01 março 2011

Berlim, Grécia - ou vice-versa



Com o jeito que tenho para estar no sítio certo no momento certo, no domingo passado calhou-me ser convidada para um passeio pela Grécia Antiga, conduzido por um grande especialista alemão (ainda hei-de ver como era a posição dos astros no dia em que nasci, alguma coisa deve ter estado muito bem alinhada para aqueles lados...).
De modo que nos encontrámos ao meio-dia à porta do Altes Museum, na Ilha dos Museus.

Naquele lugar nada foi feito ao acaso: o museu, símbolo da cultura, ocupa um dos lados da praça delimitada pela catedral, o palácio do Kaiser e a casa das armas (hoje Museu da História Alemã). No centro (atente-se nisto: no centro do coração da capital do império) fica o Lustgarten, "Jardim dos Prazeres" - e ainda dizem que os alemães não têm humor...
A visita começou pela rotunda, o elemento central do edifício, cujo interior imita o Panteão em Roma. Só que, ao contrário desse, este panteão não foi transformado em igreja: é habitado por deuses gregos e romanos, que têm como função receber o visitante burguês e vigiar o palácio do Kaiser, que em parte se avista no lado oposto da praça.
Tal como o museu, o palácio foi bombardeado na guerra. Mas enquanto o museu foi rapidamente reconstruído (o que se vê é basicamente o resultado do trabalho de recuperação de monumentos com os meios e os conhecimentos que havia na RDA nos anos cinquenta), o palácio foi vítima da ideologia comunista, que não queria cá desses símbolos. Sobrou apenas uma pequena parte, poupada também por motivos ideológicos: por ali ter sido proclamada a república por Karl Liebknecht, a 9 de Novembro de 1918. A república comunista, claro - a outra, a socialista, foi proclamada no mesmo dia, mas por Philipp Scheidemann no Reichstag. Aquilo é que eram revoluções: sem facebook nem SMS, deviam ver-se aflitos para encontrar a praça certa para a manifestação. Estou mesmo a ver a Rosa Luxemburgo a correr com um magote de gente para a praça em frente ao Reichstag, a chegar lá e a descobrir com susto "ai! este não é o meu Karl!" e toca de correr para a praça seguinte, e que longa lhe terá parecido a avenida Unter den Linden.

Ainda agora comecei, e já me afastei do tema. Será retomado no próximo post (segundo espero - mas não prometo).

5 comentários:

Paulo disse...

Olha que eu fico mesmo à espera.

Helena disse...

Ai!
Se estás à espera vou ter de me desunhar para fazer uma coisa com qualidade.
Ai!
(amanhã, sim? hoje estou a ser atropelada pela vida real)

A. Castanho disse...

Amanhã, ou para a Primavera!...

Ai, que saudades dessa Cidade, dessa Ilha, desse Museu da Antiguidade e também, já agora, de uma certa casa onde morava uma certa família de almas caridosas, que nos proporcionaram uma curta visita ao "Pérgamon" (sem ter que levar o primogénito atrás), numa certa tarde de há já quase três anos...


A propósito, o que aconteceu àquele mastodôntico edifício carregado de amianto, que estava a ser fragorosamente demolido mesmo ali ao lado? Vai dar lugar à reconstrução do tal Palácio do Kaiser que em tempos lá existiu? Ou vão dar outro qualquer destino a esse terreno?


(e a resposta pode ficar lá mais para o Verão...)

Helena disse...

Três anos - o tempo passa a uma velocidade impressionante!
Se eu soubesse o que sei hoje dizia-vos para levarem o miúdo convosco. É que quem vai com crianças pequeninas não tem de fazer bicha em lado nenhum.
Isso é especialmente prático para ir visitar a cúpula do Reichstag - que por acaso agora está fechada aos turistas, devido a uma ameaça de ataque terrorista.
Aquele mastodôntico edifício foi completamente destruído, o que de algum modo é pena, porque tinha um papel simbólico importante para as pessoas da RDA. Mais um sinal de como foi feita a reunificação: de bulldozer para cima deles.

Andavam a pensar reconstruir o palácio, ou um edifício centro comercial com uma fachada igual à do palácio. Mas por causa da crise esse projecto foi adiado por uns anos.

A. Castanho disse...

Imagino. Se até para mim, que só fui em dois Sábados e como mero turista ocidental (e acidental...) a Berlim-Leste, aquele edifício tinha um certo valor simbólico...


Então e agora esse terreno é o quê, ao menos um jardim? Ou continua fechado por uma rede metálica e com ar de estaleiro moribundo?


Quanto aos Museus e ao «Reichstag», pois bem gostaria de conseguir lá voltar com a Família completa enquanto posso usufruir das vantagens de levar crianças, mas se a Alemanha adia obras por causa da crise, imagina o meu "Reichzito" familiar...


Se o vires por aí, diz ao Sócrates que a malta aqui está de olho nele e na forma como se vai comportar na recepção da Angelina Känzlerina (ou Kaiserina?...)!