28 agosto 2009
as culpas do costume, ou o costume das culpas
(no Womenage a Trois)
27 agosto 2009
Reagi como seria de esperar se um miúdo de 12 anos resolve meter-se nessa vida: pensa lá bem que o que escreves na internet fica lá para sempre, e que toda a gente lê, etc.
Respondeu que não vê mal nenhum em escrever:
- "Atravessei o Grand Canyon a pé"
- "Vi o Usain Bolt no estádio olímpico a correr 100 m em 9,69 segundos e participei no delírio da multidão"
- "Assisti ao último concerto do Peter Fox em Berlim e foi richtig abgefahren"
E de repente caio em mim: isto foram algumas das coisas que lhe aconteceram nas últimas quatro semanas. E nem sequer se lembrou de contar sobre os 130 dungeness crabs que pescou numa baía de Oregon.
Ao que eu cheguei: é pelo twitter do meu filho que me dou conta de que o Verão 2009 lhe saiu fenomenal.
tomatinas

Imagens de satélite da região de Almeria em 1974 e em 2000. Na foto da direita, as manchas brancas são estufas.
(foto: aqui)
Não consigo deixar de ligar estas imagens. Penso nos leitos de rios espanhóis completamente secos, na poluição ligada à produção agrícola industrial, nos apoios à agricultura que permitem produzir tomate a um preço suficientemente baixo para que se possa desperdiçar assim, e noutros detalhes igualmente irrelevantes.
Imagino o que pensarão aqueles africanos que se largam ao mar para tentar entrar nesta Europa onde, no espaço de uma hora, se destroem cem toneladas de tomate.
Sim, eu sei: turismo, interesses económicos, tradições culturais, não serão cem toneladas de tomate que vão acabar com a miséria na Índia, e não será por causa destas cem toneladazinhas que os rios que nos chegam de Espanha vêm mais secos e poluídos, etc.
Pois - mas estas coisas irritam-me. Ando eu aqui cheia de preocupações ecológicas, a comprar produtos biológicos da minha região, e até me disponho a pagar o dobro do preço para isso (sim, é curioso: quanto mais locais, mais caros são os produtos agrícolas; muito eu gostava de perceber como é que as maçãs da Nova Zelândia conseguem chegar cá mais baratas que as do lago Constança), para esta gente desperdiçar assim tomate produzido com graves custos ambientais.
...Mas escuso de me irritar demasiado. Quem, como eu, deu a volta aos EUA em quatro semanas, escusa de falar muito alto da pegada ecológica dos outros.
26 agosto 2009
diz o ditado que as visitas são como o peixe...
Pois bem: durante uma semana tive aqui um par de sardinhas portuguesas, e estou desconfiada que levaram o tratamento da comida de astronauta: superleves e inodoras.
hei-de averiguar o nome deste jornalista
Contava o jornalista que, de um momento para o outro, deu aos partidos da oposição uma febre de indignação (e passa excertos breves de entrevistas a políticos, "estou chocado!" diz um, "é uma pouca-vergonha!", diz outro, "um abuso!", acrescenta o último). E tanto horror, porquê? Porque, por iniciativa da Angela Merkel, o presidente do Deutsche Bank festejou o seu 60º aniversário na Chancelaria. O incidente já tem uns meses, o próprio presidente contou há algumas semanas na tv, todo satisfeito (e passa o filme), que a Chanceler lhe terá dito que podia convidar 30 pessoas para a festa. Mas só agora, diz o jornalista, é que aos partidos da oposição deu uma febre de escândalo. Dizem eles que a Chancelaria é o lugar mais nobre do poder político alemão, e que não pode ser utilizada para festinhas privadas.
Passa nova entrevista, desta vez com um habitué das festinhas na Chancelaria. Que no tempo do Schroeder e do Kohl era o que mais havia, e que eram bem mais opíparas que a da Merkel, e que se bebia mais e até bem mais tarde. E que não é propriamente uma festa privada, porque por norma o Chanceler tem uma palavra a dizer sobre a lista de convidados, e aproveita o jantar para debater informalmente com algumas figuras importantes da sociedade alemã.
Conclusão: a oposição está a usar um não-caso para, quase à boca das urnas, produzir um escândalo artificial capaz de movimentar alguns votos.
Hei-de averiguar o nome deste jornalista, a ver se está disposto a ir fazer uns cursos de reciclagem em alguns jornais portugueses de referência...
21 agosto 2009
apontamentos de viagem: as muitas aventuras de voar
Na foto: Berlim, a caminho do aeroporto, cinco da manhã.
Crianças com trela nos aeroportos.
Quando pensava que já tinha visto tudo, vejo nos aeroportos crianças (uma delas era um bebé que mal conseguia andar) presas por uma trela a um dos pais.
Nos aviões americanos, saboreio a futilidade dos catálogos oferecidos na bolsa da cadeira, cheios de produtos que não servem para nada. Uma diversão e muitas surpresas: não há limites para a criatividade do mercado.
Desta vez, o que me surpreendeu realmente foi a amoralidade de alguns produtos. O aparelho que emite automaticamente sons insuportáveis para ouvidos caninos sempre que o cão do vizinho começar a ladrar. Ou o GPS que responde às perguntas "is your teen speeding? what are your workers doing? where is your beloved one?" (gostei especialmente de chamar "beloved one" a quem se quer controlar).
Este primeiro contacto com os EUA 2009 foi desagradável, mas rapidamente melhoraria.
A comida da KLM está muito boa. A da Air France também - e vem com champanhe, o que deu muito jeito sempre que o avião entrava em zona de turbulência sobre o Atlântico...
Nos voos nacionais americanos, mesmo nos de costa a costa, o serviço de refeições não é incluído no preço do bilhete. Geralmente é um conjunto mal-amanhado e caríssimo de snacks - mais vale levar um farnelzinho. Vale tudo, excepto ter vergonha: já entrei num avião americano com uma caixa de pizza.
Inovação recente nos voos nacionais: taxa extra para cada mala (excepto a bagagem de mão) e grandes multas para malas demasiado grandes ou pesadas. Parece que querem mesmo reduzir os custos de combustível. Apanhámos um susto - nós, com as nossas tantas malas cheias de equipamento de campismo e roupa para 4 semanas em cenários diversos (caminhadas no deserto, pesca em Oregon, o frio de San Francisco e o calor de Washington DC)! - mas tudo se resolveu: dissemos que estavamos "on an international trip", frase mágica.
Frase mágica, aprendiz de feiticeiro... Na viagem de Portland para Washington DC apliquei a fórmula para poupar 45 dólares, correu tudo bem, e larguei a bagagem toda satisfeita por o truque ter resultado mais uma vez. A caminho da sala de embarque, tive um pressentimento. Corri para as malas, ainda na banda para o controle de segurança, e verifiquei a etiqueta: nós íamos para Washington, mas elas iam para Berlim. On an international trip, claro.
Os miúdos encheram-se de admiração: "como é que te lembraste disso?"
Hehehe, conseguir impressionar adolescentes é obra.
E: hehehe, safei-nos de boa. É que, para evitar as multas das malas grandes e do excesso de peso, fazíamos as viagens de avião com a nossa roupa mais pesada (um dia que me queiram anular o passaporte português, lembrem-se desta atenuante). Nem quero imaginar o que seria passear com as botas de montanhismo, durante uma semana, numa Washington de calor sufocante...
***
Funcionário no check-in: "Vêm da Alemanha?"
Eu: "Sim."
Ele: "Gosto muito da Alemanha, mas odeio o vosso sistema de medidas."
Eu: "Porquê?"
Ele: "Os metros são muito curtos e os litros são muito grandes."
Eu, com um grande sorriso: "Pois. Sabe, o país é pequeno, mas a cerveja é muito boa!"
Os miúdos, um pouco mais tarde: "Ó mãe, estavas a flirtar com o homem?!"
Eu: "Não, estava só a tentar poupar 200 dólares."
(Pronto, está bem, reconheço, nem sei como é que me deixam ser mãe. Mas pelo menos não ando com eles presos a trelas.)
19 agosto 2009
no caso português, "Watergate" é um belíssimo nome...
Mas também lhe podiam chamar Tablegate. Curioso, eu diria que as camas são sítios perigosos para o poder, mas parece que o calcanhar de Aquiles português está mais para os lados da mesa - há tempos, era um que foi convidado para se sentar no lugar da outra; agora é um que se sentou sem ser convidado.
Estou que só me lembro daquela frase célebre do Nicolau Breyner: que mais irá nos acontecer?
Esperemos então pelo dia em que seja notícia alguém ter-se sentado no lugar que lhe estava reservado. Já falta pouco.
gostar dos EUA (2)
Elegantes, melhor dizendo. Era um gosto deixar passear os olhinhos por elas todas, discutir com os filhos qual era a mais bem vestida. "Aquela está um bocadinho excessiva", dizia a Christina; "não, está perfeita", retorquia o Matthias. E eu a fazer contas de cabeça, "quando for grande, quem me dera ser assim..."
Também vimos muitos homens com sapatos de pele em vez de sapatilhas de desporto a acompanhar o fato.
Vá, ainda não chega ao metro de Roma.
Mas recomendo.
18 agosto 2009
gostar dos EUA (1)
Li numa revista americana a referência a este vídeo e fiquei curiosa. Na altura, o público já ia em nove milhões. Três semanas mais tarde, são vinte.
(O mais certo é ter corrido em tudo o que é blogue português, mas não irei verificar)
O artigo contava que ensaiaram à pressa, em menos de duas horas.
Puseram na internet para partilhar com os amigos, mas parece terem tocado num ponto sensível do público.
Após a surpresa inicial, o casal aproveitou o sucesso para divulgar um fundo contra a violência doméstica e pedir donativos.
Vejo, e gosto de tudo: a alegria, o ritmo, a espontaneidade - e a generosidade de aproveitarem o sucesso para apoiarem uma causa importante.
17 agosto 2009
receita para perder 5 kg em 4 semanas sem fazer dieta
Não falha.
Na última semana, andava literalmente com as calças nas mãos. Escorregavam-me.
Perguntei aos miúdos como é que se chama aquele estilo de usar as calças pela anca, de modo a mostrar as cuecas (estava a tentar dar a volta por cima), e eles responderam em uníssono:
"pateta".

