06 fevereiro 2026

um ódio que - também a nós - mata

 

Há poucos dias, num país europeu, um jovem português ia pacatamente a caminho do trabalho quando começou a ser perseguido por cinco tipos dentro de um carro. Primeiro tentaram atropelá-lo várias vezes, e depois invadiram o edifício comercial onde ele se refugiara. Só se safou porque um empregado da loja o escondeu no armazém.
Não revelo mais do que isto, porque - apesar da insistência da polícia para que apresente queixa - esse português, num país europeu, sabe bem o risco que corre se essa gente repleta de ódio souber quem ele é.
E que fez ele para merecer a perseguição?
Tinha "ar de árabe".
André Ventura é um dos que cultiva cinicamente o ódio ao "outro" para conquistar poder. O ódio que ele espalha em Portugal é o mesmíssimo ódio que se abateu com tanta brutalidade sobre aquele emigrante português num país perto de nós.
E o político aprova: foi a Espanha dizer que as violentas perseguições a imigrantes em Murcia o enchiam de orgulho.
Esta semana, parece que a sua gigantesca máquina de propaganda decidiu que a narrativa melhor para o momento é armar-se em vítima, e apelar à consciência democrática: "Ai, ditadores são vocês, só aceitam os políticos que dizem aquilo que vos agrada..."
Que não haja dúvidas: o ódio que este fantoche sedento de poder anda a servir em doses cavalares é um ódio que mata. Ninguém está a salvo do veneno que ele e a máfia internacional com quem anda enrolado estão a injectar no mundo.
Não normalizem o ódio contra estrangeiros.
Por uma questão de princípio, como é do mais elementar sentido de dignidade, e por uma questão de sobrevivência dos "nossos": cerca de dois milhões de portugueses vivem na condição de estrangeiros.
E, se ainda não repararam: muitos portugueses têm "ar de árabe".

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