04 junho 2026

desaire

 

A Alemanha, o segundo país que mais contribui para a ONU, perdeu a corrida a um lugar no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O país está em choque.
E de repente começam a pipocar teses explicativas por todos os lados (os diversos partidos, os jornalistas, a sociedade civil). Uns vêm de dedo no ar "eu bem avisei", muitos criticam a arrogância de ter acreditado que seria um vencedor natural, criticam a imagem de retrocesso que este governo tem dado numa série de áreas fundamentais, como, por exemplo, a energia e o clima, criticam a forma diletante como o processo foi conduzido.
Uma crítica, contudo, destaca-se das outras, pela frequência e intensidade. Pode resumir-se com as palavras de Adis Ahmetović, líder parlamentar do SPD (parceiro da coligação governamental) para assuntos internacionais:
«Temos de nos questionar com sinceridade sobre os sinais que a Alemanha tem enviado nos últimos anos. Quem se proclama guardião da ordem jurídica internacional não pode aplicar dois pesos e duas medidas no que diz respeito ao direito internacional.»
O facto de esta ser a leitura mais frequente do fracasso nas eleições de ontem é sinal de que a Alemanha sabe muito bem que o seu "silêncio ensurdecedor" está profundamente errado. Espero que este chumbo dê ao país o empurrão de que precisava para se repensar no que diz respeito à tradição de uma aliança cega, surda e muda com Israel, quaisquer que sejam as acções do governo desse país.

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