21 março 2013

até já!


A Christina está a preparar a viagem como quem anuncia que somos os VIPs do coração dela. Pensa no que cada um de nós mais gostaria, prepara surpresas, corre as agências de viagens em busca do melhor do melhor do melhor.
Diz-me: lago Titicaca, comboio entre Puno e Cusco ("Ah!, exclama o Joachim, todo contente, "uma das linhas panorâmicas mais famosas do mundo!" - eu nem sonhava, mas ela está muito mais à frente, e trata de reservar lugares no lado certo do comboio). Diz-me "descer de bicicleta a estrada da morte" e eu veto. Diz ao irmão e ao pai "paragliding" - os olhos deles ficam a brilhar, acho que esta não vou conseguir vetar. Diz passeio de barco na bacia do Amazonas, diz Pampa: não imagino o que seja, como será - regressaremos desta viagem outros, muito mais ricos. Diz que o nosso hotel em Sucre é maravilhoso. Que vamos fazer uma daquelas viagens intermináveis de autocarro, e que já resolveu o problema dos sacos-cama.

Faz tudo isso para nós, e o maior presente não é o seu trabalho e o entusiasmo que nele põe, mas esta revelação: a nossa filha cresceu e está-se a tornar uma mulher maravilhosa.

Até já.

18 comentários:

Vítor Santos Lindegaard disse...

Boa viagem! Cumprimentos meus à Bolívia, sim?

Helena disse...

Sim, claro! :)

Maria do Ceu disse...

:) Sortuda!

Boa viagem!
Obrigada por tudo e até à volta.
;)

Santa Páscoa!
Beijose abraços.

Gi disse...

Boas férias e boa Páscoa! Bjs.

Helena disse...

Céu, Gi,
obrigada.
Boa Páscoa para vocês também!

Luna disse...

A tua Christina faz-me lembrar a minha amiga Sara, roommate em SF, que fez a américa do sul sozinha de mochila às costas aos 21 anos - também tem no curriculo um percurso em bici perigosíssímo.

Quando o meu pai foi visitar e fomos todos ao grand canyon e tudo começou a correr mal, a sara só dizia "no stress, no stress, vai-se resolver", coisa que só fazia o meu pai stressar mais.

Ainda hoje ainda se lembra da minha amiga aventureira a dizer "no stress" quando ele estava à beira dum ataque de nervos, a ver que nao saíamos dali nem ele apanhava o aviao no dia seguinte para portugal.

E não é que ela tinha razão e tudo se resolveu?

Luna disse...

p.s. lembrei-me da sara por ser a pessoa que descobria sempre tudo o mais "cool" a fazer em cada viagem.

Izzie disse...

Boa viagem, e que aproveitem muito!

(eu nem a conheço, mas que orgulho, essa filha)

Interessada disse...

Um sorriso para a Christina que soube aprender e é capaz de amar.
Divirta-se e traga-nos novidades.

António P. disse...

Boa viagem e estadia, Helena e divirta-se.
Até já

António P. disse...

Boa viagem e estadia, Helena...e divirta-se.
Até já.

camalees disse...

Boas férias e uma viagem inesquecível! Páscoa Feliz para si e os seus.

snowgaze disse...

Boas ferias, e muitas aventuras. :)

Helena disse...

Obrigada, obrigada!
Até agora está tudo a correr bem, excepto que quase íamos perdendo o aviäo em Amesterdäo, e as nossas malas chegaram dois dias depois. Mas chegaram, e tudo está bem quando damos com a malas a rir-se para nós num aeroporto minúsculo no fim do mundo.
Neste momento escrevo em frente à janela onde a Christina fotografou o por do sol deste post.
Estamos óptimos, e sentimo-nos sobretudo muito gratos por esta filha que se manda à descoberta de terras novas, e nos chama a ir conhecer mundos de que nunca nos teríamos lembrado. E é um país täo rico! estou fascinada com a sua cultura.
Hoje estivemos a ver os meninos dela, ajudámos a dar de comer, brincámos com eles... Amorosos. Querem-me contratar para ficar aqui, e eu estou a pensar que se calhar fico. É que a comida é muito boa!

antonio disse...

Ola Helena, wie geht´s?

Ontem foi um dos mais tristes dias da minha vida.

Foi um dia em que se rasgaram sem pudor os conceitos mais básicos do direito.

O dia em que se meteram no mesmo saco mafiosos russos, cidadãos estrangeiros residentes em Chipre que escolheram ali viver aproveitando o seu clima moderado e muitos milhares de cidadãos cipriotas que se esforçaram e pouparam durante as suas vidas. Tudo metido no mesmo saco, que é o princípio básico do desrespeito por cada um e da falta de direito de todos. Bastava que houvesse a suspeita de existir um único cidadão grego decente, para que não se pudessem meter todos no mesmo saco, E certamente haveria mais do que um.....

O dia do confisco, palavra suave para designar roubo. Porque não se tratou de um imposto, já que não houve nenhum facto posterior à sua criação, que assim o determinasse.

O dia em que se rasgou um princípio básico do direito e em que não vi nenhum pudor, nenhum traço de vergonha, por parte dos políticos que tomaram tal decisão.

Nenhum pedido de desculpas aos milhares de vítimas inocentes que ontem foram espoliados!

No limite dos limites, face a uma iminente falência do sistema bancário, e perante a recusa da Europa em apoiar de outra forma o sistema bancário cipriota, talvez não houvesse alternativa.

Mas nem um pedido de desculpas às centenas de milhares de vítimas inocentes que tal decisão acarretou? Quem são, de que estofo são feitos aqueles senhores que decidem sobre a nossa vida e sobre o nosso futuro e a nossa miséria, que nos exigem seriedade e transparência e que se comportam como uns salteadores de estrada sem escrúpulos?

Ontem não foi o fim de nada. Ou talvez tenha sido. Sim foi o fim da ilusão de que a Europa era um Espaço de Direito. Mas ontem foi sobretudo o principio de que passou a valer tudo e de que quem não nos governa já não tem pudor. Ontem pode ter sido o dia em que se queimaram os livros em Berlim.

Ontem foi o dia em que se soube, se duvidas houvesse, que somos todos súbditos alemães. De 2ª, claro. É que é a Alemanha que manda. Ontem foi o dia em que também se soube que o dinheiro de milhares de portugueses o deixará de ser quando ocorrer a próxima crise sistémica. Que não há de demorar muito, tal a desconfiança que se irá gerar no sistema e a falta de horizontes na Europa. Ontem foi o dia em que gritei, com o coração em Nicósia, Ich bin Cipriota, como J.F.K o fez em Berlim há 50 anos.

Ontem foi um dos dias mais tristes da minha vida.

--

Carla R. disse...

Uma vez disseste que querias ser minha filha, estavas a brincar, claro, mas agora, muito seriamente te digo que quero ser mãe da Christina !

Helena disse...

António, ainda está aí?
Percebo o seu desalento, e concordo que é gravíssimo não terem salvaguardado as poupanças menos avantajadas, mas quero fazer dois reparos:
1. Ninguém tem de ser súbdito dos alemães. O Chipre, por exemplo, foi pedir ajuda à Rússia. Porque é que acabou por aceitar a solução alemã? Será que a solução russa era ainda mais dolorosa?
Por outro lado, os alemães sentem-se "súbditos" da Europa: cada país pode fazer as asneiras que quiser (para isso é soberano) mas quando os problemas aparecem, a Alemanha tem obrigação de os resolver, queira ou não queira.
A Merkel é muito criticada por dizer que não há alternativa, e que a única solução é aprovar os pacotes de ajuda. O Parlamento e o TC alemão dizem que ela não pode manipular assim os destinos da Alemanha. Se a Alemanha parasse para discutir calma e democraticamente as alternativas, os países em dificuldades entravam em bancarrota. Dizem muito mal da Merkel, mas se em vez dela estivessem os socialistas no poder, talvez as coisas corressem ainda pior. Quando ouço a oposição criticar a Merkel, não tenho nada a sensação que estejam a sugerir pacotes de ajuda a preço zero e coisas assim.
2. Temos andado a dizer por aí "que se lixem os mercados" e "deixemos os bancos ir à falência, e "é o que merecem" e "é preciso secar os paraísos fiscais". O Chipre mostrou-nos os limites da nossa retórica: por trás de paraísos fiscais, jogatanas financeiras e bancos que vão à falência há velhinhos que perdem
o seu complemento de reforma.
Estas coisas são muito mais complicadas do que temos andado a pensar.
E mais uma coisa: tenho a certeza que um dia destes isto vai rebentar a sério. Nessa altura, por causa dos pacotes de ajuda que a Merkel tem andado a obrigar o Parlamento a aprovar, os alemães verão a sua dívida aumentar uns 30.000 euros per capita. Não tenho a menor dúvida de que, para a pagar, irão buscar parte das minhas poupanças. Somos todos cipriotas, sim.

Helena disse...

Carla,
espera a tua filha crescer, e vais ver que afinal sempre foste "mãe da Christina"!
(mas para já, se quiseres dar a volta ao mundo, ela pode dar-te bons conselhos para a parte da Bolívia e do Peru) ;-)