01 maio 2014

crianças de Etchmiadzin

No ano passado fiquei fascinada com os belíssimos ramos bolivianos esculpidos nas folhas das plantas, e dei comigo a olhar com desdém para os raminhos de oliveira europeus. Este ano descobri que na Igreja Arménia as pessoas se festejam no Domingo de Ramos com coroas verdes na cabeça. Caso para perguntar: que surpresa me reserva a próxima Páscoa?

Em Etchmiadzin todas as crianças tinham coroas verdes, e deliciaram-nos com a sua simpatia e espontaneidade.







A ouvir os sinos da Sé:


Este miúdo estava a ser filmado pelo Pedro, perante a chacota dos amigos - que ficaram muito atrapalhados quando o Pedro virou a câmara na direcção deles. Cá se fazem...





Falar para a televisão? Não há problema!


Rezar para a televisão? Não há problema!


Comecei a fotografar um grupo de meninas sentadas num muro, e uma mãe veio-me chamar para olhar também para os rapazes. Daí a bocadinho mostraram-me os miúdos de volta da câmara da televisão, e no fim alinharam-se todos, professoras incluídas, para a fotografia do grupo. Totalmente inesperado, para quem - como eu - vive numa cultura que trata com pinças as imagens das crianças.






A Ana sentou-se num murinho da Sé, e um miúdo meteu conversa com ela: "Hello, what's your name? I am Aram."
Um doce, o Aram.




2 comentários:

Paulo disse...

Tens aqui umas fotografias lindas e espantosas. E eu a lembrar-me também do medo que os europeus ganharam às máquinas fotográficas.
Em Berlim (não estavas, fui sozinho com o Ricardo), no gelado Wannsee, estavam os miúdos a patinar e eu a disparar a máquina. Veio logo um dizer-me que eu não podia fotografá-lo.
Mas não são só os miúdos. Lembras-te do coro que estava a ensaiar na Jesus-Christuskirche, em Dahlem?

Helena disse...

Pois, tu e o Ricardo têm mesmo cara de raptores da Maddie...
Na Bolívia também não nos deixavam fotografar. Parece que depois de uma pessoa morrer destroem tudo o que lhe pertencia, para ela poder morrer em paz (tenho de ir verificar esta informação, porque me parece demasiado drástico). Por isso é que não querem fotografias: prolongam a pessoa no tempo, não a deixam morrer bem.
A gente estranha esses costumes, mas depois olha para o que se passa na Europa, e aí encontra o mesmo medo da imagem que não se pode controlar.