26 fevereiro 2020

"Polaroid"

Gostei de ler este post que publiquei há 3 anos na Enciclopédia Ilustrada, quando a Polaroid festejava 70 anos, e por isso partilho aqui:

Uns meses depois de ter vindo morar para a Alemanha, fui viver em casa de amigos que tinham uma recém-nascida e um filho de 3 anos. A mãe era colega do Joachim na universidade, e o meu trabalho era tomar conta dos pequenitos enquanto ela ia às aulas. Numa dessas manhãs, enquanto a bebé dormia, fiz com o rapazinho uma Polaroid de Lego. A objectiva com uma janela, o compartimento para o rolo (melhor dizendo: para os quadradinhos de papel cuidadosamente arrumados) protegido por um portão de plástico, bendito Lego que tudo permite. Ficou uma Polaroid muito catita. 

Passámos a manhã a tirar fotografias. Ele escolhia o motivo, fazia a fotografia, tirava da máquina um dos quadradinhos de papel, e desenhava a cena que tinha fotografado. Depois eu fazia o mesmo - porque só tínhamos uma Polaroid, tínhamos de a usar à vez.
 

À noite, quando o Joachim chegou para jantar connosco, a mãe do miúdo mostrou-lhe a nossa máquina fotográfica e a exposição de fotografias (uma bela colecção) e disse:
 

- Joachim, tens de casar com esta mulher!
 

Seu dito, meu feito. E já lá vão quase 25 anos. Mas nunca mais fiz nenhuma Polaroid. Coitado do Joachim, casou ao engano.

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E para terem um post como deve ser sobre este tema, roubo o trabalho de uma colega:

"
#POLAROID, para mim, tem um nome: ANDREI TARKOVSKY.
Sublime."




3 comentários:

kiki de Brito disse...

Que maravilha, ele não casou enganado ;)

jj.amarante disse...

Fez-me sorrir.

Helena Araújo disse...

Obrigada, Catarina. :)

Obrigada, jj. amarante. Até a mim faz sorrir: às vezes a minha vida parece um filme. :)