01 fevereiro 2026

"jogar"

 


Não sou muito de #jogar, mas passava belas tardes com os miúdos a jogar "Zug um Zug" (tradução: comboio a comboio, ou jogada a jogada): cada um tem uma ligação ferroviária longa (Lisboa a Estocolmo, por exemplo) e vai tentando combinar essa com outras ligações mais curtas, que existam no seu caminho, para ter mais alguns pontos. Mas é preciso ter atenção também aos outros: a ligação deles precisa dos mesmos carris que a minha? Vão acabar antes de eu terminar a maior parte das minhas?
Como jogava com os filhos, dava um jeitinho para acomodar os interesses deles: "se quiseres, vais por Bruxelas e eu vou por Colónia".

É isto.
Quer dizer: era isto, até ao dia em que um amigo nosso começou a bloquear passagens fundamentais para todos. Só pelo gosto de estragar o nosso jogo.
Nunca me tinha ocorrido que também se podia jogar assim.

Outra descoberta: o Matthias foi viver para um apartamento partilhado, levou o jogo com ele, e um dia em que nos veio visitar e o trouxe para jogarmos, eu percebi que ele estava noutro nível. Jogava com enorme inteligência, sentido de estratégia, antecipação. Fazia contas de cabeça sobre probabilidades.
E eu que só queria sentar o meu cérebro no sofá para ir fazendo confortavelmente as ligações...

Se calhar é por isso que não pode haver paz neste nosso triste mundo: porque de um lado há os que só querem fazer a sua vidinha honesta, e do outro há os inteligentes, e do outro há os cínicos, e por cima desses todos há os cínicos inteligentes.

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