Após as últimas eleições para o parlamento federal, aqui na Alemanha, o Christian Lindner, do FDP, andou em negociações para uma coligação com os Verdes e a CDU. Nenhum partido estava realmente interessado nessa coligação, mas era a única possibilidade de avançar com uma coligação que não fizesse da AfD a primeira força da oposição. Ao fim de algumas semanas de árduas negociações, Christian Lindner saltou fora, dizendo que não tinha condições para governar bem e portanto era melhor nem tentar. Para evitar repetir as eleições, o SPD deu mais um passo em direcção ao suicídio, aceitando formar de novo numa coligação do centro com a CDU mesmo sabendo que lhe seria fatal. Está a ser fatal, e só por causa de terem posto o interesse do país muito acima do interesse do partido, estaria capaz de dar o meu voto ao SPD nas próximas eleições.
Sempre que o Christian Lindner aparece nos noticiários a dar lições ao governo do qual ele não quis fazer parte, sinto repulsa. Este homem teve a sua oportunidade de meter mãos à obra para defender a Democracia alemã, e fugiu às responsabilidades invocando princípios. Ao recusar participar numa coligação, obrigando o segundo partido mais votado a assumir essa responsabilidade, Lindner projectou o partido da extrema-direita para o lugar mais importante da oposição. Com todas as consequências que advêm desse facto.
Lembro-me disto agora a propósito de amigos meus que anunciam que não vão votar, ou que vão votar em branco.
Bem tento entender as suas razões, mas está a ser difícil, porque olho para Trump e Bolsonaro (olho para a esquerda alemã no início dos anos 1930', profundamente dividida, com o resultado que se viu) e concluo - digam-me se estou errada - que há momentos em que a prioridade máxima tem de ser a defesa da Democracia.
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