27 setembro 2012

happening

A propósito deste post da Rita (vão ler, vão ler) e da famosa fotografia da miúda gira abraçada a um polícia giro, ocorre-me que os nossos jovens nascidos e criados ali para os lados do facebook e da reality tv se entendem um pouco como um cartaz, um happening de si próprios.

Não me apetece decidir se está bem ou mal. Sei apenas que as nossas críticas à miúda que abraçou o soldado se baseiam em valores e referências que talvez sejam os da nossa geração cota, mas não são os dela. Estamos a fazer projecção e exigência anacrónica.

Vá, não compliquem, relaxem numa boa, fiquem cool e saboreiem a beleza do momento.
Era mesmo só isto:



(Ainda a propósito das críticas, gostei muito de um comentário no post da Rita: "A sorte foi nunca terem esmiuçado a intelectual que resolveu oferecer cravos aos soldados... se fosse hoje em dia estava lixada.")

12 comentários:

Paulo disse...

(Também gosto desse comentário.)

Luna disse...

Helena, bandeira branca? :)

Luna disse...

E sobre o assunto, acho que já disse tudo o que tinha a dizer. O que mais me chocou foi a violência dos comentários e acusações à miúda - que é uma miúda! - que de repente passou de bestial a besta, uma cabra oportunista que saiu do algarve com tudo isto planeado.
A única forma de agradar ao nosso povo moralmente imaculado seria, provavelmente, se a seguir decidisse ir para a India viver com uma comunidade de leprosos levando apenas a roupa do corpo e umas alpercatas.

Cristina Torrão disse...

Depois da "geração rasca" e da "geração à rasca", parece que estamos perante a "geração casting show".

Tudo bem. A mocinha escusava era de ter dito que o seu objetivo é mudar o mundo. Um pouco mais de sinceridade... Será pedir demais?

Helena disse...

Luna,

Sobre o assunto: até me lembra o modo como desancam os jogadores de futebol por eles não falarem com o estilo e o QI de um Nobel da Literatura.
Tem 18 anos, caramba!
Por outro lado, pergunto-me que idade e que ética profissional teriam os gajos da Lux que fizeram aquela reportagem. Eles não perceberam que estavam a entregar a miúda para ser dilacerada por uma turba furiosa?

O "nosso povo moralmente imaculado" gosta de ver as coisas pelo lado pior possível, gosta de ridicularizar e espezinhar. É triste ver um povo a harakirizar-se assim no meio da chacota e da gargalhada.

(OK, bandeira branca. :)
(Mas olha que ao próximo "passar bem", nem com bandeira da cruz vermelha escapas!)

Helena disse...


Cristina Torrão,
Pois se calhar é... E eu calo-me muito caladinha: são eles que vão pagar a minha reforma. ;-)
Aos 18 anos, todos querem mudar o mundo. As miúdas dos concursos de misses são as primeiras. É isso, e ler o Princípezinho, e querer viajar.
Acredito que ela estava a ser sincera quando disse que queria mudar o mundo, e quando deu aquele abraço ao polícia.
Depois provavelmente desatou a misturar as coisas, como acontece quando se tem 18 anos, não se é propriamente o Daniel Kohn-Bendit, e não se tem um adulto que a saiba proteger da gulodice de um certo tipo de jornalismo.

Luna disse...

Helena,

crescer é bonito, acho eu. E acho que cresci um bocadinho. :)

Helena disse...

É bonito, pois! Larga lá essa bandeira, e vamos ali beber uma cervejinha da paz. :)

sem-se-ver disse...

ora espero bem que sim :)

(crescimento e isso :))))

Helena disse...

olha, olha - não me digas que também queres cervejinha?
Isto hoje está muito paz e amor. :)

Leonor disse...

Isso mesmo, Helena. Pergunto-me se essa gente que tanto critica a miúda terá conhecimento dos jovens de hoje em dia. Consigo imaginar algumas das minhas alunas a fazer o mesmo sem que isso lhes tire mérito algum.

Helena disse...

Leonor,
:)