16 dezembro 2021

"umbigo"

 (Mais um daqueles posts de quando vou dar água sem caneco na Enciclopédia Ilustrada)

Eu hoje era para ficar calada, que a palavra é perigosa, e temia que alguém comentasse "lá vem esta com as suas histórias - seja qual for a palavra mágica do dia, para ela é sempre Umbigo", aliás, até tenho uma amiga que volta e meia me pergunta "Hellooooo, já ouviste falar na revolução copernicana, helloooo?" e eu digo-lhe logo "já sim senhora, foi aquela revolução horrível que custou a cabeça ao neto do rei-sol!"
Pois ia ficar caladinha, mas apareceram aí uns colegas a falar de umbigada e eu lembrei-me que quando dançava no NEFAP (o núcleo de etnografia e folclore da academia do Porto) tínhamos uma dança que era uma pouca-vergonhice. Passei a manhã à procura do nome e da descrição da dança, mas não encontrei, nem na internet nem na minha cabeça. Isto está mau: se já nem me lembro do que aconteceu há trinta anos, é sinal de que o Alzheimer vai em adiantadíssimo grau.
Só me lembro, vagamente, de ser uma dança da região do Porto, de ter influências das danças palacianas que os franceses trouxeram na altura das respectivas invasões (muito gostava eu de saber quem terão sido as galdérias que foram dançar com os franceses depois da tragédia da ponte das barcas!) e que aquela parte de se achegarem os homens às mulheres e darem uma marradinha com a barriga já é influência do Brasil. Também me lembro que os homens do nosso grupo tinham a mania de ser pequenos, de modo que não me acontecia bem uma umbigada, era mais o meu umbigo no peito deles, ou assim, o que em termos de sugestão de erotismo é, digamos, um segundo óptimo. Por causa destas e doutras é que se calhar a taxa de natalidade em Portugal anda como anda.
Em todo o caso, se alguém souber o nome da dança, muito agradeço que mo diga.
Mudando de assunto, para ficar no mesmo: às vezes pergunto-me como seria a nossa barriga sem umbigo. Menos bonita, parece-me. Uma barriga cega.

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