15 maio 2013

e agora fazíamos de conta que éramos estudantes da Bauhaus naqueles tempos tresloucados...



"A felicidade é fazer uma excursão", diz o Felicidário. Eles é que sabem, e nós fazemos:  no fim-de-semana passado houve excursão de portugueses a Weimar.

Gostei especialmente de andarmos a brincar à Bauhaus. Fomos para um dos ateliers do edifício histórico, e fizemos lanternas para o nosso cortejo nocturno, à semelhança do que aquele bando de malucos fazia, vai quase para 100 anos. Quase nos sentimos assim:




Mas a realidade foi um pouco mais prosaica:






O nosso guia bem tentou levar-nos longe, desenhando o candeeiro de Wagenfeld e a Haus am Horn para nos inspirar, mas aqui a artista resolveu fazer um lampião com pacotes de leite a imitar as casas de madeira do Lyonel Feininger, estas:


Depois houve jantarada à moda da Bauhaus em 1919:

("Salada de cebola: corta duas cebolas, e vários rabanetes em rodelas finas, e um nabo em palitos pequenos; junta duas colheres de amendoins moídos, algum óleo e sumo de limão; serve a salada em folhas de couve branca")


("Teig-Götter, no canto superior à direita: mistura uma chávena de farinha de trigo integral com algum sal e água fria, até teres uma massa com bastante consistência. Põe colheres dessa massa num tabuleiro quente e leva a assar rapidamente no forno. Se não tiveres forno, podes fazer numa frigideira de ferro, e é ainda mais fácil. Ao fim de algum tempo, vira o pão.")


Chouriço de sangue e paté da Turíngia - hmmmm.


Acrescentem isto ao Felicidário: a felicidade é uma mesa com enchidos da Turíngia, e alguns legumes frescos.

Depois do jantar partimos para a nossa aventura: atravessar o parque alumiados pelas nossas lanternas. As minhas casinhas do Feininger ficaram bem mais bonitas às escuras.


A felicidade é um bando de maduros a posar para uma fotografia, todos orgulhosos dos lampiões que fizeram. Uma festa.


***

Quando íamos a meio do parque - enorme, sem iluminação e deserto -, ouvimos ao longe vozes masculinas a cantar "Ich gehe mit meiner Laterne" (uma canção que os miúdos cantam nos cortejos do São Martinho, "eu vou com o meu lampião"). Não gostei nada do tom marcial e agressivo. Temi que fosse um bando de neonazis - que los hay, em regiões mais pobres los hay. Por sorte não aconteceu nada, e chegámos sãos e salvos (e um pouco molhados de chuva) à Haus am Horn.

Aos nossos colegas de 1919 aconteceu muito. Devido a mudanças políticas na Turíngia, a escola viu-se obrigada a mudar para Dessau já em 1924 e daí, devido à chegada dos nazis ao poder em 1931, foi para Berlim onde, apesar de se ter sujeitado a certos jogos de cintura menos honrosos, não conseguiu sobreviver. Em 1933 foi dissolvida - alunos e professores espalharam-se pelo mundo, salve-se quem puder.
Não havia lugar na Alemanha para um movimento "infiltrado por esquerdistas e judeus". Ao lado da Haus am Horn construíram imediatamente "casas como deve ser" - nada dessas coisas degeneradas. Mas nem assim conseguiram parar os ventos de mudança que a Bauhaus trouxera para o país.

4 comentários:

Paulo disse...

Like.

Helena disse...

Like o teu like.
Estamos tão facebook! :)

Paulo disse...

Só queria dizer mesmo que tinha gostado e não tinha nada a acrescentar. E também gostei do novo artigo sobre Weimar, mas não o disse lá.

Helena disse...

like, like, like
:)

(ganhei esse reflexo condicionado de procurar o botão do like quando é mesmo isso que quero dizer: que gostei.)