Há muitos, muitos anos, mais concretamente: no outono de 1993, planeámos uma viagem no transsiberiano, mas depois engravidei e achei que não me dava jeito vomitar várias vezes por dia para sanitas de comboios, e fomos antes ao Egipto.
Era isso, e era também o ambiente político muito tenso que por esses dias se vivia na URSS, e nos fez temer que a situação se descontrolasse de um momento para o outro, pelo que havia que rumar a um destino mais seguro. Egipto, pensámos nós na nossa candura, alheios às bombas que volta e meia rebentavam sem querer em lugares turísticos.
(Ainda nem disse ao que venho, e já me desgracei outra vez...)
E foi assim que um belo dia demos connosco no mercado doCairo, o famoso Khan El-Khalili. Pois ali estávamos nós num daqueles pátios compridos cheios de lojas, pois ali estava o Joachim a fotografar aqueles sacos enormes cheios de especiarias de cores lindas, quando um rapazinho veio ter comigo e me deu a entender que conhecia uma loja muito melhor que aquela. Disse-me para o seguir, e eu, que não consigo recusar nada a uma criança, e além disso estava curiosa, segui. Pensava que era uma loja a cinco metros daquela - ou, vá, na loucura: vinte. Mas não. Vira aqui, vira ali, visita guiada a um labirinto vibrante de gente, cores e aromas.
(E nem telemóvel havia!)
Quando ficou claro que depois da esquina seguinte não conseguiria encontrar o caminho de regresso, disse ao miúdo que já não queria.
E ando há mais de 32 anos com esta dúvida: perdi realmente a loja mais bonita de todo o Cairo, ou perdi a aventura da minha vida de dar comigo enrolada num tapete a caminho sabe-se lá de onde, ou no fundo no fundo não passo de uma xenófoba racista preconceituosa desconfiada?
(Eis como consegui desgraçar-me duas vezes num post só...)
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