11 maio 2012

o expresso do paraíso (0)



Durante os próximos dias tentarei descrever (se a tanto me ajudar o engenho e arte, e tempo) a aventura em que meti o Wladimir e a Olga Kaminer nestes primeiros dias de Maio.

Foi um tempo muito rico de impressões e momentos fantásticos, e eles gostaram tanto que já estão a combinar nova viagem a Portugal comigo. Querem correr todas as Pousadas, começando pela de Óbidos, num daqueles quartos nas torres. E eu quero ver a cara deles ao entrar na Pousada de Santa Maria do Bouro. Hei-de levá-los também ao Douro, têm de provar o leite-creme da Aninhas, os bolinhos de bacalhau que ela faz com claras batidas em castelo para ficarem mais fofos. E o vinho, claro, o vinho. Quando a Olga provar um moscatel jovem do Vallado, aquele vinho com aroma doce e sabor seco, vai deixar de jurar que o melhor vinho do mundo é o verde. Que também é, claro, mas ex aequo com outros que eu cá sei.

Dias espantosos, é certo, mas para mim o verdadeiro paraíso aconteceu à margem dos meus ilustres parceiros de viagem.
A alegria de reencontrar amigos de para sempre. Os abraços, os sorrisos. O meu bolo preferido pousado num aparador (deve ser alergia, ou: como explicar que uma tarte de limão me ponha os olhos cheios de água?). A incrível ajuda que recebi de tantas pessoas para que esta viagem corresse o melhor possível. A tranquilidade do meu taxista preferido, o gosto de lhe dar confiança. E duas amigas sentadas num sofá, uma manta colorida sobre as pernas, e um "então?" mágico que me desata as palavras.   

Não criei nada, as coisas acontecem-me assim, mas olho para estes dias com um sentimento de plenitude, felicidade e satisfação: e viu que era bom.

7 comentários:

mdsol disse...

:)))

Estes dias que conheço só pelo que leio aqui de longe [ou será de muito perto?] até a mim me fazem bem. É um efeito secundário, nada negligenciável, que só acontece porque a Helena e tal...

:)))

Helena disse...

Não digas nada, mdsol, não digas nada! Ainda me põem na lista de drogas proibidas, ou ainda aplicam um IVA de 23% ao que escrevo.
Vai ser o nosso segredinho, está bem?
;-) e muitos :)))

Carla R. disse...

Que bom !
Vou buscar um caderninho e apontar tudo.
Quem é a Aninhas ?

Helena disse...

A Aninhas é a cozinheira da quinta onde costumamos passar uns dias no Douro. Uma mulher fantástica.
Aliás: aquilo tudo é mesmo um bocadinho de paraíso. Se penso na mesa enorme preparada no terraço sob a ramada das videiras, na alegria dos jantares com os amigos, bem regada pelos mojitos que o Joachim faz...

Quando quiseres ir lá, diz. Mas prepara-te: pode ser que os teus filhos nunca mais queiram ir embora! E tu própria, também: ali se te acabará a nova carreira de nómada.

Gi disse...

Helena, também podes trazer os Kaminer à mourama, ou vires tu, que isto também tem os seus encantos, sabendo...

Lutz disse...

"Não criei nada..." - Ó Helena, tu sabes que isto não é bem verdade. Quando uma pessoa tem tantos e tão bons amigos, isso diz muito sobre essa pessoa. E que toda essa tua digressão com os Kaminer correu sobre rodas (ou assim parecia), também não é algo que veio do céu, mas fruto de uma preparação realizada com muita dedicação e energia, e com ainda mais optimismo e charme. Qualidades características de quem? Pois, tuas.

Helena disse...

Lutz, se eu termino com "e viu que era bom", tenho de começar a frase com uma boa distribuilão dos macacos pelos respectivos galhos - eu não sou o Criador.
(Mas sim, meu filho, Nós compreendemos bem o que Nos queres dizer, e estamos-te gratos pelo apontamento. Não te esqueceremos, meu filho.) (hihihi)

Em todo o caso, o mais importante desta frase é: olho para estes dias com um sentimento de plenitude, felicidade e satisfação. E esqueci-me de algo ainda mais importante: uma imensa gratidão a todos os que embarcaram e tanto me ajudaram nesta aventura.