31 julho 2014

lei da cópia privada

(post copiado do blogue Jonasnuts, onde há imensa informação sobre este tema)




Lei da cópia privada. B, A, Bá #pl118

por jonasnuts, em 30.07.14
Vai ouvir-se falar muito da cópia privada, por estes dias. Não é novidade, há 2 anos e no ano passado foi a mesma coisa.

Como já é habitual, há-de haver muita gente interessada em misturar conceitos, em baralhar e em desinformar.

Os órgãos de comunicação social tradicional, na minha opinião, não fazem genericamente um bom trabalho a explicar o que é afinal a lei da cópia privada, e fazem copy paste de press releases que lhes chegam, o que ajuda a desinformar.

Então, afinal, o que é a Lei da Cópia Privada (que já existe e que está em vigor desde 1998)?

É uma excepção à lei do direito de autor. A lei da cópia privada permite que eu, que comprei um conteúdo, possa copiar esse conteúdo para utilização pessoal (não posso vender, não posso distribuir com intuito comercial, é o chamado fair use).

Acho muito bem que exista esta excepção à lei do direito de autor. Se eu compro um CD e quero fazer uma cópia para ter no carro, não faz qualquer sentido que seja obrigada a comprar um segundo CD. Já comprei, paguei (e muito bem) direitos de autor, pelo que para usufruir do que comprei, basta-me copiar. 

Mais, se eu comprar uma música via iTunes, por exemplo, tenho de a guardar algures, certo?

Até aqui tudo bem. Ninguém é prejudicado, neste processo, toda a gente sai a ganhar. O autor porque vendeu a sua obra, eu, que a comprei e dela estou a usufruir.

Onde a porca começa a torcer o rabo é a seguir.

Há quem defenda que a lei da cópia privada representa um prejuízo para o autor e que, por isso, este tem de ser compensado.

Não concordo. Não acho que o facto de eu copiar algo a que tive acesso legalmente (é disso que trata a cópia privada), prejudique de alguma forma os autores.

E, não satisfeitos com o erro da premissa (de que há prejuízo), os senhores que mandam acham que a forma de compensar o prejuízo (que não existe) é criar uma taxa, aplicada a todos os dispositivos que permitam o alojamento de ficheiros.

Sim, o disco rígido onde eu guardo as minhas fotos de férias, e as músicas que COMPREI, pagará uma taxa, para dar aos autores, por via do prejuízo causado pela cópia privada.

Nem me vou alongar sobre a forma de distribuição do dinheiro (vai para uma associação para a gestão da cópia privada, cujas entidades integrantes são sociedades de representação de direitos de autor), porque não acho que seja esse o tema.

O tema é a premissa.

Não há qualquer prejuízo em fazer-se uma cópia privada, portanto, não há lugar a qualquer compensação.

Tudo o resto que muita gente quererá trazer ao debate, para confundir (pirataria, defesa dos autores, remuneração justa, etc...) será folclore, areia para os olhos de uma indústria que teima em viver no século passado, não sabe (ou não quer) modernizar-se e acha que nós todos temos de pagar pelo seu conforto e pela sua tacanhez.


mãe sofre... (2)

Pouco antes do jantar telefonei para saber se o rapaz ainda estava bem. Estava, sim senhora, e tinha saído de bicicleta para ir comprar pão.
Depois fui para a vida boa com um amigo, e quando cheguei a casa já me tinha passado o medo, o nervoso miudinho e a sensação de impotência, pelo que não foi preciso dar uma palmada pedagógica a ninguém - nem ao rapaz, nem a quem lhe emprestou a bicicleta.

(Vou dar uma sogra maravilhosa, vou...)

(Adoro a expressão "palmada pedagógica". Acabei de fazer dois posts a gozar com ela, espero que tenham reparado.)


30 julho 2014

mãe sofre...

O meu filho, teimoso como sabe-se lá o quê, decidiu - à revelia de todos os argumentos que lhe deram - ir de bicicleta do Areeiro ao Campo de Ourique, e do Campo de Ourique à Estação do Oriente, e voltar de lá para o Areeiro.
Estou à espera que me avisem que chegou são e salvo, para lhe ir dar um arraial de palmadas pedagógicas que o mando para o hospital...

(Sim, este é o que vai de bicicleta para a escola desde que tinha 5 anos. E que nos últimos seis anos fazia todos os dias uns valentes quilómetros de bicicleta em Berlim. Mas - que querem? - em cada país as pessoas conduzem de modo diferente, e eu sei lá se ele conhece as diferenças das idiossincrasias dos condutores alemães e portugueses. Eu, por exemplo, ultimamente estranho que, quando o sinal fica verde, os que esperam ao meu lado só começam a avançar quando eu já vou do outro lado do cruzamento. Haverá algum motivo para os condutores lisboetas demorarem tanto tempo a arrancar, nos cruzamentos? O que é que estou a fazer errado?)


Cinemagosto - FilmFokus Portugal



Para quem se queixa que em Berlim nunca acontece nada, e também para todos os outros: de 16 a 20 de Agosto vai haver uma mostra de cinema português no cinema Babylon. Serão 50 anos de excelente cinema (documentário, animação, ficção) para contar quem somos nós, estes portugueses que a partir de 1964 começaram a emigrar para a Alemanha ao abrigo de um acordo assinado entre os dois países.
Temas da mostra (um por dia):

Nós * Nós por cá * Nós também aqui * Nós por lá * Nós por aí

Para quem acha esta descrição muitos críptica, aqui vai o caminho das pedrinhas: programa.
Para quem quer saber mais: Cinemagosto no facebook.

(Escusado será dizer que estou outra vez num daqueles momentos em que sinto inveja de mim própria)


25 julho 2014

o concerto




Na sexta-feira passada (eu sei, eu sei - notícia de última hora é outra coisa) fui ao concerto de homenagem à Elisabete Matos. O concerto.
Cheguei ao Largo com duas horas de antecedência, mas já estava praticamente cheio. E eu a pensar que era só em Berlim que o pessoal deslarga a produtividade para cuidar da cultura!
Pois bem, ali fiquei de guarda à meia dúzia de cadeiras que consegui guardar numa lateral do palco, onde mais tarde passariam todos os VIPs e os magníficos vestidos da Elisabete. Mas nem consegui ler o livro que avisadamente levara comigo, porque estava sempre a explicar aos interessados nas minhas cadeiras que "os meus filhos" só tinham ido ali beber uma água, coitadinhos, e estavam mesmo mesmo a chegar. (Este é o momento em que perco mais uma dúzia de leitores, "gostava tanto de a ler, mas agora que vejo que faz estas porcarias nunca mais cá volto". Eu e a minha boca grande...)
Os "meus filhos" (alguns deles mais velhos que eu, ele há milagres) foram chegando, a chuva chegou também, os instrumentos foram retirados à pressa, o pessoal ficou à espera a ver no que é que as coisas davam, ouvi de passagem que em Massamá chovia torrencialmente, e depois parou de chover, os instrumentos voltaram, o Primeiro Ministro entrou rapidamente em cena, a praça toda rebentou em vaias de tal maneira que as palmas do lado contrário mal se ouviam. O Joachim ficou chocado: "Portugal está assim?" Depois do concerto tentaram explicar-lhe que um ministro que chega ao poder por meio de intrigas e promessas falsas não merece o nosso respeito, mas ele continuava a achar estranho que um governante seja vaiado desta maneira. Tem sorte, tem sorte - vem de um país no qual, muito antes de se chegar à fase da vaia, os governantes vão embora pelo seu próprio pé.
O Jorge Rodrigues apresentou as peças que se ouviriam de entrada. Ao traçar o retrato de Scarpia, da Tosca, "um homem com ar de santinho, frequentador da igreja e alegadamente homem de bons princípios, mas na realidade um biltre", a praça rebentou em aplausos.  Pobre Jorge Rodrigues, sabia lá ele que as suas palavras teriam este efeito? Por sorte, o Joachim não percebeu a quem era dirigido o remoque.
O concerto começou. Fabuloso, tudo: os cantores, o Jorge Rodrigues, os coros, a orquestra, os vestidos. Se querem saber pormenores sobre a música, vão ler o Paulo, que sabe falar muito bem sobre isso (sobre este concerto: aqui aqui).
Eu fico-me pelo elogio ao Jorge Rodrigues, que era bem capaz de me fazer apaixonar pela Ópera, todas as óperas, até as de Wagner. Sobre a Elisabete, nem chovo no molhado, por causa das inundações que no caso iam dar dilúvio (mas que sorte a nossa, a dos portugueses, terem entre os seus uma cantora destas!). Não falarei dos cantores, portanto. Deixo apenas um suspiro para o Paulo Ferreira, que cantou um Calaf maravilhoso: ah, se ele deixasse aquela lambisgóia da Turandot e viesse cá cantar-me árias ao ouvido, ah, se ele quisesse vir decifrar comigo todos os enigmas do mundo...    
Mal o concerto acabou, começou uma chuva torrencial. Refugiámo-nos no café ao lado, de bem com a vida.

Avisa o Paulo, e eu repasso: o mesmo concerto, gravado no sábado, passa hoje na RTP2, às 23:06, depois de um documentário sobre a Elisabete Matos.
Vejam, deliciem-se com as descrições do Jorge Rodrigues e aquele extraordinário grupo de cantores, com a excelente interpretação das peças. Mas aviso já: no Paulo Ferreira ninguém toca, que eu vi primeiro.


12 julho 2014

férias

Desta vez estava mesmo a precisar de férias, de férias mesmo. Sem correr meio Portugal a visitar família e amigos, sem concertos nem festivais. Nem sequer me apetece fazer fotografias.
Quando cheguei, há duas semanas, pensei fazer um post "das minhas férias ve-se um rio", e contar da beleza do rio Lima ao anoitecer, as luzes doces de Viana, o horizonte sobre o mar em laranja e rosa. Puro encantamento.
Também pensei contar que tenho o meu "dia da marmota" todos os anos, no primeiro dia de férias, quando me dou conta da luz de Portugal, e é sempre a surpresa de uma primeira vez.
Mas näo escrevo, nem tiro fotografias, nem viajo meio Portugal para encontrar pessoas que me säo muito importantes.
Fico pelo meu cantinho sob as videiras, ou o triangulo das Bermudas entre a macieira, a figueira e o diospireiro. Vou até à praia, a Ponte de Lima,  a Viana.
Ontem fomos para a praia ao fim do dia. Com vinho do Douro e amigos. O sol a baixar no mar, a lua enorme a erguer-se das dunas, entre a lua e o mar os rapazes a jogar à bola com o Fox. Näo é preciso muito para tudo ser perfeito.