04 dezembro 2012

ontem vi o Pai Natal - estava na caixa da Konzerthaus em Berlim



Ontem ao fim da tarde, estava eu a pensar que finalmente podia vir contar aqui como foi a fantástica festa de comemoração dos 40 anos da Orchestra Academy, eis que o telefone toca e era o Joachim a perguntar "queres ir hoje à noite à Konzerthaus ouvir a 9ª de Beethoven e o concerto para violino de Tchaikowsky?"
Eu queria.
De modo que jantei a correr e saí.
Quando cheguei à caixa onde me dariam o bilhete guardado para mim, havia duas senhoras à minha frente, mãe e filha, que só tinham um cartão de pagamento que aquela máquina não aceitava. "Então compro para já um bilhete para a minha mãe, e vou ali ao multibanco buscar mais dinheiro para comprar o meu depois", disse uma delas, mas o empregado deu-lhe dois bilhetes e disse "Entrem, entrem, que está mesmo a começar, e venham cá pagar no intervalo."
A seguir era eu. Tinha-me esquecido do nome que devia estar no envelope. "Desculpe, não me lembro mesmo, nós tratamo-lo por Björg, e não me lembro do nome de família!" O empregado deu-me um bilhete qualquer, por acaso era mesmo na quarta fila, ao centro, "leve este, leve este, porque se demoramos mais o concerto começa sem si."

***

Uma pessoa habitua-se à Filarmonia, e depois é um sarilho. O violinista, Andrej Baranov, era extraordinário. Os outros músicos eram muito bons, o coro portou-se muito bem (excepto um menino, no canto esquerdo, que passou o tempo a meter conversa e a distrair os outros). Mas a sala, as notas desencontradas e perdidas pela sala... É que nem a tosse do público se ouve ali com clareza!

3 comentários:

Paulo disse...

Maus hábitos, Helena, é no que dão.

Helena disse...

Podes crer, Paulo.
Os maus hábitos tornam-se vícios, e depois uma pessoa anda aí ó tio ó tio, que não tem dinheiro para o vício... ;-)

(este mês tem lá mais 3 ou 4 concertos daqueles imperdíveis - ai!)

Gi disse...

É a única coisa que me consola: pensar na fortuna que me custaria o vício, se vivesse numa terra assim.