16 março 2016

"no dia em que nas lojas não houver secção de roupa para menino e para menina..."

(Ele é a Enciclopédia Ilustrada, ele é a Destreza das Dúvidas, onde acabei de publicar o post que se segue... Esta minha vida de facadinhas no matrimónio com o Dois Dedos de Conversa é só stress.)
(A propósito: o Luís Aguiar-Conraria escreveu um texto muito pertinente sobre este tema no Observador.)


Se tivesse tempo, fazia um post sobre os melhores filmes que vi na Berlinale, outro sobre o antigo ministro do Trabalho de Helmut Kohl, Norbert Blüm, que aos oitenta anos passou uma noite numa tenda enlameada em Idomeni, e disse coisas que a Angela Merkel não se atreve a dizer (e talvez nem sequer a pensar), ou sobre o modo como os media alemães estão a reagir à deriva castanha do eleitorado de três Estados que foram às urnas no domingo passado.

Mas como não tenho tempo (tantos recursos aplicados a clonar ovelhas, como se elas não se soubessem clonar naturalmente e com todo o gosto, e ninguém se lembra de me clonar um bom par de horas por dia!) limito-me a um apontamento muito rápido ainda a propósito do tema "menino ou menina" (a introdução a este post serve apenas para explicar que este tema não é uma obsessão minha, é simplesmente o atalho mais rápido para escrever um post antes de ser corrida deste blogue por estar há vários dias em idle mode) (a culpa não é minha, é dos cientistas que não sabem estabelecer prioridades e não me clonam o tempo!).

Curto resumo: o Happy Meal usava a classificação "brinquedo de menina" ou "de menino" em vez de descrever o brinquedo, houve uma crítica, a empresa McDonald's percebeu e aceitou, e levantou-se um coro de protestos contra quem quer mudar essa ordem natural das coisas. Um dos argumentos usados era que nas lojas também se dividia a roupa em secção para meninas e secção para meninos.

Ontem, ao folhear um catálogo da Tchibo (uma empresa que vende café, e todas as semanas tem ofertas especiais temáticas - roupa de desporto, roupa para crianças, produtos de limpeza, etc.), deparei com várias páginas de roupa misturada, sem distinção clara sobre o que é para rapaz e o que é para rapariga.









Por sua vez, o maior site alemão de produtos para criança, o Jako-o, tem na sua secção de roupa para rapaz coisas assim:




E na secção das raparigas:


Sem perder muito do nosso tempo a comparar as páginas, nota-se logo que a t-shirt cor-de-rosa com uma borboleta, a azul de unicórnio e a que tem uma águia imponente repetem-se nas duas secções do catálogo. 

(Mas eu gosto é da alegria das cores da roupa infantil da Tchibo. Quase me dava vontade de ter outra vez filhos nesta idade, para comprar tudo.) 


3 comentários:

Nádia disse...

Tão bom :) A erosão das fronteiras de género só pode ser benéfica.

Perdida em Combate

Francisco disse...

E uns vestidos e saias para todos? Isso é que era.

Helena Araújo disse...

Para todos, não iria tão longe. Mas para quem quiser: porque não?

Que diferenças vê entre uma mulher a usar um fato de calças e casaco, e um homem a usar um vestido?