12 abril 2012

caminhante, não há Kaminer... (1)



Meti-me numa aventura enorme, da qual tenho andado a contar detalhes aos bochechos. Para ver se me entendem, desta vez vou explicar tudo, tim-tim por tim-tim:

Há meses traduzi para português o livro de um escritor russo, agora berlinense, que escreve em alemão. Vai sair em breve, e chama-se Viagem a Tralalá.
Já tinha ouvido falar do autor (e como não? é um dos mais lidos na Alemanha) mas ainda não tinha lido nada dele. Achei o livro muito inteligente e divertido, e deu-me imenso prazer traduzir. Como tinha algumas dúvidas sobre certas passagens do texto, tentei entrar em contacto com ele. Os meus e-mails ficaram sem resposta, mas por sorte cruzei-me com ele num sarau (o teatro cheio, o público a rir ininterruptamente durante duas horas inteiras - este Kaminer é um excelente humorista) e marcámos um encontro para a semana seguinte. Era o dia 1 de Setembro, e ele abriu a conversa com uma onda de nostalgia: "Na União Soviética, as aulas começavam sempre a 1 de Setembro. Aqui em Berlim, essa data é móvel. Coitadas das crianças, não têm uma data certa para o seu ódio." Tirei as dúvidas, falámos de Portugal, onde ele já fez férias. Mais tarde encontrei-me com a Olga Kaminer, à porta do Kaffee Burger em dia de Russendisko, para lhe dar um CD dos Deolinda, como prometera (se tiverem uma ideia melhor, digam agora ou calem-se para sempre. Sem-se-ver, eu sei: oquestrada. Vou tratar disso.), a que se seguiram alguns e-mails e encontros. Devo dizer, grata, que raramente um tradutor literário terá sido tão bem tratado pelo escritor.

O livro vai sair em breve. No jogo decisivo agenda do Kaminer x lançamento em Portugal, ganhei eu (mas não conto o truque - o Pinto da Costa é um menino do coro, comparado comigo) (ai! o que eu fui dizer ! Sem-se-ver: o Pinto da Costa é um menino do coro! o Pinto da Costa é um menino do coro!) (hihihi)
De 3 a 6 de Maio o Wladimir e a Olga Kaminer vão andar por Portugal. E eu terei a sorte de andar com eles, mostrando-lhes o país e contando-lhes as milhentas histórias que não se contam aos turistas - desde a da rainha Santa Isabel da Pousada onde irão dormir, parenta da princesa Santa Isabel da Turíngia que também fez um milagre das rosas, até ao orgulho das gentes do Marvão, que vêem as costas dos pássaros quando estes voam. E muitas outras, claro.
Por bem saber como a insularidade é triste, estou a fazer a minha parte do trabalho para ser possível uma sessão especial Wladimir Kaminer em Montemor-o-Novo. Depois conto os detalhes, mas em princípio será na sexta-feira, dia 4 de Maio, ao fim do dia, na livraria Fonte de Letras.
O grande lançamento será na Feira do Livro em Lisboa, às 19:00 de Sábado, dia 5 de Maio. A seguir, às dez da noite, vai haver Russendisko na Pensão do Amor.

Ora bem, a Russendisko: não sei se estão a ver. A Russendisko é uma daquelas histórias incontornáveis da Berlim que, após a queda do muro, se reinventa tão maluca como sempre. O Kaminer levou a Russendisko ao México, e de repente havia seis mil pessoas a dançar ("com o entusiasmo, começaram a tirar a roupa. Infelizmente eram quase todos homens."). Também a levou a um encontro nacional de católicos alemães, e comentou no seu twitter: "Os católicos são loucos - começam a dançar antes mesmo de haver música."
E agora vai haver Russendisko em Lisboa.

Tenho andado à procura de informação em português sobre o Wladimir Kaminer. Há pouca, mesmo muito pouca. Por isso, começo uma nova série:

caminhante não há Kaminer, faz-se Kaminer ao blogar

Durante as próximas semanas vou deixar aqui pequenos textos do Wladimir Kaminer, muitos deles traduzidos à pressa pelo vosso amigo Speedy Gonzalez, e todas as informações que entretanto forem aparecendo. Espero que gostem.

14 comentários:

Pedro disse...

Os Naifa - até porque a selecção poética é bem boa (mas isto sou eu, que não gosto de Deolinda)

Lucy disse...

Obrigada Helena. Ia mesmo pedir-lhe para explicar tudo... Esta manhã escrevi um comentário ao Saraiva mas perdi-o no ciberespaço, não faz mal, também era para lhe agradecer (a si não a ele)por mexer as águas e só desejo que se forme uma enorme onda.

Carla R. disse...

Ai que até o coração bate mais depressa ao ler este post. E eu a querer ser razoavel e a não mudar a data do bilhete. Helena, tu desassossegas-me mais esse Kaminer.

Helena disse...

Pedro,
e então eu vou dar música portuguesa a um russo só por causa dos poemas em português?!

Lucy,
sempre às ordens!
Sim, era bom que se formasse uma onda que abanasse as (in)consciências das pessoas.

Carla,
então ainda não mudaste a data do avião?!
Olha, eu não sei como vai ser a sessão de apresentação do livro. Em alemão, aquele homem em genial. Em português traduzido por mim, vamos a ver como será. Mas a Russendisko vai ser com certeza muito gira. E está lá a Rita Dantas, mais uma razão para ficares mais uns dias em Lisboa.

Rita Maria disse...

Um aviso aos outros leitores da Helena: ele não está sempre com essa camisa, prometo.

Outra aos que não a conhecem pessoalmente: sim, ela é mesmo assim gira!

Helena disse...

Rita:
:-)

(e mais não digo!)

sem-se-ver disse...

o pinto da costa é o maestro do coro.

dito isto:
eu já estava convencida, mas bora com essa série de speedy posts!

Helena disse...

"speedy posts", hahaha

Começo amanhã. Hoje já escrevi muito, e os clientes queixam-se que não dão vazão.

Interessada disse...

Quem podia adivinhar que a Helena é assim? Espero que não se zangue, mas parece-me filha da senhora que nos sorri diariamente:)

Helena disse...

Claro que não me zango, Interessada, mas olhe que talvez haja aqui uma ilusão de óptica. Era o i-phone do meu marido (nada imparcial, portanto), à distância, pouca luz...

Interessada disse...

Testada a zoom 400%, confirmo a apreciação anterior :)
Só não dá para avaliar eventuais imperfeições de pele.

Helena disse...

hahahaha

:-)

(já tem as suas manchinhas, as suas ruguinhas... já entraram 47 anos, ou talvez 48 - passam tão depressa que até me esqueço!)

Leonor disse...

Helena, não te esqueças daquele de Lisboa do 'Ich bin kein Berliner' :)
Beijinhos

Helena disse...

Leonor,
esse já está traduzido. Está na linha de montagem para sair em breve.
O outro, que ainda vou traduzir, é o início de Russendisko: as complicações de ser judeu na União Soviética.
Depois tenho um texto dele em inglês sobre um concurso de teatro.
Podes encomendar outros, se quiseres.
:-)