28 janeiro 2015

desleixo parental - uma sequela



Desleixo parental, escrevia eu num post anterior - e devia ter sublinhado. Confundi México com New Mexico. O Matthias perdeu o avião e passou a noite num aeroporto americano. Embora isso não faça assim tanta diferença: calculo que o chão seja igualmente duro.
Para quem acompanha esta saga, um update: passou uma noite à espera que os guichets das companhias de aviação abrissem, a United abriu e mandou-o para a Lufthansa, eu disse-lhe que a Lufthansa lhe devia ter arranjado um quarto num hotel e que o mínimo que ele devia exigir, além da ligação para San José, era um voucher para o restaurante e uma escova de dentes, a Lufthansa abriu e arranjou-lhe a ligação (mas não sei se também lhe deu o tal voucher).
O coordenador do programa, aqui em Berlim, mandou uma mensagem ao Matthias, ao responsável em San José e a mim dizendo a que horas é que o rapaz chegava e a pedir para confirmarmos que tínhamos recebido a mensagem e que o podíamos ir buscar ao aeroporto. Eu (a minha bocagrande!) agradeci a informação, confirmei que tinha recebido a mensagem, mas não podia ir ao aeroporto. O coordenador respondeu perguntando se não era normal na Costa Rica irem buscar os voluntários, e se o Matthias sabia como ir ter com a família que o esperava. Oooops! Expliquei que sou a mãe do voluntário e era uma piadinha, e ele pediu desculpa pelo mal-entendido - tinha passado a noite em claro, por causa de todos os problemas ligados à vaga de frio nos EUA, e as dezenas de voluntários que estavam a caminho da América Central nesse dia.
Entretanto eu disse ao Matthias que tinha de sair por umas horas, mas que se ele precisasse de mim ficava em casa, ligada a ele por este cordão umbilical do facebook.
Resposta: "Não preciso de nada. I'm a strong black independent woman!"
A Christina corrigiu-o: "You're a  strong black independent and BEAUTIFUL woman!
Eu sabia que este ano de trabalho voluntário no estrangeiro os muda muito, mas ignorava que os mudava tanto e tão depressa.

Entretanto já chegou, diz que a família é muito simpática e acolhedora, e nunca mais ouvi nada. Deve estar a dormir como alguém que fez uma directa na véspera da saída e depois passou 36 horas em bolandas para conseguir chegar ao destino.


5 comentários:

Gi disse...

Que grande trapalhada!
Mas isso na idade dele encara-se com mais leveza. Digo eu, que dormi em aeroportos e estações de caminho de ferro.
Ainda bem que chegou bem.

CCF disse...

Fantástico! Um miúdo e peras...queria mais informações sobre esse programa de voluntariado internacional porque sei que há muitos mas queria com referências pois tenho tb uma adolescente com muita vontade de ver mundo. Se tiver um bocadinho de tempo claro...agradeço.
~CC~

Helena disse...

Pois é, Gi - mesmo na nossa idade, isto não é nada que arrumasse connosco.

CCF,
não sei quase nada sobre o programa, porque ele é que tratou de tudo. Sei que teve de juntar 3800 euros para pagar ele próprio os custos, mais a passagem de avião.
Aqui tem o site da organização:
http://www.icja.de/content/en/About_us/

Unknown disse...

Os nossos filhos são do mundo! A minha foi com 16 anos para um orfanato de uma ONG Inglesa, no Nepal profundo, fazer voluntariado, mas só 2 semanas. Foi uma experiencia que não vai esquecer nunca, e que mudou a vida dela por completo. Agora com 19, está no 2 ano da faculdade em Roma e já disse que queria fazer Erasmus na Austrália ou Canadá. Nós, os pais vamos estando por Portugal....Que sejam felizes!

Júlio de Matos disse...



Um grande abraço de todos para o tão determinado quanto afável Matias!

Com alguma inveja (:-)) e sinceros votos de muitas felicidades (que ele seguramente terá, porque bem merece...)!