01 junho 2012

festival de poesia de Berlim

Ando há três dias para escrever um post a dizer que não dou vazão. Que tenho tanto para fazer que nem sei por onde começar. Que me dava jeito (estabelecer prioridades é comigo!) arranjar uma gastroenterite de três dias, para os passar na casa de banho a aviar o monte de revistas e jornais que lá tem e já vai em mais de meio metro (ai, melhor seria uma gastrorenterite de cinco dias - acabei de descobrir dois Die Zeit na sala).

(Não acredito que consegui abrir um post chamado "festival de poesia" falando de gastroenterite! O melhor é mudar de linha, muitas linhas) (começar de novo / e contar comigo)




Andava a pensar que não dou vazão, e eis que sou atropelada pelo festival de poesia de Berlim 2012, a décima terceira edição. Começa hoje, vai até 9 de Junho.
Esta noite há um "fogo-de-artifício da poesia" - poetas de vários países lêem os seus poemas na língua original.
Weltklang is a concert of voices, tongues and verses. The stars of international poetry come to Weltklang – Night of Poetry to provide a definition of where poetry is now. The poets read in their own languages without simultaneous translation. An anthology is being specially published for this event, providing translations of the poems into German. Weltklang – Nacht der Poesie brings together various poetic viewpoints. The evening shows the broad spectrum of international poetry and its contemporary power.  

Sábado é dia de conversas entre os poetas e os seus tradutores, e de renshi.eu.

Será que alguém me arranja uma clonagem de mim própria, em 24 horas e a preço de amigo? É que amanhã quero estar em quatro sítios ao mesmo tempo: em casa, a trabalhar / a gozar o fim-de-semana com a família / nas sessões com os tradutores / no renshi.eu.

Pois, o renshi.eu: pediram a um poeta de cada país da UE (27 + 1, a Croácia) a participação num poema em cadeia. Antes de apresentarem o resultado final, os poetas falam sobre a situação no seu país e a ligação da poesia à política. Portugal está representado por Filipa Leal, que participará na sessão da Embaixada do Luxemburgo.

Young poets on the crisis in Europe, on poetry and politics
Europa is in the middle of an existential crisis. The dream of a unified continent is becoming a financial nightmare, with the visions of the founding fathers lying shattered amid neoliberal crisis management. Europe of its citizens is becoming the Europe of the bean counters. Only money matters, values are no longer important. The future of the idea of Europe is at stake.
For the poesiefestival berlin young poets from all 27 EU member states and the accession state Croatia are writing a renshi. In this chain poem they refer and relate to each other in literary terms, sounding out in their own artistic manner the highs and lows of Europe's many voices.  renshi.eu casts a critical eye, unclouded by market and political concerns, on what makes Europe tick now. On 2 June 2012, the poets will be presenting their work in a community poetic-political reading performance.
renshi.eu started in Greece, the epicentre of the current economic crisis but also the birthplace of European culture and democracy. Five groups of five or six  poets worked in the various countires in parallel on five different renshi strands, with each strand originating from a poem by Greek poet Yannis Stiggas.
Each part of the renshi was taken up by the next poet in line, varied, commented on. To finish, the chain poem then returned to its source, andYannis Stiggas wrote a final stanza for the five strands reflecting the traces his lines had left in the writing and thinking of the other poets.
The focus throughout was constantly on what the poets took in their countries to be Europe's status quo: international politics, day-to-day problems, but also the big designs, bedded on the figures and myths of this old and ever new idea. Using the previous poet as a starting point provided many diverse transformations revealing the characteristic features and power of the image-worlds, the density of allusion and the sounds of contemporary European verse. A polylog in poems has been created, a conversation on equal terms about past, present and future, about European values, crisis and utopia - a parliament of poets has convened. The European Parliament has undertaken patronage.

This is the place gentlemen
 
Many fathoms beneath nothingness
our hair
enmeshed in its roots
my son my son Absalom
you will not have had a pendulum’s sway
as it is
we import time from Greenwich
because our time
has holes that are black and unfilled
you call out to love
and an echo comes back to you bloodied
it has myriad hands that were sliced off
not the hands of sculptures
   they later all
turned to stone
Yannis Stiggas
(Translation: Peter Constantine)


No domingo há um colóquio sobre tradução de poesia. Entre outras coisas.

Na segunda-feira a festa continua, na terça complica-se e de que maneira: Nikola Madzirov (o João Luís Barreto Guimarães falou dele aqui) às seis e meia, oficina de tradução de poesia brasileira às oito - mas é o dia 5 de Junho, já tenho a agenda marcada a vermelho.
Em Berlim há de tudo, há demasiada oferta de tudo, mas falta-lhe o principal: um gabinete de clonagem. Isso é que era!
Por sorte há mais Brasil na quarta-feira. É só Brasil, na quarta-feira. 
Na quinta-feira há Fatima Miranda. Entre outras coisas.



Na sexta-feira nem vou ver o que há. O que não tem remédio, remediado está, e na sexta-feira há o baile de finalistas da Christina, está marcado a vermelho há meses.
Ai! Fui ver: falar de poesia na escola / Síria / filme com Wisława Szymborska
- Meu reino por uma clonagenzinha! (nasci demasiado cedo, é o que é)

No sábado há uma feira da poesia no parque e um Poesie@Pecha Kucha (já lá estou, nem que tenha de deitar a minha agenda ao lixo!).
O festival termina com a entrega de prémios aos miúdos vencedores do concurso "a poesia une".

More than five hundred children and young people from Germany and Poland have followed the call of the 'Poetry Unites - Send us your Favourite Poem' contest and sent in texts on their favourite poems and the role they have played in their lives and their dreams. The mixed German and Polish jury each selected three winners, whose stories have been made into films by film maker Ewa Zadrzyńska. The winners will be able to meet at the awards ceremony, and the short films will be given their première.

Gosto muito da ideia encerrar o festival trazendo ao palco os mais novos e as suas histórias pessoais de amor à poesia.

(Se souberem da tal empresa de clonagem, agradeço, e já nem peço preço de amigo, nem nada)

4 comentários:

Eduardo Pitta disse...

Um pequeno lapso, Helena. Não conheço Nikola Madzirov, de quem nunca falei. O seu link é para o blogue do João Luís barreto Guimarães... «Poesia Lda». Obrigado pela gentileza que não me é devida. Um abraço, Eduardo

Helena disse...

Eduardo,
obrigada, já corrigi.
Peço desculpa aos dois pela troca - e muito gostava de perceber como é que um erro tão palerma me aconteceu!

gralha disse...

Ofereço-me para clone no festival de poesia, apesar da muita ferrugem que já leva o meu alemão :)

Helena disse...

E fazes preço de amigo, gralha?
Óptimo, óptimo!

Isto está a correr bem. Daqui a nada aparece aí outra amiga a oferecer-se para ser o clone que me limpa a casa, estou mesmo a ver.
;-)