27 março 2012

um velhinho com swing



Terça-feira, dia de Lunchkonzert na Filarmonia. Hoje tocava o Duo Parthenon: Christina Rauh no violoncelo e Johannes Nies no piano. Beethoven, Martinu (com uma bolinha por cima do u) e Piazzolla.

A Christina Rauh explicou que o seu violoncelo é emprestado pela fundação alemã Musikleben. Foi feito por Giovanni Battista Rogeri em 1671 ("tem mais setenta anos que a Berliner Dom", dizia ela) e foi-lhe cedido pela fundação, na qualidade de vencedora de um concurso de músicos.
"Isto é um bocadinho como um casamento arranjado", explicou, " sabia que ia ter um violoncelo muito especial, mas não sabia se me ia dar bem com ele. Por sorte, foi amor à primeira vista. Tem um som, uma vibração, um..." (e continuou a tecer-lhe elogios, é tão bonito ver gente assim apaixonada)

Depois sentou-se no seu banco, fez uma troca de olhos com o pianista, e o danado do velhinho, o violoncelo de 340 anos, arrancou para o Le Grand tango de Piazzolla e o Burlesque de Kapustin com um swing que só visto. 



No fim do concerto passei pela bilheteira, e para não variar arranjaram-se uns prodígios: um relativamente pequeno para o concerto com o Cesário Costa, o violinista Alexandre da Costa e a Abertura sinfónica Nr. 3 de Joly Braga Santos (no dia 1 de Abril às 4 da tarde, mais informações aqui), e um prodígio enorme para o concerto do Dudamel, que estava esgotadíssimo.

3 comentários:

Paulo disse...

Fico muito contente pelo prodígio relativo ao Costa e ao Da Costa. Acho que vai ser um bom concerto, com Joly Braga Santos na Filarmonia! (Gostava qmais que fossem os Filarmónicos em vez dos Sinfónicos, mas lá chegaremos.)
O Da Costa também promete.

Anónimo disse...

Excelentes postes sobre música! Nunca comentei esta longa série não numerada, mas tenho descoberto várias coisas e costumo gostar bastante.


Pedro

Helena disse...

Paulo, depois conto.

Pedro,
obrigada!
Este Kapustin é para seguir. Não conhecia, e achei-lhe muita graça. Um russo em Nova Iorque...
Parece-me que os músicos disseram que ele mora nos EUA, mas na wikipedia não são claros quanto a esse assunto.

Às vezes descubro coisas lindas naqueles concertos das terças no foyer da Filarmonia. Quase todas as semanas há boas surpresas.
Mas ainda está para nascer a peça que vai superar a maior revelação que lá tive: Max Bruch, oito peças para clarinete, piano e viola.