Em Portugal, se não me engano, foi a SIC que transformou uma experiência de uma pequena escola de cães de uma cidadezinha alemã numa "nova tendência na Alemanha: passear cães... invisíveis".
A mentira está a espalhar-se como fogo em palha seca, acompanhada de um coro de "está tudo maluco?!", "este mundo está roto, chove nele como na rua".
(Onde está a ERC quando faz falta?)
Os factos: uma treinadora de cães quis experimentar algo novo nas suas aulas. Antes de deixar os respectivos cães entrar em campo, faz alguns exercícios apenas com os donos, para que estes se concentrem bem no que ela lhes está a tentar ensinar.
Tão simples como isso.
Depois, a treinadora publicou alguns filmes desses treinos no seu instagram, e teve muitas reacções, ou seja: nasceu um novo trend na internet.
A seguir, um repórter resolveu falar do assunto, e para isso fez uma paródia: foi passear uma trela sem cão no centro de uma cidade alemã, e filmou a reacção das pessoas. No meio da paródia, incluiu algumas imagens da treinadora de cães a dar a primeira parte da sua aula, na fase ainda sem cães.
A SIC faz uma notícia onde troca a ordem dos acontecimentos (primeiro veio o curso, depois veio a sátira do jornalista), confunde um caso de trending na internet com "nova tendência na Alemanha", torna plural o que é um caso único ("a moda já tem workshops") e inventa motivações dos "praticantes desta actividade".
Irrita-me muito que no jornalismo português aconteça um desastre destes, absolutamente escusado. E irrita-me ainda mais assistir à reacção que este erro grave de jornalismo provoca nas pessoas, porque lhes alimenta uma percepção enviesada do nosso tempo.
O mundo, no triste estado em que se encontra, não precisa que andemos a espalhar mentiras que aumentam o pessimismo e o descrédito na humanidade. De modo que deixo aqui um repto a todos os que partilharam esta pseudo-notícias, e aos que comentaram com um "ai que horror!": para reequilibrar a percepção do mundo, quem comentou partilha agora três notícias positivas verdadeiras. E quem partilhou a notícia partilha dez, porque teve maior responsabilidade na propagação do mal.

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