Esta semana, o candidato dos democratas-cristão alemães, Merz, decidiu chantagear os outros partidos democratas: "eu é que sei o que tem de ser feito, e se não for convosco então paciência, será com os fascistóides, mas o que tem de ser tem muita força".
Na quarta-feira, os fascistóides adoraram: uma vez na vida, tiveram poder no Parlamento federal, depois de anos a serem simplesmente os arruaceiros do pedaço. E a recomendação de tratar os refugiados de forma mais dura foi aprovada. O que não servia de nada, porque era apenas uma recomendação.
Na sexta-feira, o braço de ferro de Merz com os partidos democráticos continuou, desta vez com uma proposta de lei: "eu é que sei o que é certo para o país, e vocês arranjem de votar favoravelmente, caso contrário são os fascistóides que aprovam a lei e a culpa é vossa."
Desta vez correu-lhe mal: até deputados do seu próprio partido votaram contra, a lei não passou, e Merz está a ser alvo de críticas muito sérias.
Hoje, ao encontrar este filme nas minhas memórias do facebook, pensei no Merz, na sua política de ser forte com os fracos - os fracos: estes que fugiram a cidades destruídas pela guerra, que fogem a regimes ditatoriais - e no "cristão" no nome do seu partido.
Há dias, um amigo meu, ateu, falava da situação desses refugiados: endividam-se muito para além das suas possibilidades, correm riscos terríveis para conseguir chegar à Europa, e o seu caso é entregue a um funcionário que trabalha das 9 às 5 a decidir questões de vida e de morte.
Como se sente uma pessoa ao receber um papel onde está escrito "não", sem apelo nem agravo?
Não tenho soluções nem propostas. Apenas queria dizer que usar de ainda mais dureza para com estas pessoas é incompatível com o nome "cristão".
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