27 junho 2011

correio das ilhas (1)

Olá, Rita

Ainda só estou há dois dias em Portugal, e já percebo bem que queiras mudar para cá. Até a mim apetecia...
Ontem, por exemplo, a jantar com alguns dos amigos que prepararam o casamento do século (melhor dizendo: o casamento da outra dimensão), no meio de muita risota, boa música e óptima comida, cunhámos um nome: "o nosso casamento". Não saberia melhor maneira para exprimir o que aconteceu naquela festa memorável. No regresso a casa vinha tão feliz que até me apetecia conversar com o motorista do táxi.
 
E esta tarde aconteceu-me um desses momentos que tornam a vida muito especial. Uma conversa com alguém com quem já simpatizava muito, que conhecia dos blogues, e que se revelou muito melhor - ainda muito melhor - do que já me parecia. No regresso a casa não me deu um ímpeto de conversar com o motorista de táxi porque fui o tempo todo a decidir entre cantar "gracias a la vida" ou "com um brilhozinho nos olhos". Gracias a la vida porque hoje soube-me a tanto!

Apesar do calor (ah, as saudades que tenho das árvores de Berlim!) (não, não disse nada) fui da sede da CGD até à Gulbenkian a pé, para dar com o nariz na porta: segunda-feira. Então continuei para o Saldanha, passando por uns jacarandás já sem flores, com os ramos negros contorcidos no ar como esculturas. Lindos.

Comprei a Volta ao Mundo de Junho, com a reportagem sobre Berlim, Diziam que eu "estiquei o passo" e falavam do meu lado alemão "bem presente na forma como encaminha rapidamente o grupo para o acesso ao centro do poder da Alemanha". E depois queixam-se que a Merkel isto e aquilo. Se os portugueses acham que eu tenho um lado de eficência alemã, o que é que a Merkel não há-de pensar deles?
Em todo o caso, aprendi a lição: visitas com portugueses, em Berlim, só de Segway...

6 comentários:

Jonas disse...

Por outro lado, "hoje soube-me a pouco" :)

Rita Maria disse...

Ó meu Deus, que luxo!

E que sorte! Espero que lhe tenhas logo perguntado se nao sabia de um emprego para nós as duas, de preferência debaixo dos jacarandás...

PS: Eu, como sabes, sou adepta de uma versao mais gozada da Berlim turística, mas a minha também implica arrumar com os monumentos que temos (que, aqui entre nós, nao têm grande interesse) para depois poder avançar para a cidade propriamente dita, que precisa de contexto, passos largos, atençao ao detalhe. Mas ainda assim os portugueses que levo comigo insistem nas eternas paragens de três horas para o almoço (no Verao, com as poucas horas de luz, fico que os mato) e queixam-se muito de dores nas pernas depois. Hipótese em teste: o português dá pouco à perna.
PPS: Desse vosso casamento, alguém me prometeu um vídeo...

Helena disse...

Jonas, esta gente que nunca está satisfeita com o que recebe... ;-)
Mas foi isso mesmo, taliqual, rematado com gracias a la vida. Gracias a la bida.
E ;-) outra vez


Rita,
claro que me esqueci de perguntar pelo emprego. Bem me parecia que me estava a esquecer de alguma coisa importantíssima. Por estas e por outras é que nunca hei-de sair da cepa torta. ;-)

Ai! andava a recalcar essa história dos almoços intermináveis. Aquele de duas horas, à sombra do Pergamon e do Bode, esse então ando a tentar esquecer com especial afinco. E eu a pensar: mas não se podiam desenrascar com um doenner, uma currywurst? Não.
É que não foi por ser à sombra do Pergamon. Foi por ser em vez do Neues Museum.
Mas aprendi para a vidinha, podes crer: na próxima visita que organizar a Weimar não vou pôr as pessoas a almoçar uma salsicha grelhada entre a Bauhaus e a casa do Goethe. E se calhar vamos de Segway...

Rita Maria disse...

Se continuares assim, nunca vamos trabalhar juntas.

PS: Sobre o turismo - Nao, eu de Segway nao ia, que eu digo que nao tenho medo do ridículo mas à medida que envelheço... Achas que se eu soubesse que o Pedro Mexia tinha andado de Segway lhe lia um poema com algum respeito? Para além disso suponho que saibas como morreu o fundador da Segway...

As salsichas sao óptimas (tao melhores que as berlinenses, incrível!), desde que deixes as pessoas sentar-se. O único problema de Weimar (nao que tenha havido "um problema" em Weimar, uma visita toda ela maravilhosa), é que a cidade acabou por ser só aquilo que se entrevia enquanto se corria de uma coisa para outra - uma pessoa sente-se um bocadinho orfa de contexto, nao tem tempo para perceber a vida e a dinâmica de um sítio. Mas eu nao posso falar, porque como estava a dizer despacho os monumentos berlinenses todos num dia só. Mas confesso que, dependendo dos interesses das pessoas, normalmente escolho um museu, no máximo dois, e mais parques e biergartens.

Helena disse...

Rita,
ora aqui está um bom tema para desenvolver: a poesia de um Segway.
E não te rias do fundador do Segway, que o mundo do progresso está cheio de histórias assim. Eu, por exempo, nos bons velhos tempos ia morrendo por causa de uma gemada que andava a inventar. Ia busca-las literalmente ao, digamos, extremidade final da galinha, e toca de misturar a gema com açúcar até ficar branco. E tentar muitas vezes por dia variações novas.
Bem, ainda agora começou o dia e já estou a delirar.

Pois lembrar-me-ei de levar umas cadeirinhas portáteis para as minhas próximas vítimas em Weimar se poderem sentar a comer a salsicha. Mais me valia levar uma daquelas carretas, sentá-las dentro e ir puxando entre um e outro monumento - dos muitos que há em Weimar classificados como património mundial. Se também dessem a classificação às salsichas, talvez eu lhes concedesse mais cinco minutitos... ;-)
(Ó Heleninha, não tinhas de fazer uma tradução?...)

Rita Maria disse...

Já me vou embora, mas antes disso: se ainda nao tiveres desistido das variaçoes e nao conheces esta, tenta: gema de ovo, açúcar branco e broa esmigalhada (da verdadeira, milho e centeio da nossa terra, milho só nao dá). É (ou há dez anos era) mesmo bom.