14 setembro 2012

eh, pá, já ando há dois ou três dias sem falar da Filarmonia...

A ver se corrijo isso antes que os clientes comecem a desconfiar que a casa ardeu.



Ontem fui a um dos concertos da Musikfest - a Rundfunk-Sinfonieorchester Berlin com o seu Marek Janowski. A peça forte era o concerto nº3 para piano, de Rachmaninov. Antes disso tivemos de aturar quarenta minutos de Henze, mas valeu a pena (e como me lembrei de uma horrorosa sopa de tomate que me obrigaram a comer uma vez em miúda, num restaurante alentejano a caminho do Algarve, antes de me servirem um inesquecível bacalhau à Brás).
O pianista, um garboso rapaz chamado Nikolai Lugansky, tocou furiosamente. Eu sou mais Grimaud, mas dizem que ele é um expoente máximo da escola de pianistas russos, comparam-no ao seu grande ídolo, Rachmaninov, e portanto no fim do concerto, quando o público se levantou para aplaudir arrebatadamente, eu aplaudi também com entusiasmo, não vá dar-se o caso de hoje para a amanhã ele se tornar o Pizarro russo e eu ficar com a cara do único magala que ia a desfilar com o passo certo.

Os Lunchkonzerte no foyer da Filarmonia já recomeçaram. Estive lá na terça, e foi excelente: Wies de Boevé no contrabaixo, Tomoko Takahashi no piano, peças de Haydn, Beethoven e Glière.
De Beethoven, tocaram as "12 variações sobre Ein Mädchen oder Weibchen".

Tema original:


Variações:


A última peça foi de Reinhold Glière - que eu nem conhecia. Quatro peças para contrabaixo e piano, op. 9 / op. 32 (1900/1908). Gostei muito - embora às vezes se aproximasse ligeiramente do género filme, que ultimamente me anda a enervar porque a Klassik Radio Berlin agora deu-lhe para aí, e uma vez ou duas tem graça, mas por sistema dá fastio, e se me lembro que daqui a nada vão começar com a música de advento fico tomada de um cansaço que nem vos digo.



Então era isto.

4 comentários:

Carla R. disse...

Já tens cadeirinha com o teu nome, não tens ?
Prometes-me que da próxima vez que for a Berlim, levas-me contigo ? Vou evitar a Páscoa, prometo.

Helena disse...

Levo, pois!
Mas não tenho cadeirinha com o meu nome. Provavelmente tenho é o meu nome numa lista de indesejados, de tanta confusão que lá provoco. Por exemplo, comprar os bilhetes mais baratos, e depois ir sentar-me nos lugares (ainda) vazios dos lugares melhores...
(não contes a ninguém)

Paulo disse...

Entre a Grimaud e o Lugansky ainda prefiro a Argerich. Mas gosto muito do russo, Helena. A primeira vez que o ouvi foi no CCB, na Festa da Música Russa, era ele novinho, estás a ver aos anos que isso foi! Tocou um dos Rachs, não me lembro se o 2 se o 3. O outro foi interpretado por Nelson Freire. Lembro-me que o entusiasmo (meu e do restante público) por Lugansky foi extraordinário. Depois disso voltei a vê-lo na Gulbenkian e gostei sempre muito, principalmente quando tocava Rachmaninov.


(E eu sei bem do que a Helena fala. Ai, que não era para contar.)

Helena disse...

Paulo,
é isso mesmo: ele deixa o público completamente arrebatado. Näo me lembro de ter sido assim com a Grimaud, quando a vi em Maio ou Junho passado.

(o que é que tu sabes, que eu näo sei?...) (hehehe)