Ando há semanas a hesitar se aceite o convite para ir ao casamento de uma amiga na Califórnia. Queria muito estar junto dela nesse dia especial, queria muito rever velhos amigos, queria também dar um sinal de solidariedade.
Mas depois vi como estão a tratar pessoas que querem visitar os EUA. O cientista que ia para um congresso e viu o telemóvel e o portátil apreendidos pela polícia, porque numa mensagem privada dirigida a colegas tinha falado sobre as consequências negativas das políticas de Trump para a ciência. Por exemplo.
Sou portuguesa, portanto comecei logo a pensar em maneiras de contornar a situação: arranjar um novo número de telefone, um novo email, um novo nome nas redes sociais (cheio de gatinhos e receitas de bolos). Mas a polícia ia certamente desconfiar de um histórico de apenas 3 meses e com meia dúzia de amigos.
Escrevi a um amigo de San Francisco. Perguntei: "estou a exagerar se me comparar a um judeu que fosse fazer turismo na Alemanha em 1933?"
Respondeu: não é exagero, infelizmente.
A minha amiga vai ter de casar sozinha. Não vou correr o risco de ser retida no aeroporto, à entrada dos EUA.
Que nos sirva de alerta: a Democracia é uma construção quotidiana, e é frágil com um rebento de flor.
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