13 junho 2013

não temos medo dos medrosos

Simpatizo muito com o sr. Carlos Costal: no momento em que perde a cabeça e comete um crime que - nestes tempos em que o poder político se sente tão inseguro - é gravíssimo, diz (segundo os informadores à paisana - volta, STASI, estás perdoada) "chulo" e "malandro", em vez de dizer o habitual "filho da puta".

No facebook há uma página para fazer uma vaquinha que pague os 1300 euros da multa. Para já, pedem que se "goste" da página. Depois dirão como vão recolher o dinheiro. Que venha por aí um movimento, e que seja este o seu santo e senha: "não temos medo dos medrosos".

A nossa voz vale mais que isso: 1300 para pagar a multa



PS. (à atenção da Presidência da República)
Recentemente, na Alemanha, por causa do favor de uns juros ligeiramente mais baixos no crédito para compra de uma casa, e por ter tentado pressionar um meio de comunicação social, o presidente da República foi obrigado a demitir-se. Normalmente estas coisas resolvem-se imediatamente, mas a Angela Merkel andava muito ocupada com a crise do Euro e não tinha cabeça para mais esse problema (isto sou eu a pensar). Durante as poucas semanas entre a notícia do negócio obscuro e a renúncia ao cargo houve um aceso debate público, no qual se chegou a afirmar que cada dia que ele se mantinha no cargo era um retrocesso e um golpe para a Democracia. Houve várias manifestações em frente ao palácio presidencial, nas quais os alemães agitavam sapatos no ar, em sinal do mais absoluto desprezo por aquele presidente. Não foi preciso polícias à paisana denunciarem - as próprias televisões filmavam e passavam no horário nobre. Ninguém foi preso, ninguém pagou multa.
O presidente saiu, finalmente, e trataram logo de mudar a lei que concede a ex-presidentes uma boa reforma, além de gabinete, secretária e motorista - para que os contribuintes não estejam a pagar a quem sai nestas condições.
Mas afinal quais foram os graves erros que ele cometeu e justificaram tanto desprezo e tamanho castigo?
Estes: com a ajuda de um amigo banqueiro, comprou uma casa a juro ligeiramente mais baixo que o corrente - o que é gravíssimo, porque um político não pode dever favores a empresários (não preciso de continuar a fazer o desenho, pois não?); e quando soube que ia sair nova reportagem sobre o caso, telefonou ao director de um jornal pedindo que a notícia saísse só após o seu regresso à Alemanha, já que andava em visita oficial no estrangeiro e a essa distância não podia reagir. Infelizmente o director não estava, e ele deixou um recado muito exaltado no atendedor automático de chamadas. "Só por ser tão burro", diziam os alemães, "já não merece ocupar aquele lugar".

5 comentários:

Paulo disse...

Mas isso aconteceu num país onde existe a noção de vergonha.

(Acho que estou a repetir-me)

Carlos Azevedo disse...

Há que reconhecer: somos muito pouco exigentes. E o «vosso» PR era, de facto, muito burro!

Carlos Azevedo disse...

(já o «nosso»... enfim, não há palavras que o descrevam plenamente)

Helena disse...

Carlos,
é verdade: não se acredita que o homem deixou uma mensagem irada num gravador de um jornalista!
Em compensação, o que temos agora dá mesmo muito gosto.
Feliz país que gosta muito dos seus presidentes, e manda passear os que não o merecem.

António Jesus Batalha disse...

Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
decerto que virei aqui mais vezes.
Sou António Batalha.
Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.