12 novembro 2014

uma vítima é uma vítima é uma vítima?

Neste centenário do início da primeira guerra mundial, Londres lembra os soldados ingleses que perderam a sua vida nesta tragédia. Belo.




And now, for something completely different: no mesmo dia a França inaugura um memorial com o nome de todos os soldados que morreram na região Nord - Pas-de-Calais, sem distinção de nacionalidade ou frente. Apenas o nome, por ordem alfabética.

Uma vítima é uma vítima é uma vítima?


(fonte: rfi)

Diz o Frankfurter Allgemeine que foi  fácil conseguir a lista de nomes dos soldados franceses e alemães ali caídos. Que a França e a Alemanha já têm muita experiência nestes gestos da reconciliação, dizem eles. A Grã-Bretanha é que estava mais renitente. A rainha intercedeu, e a Commonwealth War Graves Commission cedeu enfim os nomes dos soldados da Commonwealth que morreram nessa região - entre os quais também muitos do Canadá, da África do Sul, da Índia, da Austrália e da Nova Zelândia.

Um monumento que não distingue entre amigo e inimigo, bom e mau? Que esquece que o "nosso sofrimento" é que merece ser lembrado? Um monumento ao perdão?!
Esta é a Europa que temos de continuar a construir. Mais que a Europa da economia e do euro, é a Europa da Paz.

(A propósito, lembro uma história que me deixou perplexa: uma jovem alemã foi violada por um grupo de homens no Sri Lanka, salvo erro. Teve de ficar nessa região durante vários meses, para o julgamento. Com o passar do tempo teve oportunidade de conhecer melhor essa sociedade, os homens que a tinham violado e as suas circunstâncias, e perdoou-lhes.)

(E depois, penso nos tresloucados que pensam que são um Exército Islâmico, e nas suas vítimas. Será que daqui a 100 anos vai ser possível perdoar?)


2 comentários:

D.S. disse...

Lindíssimo! :)

Tens razão, é esta a Europa que é necessário continuar a construir. Mesmo contra animais selvagens que a atacam: http://www.theguardian.com/politics/2014/nov/11/farage-ukip-armistice-hitler-german-surrender-first-world-war

Helena disse...

Gostei dessa argumentação. Até pensei "se o meu avô não tivesse morrido ainda hoje era vivo."