Ainda a propósito do debate entre o Pacheco Pereira e o líder do chaga, várias pessoas criticaram o meu uso de "porco" para falar deste. Coitados dos porcos, que não merecem, dizem eles...
A gente habitua-se às imagens, e depois é um sarilho para aprender a exprimir-se de outra forma.
Mas pronto, revejo a frase de George Bernard Shaw que está na origem desta maneira de falar, e fica assim:
Nunca lutes com uma ténia - vais acabar no intestino grosso, e a ténia vai gostar muito de se encontrar contigo lá no seu habitat natural.
Agora que penso nisso: o Andrezito é mais ténia que alforreca, não acham? A ténia também não tem coluna vertebral, mas a alforreca anda nas águas limpas do mar, ao passo que a ténia prefere os piores líquidos que a humanidade tem para oferecer, literalmente falando.
Alguns amigos acrescentaram, a favor desta comparação: a ténia é um parasita, agarra-se, e custa muito a sair, e é um ser solitário - condiz com o partido de um homem só.
Mas teimo: gosto mais do som frrrc de "alforreca" - tem algo orgânico, uma tensão que reflecte o meu desprezo por ele de forma mais intuitiva que "ténia". E veja-se o modo como uma alforreca se mexe na água: a total ausência de coluna vertebral, a consistência gelatinosa, as bolsas de veneno.
Além disso, o "al" em alforreca é sempre útil para lembrar ao bestunto que estamos muito próximos dos estrangeiros que ele nos quer pôr a odiar.
Racionalmente, "ténia" é a imagem mais adequada. Emocionalmente, gosto mais de dizer "alforreca".
Mas o melhor de tudo, na verdade, era poder chamar-lhe dinossauro:
espécie extinta.
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