09 agosto 2018

é oficial: a terra é redonda!



Está na internet, portanto só pode ser verdade: a terra é redonda.

Pelo menos é assim que o google maps a mostra agora, e até nos permite virar o globo em todas as direcções. Esta minha alma portuguesa andou a passear por aquele mundo novo e em meia dúzia de minutos fez vários descobrimentos. Por exemplo: a Gronelândia não é uma região descomunal, praticamente tão grande como metade de África (como mostra o mapa da primeira imagem). É grande, mas não maior que a Argélia. E bem mais pequena que o Canadá.

E descobri que a Europa, vire por onde virar, é minúscula.
(Por sorte estamos cá nós para a fazermos grande.) (Um bocadinho de wishful thinking por dia, não sabe o bem que lhe fazia...) 

Claro que não é a primeira vez que vejo um globo. Aliás: na casa dos meus pais havia um globo luminoso por onde fiz longas viagens e descpbertas. Mas a permanente exposição a mapas planos com a Europa no centro cria e reforça subtilmente a ideia de uma determinada ordem e dimensão. Temos informação sobre a realidade, mas deixamo-nos enganar por esta representação omnipresente. Pelo que gostei muito deste novo mapa do google, que tão facilmente se deixa girar, e troca os lugares do centro e da periferia como se fossem iguais. Um pequeno contributo para que nas nossas cabeças se comece a desinstalar a ideia de centro e periferia, e comecemos a pensar em termos de igualdade e de responsabilidade por esta redonda casa de todos. 


4 comentários:

jj.amarante disse...

Então a Helena descobriu uma coisa sobre a Gronelândia? Acha que os habitantes de lá ficaram magoados com a sua descoberta? E além desta ainda fez mais uns tantos descobrimentos? :)

Helena Araújo disse...

Sobre a Gronelândia não descobri nada.
De facto, limitei-me a descobrir mais um exemplo para uma constatação antiga: as representações condicionam o modo de pensar e de sentir.

jj.amarante disse...

Descoberta, no sentido de aquisição dum novo conhecimento, implica sempre um agente que descobre e algo que é descoberto. A própria descoberta é um ajustamento da percepção do mundo que tem o agente descobridor em relação ao que é descoberto. Para ocorrer uma descoberta não é necessário que o facto descoberto seja desconhecido de todo um grupo, uma tribo, uma nação, a própria espécie humana. A descoberta pode ser exclusivamente individual, e terá sido o seu caso em relação à dimensão da área da Gronelândia. O facto de várias pessoas, provavelmente mesmo a Helena, já saberem que a área da Gronelândia é representada na projecção de Mercator muito maior do que na realidade não anula o facto da Helena ter descoberto para si (e talvez para alguns leitores do seu blogue) que a área da Gronelândia é menor do que parece ser numa projecção de Mercator.

Zeca Gancia disse...

Dando uma adenda ao jj.amarante diria, quando se é geograficamente apto no tema da representação da Terra, é basilar a noção da escala e a projecção geóide sobre o qual se apresenta determinado mapa, para que não confundamos as realidades. O que governa o mundo para o bem e o mal, é a geopolítica, é de lamentar que muito boa gente tenha perdido o sentido das realidades físicas em detrimento de tudo o que é digital. Veja-se hoje em dia como as pessoas utilizam o GPS para encontrarem um destino, sem noção básica dos pontos cardeais!... Eles querem que sejam mesmo assim "o gado assim é rastreado e vai para onde "Eles" quiserem. A Autora tem razão pois esta iliteracia geográfica, ajuda a manobrar crenças e crendices, especialmente que todos somos iguais e todos temos de comungar dos mesmos valores e oportunidades. É tudo forjado, porque a geografia nunca deixou isso acontecer nem deixará. A luta pelos recursos que só existem em determinadas áreas e regiões assim o demonstram. Muita hipocrisia sem esconde por aí em certam mentes "brilhantes" porque coitados, não sabem de Geografia e seguem o politicamente correcto e o que lhe dão a "beber" às suas mentes desprovidas dos neurónios que se ocupam da competência da análise critica. sustentada