12 março 2026

cambia, todo cambia

 


A dona deste jardim costumava varrer as folhas de outono, ficava apenas o musgo verde de onde brotavam estes crocus. Milhares e milhares e milhares deles, uma festa.
Entretanto ficou com problemas de mobilidade, as folhas do outono passado ainda lá estão. Os crocus também, mas, no meio daquele castanho apodrecido, a festa não é a mesma.
Um dia, esta senhora há-de morrer, como morremos todos, e a casa será imediatamente vendida, para construírem no seu lugar, e por cima destas flores, um prédio sem graça nenhuma com apartamentos a vários milhões de euros cada um. E uma cerca de plástico para não deixar ver o jardim. "Todo cambia" na voz da Mercedes Sosa: vídeo.

1 comentário:

bea disse...

Bom, esta noite pensei quase o mesmo. Não em relação a um caso particular, mas acerca da maioria das habitações que existem hoje e ainda são térreas ou quase. São edifícios construídos para casa de habitação, têm 50, 40, 30 anos e um jardinzinho tratado com desvelo; por vezes hortas com árvores. E não vai haver outra geração a preservá-los. Os herdeiros preferem o vil metal e vão dividi-lo e empregá-lo em fracção de apartamento ou coisa semelhante. Ou apenas a viver melhor, com mais viagens ou mais refeições em restaurante, ou jogam no casino a herança, sabe Deus que mais. Hoje, vários desses pequenos jardins e até das habitações denotam o mau estar do(a) proprietário(a). Não basta amar as flores e as árvores, é também necessário ter força para tratá-las, pagar o jardineiro é luxo não acessível à maioria.
É como diz, todo câmbia. Melhor ou pior, teremos que nos adaptar à realidade.
Bom Dia!