01 maio 2013

keep up the good work

Mesmo a propósito do 1º de Maio: um filme contra a "religião do trabalho".




For the modern human being work means more than just making a living: work is self-affirmation and a social link. For some it’s like an addiction and just as important as oxygen. It even gives answers to the former religious questions of human existence: Who amI? What is the meaning of my life? And what am I leaving behind after death?
Answer: Work and the success of it!
This satirical and essayistic docu-fiction undertakes a journey to the roots of our religion called ‘work'. Where are the beginnings of this undisputed faith and belief? Why is it so difficult for us nowadays to leave this ‘road’? And who are the gate keepers and profiteurs of this deep belief in work?!
This cinematic journey wants to show new perspectives, visions and alternatives for the working society here and worldwide. So KEEP UP THE GOOD WORK is an essayistic, philosophical and also investigative film about work, its history and its myth. (daqui)



Os vídeos são em alemão. E eu, muito no espírito do filme, hoje não me dou ao trabalho de os traduzir.





(Está bem, está bem, traduzo bocadinhos: um realizador de Colónia fez um documentário a propor que se trabalhe menos. Quer acabar com a moral do trabalho - ou diminui-la, pelo menos. A nossa sociedade é a mais produtiva de sempre, mas as pessoas estão esgotadas como nunca. Parece que o Martinho Lutero tem alguma culpa no cartório: reduziu os feriados de 156 para 2 (nota da tradutora, que não consigo evitar, hehehe: se estão bem lembrados, a Angela Merkel é protestante).
Esta "religião do trabalho" está intimamente ligada ao capitalismo.
O teste do leito da morte: quem é que, ao morrer, pensa "devia ter ficado mais tempo no escritório"? Ninguém!
Etc.)

16 comentários:

Maria Miguel D. disse...

E a banda sonora, please?

Helena disse...

No primeiro é propositado: só se começa a ouvir depois de 17 segundos.

De resto, parece-me tudo normalíssimo. Não está a conseguir ouvir nada?

Maria Miguel D. disse...

Sim, sim, já está em ordem!
Obrigada,
Maria Miguel

Rita Maria disse...

Mesmo o que eu estava a precisar hoje!

(agora punha-te aqui um link para uma série de estudos sobre como vai, objectivamente, deixar de haver empregos que cheguem para todos, mas, link tão importante que era, perdi-o...)

Helena disse...

E se todos passarem a trabalhar a meio tempo, já chega para todos? E será que se trabalham a meio tempo ganhama meio salário? Será que vamos todos ter de aprender a viver com menos?
Quanto mais olho para a lógica suicida do nosso mundo (crescer até rebentar, ser competitivo à custa de outros países) mais me parece que a solução vai ter mesmo de passar por viver com menos.
(Mas é como nas dietas: começo na próxima semana...)

Rita Maria disse...

Há três tipos de soluções possíveis:

1. Muitos estão no desemprego e os outros ganham um salário, às vezes muito bom, às vezes aceitável, às vezes uma miséria.

2. Todos trabalham menos. O rendimento é redistribuído e tu ficas a ganhar menos um bocadinho, mas eu até sou aumentada ;)

3. Há um rendimento mínimo garantido com o qual é possível viver-se (financiado pelos impostos sobre as actividades económicas) e quem quer mais trabalha (estive numa discussão na Alemanha que defendia este modelo), em regime livre.

Ou, às tantas, há quatro, cinco, seis...mas vai deixar de ser possível, a não ser que se adopte o modelo dois, ter o trabalho como organização de base da sociedade.

Helena disse...

Tens a certeza que com o ponto 2 tu és aumentada? Porque é que reduzir o trabalho vai a par com redistribuição do rendimento?
(depois hei mostrar-te a minha declaração de rendimentos, para tu perderes certas ilusões...)

Já ouvi falar várias vezes dessa hipótese 3. Seria curioso testar isso num país qualquer - mas não sei se queria que testassem isso no meu. Sei lá, se corresse mal... ;-)

Rita Maria disse...

Há uma redistribuição dos rendimentos porque....na verdade não é mesmo necessário. Quero dizer, é necessário mas não decorre da hipótese, era wishful thinking lógico...

(eu gostava de viver no sítio onde testassem essa hipótese, a 2. A três também, mas há questões prementes a que não responde pelo que penso nela com mais cuidado...a 1, conheço cada vez melhor e não gosto muito)(quanto a eu ser aumentada, não era wishful thinking lógico, era ter passado várias noites em que, para ir à casa de banho, passava pela tua garrafeira. A minha garrafeira é um baldinho que está no mesmo armário que o aspirador e os produtos de limpeza e um garrafão de azeite fantástico que, lá está, foi redistribuído pelos deuses, como sinal dos tempos que hão-de vir)

Helena disse...

:)
Por causa do teu wishful thinking dei-me conta que era preciso aumentar os salários daqueles que os têm baixos. Estou a lembrar-me de quando na minha empresa em SF a seguir ao 11 de setembro reduziram os salários para metade, e algumas das minhas colegas se viram na situação de terem de escolher entre alimentação e habitação. Não dá.

Da próxima vez que ficares na minha casa, hádes passar a usar a casa de banho junto à cozinha, OK? ;-)

Sim, é verdade que no mundo como eu acho que vai acabar por ser teremos de fazer como a França: vender parte da garrafeira, porque o dinheiro não chega para pagar as contas correntes do estilo a que nos habituámos. E habituarmo-nos a um nível de vida mais frugal.
(Mas esta semana ainda não, por favor - as Lafayette estão com uma receita especial de macarrons, chamam-se mojito e são de lima e menta...) (e logo agora que descobri a minha paixão por fudge feito em casa - enfim, feito na casa da empresa)

Gi disse...

Pois é, eu não me importava de trabalhar em part-time, mas detestava receber só metade do que recebo (e já recebo metade do que recebia há dois anos).

Outra solução possível: os que gostam de trabalhar, que acham que o trabalho dignifica e tal, trabalham; os que precisam de tempo para pensar, escrever, pintar e outras actividades criativas e improdutivas têm direito a um subsídio decente que lhes permita o otium cum dignitate.

Tá?

Helena disse...

Gi,
deve ser um problema de massa crítica: se todos decidem que o que era bom era serem criativos...

Se houvesse um subsídio mínimo para todos, deixava de haver pessoas a fazer aqueles trabalhos chatos ou custosos - como limpeza, turnos da noite, etc.

Gi disse...

Também me parece, Helena. Eu estava entre a ironia e o wishful thinking, como hás-de ter percebido...

Helena disse...

Pois. Eu é que me pus a pensar nas implicações práticas desta ideia, e cheguei aqui.

Rita Maria disse...

Eu acho que iam existir sempre pessoas que queriam ganhar mais – e depois teriam um certo número de empregos à disposição. Claro que depois a sociedade tinha de pagar mais a alguém para recolher lixo de noite do que para acolher clientes num consultório dentário das 9 às 5, mas isso também não me parece mal. O problema é que isto torna o funcionamento da sociedade baseado unicamente na cobiça – e, embora exista quem ache que ela é infalível, eu não me fiava assim tanto.

Por isso preferia uma sociedade em que o trabalho, a contribuição de cada um para o todo, continuasse a ser a forma de organização, mas tanto o trabalho como os seus benefícios, fossem distribuídos de forma mais igualitária. Agora existir cada vez menos pessoas a trabalhar cada vez mais horas, o que temos agora, é demasiado terrível – para quem está dentro da roda, a trabalhar e para quem é, e serão cada vez mais, recusado pela única forma de organização social disponível. Para algumas pessoas que já sabem que não vão nunca ter emprego, é como não fazer parte da sociedade, é uma sentença terrível. E, claro, quanto mais esse fantasma estiver presente, mais pessoas estarão disponíveis para trabalhar mais horas por menos dinheiro.


Helena disse...

Primeiro parágrafo: tenho mesmo a sensação que isso ia falhar por uma questão de falta de massa crítica. Se as pessoas só trabalhassem se quisessem ganhar uns extras, como é que se ia criar a riqueza para pagar os mínimos a toda a gente?

Segundo parágrafo: sim, tudo isso.

Rita Maria disse...

Não era uns extras, era dinheiro para além do necessário à sobrevivência - se eu quisesse viajar por exemplo, ou ter mais roupa do que a necessária. E claro que as empresas depois podiam dizer "sim senhor, mas só se vires todos os dias quatro horas", para se organizarem.

Os impostos cobravam-se sobre a actividade económica, o consumo e o lucro. Não sei se não chegariam, não consigo avaliar, porque também existiria um decréscimo natural das despesas com algumas coisas.

(de qualquer forma, continuo a preferir o segundo modelo, estou só a fazer o papel de advogada do anjo gabriel)