Estava aqui a pensar que se um gajo tivesse sido indecente comigo num contexto profissional em que eu tinha de comer e calar, porque se piasse lixava a minha vida profissional, provavelmente iria sofrer esse abuso em silêncio. Mas talvez não conseguisse continuar calada se visse aquele que me fez tanto mal a ser permanentemente aplaudido no espaço público.
Estava também a pensar que muita gente desconfiará que essa mulher foi paga para publicar uma mentira. O que me leva a perguntar: quantos milhões teriam de me pagar para deitar a minha vida e a minha tranquilidade a perder, passando a ter colado a mim, para sempre, o carimbo da gaja que fez queixinhas, sabe-se lá porquê, provavelmente até aceitou tudo enquanto foi subindo na horizontal, e quando já não precisava, a ingrata...
(não preciso de dizer mais, pois não? Todos sabem o que acontece às mulheres que ousam incomodar os homens.)
Não sei o que aconteceu. Ninguém sabe, excepto - provavelmente - os envolvidos.
Mas sinto-me pessoalmente ultrajada pela maneira como atacam a queixosa. É sempre o mesmo esquema de apedrejar a mulher. Hoje é ela, amanhã serei eu ou será a minha filha.
(Ah, e para os que dizem que ela só tinha de arranjar outro emprego, em vez de se sujeitar em silêncio, respondo: "a vergonha tem de mudar de lado". De um modo geral: no local de trabalho, quem está mal é a pessoa que abusa do poder que o seu cargo lhe dá. O "direito de pernada" tem de ser erradicado do perfil de um cargo de chefia. De facto, o envolvimento com um subordinado devia representar um risco real de perder o emprego de chefia. Desculpa, Michelle Obama.)
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