27 fevereiro 2013

a indignação não basta

Stéphane Hessel morreu.
Em momentos destes sinto sempre uma espécie de vertigem: os melhores de nós vão-se, e deixam o mundo nas nossas mãos impotentes e inábeis.

Num post que escrevi em Março de 2011, e agora transcrevo, falei da sua vida misturada com a nossa História, e de uma mensagem importante que nos queria deixar: a indignação não basta, dizia ele. É preciso comprometermo-nos.



17 Março 2011


Engagez-vous!

Rui Bebiano, fala neste post do livro Indignai-vos!, de Stéphane Hessel.
Ao aproximar-se do final da vida, escreve Bebiano sobre Hessel, mas - digo-o com toda a satisfação! - o homem está alive and kicking.  Depois de pôr o dedo na ferida, tratou imediatamente de nos abrir portas para sairmos desta situação. Porque a indignação não basta.
O novo livro chama-se Engagez-vous!, e é uma conversa com  Gilles Vanderpooten, um jovem ecologista.

Si Indignez-vous ! appelle à l'indignation, Engagez-vous ! – vous l'aurez compris – appelle à «s'engager sur tous les fronts dans les combats de son époque : droits de l'homme, défense des sans-papiers et des sans logis, etc.» Car, insiste le vieillard engagé au travers des échanges : «il ne suffit pas seulement de s'indigner». Un entretien sur l'engagement, donc, que le sociologue Jean Viard résume en trois mots : vif, profond et passionnant.

D'écologie, il en est donc aussi question dans Engagez-vous : «Je crois que l'engagement pour l'écologie est aussi fort que l'était pour nous l'engagement de la Résistance. L'intérêt du mot «écologie» est qu'il s'articule en problèmes très concrets, certainement plus facilement que l'engagement dans la lutte contre l'injustice. L'engagement de votre génération pour limiter la consommation excessive d'énergie et de ressources, c'est un des engagements concrets où l'on peut déjà agir par soi-même [...]», souligne un Stéphane Hessel plus impliqué que jamais sur la question.
(aqui)

***

Recentemente, ao preparar uma visita turística a Weimar, cruzei-me com o nome de Hessel. Nascido alemão em 1917 e filho de um judeu assimilado, tornou-se membro da resistência francesa, foi preso e torturado pela Gestapo, e enviado para Buchenwald, sendo o seu nome inscrito numa lista de condenados à morte. Foi salvo por Eugen Kogon e Arthur Dietzsch, também prisioneiros, que trocaram o seu número pelo de um judeu morto do bloco de experiências de medicina, o que o marcou para sempre com uma espécie de culpa. Fez parte do grupo que escreveu a Declaração Universal dos Direitos Humanos, insurgindo-se em especial contra a tortura porque, como a sua própria experiência ensinou, além de ser uma violência absolutamente inadmissível, é uma coisa estúpida: o algoz não tem meios para saber se o torturado diz a verdade ou está a inventar para escapar ao sofrimento.
Neste site (em francês) encontrei mais informações sobre ele, e um conjunto de entrevistas admiráveis.

Indignez-vous! Engagez-vous! - é a consciência do século XX que nos fala, a voz de um homem livre que atravessou o pior e o melhor que o século passado nos legou.   

3 comentários:

Catarina disse...

Vou lêr 'Engagez-vous!'.

p.s. o link "(aqui)" está a dar erro, podes re-publicar? Obrigado.

Helena disse...

Obrigada, já corrigi!

E eu vou procurar os dois livros - comprei-os, e perdi-os no monte dos livros que quero ler... :(

Catarina disse...

já vi. obrigado. repete o link. ok.