas e por outras que os alemães preferem as portuguesas...

(OK, aqui vai a revelação do ano: nós temos um urinol com tampa e botão do autoclismo na parede, por trás da tampa. Mas já ouvi um especialista dizer que o autoclismo devia ser sempre automático, porque nenhum homem quer pôr os dedos onde sabe que outros já deixaram restos de urina. Como se vê, este assunto tem pano para mangas.)

12 março 2007

benefícios colaterais, sim, mas a que preço?

Será que Bush sabia no que se ia meter?
Provavelmente a esta hora estará a ponderar uma aproximação à Venezuela...



Não é só esta cara de engasgado com pretzel, enquanto tenta fazer de conta que se está a divertir. Não, longe disso.
É mais este notório caso de discurso diplomático, tal como descrito no Estadão:

Política externa com papo de botequim

O jeito Lula de fazer diplomacia, no Hilton


Sexo, jogos, divertimento - ou melhor, ponto G, truques de baralho e noites de Oscar. Não, não era um encontro de amigos em hotel de turismo. Era o presidente Lula brincando, misturando política externa e conversa de botequim, no encontro entre ele, seu convidado George W. Bush e a imprensa, ontem à tarde, no Hilton.

Qual Mike Tyson, ele jogou pesado já ao entrar no palco: “Puxa, tem mais jornalista aqui do que em premiação de Oscar”. Passado o tempo de risos da platéia, completou: “É claro que quem está dando os prêmios não é tão bonito...”

Não demorou para que voltasse a fazer menção ao sexo. Dois dias depois de ensinar ao País que “sexo é uma coisa da qual quase todo mundo gosta”, Lula insistiu com seu parceiro americano quanto à urgência de chegarem logo “ao ponto G” do entendimento sobre a Rodada Doha. Para dizer que a conversa tem progredido, recorreu, sem inibição, à imagem do orgasmo feminino: “Estamos andando com muita solidez para encontrar o chamado ponto G e para fazermos alguma coisa”. Bush, atento ao fone de ouvido, riu ao ouvi-lo. O público americano, não. Esse trecho da conversa foi omitido na TV daquele país pelo tradutor que apresentava o diálogo ao vivo.

Momentaneamente alheio às questões do futebol - culpa, quem sabe, do técnico corintiano Leão? - o presidente, habituado a relatar grandes diferenças políticas como se fossem pequenos jogos, apresentou suas cartas. “Quando se negocia”, comentou a propósito da batalha do protecionismo, envolvendo Brasil, EUA e Europa, “nenhum país quer fazer a primeira oferta”. Todo mundo “tem cartas na manga do colete”. Há jogadores que jogam contra, outros que jogam a favor “e até outros que simplesmente não querem jogar”, avisou o presidente brasileiro, para concluir que ele e Bush estão dentro dessa disputa: querem, sim, debater os subsídios na agricultura.

O baralho voltou à mesa instantes depois - com Bush comportadinho, em seu púlpito, enquanto Lula mais parecia um experiente crupiê cortando as cartas sem olhar - quando a Rodada Doha voltou a ser lembrada. “Se você me perguntar o número eu não respondo, porque é um segredo muito bem guardado. Se eu der o número, o adversário vai tentar puxá-lo para baixo”, advertiu. Entrando no espírito da coisa, coube a Bush o grand finale, numa recomendação aos jornalistas americanos: “Tomem cuidado, não vão ficar tempo demais nos bares por aí...”

11 março 2007

domingo

Programa de domingo: apanhar esmeraldas na praia.
Às dúzias.

08 março 2007

e D.E.U.S. criou a mulher






Olá minhas amigas,

aproveito este belo dia internacional da mulher para perguntar se sabem o que estará para U e S na sigla D.E.U.S.

Os outros, eu sei:
D de Depiladora
E de Esteticista

Olho para as fotos e chego à conclusão que eu, na vida irreal, era bem capaz de lograr um cantinho no blogue do Miguel.

(Pelo sonho é que vamos...)
(e não nos falte a maquilhadora)

07 março 2007

mais uma causa fracturante

Um alemão divorciado, obrigado a pagar pensão alimentícia à ex-mulher e ao filho, e desconfiado que o filho não era dele, fez um teste de paternidade. O tribunal não reconheceu essa prova para o isentar da responsabilidade financeira perante o filho que afinal não era dele, e mais: considerou que a realização de um teste destes, sem o conhecimento e consentimento dos envolvidos, é ilegal.

Consta que entre 5% e 10% das crianças alemãs são "filhas do cuco" (o cuco põe os seus ovos em ninhos alheios).

A discussão promete.
Desde os que entendem que a igualdade de direitos funciona para os dois lados, e se a maternidade está sempre confirmada por natureza, o teste de paternidade devia ser realizado por rotina logo após o parto.
Até aos que se interrogam: "então a lei protege uma mulher que mente em questões tão fundamentais, e penaliza um homem que está a ser vigarizado?!"
Passando pelos que querem proteger a criança, e dizem que o importante é o pai afectivo, e não o biológico. Sim, vão dizer isso ao ressabiado lá do princípio deste post...

05 março 2007

caderno de viagem

Avião da Ryan Air, às seis e meia da manhã. Para não repetir.

A Christina está de muletas, pede a uma hospedeira que a deixe ir à frente. A hospedeira diz que tem de pagar uma taxa suplementar para ser a primeira a ir para o avião. Feitas todas as contas (inclusivamente os 9 euros que é preciso pagar por cada peça de bagagem entregue!), uma passagem ida e volta da Lufthansa não é muito mais cara que uma da Ryan Air. E não é quase no Luxemburgo, e é a horas civilizadas, e ainda sabem tratar bem as pessoas com problemas de saúde.
(No regresso, no Porto, a Christina, de muletas, pede que a deixem passar à frente. O pessoal do aeroporto deixa. Eu, bastante mais atrás, agradeço, e eles respondem: "mas é evidente!" - são de bom tempo.)

Atrás de nós, um grupo de emigrantes barulhentos. Um deles, para esconder o medo de voar, fala pelos cotovelos.
Quando o avião descola, comenta aos gritos "olha o elástico, olha o elástico - aííí! Isto é melhor que sexo!"
A Christina ri-se, o Matthias comenta "ficámos a saber..." e eu penso "deve andar a fazer alguma coisa errado".
Tentar dormir - impossível.

À chegada, surpreendeu-nos o nevoeiro. Que diabo, lamento-me eu, para ter este céu cinzento bem podíamos ficar na Alemanha!
A Christina tentou consolar-me: ao menos não há fogos...

Chegar ao Porto às oito da manhã tem as suas vantagens. Por exemplo, permite ir tomar o pequeno-almoço à pastelaria Marbela, em Esposende. Encomendar um bolo de cada, e comer até rebentar as saudades da doçaria portuguesa. E das tostas mistas. E das torradas.
Comprar raia para o almoço. Passear junto ao mar.

Dormir num quarto onde se ouve o mar.
Projecto para o próximo Verão: acampar junto à praia.

Lampreiada ao almoço de domingo. Explicar aos filhos que é um petisco cada vez mais raro, e ouvir depois os lamentos do Matthias, a contar os milhões de ovos no seu prato e a extrapolar para as lampreiinhas coitadinhas que não nasceram. Por este andar ainda recebe uma cartão gold da quercus.
(Por este andar não lhe posso mostrar a caixa de meio quilo de caviar que encomendei nas minhas Russian connections)

Passeio até à aldeia da nossa infância, o cheiro das tangerinas descacadas ao pé da árvore (a aposta antiga: quem consegue meter mais tangerinas na boca?, catorffff, quinffffff!, os risos e os esguichos de sumo), o limoeiro rachado de tantos limões.
(aviso aos amigos: quem quiser limões biológicos, quantos quiser, já sabe onde ir)

Pôr do sol na praia do Cabedelo. Quem disse que não devemos voltar aos sítios onde fomos felizes?
Voltar, sim, e dizê-lo com riso nos olhos: fomos muito felizes aqui!

De tanto nos concentrarmos no quotidiano, vamo-nos esquecendo de festejar a vida.


***

No Modelo de Esposende havia tinto Valado 2005 por 5 euros. Havia, já não há.
E um tinto Chocapalha de 2004 que nem vos digo nem vos conto.

02 março 2007

conspiração da Amizade I

Tudo a postos!
O 2 Dedos de Conversa actualizado,
continua a ser este espaço
que a Helena mantém
com sabedoria e arte
e que faz a nossa Alegria.
Parabéns e um enoooorme Abraço

copos

Uns dizem: meio cheio.
Outros dizem: meio vazio.
Saboreio cada gole.