05 outubro 2011

se é para ser Holanda, não tem de ser sempre Amesterdão... (2)

Sábado: praia de manhã, Middelburg à tarde. Uma delícia de cidade, com imensas lojas pequeninas. Também algumas lojas das cadeias internacionais do costume, mas nessas ninguém nos obriga a entrar.

Uma sorte já não ter filhos pequeninos, porque as lojas de coisas para crianças nem vos digo nem vos conto. Uma sorte ter filhos grandes com juízo, que aceitam que talvez não seja boa ideia dar 70 euros por uma camisola, apesar de ser lindíssima. Um azar a Hema ter-se-me atravessado no caminho: é onde mais gosto de me desgraçar quando vou à Holanda, e fui mais uma vez seduzida sem dó nem piedade. Uma sorte as lojas fecharem às cinco da tarde, sempre se mantiveram os estragos a um nível relativamente comportável.




Demos um passeio de barco nos canais da cidade, com um condutor que palrava animadamente em holandês, e a gente só percebia "oppassen!", que era para ter cuidado porque o barco ia passar por uma ponte muito baixa. "Ponte baixa" é como quem diz: um eufemismo. Suponho que na Alemanha não deixavam construir pontes assim, ou então não deixavam barcos de passageiros passar por baixo delas.
A viagem foi uma autêntica aventura: o condutor, pelo meio de uma huis assim e uma huis assado, metia um "oppassen! oppassen!", a ponte cada vez mais perto, e nós, zimbas, como tartarugas a encolher a cabeça para dentro do casaco. E a rir.






Subimos à torre "Lange Jan", e os rapazes contaram os degraus. Chegados ao topo, tinham números diferentes. Por causa das dúvidas, enquanto descia contei também. Eram duzentos e sete. Mas tenho a certeza que na subida foram pelo menos quatrocentos.



Esta cidade, que parece tão bonitinha e antiga, sofreu uma grande destruição devido aos bombardeamentos alemães, primeiro, e depois aos dos aliados. Foi reconstruída quase de raiz por volta dos anos cinquenta do século passado (mas não lhe encontrei asneiras como em Weimar, onde há um edifício com uma fachada quinhentista e outra comunista; bom, em Roma também há o Collegio di Propaganda Fide, com uma fachada de Bernini e outra de Borromini, de modo que o melhor é não dizer muito mal de Weimar e das reconstruções à maneira da RDA, porque o exemplo vem de longe e de cima). Na igreja havia um quadro cronológico das destruições da torre: incêndios medievais, raios renascentistas e barrocos, e - ai! - aviões alemães. Ao passar pelo monumento que lembrava aquela tragédia, optámos por falar português. Disfarça, disfarça. 

Jantámos no restaurante Amizade - Vriendshap, que fica numa esquina da praça do mercado. Recomendo tudo, excepto o preço. Mas a verdade é que qualquer restaurante na Holanda é caríssimo, e já comi pior em restaurantes mais caros. 

4 comentários:

sem-se-ver disse...

olha!


esta (cidade) conheço :))


(inesquecíveis 760.982 degraus da torre. quando acabei de descer nao conseguia andar normalmente, as minhas pernas, automatizadas, continuavam a arquear-se como para descer degraus :/

Gi disse...

Muito bonita, de facto. As reconstruções urbanas na Europa central foram coisas fantásticas. Pena que aqui nesta periferia só recentemente se tenha passado a dar (às vezes) valor ao património autenticamente antigo que temos/tínhamos.

Helena disse...

sem-se-ver, "hades" vir aqui a Berlim, e subir o milhão de degraus da nossa Goldene Else (a coluna da vitória)

Gi,
isso, isso. Eu acho que os alemães recuperam as coisas bem demais. Os polacos e os holandeses, pelo que vi, sabem fazer melhor: constroem de raiz coisas que parece que já estão ali ao deus dará há séculos.
Mas com certeza haverá arquitectos que dirão de um e do outro: que pastiche horrível.

Gi disse...

Aí está: outro dia, no blogue da Teresa, ela falava contra as cópias, e de uma forma geral dou-lhe razão, mas há cópias de que gosto mesmo muito. Prefiro mil vezes a Varsóvia reconstruída pré-guerra à Varsóvia comunista genuína.