18 julho 2026

o exemplo que damos

 


Não sei se vos diga, se vos conte...
Jens Spahn, um dos políticos mais importantes da CDU alemã, que era ministro da Saúde no tempo da covid e agora está à frente do grupo parlamentar da CDU-CSU, anunciou há dias, todo contente, que a família aumentou: ele e o marido têm agora um bebé.

Acontece que o bebé foi gerado em "barriga de aluguer" nos EUA, e "custou" mais de 100.000 euros.

O problema é que Jens Spahn tem sempre apoiado a posição do seu partido, que não permite legalizar nestes país a gestação de substituição, por motivos éticos e por causa do risco de comercialização do corpo da mulher e da maternidade.

Agora que lhe tocou a ele próprio, o que argumenta?

Que esteve durante muito tempo dividido sobre essa questão, que a decisão foi pessoal e muito ponderada, que faz uma distinção entre o ideal político e a realidade da vida pessoal [esta é mesmo de antologia!], e que não violou a lei alemã, porque foi fazê-lo aos EUA, onde é legal.

Moral da história: (são duas)
- O facto já é conhecido há mais de 24 horas. O chanceler Merz já disse umas coisas vagas sobre o caso, mas pelos vistos ainda está sob o efeito de um Xanax qualquer.

- O desafio mais belo da maternidade e da paternidade não é o modo como criamos os nossos filhos, mas como nos criamos a nós próprios, para sermos o pai ou a mãe de quem os nossos filhos se podem orgulhar.
O pequenino Spahn, que ainda agora nasceu, já foi roubado - com estrondo - nesse campeonato.

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