23 março 2026

help

 

Ontem fui ao aeroporto tratar de umas coisas (agradeço que não perguntem porque fui eu tratar de coisas ao aeroporto a um belo domingo de manhã em vez de ir dar o primeiro passeio de sol na floresta depois do inverno berlinense, porque depois vou outra vez beber uma cervejinha para esquecer, e de pergunta em pergunta é que uma pessoa acaba nas esquinas do vício) e infelizmente esqueci-me de beber um litro de café antes de sair de casa, pelo que consegui a brilhante façanha de perder o cartão do parque de estacionamento entre o momento em que o recolhi e o momento em que saí do carro. (a sério: tenho mesmo de deixar o meu cérebro à ciência, para eles fazerem experiências de marinar em café por 10 minutos, 20 minutos, 30 minutos...)
Fui logo tocar à campainha "help" da cancela da entrada, e expliquei.
- Já está de saída?, perguntou a senhora.
- Não, acabei de entrar, mas quero resolver este sarilho antes de morrer do coração com medo do que me vai custar...
- Vá à caixa de pagamento, e toque no "help" que lá tem.
Obedeci. Daí a nada tinha a mesma voz a dizer "diga lá o número da sua matrícula, vou já imprimir-lhe um novo". E daí a outro nada, um belo cartãozinho começou a sair da máquina.
Ora bem: acho que a senhora passou o resto do dia a rir só por causa da forma esfuziante como lhe agradeci. Ou, se calhar, a sorrir.
E acho que não agradecemos suficientemente às pessoas que andam por aí a tornar a nossa vida mais fácil.

2 comentários:

bea disse...

Hummm....uma vez na portagem passei na via normal da auto estrada julgando que estava a passar na via verde; felizmente as barras são de borracha e não parti o carro todo (foi na viagem stand-casa); fiz marcha atrás e tentei pagar, mas encontrava-me tão esparvecida que a senhora - sei lá qual, só lhe ouvia a voz - se condoeu e quase soletrou o que teria de fazer (várias vezes e sempre a recomendar-me calma). Não penso que a tenha divertido; antes julgo que teve pena de mim; não recebi qualquer coima apesar de ter deixado o sistema de barragem de pernas para o ar. Portanto, a ela e a tanta gente que já levou com os meus ataques de distracção e esparvecimento, sou grata a mais não poder; esperando contudo que não exista muita gente deste teor, ou a sanidade mental de muito funcionário fica comprometida.
Gostei da sua história.

Helena Araújo disse...

Que susto, passar na cancela pensando que é a Viva Verde! :(