Resolvi fazer uma açorda para o meu jantar, que comi sozinha. O problema é que, de momento, estou sem paladar nem olfacto devido a uma infecção respiratória (sim: temos máscaras, não se preocupem).
Por acaso, agora que penso nisso, podia ter poupado o trabalho de dourar o alho e cortar os coentros: sem paladar nem olfacto, bastava-me cozinhar o pão, já estava a andar. Mas não, fiz tudo certinho como se valesse a pena, tudo como deve ser, e até deitei sal e tudo.
Por azar, justamente quando estava a provar, esqueci-me que estava sem paladar. Por não me saber a nada, deitei mais sal. E mais um pouco. E mais.
No final, comi tudo, sem saber se estava bem ou mal temperado. A única coisa que posso dizer com confiança é que a consistência estava boa, ao menos isso. Mas: e o sal, o sal?
Agora estou a pensar na prova dos nove deste meu caso: se esta noite tiver um ataque de tensão nos píncaros, então é porque estava mesmo salgado! (Noves fora, zero.)
Amanhã darei notícias cá desta minha aritmética.
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