07 março 2011

escadas de van de Velde



Quem entra no edifício central da universidade Bauhaus em Weimar, obra do arquitecto belga Henry van de Velde, depara-se com esta beleza de escada:


Deve ter sido por volta desta altura que os engenheiros começaram a desentender-se dos arquitectos, "olhem-me para este desconchavo, só para fazer as escadas mais engraçadinhas dá-lhe para fanar um bocado à trave que sustenta o conjunto". Ou talvez isso tenha acontecido um pouco antes, lá pela época do  gótico, não sei e não vou tão longe. Quero apenas falar da beleza das escadas que o van de Velde sabia desenhar, essas do edifício principal:


e mais estas, no edifício das oficinas:





Gostei da simplicidade do terrazzo (vê-se no canto inferior direito) - um revestimento barato e prático para o chão. Gostei muito deste encadeamento das escadas. Isto não é ainda bauhaus, mas nota-se já um despojamento do estilo arte nova que preparou o caminho àquele salto quântico da arquitectura.


O equilíbrio das formas, a combinação dos dois tons de amarelo nas paredes das escadas para a cave: um encanto.
E que dizer da fluidez desta curva das escadas, e da beleza do pilar industrial, que van de Velde assumiu em vez de esconder sob elementos decorativos?





Aqui passo mais um pormenor do pilar:





Quem vai a Weimar não sabe o que perde se não fizer uma visita guiada por um dos especialistas da Bauhaus. Estas escadas do van de Velde são apenas um dos pontos da visita - e só elas já teriam valido a visita.

2 comentários:

Paulo disse...

Sabia pouco sobre estes edifícios e fui informar-me um bocadinho. A construção dos projectos de Van de Velde teve lugar de 1904 a 1911 e eles são de uma modernidade impressionante. Nessa época a Arte Nova ainda dominava o gosto decorativo (ia dando os últimos suspiros), mas o que se vê aqui é talvez um dos primeiros trabalhos já na linha do Art Déco e do Bauhaus.
Obrigado pelas imagens. Fico à espera de mais, se puder ser.

Helena disse...

No filme que passa no museu da Bauhaus, também em Weimar, tem uma passagem em que o Gropius, muito velhinho, conta que naquela altura andava toda a gente a fazer pastiches neo-gótico, neo-não-sei-quê - a imitar, em suma.
E eles criaram uma coisa completamente nova. Libertaram as mulheres dos bibelots que as escravizavam, libertaram as casas das cores e das complicações.
O que é impressionante: ter passado da Arte Nova para a bauhuas. Aquilo são séculos de distância e ocorreu no espaço de 10 anos!

Quanto ao desgraçado do van de Velde: como dizia a nossa guia, teve o azar de estar no sítio errado no momento errado. Belga na Alemanha no momento em que a primeira guerra começou. Fizeram-lhe a vida negra, teve de se ir embora. Um grande perda para a Alemanha. Mas abriu a porta à chegada do Gropius, que era um óptimo marketingueiro.