22 fevereiro 2013

e por falar em partir com o circo...

Amigos, 
Há uma sensação que quase toda criança tem quando o circo vai embora da cidade. De repente, todo aquele mundo de encantamento e magia desaparece deixando um enorme vazio num terreno novamente ermo. Meninos percorrem o chão batido, tentando lembrar onde ficavam os mastros da lona do picadeiro central, os suportes do trapézio, o praticável da banda. Terá sido um sonho a passagem do circo pela cidade? A serragem largada no chão, ainda molhada do xixi de elefantes e leões, não nos deixa ter dúvidas. Houve, sim, um circo que passou por ali, nos encantou, e agora foi embora, talvez para sempre, talvez até algum dia em que o circo não será mais o mesmo, não porque ele mude, mas porque nós mudamos.
Muitas vezes, desejamos partir com o circo. Ver aqueles vagões enormes entrando na estrada, levando todos aqueles momentos maravilhosos para algum lugar distante, faz com que nos sintamos pequeninos e nos dá uma vontade enorme de ir juntos, abandonar lar e escola e mergulhar no mundo paralelo do brilho, espanto, alegria e felicidade.
Terça-feira, às 11 horas da noite, deixei a Helena na casa da Fernanda. Lá, ela iria dormir e acordar na quarta para iniciar uma viagem até o Rio de Janeiro, passando por Paraty e cercanias. Uma parte do meu coração foi viajar com elas, como um aprendiz da vida, orgulhoso por estar entre o mágico, o trapezista e a bailarina.


***


O circo acontece entre as pessoas, é feito tanto pelo público como pelos artistas.
E também não é fácil desfazer a tenda e partir, quando se está tão bem num lugar.
Na tarde de sábado andámos a passear pela Barra. Havia um grupo de samba rafeirinho num bar da praia, e resolvemos ficar por ali, bebendo água de coco e saboreando aquele ambiente de festa. Só podia ser portuguesa essa que desatou a chorar na praia cheia de sol e samba.
No teu circo que parte, Ruben, eu sou o palhaço do lugar-comum, a cara escancarada de sorriso e os olhos cheios de lágrimas.

2 comentários:

Interessada disse...

Bem-aventurado o que chora porque só ele sabe rir.

Helena disse...

Bem-aventurado o que chora perante a beleza da vida - sinal de que se deixou tocar por ela. :)